Quando sairmos do galpão já estava tarde da noite — a lua estava cheia e a luz que tal refletia fazia com que Sam ficasse mais linda – Lá estava meu carro, uma caminhoneta preta não muito velha, estava suja, mas eu não me importava muito com isso. Ao entrarmos no carro liguei o som, mas não deixei muito alto.

— Não sabia que você ouvia o bom e velho rock n’ roll.

— Você não sabe muitas coisas sobre mim.

O silencio se manteve ali até chegarmos ao necrotério. Liguei para meu amigo que ali trabalhava.

— O que ele disse? – perguntou Sam enquanto descia do carro.

— Que deveríamos entrar e que ele já estava nos esperando – Disse ao trancar o carro e sair andando em direção à porta do necrotério.

Na porta estava Alexander, um homem alto, moreno e de cabelos lisos, estava de jaleco e luvas de borracha.

— Boa noite. – disse Alexander com um sorriso simpático. – Nem me apresenta a bela senhorita – disse ao beijar a mão de Sam.

— Essa é a Sam.

— Na verdade meu nome é Sammy – Ela estava com um sorriso tímido em seu rosto.

— Vamos logo! Não temos tempo para isso.

— Está bem. Você quer que o corpo seja parecido com a Sam?

— Sim.

— Hum... Acho que devo ter um por aqui – Alexander disse enquanto procurava em um tipo de ficha, em cada uma havia um numero.

O necrotério não é um local muito agradável, é um local pouco iluminado, todas as paredes havia uma espécie de gaveta onde ficava corpos, em cada uma havia um numero que possivelmente sejam os mesmos das fichas.

— Pronto! – Disse Alexander enquanto abria uma das gavetas, nela havia o numero 1246.

Sam ficou com uma expressão um tanto engraçada, era uma mistura de surpresa, curiosidade e nojo, acho que deve ser por que nunca havia visto um corpo antes.

— É parece mesmo – falei enquanto examinava o corpo com cautela. – Sam, a sua primeira lição será cuidar desse corpo para que ele fique igualmente a você se estivesse morrido.

— Eu? Por quê? – Disse ela surpresa.

— Você não queria aprender como era meu trabalho, então está ai sua oportunidade.

— Mas como eu irei fazer isso?

— Colocando ela na donzela e talvez fazer alguns cortes no rosto dela.

— Se quiser eu posso te ajudar – Disse Alexander com um tom eufórico.

— Não, você não vai ajuda-la!

— Calma. – Alexander e Sam estavam surpresos, pois não esperavam tal reação.

— Eu estou calmo!

— Não é o que parece.

— Não importa. Ajude-me a levar esse corpo para o carro.

— Já estou indo – Disse Alexander enquanto enrolava o corpo em uma espécie de capa azul.

— Rápido! – Sam estava nos seguindo, um pouco confusa.


Depois de deixar o corpo no carro pedi para que Sam entrasse no carro para que eu conversasse com Alexander.

— Como você pode fazer isso?

— Isso o que? – Ele estava com uma expressão confusa.

— Com a Sam.

— Eu apenas estava sendo educado com a bela garota. – Disse com um sorriso irônico. – Ah! Já entendi você esta com ciúmes dela.

— Não, não estou – tinha que sair daquela situação constrangedora. – Tenho que ir.

— Esta bem. Vai lá cuidar da sua bela donzela, mas não a de ferro. – disse ele rindo.

— Ela não é a minha donzela – eu estava andando o mais rápido que podia.

— Ainda – Ele estava se divertindo com esta situação.

Ao chegar no carro percebi que o som estava ligado e Sam estava cantando.

“Oh I, oh, I'm still alive

Hey, I, I, oh, I'm still alive

Hey I, oh, I'm still alive

Hey... Oh...”

- Pearl Jam – disse ao abrir a porta do carro e Sam não havia percebido.

— Hãn? O que? – disse Sam se apressando para desligar o som do carro.

— Você canta bem – eu disse enquanto ria do susto que Sam havia levado.

— Obrigada, eu acho. – ela estava vermelha de vergonha.

Enquanto estava dirigindo Sam colocou a musica novamente e começou a cantar.

— Você gosta mesmo dessa musica.

Sam deu de ombros e continuou cantando.

— Dessa vez eu te ajudo.

Sam novamente me ignorou, resolvi cantar junto com ela.

Nós cantamos até chegarmos no galpão, então eu levei o corpo para o galpão enquanto Sam estava sentada no sofá que havia lá.

— Você canta bem também – disse Sam como se fosse um comentário qualquer

— Sua mãe não te ensinou que mentir é feio.

— E a sua não te ensinou que precisa dizer obrigado quando alguém te elogia. – disse em um tom autoritário, mas rindo.

— Desculpa.

— Estou esperando. – Sam riu

— Mas eu não sou mais criança para você me tratar assim.

— Fale! – Sam estava falando igual minha mãe quando eu era criança.

— Obrigado.

— Não foi tão difícil. – Sam estava se divertindo com isso, então resolvi fazer o mesmo.

— Nunca mais faça isso. – eu disse como se estivesse com raiva – Peça desculpas.

— Resolveu usar o mesmo método que eu agora.

— Estou esperando.

— Está bem. Desculpa.

— E?

— Nunca mais faço isso.

— Muito bem, mas agora você precisa fazer o seu trabalho eu te ajudo.

— Okay.