Diz pra Mim
29 Cegueira
Notas iniciais
‒ Irei dizer só uma vez Konan: deixe-a ir. ‒Sasuke brandiu firmemente.
‒ O que é isso Uchiha? Pelo que me lembro, gostavas de brincar. ‒a mulher de cabelos azulados zombou, só então Sasuke pôde reparar no estado em que ela se encontrava: trajava um quimono simples e sujo, os cabelos num penteado caído e desgrenhado, emagrecera muito e as olheiras de baixo de seus olhos eram profundas, até a pele parecia apagada, bem diferente da tez de porcelana que sempre exibira.
‒ Cale a boca. ‒ordenou aproximando-se.
‒ Nem mais um passo ou corto a garganta de sua amada! ‒rebateu, sua voz descontrolada ecoando na caverna.
‒ Não seja tão tola Konan, você sabe que não pode me confrontar.
‒ Hum… É verdade que és um hábil guerreiro, porém até chegar próximo o bastante, mesmo sem muita perícia, arranco a cabeça de sua esposa fora. ‒ameaçou e diante o tom de suas palavras, Sasuke permaneceu intacto, vendo que a mulher pressionava a espada sobre o pescoço de Sakura.
‒ Konan, solte-a. Se alguém aqui é responsável pelo mal que lhe aconteceu, esse alguém sou eu.
‒ Não seja baka Sasuke! Aprendi a lição e quero que aprendas também: quem se vai nunca sofre, mas aqueles que ficam, esses sim carregam as marcas consigo. Não estou brincando! ‒gritou, mas em seguida suas expressões graves se alteraram para um ar cheio de ternura, fazendo com que Sasuke só constatasse ainda mais o desequilíbrio da mulher. ‒ Olhe que rostinho mais lindo! ‒segurava a face de Sakura com a mão desocupada. ‒ Seria uma pena se ela ficasse toda deformada… ‒dizendo isto, deslizou a espada por sua maçã do rosto, causando um corte, o filete rubro escorreu como uma lágrima.
‒ Pare com isso! ‒ordenou á ponto de perder as estribeiras.
‒ Ou o que Sasuke? ‒indagou com a voz suave novamente.
Só então Sasuke percebeu que Sakura, que até então não esboçara reação alguma lhe piscava um dos olhos. Não sabia exatamente o que a rosada queria lhe dizer, mas então sentiu que poderia e deveria confiar na mesma. Decidiu então confrontá-la diretamente:
‒ Eu mesmo arrancarei essa espada e a sua vida de você.
‒ Mesmo sabendo que isso acabaria com a vida de sua amada? Não passa de um egoísta, Uchiha.
Foi então que Sakura agiu, moveu-se rapidamente e alcançou a mão que segurava a espada próxima ao seu pescoço, plantando uma forte mordida que fez com que a mulher largasse a arma. Em seguida, antes que pudesse ter qualquer reação, Sasuke já estava jogando-a contra o fundo da caverna, suspendendo-a facilmente pelo pescoço com uma de suas mãos.
‒ Agora o jogo não lhe parece tão divertido, não é Konan? ‒indagou entredentes.
‒ Vá para o inferno Uchiha! ‒gritou, ainda que sufocada pelo aperto.
‒ Primeiro você. ‒dito isto, pegou a katana e atravessou sua garganta verticalmente.
Konan cuspiu sangue e o líquido escarlate também jorrava de seu pescoço, no entanto não era um ferimento que causava a morte instantânea, o moreno queria lhe causar sofrimento, vê-la agonizando, afogada em seu próprio sangue. Retirou a katana e investiu novamente, perfurando dessa vez o lado direito do peito, se fosse o oposto, sem dúvidas teria acertado o coração. Repetindo os movimentos, fincou-lhe dessa vez no vão entre as costelas, causando um grunhido rouco da mulher. Terminando então sua tortura, Sasuke acertou por último seu órgão vital, lançando o corpo no chão com desprezo.
Usou a manga de seu manto para limpar os resquícios de sangue que haviam respingado em seu rosto. Arfava e não sabia se por cansaço ou pela insanidade que tomara conta de si há pouco, mas o pior não era isso, e sim o olhar com que Sakura o observava: espantada e surpresa pela brutalidade com a qual o marido atacara sua rival.
Caminhou até sua esposa e desatou-lhe os nós das cordas, liberando-a. Tentou ajudá-la a levantar-se, mas a mesma se esquivou.
‒ O que houve? ‒questionou, apesar de tal reação ser óbvia.
‒ Não parecia você. ‒confirmou insegura.
‒ Eu exagerei, mas ela ia feri-la e só de pensar em perdê-la… Não pude me conter. ‒disse abalado. ‒ Amo-te tanto. ‒confessou baixando a cabeça e procurando seus braços para confortar-se.
‒ Está tudo bem… ‒ela sussurrou-lhe, envolvendo-o de volta.
O que Sakura não desconfiava e Sasuke também não saberia explicar, era uma sensação pequena que pulsava bem no interior de seu peito, talvez fosse uma mistura de prazer, poder e sede.
…
Se soubesse que ser Imperador era tão tedioso, Naruto possivelmente não teria aceitado o trono. Permanecer sentado o tempo todo, ouvindo reclamações e pedidos, recebendo pessoas esnobes, daquelas que se sentem deuses na terra, assinando tratados e pilhas e mais pilhas de papéis definitivamente não era para ele.
Conseguira uma brecha e escapou para o interior do palácio, onde encontrou Hanabi se deliciando com uma tigela de doces.
‒ Sua gulosa! Me dê um. ‒pediu aos berros, que ecoaram pela amplitude da sala.
‒ De jeito nenhum, na cozinha tem para todos, pode ir e pegar. ‒recusou escondendo a tigela,
‒ Deixe de ser esganada garota! ‒mostrou-lhe a língua. ‒ Agora me diga onde está sua irmã?
‒ Nos seus aposentos, pintando ou bordando como sempre faz. Ei, volte aqui! ‒chamou-o de volta. ‒ Será que você tem algum problema?!
‒ Como assim? ‒perguntou inocentemente.
‒ Você não é capaz de perceber o que está estampado bem diante de seus olhos. Minha onee-san vive mais quieta que o habitual pelos cantos, a suspirar e cantarolar melodias tristes. Tudo isso por sua culpa! ‒a menina exclamou.
‒ O quê?! Mas o que foi que eu fiz á Hina?
‒ O erro é exatamente o que você não fez. Apenas tu não enxergas o quanto ela o admira e gosta de você.
‒ Claro que gosta, somos… amigos.
‒ Não dessa forma baka, ela quer ser sua esposa de verdade! ‒reafirmou a garota, á ponto de bater a cabeça do loiro em algum lugar para que o mesmo compreendesse. ‒ Aonde vai? ‒questionou vendo-o virar as costas.
‒ Tornar esse casamento em algo de verdade. ‒respondeu decidido.
De fato, Hinata estava no pequeno jardim que era ligado ao aposento. Sentada em pequeno banco, tinha uma tela á sua frente e pintava em linhas pretas uma árvore, como a que havia á sua frente.
‒ Está muito fiel á original. Gomen, não quis assustá-la. ‒disse notando a surpresa da morena.
‒ N-Naruto-kun… Não deverias estar no salão de audiências? ‒indagou corada.
‒ Eu escapei de lá. Nada contra, sei que faz parte de minhas responsabilidades, mas o meu bumbum se encontra dolorido de ficar o dia todo sentado naquele trono. ‒arrancou um sorriso da morena com sua careta e sentou-se no chão ao lado dela.
‒ Soube que Sasuke-kun matou a viúva de Nagato. Ao menos Sakura está bem.
‒ Aquela mulher não iria deixá-los em paz, nem em nosso casamento dera descanso. ‒assentiu, aproveitando-se da brecha para continuar no assunto. ‒ Por falar em nosso matrimônio, não acha que está na hora de acertarmos as coisas entre nós? Começarmos as ser um casal como qualquer outro, a começar deste ponto.
‒ Do quarto?! ‒perguntou surpresa e envergonhada.
‒ Não! Não dessa forma que está pensando. ‒esclareceu aos berros. ‒ O que quero dizer é que gosto mesmo de você, do seu sorriso meigo, dos seus olhos cor de pérola, do seu jeitinho que tem vergonha de tudo, seu coração puro e bondade desmedida… Não sei se sente algo por mim, mas farei o que estiver ao meu alcance para fazê-la feliz. ‒dessa vez parecia que Naruto era o tímido, não conseguira encarar a morena, porém foi surpreendido com um abraço apertado e um sussurro em seu ouvido:
‒ Sonhei todas as noites em ouvi-lo dizer tais palavras… Admiro-o muito Naruto—kun e serei muito grata em tê-lo comigo, pois se estás ao meu lado já sou feliz.
Naruto então afastou-se no abraço, segurou o rosto pálido da morena em suas mãos e beijou-lhe com a delicadeza que ela merecia. Separaram-se, ambos sorridentes e embriagados pela sensação que os preenchia: a de finalmente ser correspondido. O loiro ergueu-se junto dela, segurando-lhe as mãos, em seguida fechou a porta do painel, trazendo-a para um dos futons.
‒ Não precisa acontecer se não quiser. ‒começou o loiro, mas Hinata segurou-lhe o rosto.
‒ Quero me tornar tua mulher. ‒consentiu.
Dito isto deitou-a, retirou a parte de cima de suas próprias vestes e continuou a beijá-la, dessa vez mais profundamente, apesar do consentimento, Naruto sabia que a garota estava apreensiva, mas queria propiciar-lhe um momento ainda mais especial do que a ocasião já determinava.
Colocou-se sobre ela, com os joelhos cercando seus quadris, suas mãos buscavam e exploraram toda a abertura de suas vestes, até retirar aos poucos, o quimono feminino. Afastou-se por um instante para admirá-la, mas Hinata não parecia muito confortável com isso, desviando o olhar e cruzando os braços á frente de seu colo, então o Imperador segurou-lhe o rosto para que o encarasse e afirmou convicto:
‒ Não precisa se esconder.... És linda. ‒tornou a beijar-lhe os lábios.
Em seguida continuou com beijos por seu rosto, orelha, pescoço, até alcançar-lhe um dos seios fartos sugando-o e causando na morena pequenos choques que lhe percorriam todo o corpo e a faziam soltar gemidos abafados. Passou mais um tempo ocupado com seus dotes, apertando-os de leve, continuou sua trajetória, chegando ao seu sexo, o qual explorou com sua língua, causando um gritinho de espanto por parte de sua esposa.
Voltou-se para Hinata, que assim como ele ofegava em pura excitação, colocou-se entre as pernas beijando suas coxas, acariciou-lhe o rosto e sussurrou baixinho:
‒ Vai ficar tudo bem... Não irei machucá-la.
A morena assentiu com a cabeça e quando ele a penetrou, suas mãos apertaram com força o futon, mas não emitira nem um som sequer. Naruto começou movendo-se lentamente para não lhe causar tanto desconforto e só quando a morena lhe tocou o rosto e com o olhar o comunicou que poderia prosseguir, foi que aumentou seus movimentos enquanto a beijava arduamente.
Não tardou para que o loiro alcançasse o céu junto dela, já havia tido outras em sua vida, mas dessa vez foi diferente, pois era como se o sentimento que ambos compartilhavam o levassem ás alturas de tal maneira, que até a eternidade parecia pouco para que os vivessem.
…
Levantou de supetão. Estava soado, com a respiração agitada e Sakura o olhava preocupada.
‒ O que foi? ‒perguntou-lhe a esposa.
‒ Tive um pesadelo.
‒ Do que se tratava?
‒ Alguém a golpeava e mal conseguia me mover para impedir. ‒contou recuperando o fôlego normal.
‒ Ainda está abalado por tudo o que aconteceu, aquelas cenas também não sairão de minha mente tão fácil. ‒confessou, havia um curativo em seu rosto tapando o ferimento que a marcara sua pele. ‒ Mas temos de esquecê-las. ‒abraçou-o, puxando para que se deitasse novamente.
Sasuke acariciou seus cabelos, o pesadelo fora realmente aterrorizante, ainda mais por algo que ocultara, em seu devaneio, de algum lugar a voz de Madara ecoava suas últimas palavras: “isso ainda não acabou”.
…
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