Notas iniciais
Boa Tarde lindezas! Tudo bem com vocês? Espero que sim, assim como espero que não me matem pela demora, apenas que tenham uma boa leitura.

– Sasuke-kun… –Sakura pronunciou num fio de voz, dando-se conta que, diferente do que se entregara á fazer, estava tão inteira quanto antes.

– Pensa que lhe dei a katana para que brincasse com a mesma? –o moreno perguntou sem encará-la, ainda assim, Sakura tremeu com o tom de sua voz.

– N-não é verdade, mas… –começou engasgando, porém foi interrompida pela mulher que se encontrava próxima com o corpo do filho em seus braços.

– Isso tinha de ter as suas mãos não é Sasuke? Por acaso eu o levei a morte? Veja o que essa vadia e seu bando de animais fez ao meu filho! –Konan disse aos berros.

Só então o Uchiha reparou que a mulher que tanto amara um dia, encontrava-se tão próxima. A mesma mulher com que sonhara tantas vezes, e com a qual posteriormente, passou a ter pesadelos e visões em que a esganava com as próprias mãos. Suas feições eram como se lembrava, no entanto a pintura em sua face havia borrado, dando imagem e profundidade á sua tristeza.

Algo no íntimo de Sasuke, adorou vê-la em tal estado, de certa forma, era uma perda assim como a que o próprio tivera: ele perdeu quem jurava ser o amor de sua vida. No entanto, desejava mais. Desejava realizar suas fantasias e acabar com a fonte de seu sofrimento, aquela que o fez se passar por um traidor e que partira seu coração, na época ainda tão jovem e inexperiente.

A silhueta do moreno caminhou lentamente, de cabeça baixa até os corpos da mãe ressentida e do cadáver do filho. Konan no primeiro instante, segurou o rapaz mais firmemente, mas em seguida, como se desse conta que o filho não era o alvo, deixou-o delicadamente no chão e pôs-se a recuar porém, no próximo momento, seus pés não tocavam mais o chão.

Havia sido erguida por Sasuke com a mesma facilidade com a qual se sopra uma pluma. Ele a mantinha suspensa pelo pescoço, enquanto o apertava com ambas as mãos. Cara a cara, a mulher viu a fúria em seus olhos negros, os mesmos que sempre a observaram com tanta admiração e desejo.

Tentava implorar para que parasse, mas tanto a voz como o ar não passavam por sua garganta, a armadura do Uchiha não permitia que suas mãos, que se agarraram firmemente aos pulsos dele, fizessem qualquer efeito.

– Pare! –a voz feminina brandiu com firmeza no mesmo instante que o moreno sentiu um pequeno impacto em suas costas. A rosada estava rente ao seu corpo, seu peito colado em suas costas enquanto abraçava-o pela cintura, esticando-se para que seus lábios ficassem próximos ao ouvido do mesmo.

Os dedos de Sasuke continuaram a apertar o fino pescoço da mulher, sua visão ficando cada vez mais turva.

– Sasuke-kun… Pare, onegai. –seu tom saiu doce, embora estivesse bastante receosa. – Matá-la não irá juntar os pedaços do coração que um dia foi quebrado, quanto menos fazê-lo sentir-se amado novamente.

– Você não entende Sakura. –sua voz foi cortante. – Não sabe o que é decepcionar-se com a pessoa que mais ama.

– Se continuar com isso, saberei o que é ter essa decepção. –soltou, num misto de amargor e alívio, reconhecendo o peso de sua declaração.

Nesse instante o corpo da mulher foi ao chão, enquanto a mesma tossia e lutava para puxar o ar desesperadamente. Sakura de certa forma, também havia desabado, e em meio todo àquele caos, sentiu suas pernas bambearem, mas ao contrário do que pensava, permaneceu firme, amparada pelos braços de um samurai.

Do lado oposto do campo, os dois principais oponentes ainda se enfrentavam, embora agora fosse bem nítida, a figura mais resistente. Nagato tinha um corte em sua bochecha direita provocado por um golpe inesperado com uma das foices do Uchiha. Encontrava-se ofegante e nem mesmo as provocações respondia, talvez estivesse tentando manter a concentração, ou simplesmente esgotado de mais para dizer qualquer coisa. O resto de seus homens também pareciam estar em desvantagem, já que os ninjas embora aparentemente frágeis, pareciam renascer das cinzas.

Por sua vez, Madara continuava intacto e exibindo seu sorriso triunfal a cada vez que Nagato errava o movimento com sua katana.

– Sinceramente, esperava encontrar em você um oponente á altura, mas vejo que é apenas em ataques surpresa á distritos desprotegidos que tem sorte, e é claro, contra o tolo de meu otouto. –discursou. – Penso que já é hora de pôr um ponto final nessa batalha, tenho ainda um distrito de samurais para destruir e um trono para tomar.

Dito isto, o Uchiha recuperou o controle de sua arma e brandiu ambas as foices ao mesmo tempo, rodopiando-as ainda sem rumo, embora Nagato soubesse que era apenas uma distração. Então o samurai, manteve-se afastado, mesmo que a armadura não lhe permitisse se mover exatamente com extrema rapidez. Mas em seguida, uma ideia lhe atingira, rápida como uma flecha.

Segurou a katana para frente, rente ao seu rosto, uma postura nada típica de um guerreiro como ele e, no momento preciso, lançou-a sobre o eixo da corrente que se compunha a arma de Madara, fazendo com que uma das lâminas afiadas acabasse incapacitada de ser retirada do chão, porém seria por pouco tempo. O Akatsuki aproximou-se do adversário e sacando a segunda katana que sempre levava consigo, mirou-a bem no peito do moreno, enquanto com a mão livre arrancava a proteção da armadura dourada do mesmo, tomando cuidado dobrado para desviar da segunda lâmina que continuava á rodopiar, apesar de ter perdido o embalo que a mantinha flutuando com mais força.

Acertou em cheio o ponto vital no peito de Madara, que emitira algo como um engasgo, recuando para trás, as mãos finalmente deixando de movimentar a corrente com foices. Nagato sorriu pela primeira vez, satisfeito com o feito.

– Parece que nem mesmo a resistência do ouro pôde lhe proteger.

A resposta veio segundos depois, uma gargalhada carregada de escárnio e uma graça que só o Uchiha parecia conhecer. Ele ergueu o corpo lentamente, seus olhos pareciam manchados se sangue, assim como seu peito, porém diferente de qualquer outro ser vivo, o mesmo não parecia abalado com o rombo em seu peito.

– O que é você? –perguntou Nagato espantado.

– Seu pior pesadelo talvez. –antes que pudesse se dar conta, uma das mãos de Madara se moveu, erguendo junto a foice e no instante seguinte, ela havia perfurado o vão entre a proteção e o tecido de sua roupa á partir da parte de trás de seu joelho, dilacerando os tendões e artérias do local.

Com a dor profunda, Nagato pendeu agachado diante seu adversário, como se de fato estivesse o reverenciando. O Uchiha moveu a outra parte da arma, liberando-a da katana que havia a imobilizado anteriormente.

– Quais são as últimas palavras de um perdedor? –questionou.

– Pode ser o que diz, mas não me sinto como tal. –alegou esforçando-se o máximo possível. – Perdedor considero aquele se tornara um monstro e utilizou de vias obscuras para conseguir o poder. Talvez se tivesse evoluído mais suas ideias ao invés de brincar com magia negra…

– Basta! Um verme como você já habitou este mundo por tempo demais. –dito isto, sua lâmina cumpriu um movimento rápido e curvado, em seguida uma cabeça jazia sobre o chão.

Sakura nem ao menos notou a movimentação ao seu redor, nem percebeu quando o campo de batalha se tornou silencioso. Tudo o que queria agora, era permanecer amparada naquele abraço, tão aconchegante e confortável. Quase soltou um suspiro de decepção quando alguém chamou-lhes a atenção:

Teme! Sakura-chan, que bom que está bem! –a voz de Naruto era inconfundível, sentiu o enlace em sua cintura desfazer-se, enquanto ambos se viraram para encarar o loiro, só então notando que os ninjas haviam desaparecido e restavam poucos samurais, a maior parte caída no chão, enquanto outros um pouco mais “inteiros” tentavam ajudar os mais feridos. Também não vira Konan por perto, a mesma deveria ter aproveitado a brecha e fugido da fúria de Sasuke.

– O que houve? Os ninjas recuaram? –Sasuke perguntou com sua postura de sempre, sem dar indícios de que pouco antes, compartilhava um momento caloroso com a Haruno.

– A verdade é bem contrária. Eles avançaram junto de Madara contra o palácio imperial.

– Então quer dizer que Nagato… –o Uchiha começou.

– Teve a cabeça decepada, dá pra se contar nos dedos quantos Akatsuki restaram. –o loiro informou ainda.

– Temos de detê-lo antes que faça ainda mais estrago. –Sakura se manifestou, parecendo enfim despertar do transe de seus sentimentos.

– Não é assim tão simples. Itachi e Obito devem estar a caminho, precisamos da resposta para acabar com essa maldição.

– Na verdade, já estamos aqui. –Obito manifestou-se, junto dele estavam Itachi, Kakashi, Fugaku, que haviam encontrado no momento em que chegaram ali, e até o estranho garoto Lee.

– E então? Descobriram algo? –Sasuke indagou.

– Há uma série de simbologias nos pergaminhos. Temos de enfrentá-lo, embora não há indício de um ponto fraco, a chave parece muito mais estar no oponente que enfrentará o usuário da maldição do que no mesmo. –Itachi explicou, em suas feições via-se que estava frustrado com si próprio.

– Maldição? Que história toda é essa? –Naruto manifestou-se perdidamente.

– É uma longa história dobe. –o Uchiha caçula respondeu.

– Agora marcharemos para o palácio sem plano ou estratégia alguma? –disse Kakashi.

– Ora, não seja medroso Hatake! O improviso também é um plano. –rebateu Obito com um sorriso debochado, embora assim como todos os outros ali presentes, a única certeza que possuía, era a de que teria uma longa batalha pela frente.

Madara adentrara a área do palácio como uma bravia tempestade, devastando tudo o que encontrava em sua frente. Facilmente derrubara junto de seus ninjas, os Akatsuki que tinham restado para proteger o Imperador e sua família. Após derrotar seu maior rival, o Uchiha parecia ainda mais confiante e inabalável.

Enquanto isso, notando a movimentação incomum e já informado do fim da Akatsuki, o Imperador Hiashi convencera-se que não morreria como um tolo á implorar sua vida, não possuía grandes habilidades com uma katana, sempre fora um diplomata e até no golpe á Jiraya, as espadas usadas foram conseguidas por negociação e não pela força.

Sua única preocupação fora deixar as filhas o mais seguras o possível, o que não era muito sem samurais para protegê-las. Havia em seus aposentos, no chão de tábuas de madeira, uma passagem escondida embaixo de seu futon. Abrira o alçapão, pedindo que as meninas entrassem lá dentro, a passagem levaria ao exterior nos fundos do palácio, onde elas deveriam continuar e sair pelo pequeno portão ao norte, o mais discreto da muralha que rodeava a construção. Então deveriam correr, embrenhando-se em meio ás folhagens locais até encontrar o cais, onde um barco estaria esperando por elas.

Apesar de nunca ter sido um pai muito afetuoso ou presente, Hiashi orgulhava-se das filhas que tinha. Quando sua esposa falecera, vítima de uma doença incurável, deixando para trás as duas princesas tão jovens, pensara que não seriam capazes de se tornar moças tão bem educadas e doces como eram.

Sobretudo Hinata, que alcançando agora a vida adulta, era dona de um coração tão bom e gentil, que acreditava ser a melhor criatura que já conhecera. Sua aparência lembrava tanto a mãe, que era impossível para o pai não sentir a presença da falecida esposa naquela moça tão bela. Hanabi ao contrário, era agitada e de gênio forte, apesar disso sabia obedecer e fazia amizades com tanta facilidade, que era querida por todos, embora fosse praticamente uma criança ainda.

– Cuide da sua imouto. –primeiro voltou-se para Hinata especificamente. – Não dêem atenção a qualquer pessoa que encontrarem em seus caminhos, sigam o trajeto que lhes disse. –recomendou para ambas, antes a fechar a tampa do alçapão.

Otou-san… –Hinata dissera com sua voz fina, as palavras não saiam, mas sabia que aquele era o adeus. Hanabi chorava ao seu lado com espanto, embora sempre se mostrara tão valente.

Hiashi apenas baixou o olhar com pesar e quando o ergueu novamente, antes de baixar a porta por completo, Hinata jurou ter visto pela primeira vez em sua vida, uma única lágrima solitária correr por seu rosto longo.

Ao percorrer o palácio encontraram apenas rastros da destruição e vários ninjas, que tinham tomado conta do local como sombras em uma noite iluminada á velas. No entanto, ao contrário do que esperavam, estes não os atacaram, apenas os fitaram como estátuas, e Itachi supôs que era da vontade de Madara que ficassem daquela forma, já que apenas o Uchiha controlava tais criaturas.

No salão principal, destinado também ao trono, se encontrava o maior responsável por tal catástrofe.

– Fugaku! –Mikoto gritou, estava amarrada em uma cadeira um pouco menor, mas não menos exuberante que o trono ao lado do mesmo.

– Mikoto, o que faz aqui? –indagou o marido que há muito, não via sua esposa.

– Ela viera ficar ao meu lado, o que seria. –Madara prontamente interrompeu.

– Jamais! Eu vim para tratar com Hiashi, mas quando cheguei o próprio já não estava mais entre nós. –baixou a cabeça em sinal de respeito.

– Seu assassino! Quantos mais terá de matar? –gritou.

Otou-san… Mantenha o controle, não conseguirá nada agindo dessa forma. –recomendou Itachi.

– Na verdade agora minhas vítimas estão reduzidas, em quantos estão aí mesmo? –debochou. – Sasuke, eu sabia que tinha salvo seu onii-san, talvez teria sido melhor deixá-lo escondido.

– Aquelas suas aberrações podem ser muitas, mas não são páreas para nós. –o mais novo brandiu corajosamente.

– É o que veremos. –com um gesto Madara intimara todos os seus ninjas, lotando o grande salão com criaturas negras, porém assim que o samurai de dourado ergueu-se do trono e começou a caminhar, eles se reagruparam em pequenos grupos, formando uma nuvem de fumaça negra.

Para espanto geral, agora seus inimigos não eram apenas ninjas, mas sim verdadeiros monstros, com garras e asas negras. Os temíveis olhos vermelhos também mostravam-se ainda e o barulho que emitiam era como um uivo agoniado, um verdadeiro presságio de morte.

Kakashi e Obito olharam-se com desafio, como de fato os verdadeiros rivais que eram. Naruto já trazia a katana em mãos, determinado embora um pouco receoso á respeito da aparência que seus inimigos tomaram. Lee apertou os punhos com força e colocou-se em posição de ataque, como se estivesse acostumado a enfrentar monstros como aqueles desde sempre. Itachi mostrava-se calmo, embora sua mente estivesse á mil, avaliando e buscando qualquer ponto fraco. Fugaku não prestava atenção em mais nada, se não ao próprio irmão.

Sasuke sentiu um aperto suave na ponta de seus dedos. Ao seu lado, estava a garota de cabelos róseos. O moreno a olhou de volta, sabendo que dessa vez, não estaria sozinho.

...

Notas finais
Se houver algum erro de digitação ou formatação é porque não usei meu computador para escrevê-lo. E então, gostaram? Mal vejo a hora de acabar com essas tretas e partir para o romance meninas, mas antes temos que dar um fim ao Madara, certo? Tem NaruHina no próximo ao que tudo indica e provavelmente SS também. Um beijo, estou com muitas saudades da minha rotina de escritora, muito obrigada pelo apoio :D