Diz pra Mim
30 Tormenta
Notas iniciais
Sakura se encontrava cansada, mas ao mesmo tempo animada. Cansada pelas noites mal dormidas, pois ao seu lado Sasuke vinha tendo pesadelos frequentemente, dos quais despertava suado, ofegante, ás vezes até soltava alguns gritos incompreensíveis, ficara assim desde a morte de Konan, talvez o pesar o assombrasse.
Contudo sentia-se animada, pois finalmente os treinamentos começariam. Participaria das aulas gerais, com todos os selecionados e os outros instrutores e, também instruiria especialmente a turma de mulheres com armas menores, segundo Itachi para servir-se de exemplo para elas, já que a ideia de mulheres lutando ainda era pouco ou até mesmo nada difundida.
Havia cerca de uma centena de novos soldados, um quarto deles era composto por mulheres. A quantidade delas no clã era bem maior do que aquela, mas Sakura compreendia que a maioria jamais deixaria seu lar e seus filhos para empunhar uma espada.
‒ Á partir de hoje inicia-se uma nova era para nós, Uchihas. Nossos samurais sempre foram escolhidos por aptidão ou através de gerações, no entanto hoje construiremos uma nova força, feita por quem sempre batalhou pelo clã de uma maneira ou de outra. É apenas o começo para recuperarmos a força e o peso de nosso nome. ‒Sasuke pronunciou brevemente.
Todos ouviram polidos, em seguida com uma lista em mãos, Itachi começou a chamar os nomes e a dispô-los em cinco divisões, para cada uma havia um treinador: Sasuke, Sakura, Obito, Kakashi ou o próprio Itachi.
Após a divisão, dispuseram uma arma de madeira para cada um e então começaram com as posições básicas. Todos repetiam os mesmos movimentos sincronizadamente, Sakura concentrava-se no que fazia, mas ao mesmo tempo observava seus discípulos, em geral todos estavam se saindo bem, talvez alguns precisassem de um conselho como: “braços menos esticados”, ou ainda, “mais lentamente”. Apesar disso, uma nostalgia brandiu em seu peito e ela se recordou do tempo em que era ela aprendendo o básico, não fazia tanto tempo assim, porém era até engraçado pensar que se não fosse por essas lições, não teria se aproximado tanto de seu marido.
Foi então que em meio á prática, todos foram surpreendidos com os gritos irritados de Sasuke:
‒ Não está segurando uma enxada, é uma espada! Precisa de um mínimo de precisão e leveza, não aja como se estivesse arando a terra. ‒dizia parado diante de um dos homens.
‒ Sasuke. ‒Itachi chamou-o discretamente. ‒ Eles estão na primeira prática, não seja exigente.
‒ Temos de ser exigentes Itachi. Venha, vamos mostrar á eles que em uma disputa de verdade não haverá espaços para movimentos lerdos ou desengonçados. ‒desafiou tocando a katana do irmão com a sua própria.
Sem saber o que fazer e diante do olhar provocativo de Sasuke e ansioso dos recrutados, Itachi colocou-se em posição de guarda.
Sasuke investiu rápido e firmemente, mas Itachi bloqueou seu golpe, então o caçula tomou novo fôlego e deferiu uma sequência ofensiva, o mais velho mostrando a precisão de sua defesa, recuava ao passo que as duas espadas se chocavam, no entanto quando o caçula deu um giro rápido e veio para cima de si mais uma vez, conseguiu acompanhar o golpe, contudo um de seus pés vacilou e Itachi abaixou-se com um dos joelhos no chão.
Todos seguraram um suspiro, admirados com a perícia de ambos, mas logo a admiração se tornou incredibilidade, quando viram Sasuke erguer a espada e tomar impulso como se fosse acertar o irmão. A voz de Sakura estava prestes á romper a garganta, mas Kakashi foi mais rápido e segurou o braço do líder do clã.
‒ O que pensa que está fazendo? ‒indagou ofegante.
‒ Sasuke, você… ‒Itachi começou, mas não se atreveu a continuar, Obito o ajudava a reerguer-se.
‒ O quê? Pensaram que eu ia decapitar meu onii-san?
‒ Convenhamos que você passou bem perto disso, Sasuke. ‒Obito rebateu.
‒ Estava apenas demonstrando aos futuros samurais como um deslize pode custar-lhes a vida. ‒alegou aparentemente sem graça, mas ainda alterado.
‒ Talvez seja melhor que você volte para as papeladas por hora, Sasuke. ‒Kakashi sugeriu.
‒ Não me diga o que fazer Hatake. Terminem com essa brincadeira. ‒respondeu se retirando do dojo.
Sakura e Itachi se entreolharam, ambos perplexos com as ações de Sasuke. Ainda mais assustados se encontravam os alunos, que não estavam acostumados a lidar com o líder do clã, quanto menos com aquele tipo de atitude. Mas o filho mais velho de Fugaku logo se pronunciou em tom apaziguador:
‒ Bom, acho que podemos continuar. A divisão de Sasuke por favor se divida entre a minha e a de Kakashi. ‒então todos recolocaram-se em suas posições e seguiram com o treinamento.
…
Àquela altura Fugaku e Mikoto já sabiam da confusão causada por Sasuke e a sensação durante o jantar, era de que o ar estava mais pesado:
‒ Pensei que a primeira coisa que havia lhe ensinado foi para quem se ergue a katana: inimigos. Nunca a aliados, quanto menos á familiares, isso quando estes não representam ameaças a todo o clã, obviamente. ‒o patriarca começou sem olhar diretamente para o filho, mas as palavras corriam como lâminas afiadas.
‒ Já me expliquei sobre isso. Não era uma ameaça á vida de ninguém. ‒rebateu impacientemente.
‒ Não? Veremos como Itachi se sente sobre isso… Sasuke fez alguma investida arriscada? ‒indagou ao mais velho, que permanecera calado desde o início.
‒ Estávamos trocando golpes, como sempre fizemos, aliás. Pisei em falso em determinado momento, mas Sasuke continuou avançando, penso que só queria continuar a briga, nunca se dá por vencido. ‒respondeu encarando o caçula.
‒ Não foi exatamente dessa forma que as testemunhas relataram. ‒Fugaku falou novamente.
‒ Já chega disso, tenho a certeza de que se Sasuke realmente extrapolou está ciente de seu erro, sempre tiveram esses conflitos, agora como os dois homens maduros que são, devem relevá-los. ‒Mikoto interveio, desde o fim dos conflitos a Uchiha não suportava a ideia de ver a família separada novamente, por qualquer razão que fosse.
Terminaram a refeição em silêncio e mais tarde, quando estavam á sós em seus aposentos, Sakura começou a falar:
‒ Sasuke…
‒ Se for para dar sermões também, nem adianta começar. ‒cortou-lhe sério, mas em seguida mudou de postura, Sakura conhecia muito bem o olhar que lhe transmitia agora, um olhar de desejo urgente.
Segurou seu rosto entre as mãos, com o polegar acariciando a marca branca que havia ficado em sua bochecha direita, logo como se recobrasse a própria consciência, puxou-a para si, beijando seus lábios com fervor, as mãos corriam pelo corpo feminino apressadas para lhe tirar os trajes, quando conseguiu desvencilhá-la dos tecidos, lançou-a com delicadeza no futon e tirou a parte de cima do próprio quimono. Abaixou-se e abocanhou-lhe os lábios novamente, faminto como um leão.
‒ Calma Sasuke, não é o fim do mundo certo? ‒pronunciou enquanto o moreno descia para dar atenção aos seus seios.
Ele não respondeu, apenas continuou com as carícias, que mesmo daquela forma inesperadamente voraz, estavam-na deixando excitada. Se deteve por algum tempo em sua intimidade, antes de colocá-la virada para si, de joelhos, o corpo dobrado para frente, para que pudesse penetrá-la por trás, segurando-lhe os longos cabelos róseos com uma mão, enquanto a outra buscava apoio em seus quadris.
Sasuke terminou com um gemido rouco e debruçou-se sobre ela. Beijou-lhe os lábios e em seguida, mordeu o inferior com força, o que fez a rosada resmungar baixinho. Ajeitando-se, o moreno deitou-se ao seu lado e caiu rapidamente no sono.
Sakura o observava, acariciando seus sedosos cabelos negros, parecia tão tranquilo e de fato, esperava que continuasse assim. O dia havia sido cheio de explosões do mesmo, como se uma revolta tomasse conta dele, parecia até o adolescente incompreendido do passado. Permitiu-se deitar, envolvendo-o com seus braços e a dormir um sono que a acalmasse e tirasse de si, maus sentimentos.
Mas a noite não lhe prometia sossego, despertou assutada com Sasuke de pé, gritando diante de si.
‒ Sasuke! O que houve?! ‒tentou aproximar-se, mas ele a impediu com um gesto para que parasse, a outra mão cobria a própria face.
De repente, tão repentinamente como havia começado a surtar, o Uchiha parou e quando descobriu o rosto, Sakura teve uma visão que não gostaria de ter: seus olhos estavam rubros, como os de Madara ficavam quando este estava controlando o poder das sombras.
Ele a observou de forma vazia, pegou as duas katanas no suporte de parede e abriu a porta que dava para o jardim de inverno, vestia apenas as calças de seu quimono, mas não pareceu se importar com isso:
‒ O que está fazendo? Aonde vai? ‒indagou aflita.
Sasuke ou o que ocupava seu corpo virou o pescoço para encará-la, pôs o dedo sobre os lábios num gesto de silêncio e inexplicavelmente Sakura perdeu a voz, ficando muda momentaneamente até que o Uchiha se afastasse pela porta.
Quando por fim, ela conseguiu recompor-se e vestir-se adequadamente, caminhou pelos corredores chamando por Itachi e sua família:
‒ Sakura, o que houve querida? Parece atordoada. ‒Mikoto envolveu-a em seus braços.
‒ Sasuke, ele… Saiu, estava com os olhos vermelhos, não respondia quando eu lhe falava, estava… Totalmente fora de si. ‒disse, de fato, apavorada.
‒ Saiu? Mas para onde? ‒Fugaku questionou.
‒ Ele apenas levantou-se no meio da noite aos berros e saiu pelo jardim com as katanas em suas mãos.
‒ Você disse que ele estava com os olhos vermelhos? ‒Itachi perguntou concentrado.
‒ Hai, rubros como os de…
‒ Madara. ‒completou o cunhado.
‒ Mas não é possível! ‒Mikoto exclamou.
‒ Como isso pode acontecer? ‒Fugaku tornou a falar, notando a apreensão do filho mais velho.
‒ Isso explicaria o comportamento estranho de Sasuke… De fato, estava agindo como se não estivesse em suas plenas faculdades mentais. Porém não compreendo como isso pode acontecer, preciso consultar novamente o pergaminho de Madara, otou-san ordene buscas por Sasuke. ‒concluiu, apressando-se em direção ao altar onde o pergaminho havia sido escondido em uma mobília falsa.
Atordoados, Fugaku caminhou para tomar as providências enquanto Mikoto ficara atenta á Sakura, que lhe parecia instável, podia ver os leves movimentos de seu corpo, pendendo para um lado, ou para o outro, por sorte segurou-a a tempo para evitar a queda, os olhos estavam foscos e a pele pálida como a de um enfermo.
‒ Sakura! O que está sentindo querida?
‒ É só uma tontura. ‒respondeu com um fio de voz.
‒ Vou pedir para prepararem um chá de ervas.
‒ Não é necessário, de qualquer forma, não acho que meu estômago aceitará alguma coisa. ‒colocou a mão sobre a própria barriga e uma lágrima solitária escorreu por seu rosto discretamente.
…
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