Diário De Um Assassino
3 Aprendiz
Quando sairmos do galpão já estava tarde da noite — a lua estava cheia e a luz que tal refletia fazia com que Sam ficasse mais linda – Lá estava meu carro, uma caminhoneta preta não muito velha, estava suja, mas eu não me importava muito com isso. Ao entrarmos no carro liguei o som, mas não deixei muito alto.
— Não sabia que você ouvia o bom e velho rock n’ roll.
— Você não sabe muitas coisas sobre mim.
O silencio se manteve ali até chegarmos ao necrotério. Liguei para meu amigo que ali trabalhava.
— O que ele disse? – perguntou Sam enquanto descia do carro.
— Que deveríamos entrar e que ele já estava nos esperando – Disse ao trancar o carro e sair andando em direção à porta do necrotério.
Na porta estava Alexander, um homem alto, moreno e de cabelos lisos, estava de jaleco e luvas de borracha.
— Boa noite. – disse Alexander com um sorriso simpático. – Nem me apresenta a bela senhorita – disse ao beijar a mão de Sam.
— Essa é a Sam.
— Na verdade meu nome é Sammy – Ela estava com um sorriso tímido em seu rosto.
— Vamos logo! Não temos tempo para isso.
— Está bem. Você quer que o corpo seja parecido com a Sam?
— Sim.
— Hum... Acho que devo ter um por aqui – Alexander disse enquanto procurava em um tipo de ficha, em cada uma havia um numero.
O necrotério não é um local muito agradável, é um local pouco iluminado, todas as paredes havia uma espécie de gaveta onde ficava corpos, em cada uma havia um numero que possivelmente sejam os mesmos das fichas.
— Pronto! – Disse Alexander enquanto abria uma das gavetas, nela havia o numero 1246.
Sam ficou com uma expressão um tanto engraçada, era uma mistura de surpresa, curiosidade e nojo, acho que deve ser por que nunca havia visto um corpo antes.
— É parece mesmo – falei enquanto examinava o corpo com cautela. – Sam, a sua primeira lição será cuidar desse corpo para que ele fique igualmente a você se estivesse morrido.
— Eu? Por quê? – Disse ela surpresa.
— Você não queria aprender como era meu trabalho, então está ai sua oportunidade.
— Mas como eu irei fazer isso?
— Colocando ela na donzela e talvez fazer alguns cortes no rosto dela.
— Se quiser eu posso te ajudar – Disse Alexander com um tom eufórico.
— Não, você não vai ajuda-la!
— Calma. – Alexander e Sam estavam surpresos, pois não esperavam tal reação.
— Eu estou calmo!
— Não é o que parece.
— Não importa. Ajude-me a levar esse corpo para o carro.
— Já estou indo – Disse Alexander enquanto enrolava o corpo em uma espécie de capa azul.
— Rápido! – Sam estava nos seguindo, um pouco confusa.
Depois de deixar o corpo no carro pedi para que Sam entrasse no carro para que eu conversasse com Alexander.
— Como você pode fazer isso?
— Isso o que? – Ele estava com uma expressão confusa.
— Com a Sam.
— Eu apenas estava sendo educado com a bela garota. – Disse com um sorriso irônico. – Ah! Já entendi você esta com ciúmes dela.
— Não, não estou – tinha que sair daquela situação constrangedora. – Tenho que ir.
— Esta bem. Vai lá cuidar da sua bela donzela, mas não a de ferro. – disse ele rindo.
— Ela não é a minha donzela – eu estava andando o mais rápido que podia.
— Ainda – Ele estava se divertindo com esta situação.
Ao chegar no carro percebi que o som estava ligado e Sam estava cantando.
“Oh I, oh, I'm still alive
Hey, I, I, oh, I'm still alive
Hey I, oh, I'm still alive
Hey... Oh...”
- Pearl Jam – disse ao abrir a porta do carro e Sam não havia percebido.
— Hãn? O que? – disse Sam se apressando para desligar o som do carro.
— Você canta bem – eu disse enquanto ria do susto que Sam havia levado.
— Obrigada, eu acho. – ela estava vermelha de vergonha.
Enquanto estava dirigindo Sam colocou a musica novamente e começou a cantar.
— Você gosta mesmo dessa musica.
Sam deu de ombros e continuou cantando.
— Dessa vez eu te ajudo.
Sam novamente me ignorou, resolvi cantar junto com ela.
Nós cantamos até chegarmos no galpão, então eu levei o corpo para o galpão enquanto Sam estava sentada no sofá que havia lá.
— Você canta bem também – disse Sam como se fosse um comentário qualquer
— Sua mãe não te ensinou que mentir é feio.
— E a sua não te ensinou que precisa dizer obrigado quando alguém te elogia. – disse em um tom autoritário, mas rindo.
— Desculpa.
— Estou esperando. – Sam riu
— Mas eu não sou mais criança para você me tratar assim.
— Fale! – Sam estava falando igual minha mãe quando eu era criança.
— Obrigado.
— Não foi tão difícil. – Sam estava se divertindo com isso, então resolvi fazer o mesmo.
— Nunca mais faça isso. – eu disse como se estivesse com raiva – Peça desculpas.
— Resolveu usar o mesmo método que eu agora.
— Estou esperando.
— Está bem. Desculpa.
— E?
— Nunca mais faço isso.
— Muito bem, mas agora você precisa fazer o seu trabalho eu te ajudo.
— Okay.
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