Notas iniciais
Eu não ia postar essa história aqui... Mas eu realmente gosto muito dela, então criei uma conta só pra ver o que acontecia. Se houver leitores, espero que gostem dela tanto quanto eu, que praticamente dou "olá!" pros personagens quando começo a escrever. ^^

“Querido diário,

Para iniciar você com coisas boas, me sinto melhor agora. Por mais engraçado que pareça, é bom estar com os meus segredos bem perto de mim, com o meu próprio lugar onde posso confidenciá-los e mantê-los ali até que eu ame alguém o suficiente para não precisar mais de folhas para me sentir melhor.

Gustav me comprou você numa lojinha mixuruca que tem nessas periferias aqui na França, mas você até que é bonitinho. Capa de veludo vermelho escuro, com um fecho quebrado. Acho que é um charme seu então está tudo bem de novo. Meu último diário acabou e é você agora quem vai ficar espantado com o que eu passo todos os dias, tentando não matar gente que, com o tempo, aprendi a amar. É você que, agora, vai ficar escondido no fundo da minha bolsa, intocado por ninguém a não ser eu.

Eu tenho mesmo esse costume ridículo de tratar meus diários como se fossem pessoas. Então, entenda-se como meu marido. É você quem vai guardar meus segredos agora, e você não vai fugir, você prometeu não me deixar-nos nossos votos.

Estou soando ridícula, mas o ridículo perdeu o significado para mim há um tempo.

Então, acho que vai querer saber o que está acontecendo. Que tipo de mulher seria eu em te contar as causas do que passo, mas não os motivos? O caso, mais novo marido, é que eu sou um monstro, mas com uma máscara perfeita. Não é bem o que eu quis ser desde pequena, mas já passei desse ódio por me tornar esse troço assassino por causa dos outros...

Eu nasci há pouco mais de 200 anos atrás. Não sei bem. Não comemoro aniversário. Mas está tudo bem, eu tenho um bom corpo de dezessete. Eu me alimento de sangue e explodo no Sol, mas tudo isto está ok também, eu prometo. Não sei muito bem como aconteceu... Digo, se as pessoas normais não se lembram de seu aniversário de cinco anos quanto têm dez, como eu me lembraria do que aconteceu há 200 anos? Mas quando fecho os olhos e tento saber por que isso aconteceu justamente comigo, que sempre quis algo bom para a humanidade...

Escuridão. Há um grito agudo, uma garota. Imagino se essa garota não sou eu, mas há outro grito, também feminino, me acompanhando. Os dois gritos parecem assustados, e percebo a autora do segundo grito. Há uma mulher na minha frente, as feições cansadas. Apesar do local bem iluminado, só consigo ver seu rosto retorcido na dor, mas ninguém a toca. Ela apenas estende suas mãos para mim, jogando-se para frente, mas é como se mãos invisíveis a jogassem para trás novamente.

Enquanto tudo isso acontece, há dor em mim. Há agulhas... Agulhas não, há dentes caninos perfurando minha pele. Ambos os lados do meu pescoço, ambos meus pulsos e há alguém na minha perna também. Sempre é o suficiente e eu abro os olhos, mas sei que sou capaz de lembrar algo, além disso. É só... Eu não consigo. Apenas imagino se aquela mulher é minha mãe, e sei que sim. Seus cabelos loiros e olhos azuis são como os meus menos a pele. Ela era um pouco mais escura que eu, mas este é apenas o óbvio. Vampiros são naturalmente incrívelmente pálidos.

Depois disso, sei que Gustav me achou e aliou-se como meu consorte. Consorte é como eu o chamo, já que ele não é exatamente um pai, ou um irmão... Um protetor também é uma boa escolha ou aliado, mas consorte é como os vampiros chamam os feiticeiros que se aliam a eles. É uma coisa bem comum, na verdade. Poucos vampiros sobrevivem sem um consorte, é necessário anos de experiência, e eu tenho apenas duzentos.

Mas este não é exatamente o que eu escondo do mundo. E quando eu digo do mundo, é literalmente do mundo, porque o mundo quer saber da minha vida. Não exatamente o mundo, mas boa parte dele, já que boa parte apenas quer saber de fama e dinheiro. Não quero me gabar, mas é o que eu tenho, e a minha vida é o dinheiro e a fama deles também.

Há pouco menos de um ano, eu me cansei da minha vida de vampira. Digo, o que há para se fazer em 200 anos quando se pode sair ao sol? Acredite, baladas enjoam. É mais divertido quando seus pais te impedem, há aventura o bastante nisso. Mas não pra mim, eu não tenho pais e Gustav é quem me acompanha, e não o contrário. Então, de dia eu via televisão, computadores não me interessavam, aprendia línguas diferentes e instrumentos. De noite, era hora de caçar e eu ficava saciada fácilmente porque fazia isso toda noite.

Saciada, quando digo, é quando eu tenho o suficiente. Mas é óbvio que, por natureza, eu sempre vou querer mais.

Bom, é uma vida entediante. A mesma coisa, mesma rotina. Até que eu pensei “isso tem que acabar”. E achei que fosse a hora perfeita de ir dessa para melhor, se é que tem melhor depois que se morre. Pelo menos para mim, que matei muitos sem remorso algum, não deve ter. De qualquer modo, eu havia vivido bons 200 anos, já estava na hora! Eu poderia ter feito isso logo, mas resolvi dizer a Gustav. Ele merecia, já que acabaria morrendo também já que se uniu a sangue comigo.

Ninguém sabe por que isso acontece, só sabe que acontece. Não acontece quand é o consorte quem morre e Gustav acha isso um preconceito, o que é bem engraçado, pra falar a verdade. E bom, digamos que o pânico consumiu Gustav, ele não queria morrer mesmo com aquele tédio todo. E então ele me deu uma idéia, uma idéia que não me deixaria com tédio algum em nenhuma parte do dia.

“Sabe quem nunca fica com tédio na vida?” ele me perguntou depois de minha explicação para suicídio. Eu continuei calada. Era um tempo obscuro em que eu era casada com preto. Mas não se preocupe querido diário, foi apenas uma coisa passageira.

“Famosos. Os talentosos. E você tem talento.”

Eu fiquei pensando, e me perguntei: “porque não, oras?”, o que eu perderia, afinal? E deu certo. Eu tenho fãs incríveis, de verdade. E voltei a ser quem eu era antes, a garotinha que só quer paz mundial e adora rosa e vestidos. E sim, as maiorias dos meus fãs também gostam de Taylor Swift, que, aliás, é minha melhor amiga. De qualquer modo... É difícil. E se está perguntando sobre o sol... Gustav tem um feitiço. Não é o melhor, mas serve. Eu tenho uma tatuagem (que doeu demais, mesmo. É confirmado que dói três vezes mais do que uma tatuagem normal) e ela me protege. É uma linda caligrafia que há na lateral do lado esquerdo da minha mão. Keep your secrets. Há uma linha puxando o final do “S” que leva ao desenho de uma borboleta.

Meus fãs fazem tatuagens do mesmo modo também, mas mal sabem eles. De qualquer modo, às vezes o sol arde em mim mesmo assim. Às vezes consigo andar normalmente, mas em lugares quentes, como a Califórnia ou o Brasil, é preciso uma sombra e mesmo assim arde.

De qualquer modo, há muita gente que conheci que merecem saber o segredo. Penso se eles ainda me amariam se soubessem que tipo de pessoa sou, os inocentes que matei. Posso ter matado familiares de fãs. Acho que nunca um fã, tomo cuidado para matar apenas perdidos na vida. Bêbados, drogados. Até mendigos, mesmo sendo um pouco nojento.

Há Taylor. Selena Gomez. Meu namorado, Cody Simpson. É irônico estarmos namorando há quatro meses, já que ele ama praia e sol. Arranjo muitos xingamentos por afastá-lo da praia às vezes, mas ignoro. Por incrível que pareça, gosto mesmo de Cody. Nunca dissemos aquela coisa de “eu te amo”, mas gosto suficientemente para querer repartir o segredo com ele e o suficiente para me torturar pensando sobre ele e mandando mensagens quando não podemos nos ver.

O suficiente para já ter prometido a mim mesma contar se nos casássemos um dia. Eu poderia transformá-lo, caso ele aceitasse isso. Eu não me importaria de passar a eternidade com ele.

Bom, caso esteja se perguntando se as pessoas notam que não envelheço... Bom, primeiramente, ainda não tiveram tempo para isso. Estou nisso há menos de um ano, mas Gustav tem um feitiço e usa algumas ervas que prepara numa vitamina e eu bebo toda manhã. Eu pareço ter 16 e se eu tomar a erva todos os dias, eu tenho tudo que uma adolescente tem principalmente os hormônios, e envelheço. No final, se eu me cansar, poderemos fingir uma morte ou apenas me deixar envelhecer até que eu me aposente e finja a minha morte. A erva apenas faz a aparência envelhecer. O único jeito de morte para vampiros é estaca, sem mais.

Recontar essas histórias sobre mim me reconforta. Eu mesma acho a sentença muito interessante. Mas se eu não contar a alguém, eu me irrito... Então, marido, aí está a sua função em minha vida. O que me lembra... quase seis horas. Cody virá da Itália, teremos um dia só para nós e ele irá embora amanhã para Hollywood, onde acontecerá a premiação do Teen Choice. Eu também irei, mas ele terá de ir um pouco mais cedo por conta de itens na agenda.

“Terei de caçar um pouco antes para não pular em seu pescoço.”

Jamye Taylor largou a caneta na cabeceira da cama, abrindo e fechando a mão, que doía. “Como poderia uma vampira ainda sentir dor com essas coisas?”, pensou ela frustrada. Mas ela não tinha outras preocupações além de sua dor na mão e porque ela ainda existia. Ela teria de caçar logo. Cody prometeu-lhe uma surpresa.

Cody prometeu-lhe uma surpresa. E como uma adolescente “comum”, ela estava curiosa.