Diário Número 13
2 Capítulo 2.
Notas iniciais
Jamye pulou da cama e vestiu rapidamente seus jeans e seus coturnos, amarrando-os de qualquer modo. Roubou um casaco de Gustav, ao qual Jamye se perguntava onde diabo estava e saiu apressadamente pela janela. Ela não queria chamar atenção na rua e concluiu a um tempo que ninguém olharia para cima para ver se Jamye Taylor está tentando sair para caçar.
Ela pulou fácilmente para o prédio mais próximo, e para o próximo e seguindo-se assim, verificando entre os becos se havia algum embriagado. Ela estava com tanta fome e pular exigia um pequeno esforço e lhe dava cansaço, coisa que ela não sentia muito. Essa era a única parte que ela odiava neste plano anti-tédio de Gustav: não havia muito tempo para se alimentar. Ignorando esta frustração, no fim, encontrou dois amigos risonhos e com uma garrafa de uísque em cada mão. Um deles, um garoto jovem moreno, ria loucamente ao insultar sua própria mãe e o outro apenas o acompanhava nas risadas. Jamye achou aquilo perfeito, planejando não matá-los, apenas retirar a quantidade necessária de sangue.
Ela pulou para o beco de um prédio de quatro andares em que estava, mas seus pés não transmitiram som com o impacto, tamanha delicadeza. Ela sorriu, “aquelas aulas de balé serviram para alguma coisa” pensou ela antes de se aproximar dos dois. Rapidamente, sem dizer uma palavra ou emitir algum som, ela agarrou a cabeça do primeiro jovem que viu em sua frente, um loiro atraente e bateu sua cabeça contra a parede. Ele não teve tempo de gritar, apenas deslizou inconsciente pela parede até atingir o chão.
Jamye, a partir daquele momento, não era mais a delicada Jamye, melhor amiga da Taylor Swift e a elogiada namorada de Cody Simpson, ao qual o loiro falava tanto sobre. Ela não era a Jamye Taylor que o mundo conhecia. Tanto na aparência quanto na atitude.
Seus olhos adotaram uma coloração vermelho-sangue, o que era algo meio irônico. Seus traços delicados haviam sumido transformados em traços selvagens. Ela também rosnava, seus caninos tornaram-se maiores... Era mais um animal do que um humano. Ela olhou nos olhos daquele garoto, e sua mente havia mudado. Humanos eram inúteis, assim como a mãe daquele garoto era para ele. Ele era só o divertimento dela, o que a saciava, mas era o máximo ao amor que chegariam.
“Corra, dê emoção a esta caça” ela queria dizer e seus olhos já diziam por ela apenas pela coloração ameaçadora. Mas o embriagado não correu, o que o tornava mais inútil ainda. Ela o agarrou pelo cabelo, puxou-o para si e ela enfiou seus caninos em seu pescoço, rasgando aquela pele fina que era facilmente perfurada e lembrava a Jamye marshmellows.
Ela o drenou. Largou o boneco de pano no chão e olhou bem para ele. “Você não parece mais tão feliz agora. Parece até um pouco mais útil” pensou ela. Não sentia culpa. Largou o amigo loiro ali mesmo, ele não havia a visto e não geraria problemas futuros.
Rápida e fácil assim. A morte do garoto moreno.
Escalou novamente o prédio e voltou pelo mesmo caminho, limpando a boca do sangue. Ela sentia-se mais forte, melhor, disposta. Sabia que seu cabelo loiro platinum estava quase brilhando. O azul dos seus olhos pareciam mais intensos e ela escalava quase como se estivesse voando. Seus pensamentos voltaram-se para Cody e algumas vezes ela se distraiu do caminho por conta disso, mas acabou chegando no hotel. Sabia que não deveria entrar pela janela, caso Cody já tivesse chego. O relógio Armani em seu pulso marcava seis e onze e Cody era sempre muito pontual. Ela desceu do prédio pelo beco e entrou correndo para o hotel, jogando-se no elevador que quase fechava a porta.
Apertou o botão de seu andar e começou a limpar os dentes nervosamente com a língua, com medo de ele perceber o sangue. E o hálito? Ela ainda não havia pensado nisso... Ela inventaria algo de pronto.
– Moça, você vai descer? – perguntou um senhor ao qual ela nem percebera a presença. Jamye piscou, a porta já havia sido aberta em seu andar.
– Vou sim, obrigada – ela respondeu, um pouco sem jeito e saiu, praticamente correndo pelo corredor, parando em sua porta.
Verificou os dentes mais uma vez, e abriu o zíper do casaco de Gustav, bagunçando o cabelo como se tivesse acabado de voltar de um passeio casual nas ruas da França. Estava tudo bem de novo, ela sabia que seus olhos haviam voltado ao seu azul-céu e suas feições haviam perdido aquela selvageria faminta.
Ela estava pronta. Lentamente, girou a maçaneta. Antes mesmo de abrir a porta, sabia que ele estava lá. Antes de tudo havia a energia e barulheira que Gustav não conseguiria produzir sozinho. E havia o cheiro. O cheiro que ela podia diferenciar mesmo numa multidão. Era uma coisa característica, que ela adorava. Era um cheiro doce, algo próximo de um chocolate quente, misturado com algo que ela não sabia definir, mas era atraente. Por isso ela tinha sempre que se preparar antes de ver Cody. Ela nunca sabia se iria conseguiria se manter no controle.
– Cody! – ela exclamou quando finalmente atravessou a porta. Ela encontrou o namorado e o “pai” jogando videogame juntos, motivo de nenhum dos dois tirar os olhos da televisão para respondê-la. Ela suspirou de alívio e correu para o banheiro, escovando os dentes e dando uma boa olhada neles. Estava tudo ok, nenhum sangue. E agora havia se livrado do hálito.
– Eu já disse e irei repetir, Jamye: não há nada de errado com seus dentes. Acho que estão até mais brancos.
Ela deu um pulo. Era raro ser surpreendida, mas Cody sempre conseguia ao seu próprio modo. Ainda mais, era o único que conseguia mesmo quando se aproximava o bastante para aproximar sua boca do ouvido dela, fazendo cócegas no mesmo ao falar. Ele sempre a encantava com seu cabelo loiro e olhos claros, típicos da Austrália. E aquele seu sotaque e voz grossa, mesmo para um cara de quinze anos. Cody apenas riu e a segurou pela cintura, esticando seu pescoço para beijar levemente a bochecha dela.
– Você quer cegar as pessoas com os dentes, é isso? – Cody disse e os dois riram juntos. Jamye se virou para ele e envolveu seu pescoço com os braços.
– O plano é exatamente esse. – Sussurrou ela. – E então assim, quando eu chegar e você tiver me trocado pelo videogame, eu sorrio e você esquece aquele troço.
– A culpa é minha – admitiu outra voz, ainda mais grossa do que a de Cody. Era Gustav e Cody e Jamye se afastaram um pouco automaticamente, constrangidos. Além de ser “pai” de Jamye, Gustav podia dar medo com seu um metro e oitenta e os músculos. O cabelo negro vivia arrepiado e ele havia mudado a cor dos olhos para azuis para que ninguém julgasse a genética de Jamye com Gustav. Ele não era tão branco quanto à “filha”, mas ninguém questionava. Mesmo ele e Cody se dando bem, ele não deixava de ser o pai protetor que não quer nenhum tipo de tarado para sua filha.
– Eu ofendi a masculinidade dele – continuou Gustav, ignorando o afastamento. Ele se esticou, pegou uma toalha de rosto na gaveta e sorriu para eles saindo logo em seguida.
Cody riu e se virou novamente para Jamye, com seu sorriso carinhoso.
– Boba – riu ele.
– Não me troca mais. Senti sua falta. – Ela o puxou para a proximidade de antes e ele automaticamente a beijou levemente em resposta. Ao final do beijo, Cody segurou o rosto de Jamye, acariciando a bochecha com o dedão, impedindo-a de recuar.
– Pronta para a surpresa, pequena?
– Eu só vou me trocar – sorriu ela.
Cody assentiu levemente com a cabeça e soltou a namorada, dando-lhe apenas um breve beijo e murmurando com um sorriso um “não me deixe esperando”. Jamye havia separado sua roupa à tarde, então tudo que teve de fazer foi trancar a porta e colocar seu suéter de cashmere, seu jeans e seus saltos. Cody era surpreendentemente mais alto que ela, mesmo sendo, fisicamente, um ano mais novo. Olhou-se no espelho e estava perfeitamente bem. Ela realmente estava mais radiante por conta do sangue, o que a fez suspirar e a única coisa que modificou foi pôr o colar da torre Eiffel e o colar que Cody havia lhe dado com sua palheta favorita, uma pequena lembrança do show em que ele tocou uma de suas músicas apenas para ela.
Ela sorriu com a lembrança, segurando bem a palheta entre os dois dedos. Ela se perguntou quando teria que deixá-lo ir. As pessoas não são imortais como Jamye, e ela não deveria se apegar, mas ela se apegou. Ela se deu conta que estava se distraindo facilmente. Sacudiu a cabeça e saiu do banheiro, indo diretamente para Cody, abraçando-o de lado e beijando seu pescoço.
– Vamos, estou curiosa – disse ela.
– É claro – ele riu e bagunçou levemente o cabelo da namorada. – Até mais, senhor Taylor.
– Tudo que eu peço de vocês dois é juízo e croissants, fui claro? – Disse seu “pai”. Jamye sorriu e correu rapidamente até seu protetor para lhe beijar gentilmente a bochecha.
– Traremos um pouco para você. Eu te amo, pai.
– Eu também, querida. Esteja de volta logo.
Ela voltou para Cody, entrelaçando sua mão a dele e então foram embora do hotel. Enquanto chamava o táxi, Cody a puxou para si, envolvendo seu rosto com as mãos como se tivesse medo que ela acabasse fugindo e beijou-a com vontade, fazendo a própria Jamye se surpreender. Ao afastar o rosto por questões de centímetros, ele sorriu.
– Espero que goste de dar grandes passos.
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