Diário De Um Sobrevivente
15 O toque da chuva
Notas iniciais
Mas, bem... Leiam vcs e comentem o que acham.
Um amor puro e inocente entre duas crianças, onde o sentimento nasce apenas da vontade de zelar e proteger a pessoa amada. Mesmo isso é destruído nesses tempos em que a guerra é eminente.
Eu falhei com ela. Pensei tristemente. Nem sequer a beijei, o arrependimento de não tê-lo feito em despedida escoltava meus pensamentos enquanto eu e meu tio voltávamos para o nosso acampamento.
Meu tio estacou ao perceber que eu tinha parado há muito tempo. Agora ele estava há cinco metros de distância e me examinava, como se tentasse me fazer um diagnóstico só de me olhar.
— George? — chamou.
— Por que lutamos tio?
Ele me encarou triste, seu olhar tremia estranhamente, parecia não ter um motivo para me responder ou talvez esperasse que o quê eu havia perguntado tivesse um significado diferente do entendido por ele.
— O que você quer dizer?
— Por que insistimos em continuarmos vivos? A morte não é só uma questão de tempo?
A verdade é que meu tio sabia que um dia haveria quem lhe faria essa pergunta, mas ele construiu um muro de orgulho ao redor do seu sobrinho querido, que parecia encarar as coisas de um ponto de vista mais adulto e resistente, como um guerreiro, um verdadeiro espírito espartano pronto para matar quantos zumbis fosse preciso em nome de sua sobrevivência.
Porém a dura verdade que caía com seus muros de julgamentos impróprios era diferente da que especulara. Agora seu sobrinho demonstrava uma fraqueza tão imensa que ele a sentiu fluir de seu corpo mole e frágil e ganhar força em sua boca.
— Não! George, você não deveria falar assim! Ainda há esperança! — Johan gritou aborrecido, perdendo a cautela com a qual sempre falara comigo.
Eu tirei minha costumeira Glock 22 do coldre e a ergui lentamente, meu estado era estável, meu rosto era sério, minhas mãos não tremiam, minhas lágrimas haviam acabado.
— Que esperança tio? Esperança para fazer o quê? — perguntei, calmo.
— Para vivermos bem novamente, fazermos do mundo o que era antes, um lugar melhor até...
— Até parece — sorri desvairado. — O mundo nunca foi como em “Pokémon” tio. Antigamente minha mãe me mandava ir para a escola e dizia que se eu não estudasse eu viraria vagabundo, ela dizia que eu precisava estudar para trabalhar e ter uma boa vida.
Eu ergui o equipamento mortal de metal e encostei-o ao meu próprio crânio, esperei.
— Olha George, a vida não tem sido fácil pra ninguém, mas pense na sua mãe. Ela precisa de você. Tem muita gente que te ama e não suportaria saber que algo assim aconteceu com você.
Ele se aproximava, eu sabia que ele tinha aprendido muito sobre desarmar alguém no exército e também como fazer essa oportunidade surgir. Eu não ia esperar que ele se aproximasse para me desarmar igual como fizera com minha mãe, eu apertaria o gatilho logo... logo.
Mas o que ele falava fazia sentido e me deixava hesitante. Minha mãe, eu a deixaria por ser fraco? Por um ato tão covarde, tão ridículo? No entanto eu já tinha resposta para isso.
— Então você pretende deixar sua mãe, é isso? Vai deixar que ela sofra ainda mais depois de perder o marido? Vai abandonar ela nessa dor terrível? — a cada pergunta ele dava meio passo.
— É óbvio que não — falei franzindo o cenho, tentando parecer frio. —, depois que ela souber o que eu fiz, vai querer partir comigo. Ela vai se matar também e logo estaremos juntos em um lugar melhor do que aqui, aqui só há morte e ironicamente o que nos impede de continuar vendo-a diariamente é a nossa própria morte.
Encarei a face horrorizada do meu tio e o pavor me tomou de repente, meus joelhos começaram a tremer e por um instante me peguei como uma criancinha chorando me perguntando por que eu estava pensando em fazer tal coisa.
A imagem mental se desfez quando meu tio deu mais um passo.
— Johan não seja burro, eu confio em você e acredito que saiba que aqueles que são covardes o suficiente para renunciarem à própria vida nunca têm o direito de chegar a esse “lugar melhor”.
— Você está me chamando de covarde?
— Eu não quero acreditar que você seja um, mas ao apertar esse gatilho você me dará a certeza de que sim, que você é um covarde — embora ele parecesse jogar verdades ofensivas para mim, sua voz era de quem sofria por estar tão perto de me perder e por isso eu renunciei ao meu ato inútil e abaixei a arma. — Nós precisamos de você George, você precisa lutar, você é um guerreiro e eu falo isso por que eu sei.
Eu deixei a arma cair no chão e meu tio se aproximou, eu caí nos braços dele e mais lágrimas vieram, lágrimas que eu achava que não tinha mais.
— Desculpa tio!
— Desculpe a si mesmo, seja forte, você é bem mais valioso do que pensa.
Olhei por baixo do braço dele e percebi aquele vulto se movendo na penumbra. Empurrei-o e apanhei de volta a minha arma, apontei pelo lado dele e ele por um segundo talvez tivesse achado que eu o acertaria.
Com um tiro na cabeça matei o zumbi, meu tio recuperou-se do espanto e olhou ao redor.
— Vamos embora daqui! — gritou quando percebeu os zumbis saindo do meio das árvores.
Laylor ainda ensaiava alguns dedilhados quando voltamos, parecia meio indiferente daquele jeito asqueroso dela. Tyreese abraçava sua irmã e Alexya que não alterava sua feição de nojo, medo e dor. Bernard batia palmas sozinho como uma criança que procurava algo para se distrair ou simplesmente tentando matar insetos. Eagle assobiava para o vento enquanto admirava Laylor tocando violão. Minha mãe virou-se para me encarar com lágrimas nos olhos.
— Tudo bem mãe — dei umas batidinhas carinhosas nas costas da minha mãe na esperança de que ela parasse de chorar.
— Filho, você está bem? Vai ficar tudo bem? — ela não parecia saber o que falar e eu também não, me deixei perder nas lágrimas dela.
— Ele não conseguiu matá-la, eu mesmo fiz — meu tio anunciou para ela em um sussurro, enquanto os outros nos olhavam curiosos.
— Filho, tudo bem, você não precisava fazer isso. Você a amava não é?
Encarei os olhos dela por um momento e em um segundo imaginei algo horrível.
— Espere filho! — minha mãe iria correr atrás de mim se meu tio não tivesse colocado o braço na frente. — Mas o quê? Tire esse braço da minha frente agora Johan ou arrancarei ele!
Os outros a encararam estranhamente, como fizeram no primeiro de dia em que estivemos todos juntos, como se sentissem medo. Mas o medo era menor agora, o rosto bonito e maltratado da minha mãe não poderia ser mais assustador que o dos zumbis.
— Deixe-o sozinho por um momento. Ele está perdido em magoas e indagações cujas respostas só ele pode encontrar.
Entrei na carroceria da caminhonete sentindo algo que não sabia descrever, talvez asco pela morte e medo do que poderia acontecer nos dias que se seguiriam. Sentei-me onde minha memória ainda demonstrava nitidamente a imagem de eu segurando Indy nos braços, tentando inutilmente reconfortá-la.
Lá me encolhi e fiquei parado olhando as sombras estagnadas nas paredes.
Sombras moviam-se no solo e nas plantações ao longe enquanto eu avançava em alta velocidade. Ela estava lá, caída no beiro da estrada onde eu esperava chegar. Sua perna sangrava e ela não conseguia se mover, eu corri e usei toda minha força nas pernas. Minhas pernas doíam, meu pulmão ardia, meu coração batia rápido e implorava que eu continuasse correndo, mas eu não a alcançava e ela morria à distância.
— Sua vadia desgraçada! — ouvi a voz do meu tio gritar.
Corri pra fora da caminhonete, procurei a fogueira. O céu ainda estava escuro e a noite densa, mas a fogueira estava apagada. Corri então até o outro lado do veículo para a avenida.
— Filho! — minha mãe correu até mim e me abraçou.
Olhei através do seu flanco direito e encontrei algo surpreendente. Em cima de uma van, três homens armados com fuzis apontavam para nós de cada lado da mulher psicopata, Érika.
— Ah! É você garotinho. Estava procurando você, há tempos que quero seu fígado no meu cardápio — a asquerosa mulher declarou em alto som fazendo minha mãe soltar um gritinho.
Minha raiva poderia ter me feito pular em cima da van e derrubar ela de lá com socos. Mas me controlei sabendo que o que eu pensava era impossível, eu seria metralhado antes de poder dar dois passos.
— Não atirem ainda! — ela levantou os braços ao dar a ordem aos soldados, talvez indicando estar desarmada. — Não quero que estes dois morram tão facilmente assim — apontou para mim e para meu tio. Dários venha comigo!
Érika desceu da van em nossa direção, acompanhada de um homem grande, mas disfarçando os músculos sobre a farda azul de alta patente do exército, talvez fosse um capitão. O assistente da mulher era moreno e tinha barba, que descia desde os cabelos lisos puxados para trás, e bigode espessos, o que lhe dava a aparência de um enorme gorila vestido de militar, ou um soldado de alta patente vindo do planeta dos macacos.
Depois que livrei minha atenção daquela visão estranha, ouvi alguns sussurros indistinguíveis do meu tio para Eagle.
— O que vamos fazer Johan? Não temos chances contra todos esses homens armados! — Eagle falou no momento em que a mulher revelava seu desejo psicótico.
— Acalme-se! Tenho um plano, guardo umas coisinhas faz tempo — ele mostrou discretamente algumas granadas flash e granadas de fumaça. — Estou apenas esperando o momento certo.
Agora Érika e seu assistente, ou talvez carrasco, estavam a apenas alguns passos de nós. Ouvi o grito do meu tio, minha mãe cobriu meu rosto com suas delicadas mãos.
— Fechem os olhos! — uma grande luz cegou nossos inimigos, que começaram a atirar para todos os lados.
Corremos para a caminhonete, meu tio foi até a direção. Eagle correu até as mochilas de armas e começou a distribuir nossas armas de fogo pesadas.
— Sabem atirar? — perguntou para Laylor, Tyreese, Sasha e Alexya.
— Consigo acertar uma maçã a dez metros — Laylor vangloriou-se.
Os outros três negaram enquanto nossa caminhonete era alvo de balas. Eu e Bernard pegamos cada um uma M4A1 e começamos a defender nosso forte. Eagle distribuiu as armas e hesitou um momento ao entregar a arma a Laylor, o que era compreensível, ela era uma mulher misteriosa sobre a qual nenhum de nós sabia nada.
Alexya se recusou a pegar uma arma e minha mãe apanhou-a em seu lugar, Tyreese responsabilizou em protegê-la.
— O caminhão não está pegando, temos que recuar até o condomínio, nos defendermos lá! — meu tio veio até nós com a fatídica notícia.
Saímos da caminhonete e fomos até a parte de trás abaixados, vendo as balas atravessarem a lona. Bernard trazia nossa comida e Tyreese fez Alexya carregar as mochilas de armas.
— Tudo bem, se tivermos calma tudo vai dar certo — meu tio anunciou arfando. — quero que todos formem uma fila e sigam para o condomínio, há zumbis no caminho, estejam alertas, usem o mínimo de balas possível. Vou explodir o caminhão para dar cobertura e então corremos.
Começamos a andar em direção à mata, aguardamos atrás das árvores. Meu tio acertou um tiro no tanque de gasolina da caminhonete e vimos aquele veículo que tanto tinha nos ajudado explodir em uma bola de fogo.
Subimos de volta até o condomínio, gotas de chuva bateram na minha cabeça, uma mera distração nesse momento. Zumbis começaram a surgir das árvores, como o esperado. Esperei aquele que queria me atacar se aproximar e partia a cabeça dele na altura das orelhas.
Bernard não atacava, pois um fuzil ocupava sua mão esquerda e uma saca de comida a outra. Sasha também não atacava, temia usar o rifle e não conseguia usar a pá com apenas uma mão, Tyreese cobria as duas mulheres com seu martelo, esmagando cabeças. Laylor atirava em todo zumbi que aparecia, sem preocupação, uma bala pra cada zumbi. Eagle atacava com sua faca de cozinha e meu tio machadava todos ao seu alcance. Minha mãe seguia às minhas costas e minha raiva me fazia seguir à frente encabeçando o grupo.
Chegamos a campo aberto, passamos por uma quadra e por uma piscina cheia de zumbis. As ruas estavam dominadas, resolvemos correr para a casa mais próxima. Ao chegarmos a dois metros da casa uma van surgiu da floresta às nossas costas, balas passaram por nós, meu tio se virou e deu um único tiro certeiro no peito do motorista. Ele caiu e fez o volante girar para a direita, a van entrou na casa ao lado da nossa.
Ao chegarmos à porta meu tio arrombou-a com um chute, entramos todos, eu e Bernard soltamos as coisas no chão e começamos a limpar a residência, Tyreese empurrou um armário na frente da porta e meu tio correu a proteger as janelas.
Um grito de horror ecoou na casa quando Sasha descobriu que Alexya havia levado um tiro na perna. Ela sangrava muito e estava quase inconsciente.
— Vamos cuidar dela! —Eagle falou, em seguida levando-a para a cozinha com ajuda de Sasha.
Quando todos, exceto Sasha, Alexya e Eagle, se reuniram novamente na sala de estar, apanhamos as armas e ouvimos meu tio falar.
— Não temos tempo de montar uma estratégia de guerra, mas espero que cada um aqui presente consiga zelar por sua própria e pela segurança do grupo. Somos seis, estamos em número equilibrado, temos habilidade, quero que saibam que aquele que quiser se separar do grupo nesse momento tentar proteger apenas sua própria vida, está livre para sair pela porta dos fundos e partir em “segurança” — ele enfatizou a palavra com um gesto dos dedos. — Mas quem ficar deve estar disposto a sacrificar-se em prol da sobrevivência desse grupo. Estou crente que se lutarmos contra eles de igual pra igual de cabeça erguida poderemos vencer, apenas eu e George conseguimos escapar da fortaleza dessa puta, então acredito que nós podemos e iremos vencer.
Incrivelmente Laylor não se moveu, ficou lá parada, segurando sua arma, com a qual ela tinha uma precisão realmente mortal.
— De que vale sobreviver e viver solitário? Sem alguém para agradecer por estarmos vivos e saber apreciar nossa presença nossa vida é em vão — Laylor declarou, para nosso espanto. — Estou disposta a lutar com vocês até o fim!
Ela colocou a mão no centro do círculo num gesto que eu conhecia apenas dos filmes. Todos colocamos a mão sobre a dela e a mão de Eagle surgiu acima das nossas.
— Sasha vai ficar cuidando da Alexya, ela vai sobreviver. É claro que eu não poderia ficar fora dessa! — respondeu ao olhar de indagação do meu tio.
Um trovão caiu a pouca distância dali e acentuaram as batidas que tentavam derrubar nossa porta. Logo balas começaram a entrar pelas janelas e em seguida uma granada que me tio pegou e atirou de volta.
A explosão ecoou lá fora.
— Eles estão do outro lado da rua, escondidos atrás dos carros — meu tio anunciou.
Mirei no tanque de gasolina de um tucson do outro lado da rua, mas minha mão tremia demais e a casa sacudia entre os tiros. Atirei a esmo esperando acertar alguém, mas aquilo não era videogame.
— Não pode ser! — ouvi a voz em pânico do meu tio ao espichar a cabeça pela janela. — Sasha! Pegue a Alexya! Vamos embora pessoal!
Sem entendermos começamos a pegar as coisas. Sasha saiu da cozinha carregando uma Alexya com a perna enfaixada.
Enquanto os outros saíam pela porta dos fundos, espiei o que meu tio temia. Um homem carregava um lança mísseis antitanque e mirava na nossa casa.
—Droga! — gritei ao vento.
Então uma explosão fez o teto ceder, minha consciência se desfez e o que era sólido tornou se gasoso, ouvi uns gritos, gritos de mulher e depois mais nada. Senti as gostas da chuva cada vez mais grossa molhando meu rosto, senti meu corpo sendo arrastado, talvez para o além, o lugar bom que eu tanto queria, então mais escuridão.
Abri meus olhos um pouco, encarei a luz das chamas saudosamente, me tirando das sombras.
— Sabia que essa era minha casa? E vocês a explodiram! — ouvi uma voz grave falar para mim com raiva.
Eu ainda sentia o toque suave da chuva me acalmando, um sentimento bom que eu queria de volta, queria me sentir bem.
— Não! Quero voltar! Me leve de volta!
— Cale a boca! Seus amigos estão bem, mas não posso levá-lo até eles agora! Eu tenho um plano, fique calmo! — a voz raivosa reclamou.
Saber que o pessoal estava bem fez em mim o mesmo efeito de um sedativo, voltei a dormir.
Eles corriam pelas ruas do condomínio. Minha mãe olhava para trás a todo instante, admirando a grande esfera de chamas que se erguia, e depois era contida pela chuva torrencial, assombrada e temerosa, me procurando.
— Meu filho! — gritava ela tentando desvencilhar-se dos braços de Johan. — Temos que voltar! Temos que salvar meu filho!
— Amélia, se o George estiver vivo ele vai saber se virar, ele é um garoto esperto, ele vai se esconder e é isso que temos que fazer agora mesmo! — vociferou Johan puxando Amélia com uma mão e segurando sua PP-19 na outra.
— Se? O que quer dizer com se? É claro que meu bebê tá vivo! Nós temos é que voltar para buscar ele!
— Cala a boca! Não vou botar esse grupo em perigo por causa de seu desejo egoísta! — ele gritou. Um zumbi se aproximou debaixo da chuva e ele arrancou sua cabeça deixando-a viva.
Eles arrombaram mais uma casa e entraram, todos estavam encharcados segurando as armas, exaustos e sonolentos.
— Matem os zumbis sem usar armas! Não podemos chamar atenção!
Assim silenciosamente eles limparam a casa e trancaram as portas, fecharam as cortinas e começaram a se estabelecer.
— Vou aproveitar essa chuva como cobertura. Vou voltar até a casa e procurar por George, ninguém sai daqui! — ordenou meu tio, voltando para a porta. — Tentem se enxugar e descansem! — aconselhou, fazendo alguns assentirem e minha mãe soltar umas lágrimas e depois saiu.
Ele correu pelas ruas alagadas, alguns zumbis passaram por ele, sem perder tempo estranhando esse fato ele prosseguiu. Parou na parte de trás da casa, encostando-se em uma parede que resistira em pé, procurou sinal de vida no meio da destruição.Ficou esperando pelo que lhe pareceram vários minutos por algum movimento nos escombros de madeira e pedra queimada e molhada. Nada.
Ao se levantar para entrar na casa ele notou no tapete na porta dos fundos. Quando eles saíram aquilo não estava lá. O tapete de panos estava molhado e esticado, havia algo por baixo dele fazendo o meio ficar elevado, como um pequeno monte no meio da terra.
Ele ergueu o tapete e encontrou um saco daqueles que a polícia usava para colher evidências. Apanhando o saco o colocou à frente dos olhos. Espantou-se ao encontrar um walkie-talkie dentro do saco. Mas logo foi tirado de suas tentativas de deduzir de onde viera.
Érika subiu no alto dos escombros, sua franja molhada colada contra o lado direito do rosto até o queixo. Chutou alguns pedaços de madeira para o lado, Johan sabia que ela estava tentando descobrir se seus adversários estavam mortos. Logo ela desistiu e voltou para seus soldados.
— Eles estão vivos! Devem estar em alguma dessas casas! Vamos começar a procurá-los imediatamente!
Johan prendeu a respiração, enquanto o homem com aparência de primata batia continência. Como ela poderia saber que estavam vivos? Como poderia saber que estavam escondidos ainda no condomínio?
Em pânico Johan começou a supor que talvez aquela mulher tivesse alguma ligação com o demônio. Porém ele empurrou essa ideia para fora da sua mente, recuperou o fôlego e correu de volta para a casa.
— Você não conseguiu achá-lo? — minha mãe perguntou desesperada.
— Não, desculpe, mas tenho um pressentimento de que ele está vivo.
— Guarde sua intuição idiota para você! Eu quero meu filho!
Meu tio estava prestes a retorquir quando o aparelho que trazia na mão deu estática.
— Alguém ouvindo? — perguntou uma voz grave, como a de um soldado veterano, em meio aos ruídos altos.
Johan tirou rapidamente o walkie-talkie do saco.
— Sim, aqui fala major Johan — respondeu ele afobado, desesperado para ter notícia do sobrinho, sem se preocupar se quem falava era amigo ou inimigo.
Por um momento tudo ficou em silêncio, Eagle, Amélia e Laylor encaravam o pequeno aparelho aflitos. Johan ficou pensando se não seria uma armadilha de Érika e quase xingou o homem para que falasse logo.
— Major Johan, não sei quem explodiu a minha casa, mas espero sinceramente que não tenha sido você. Se esse garoto que agora está comigo for amigo seu, não se preocupe, não faço mal a crianças. Quero te dar um conselho, a você e a seus amigos. Saíam daí agora! Vão embora e procuraremos outro lugar em que eu possa devolver seu amiguinho, por que nós já não estamos aí e também esse lugar não durará muito mais.
Notas finais
uuuh, quem será esse novo personagem?
Poisé, pela falta de comentários incentivando meu trabalho q faço com tanto esforço vou dar uma parada..
Peço desculpas as minhas duas leitoras que leem mais freneticamente, mas tenho mais trabalhos para serem feitos, como préuniversitario q sou e acho melhor procurar algo que chame mais atenção e atraia dinheiro do que algo q pouca gente da valor..
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