Diz pra Mim
12 Andamento
Notas iniciais
Sessenta dias se passaram. Madara tinha reunido Mikoto, Sakura e Sasuke para uma refeição, mas todos ali sabiam que sua real intenção era discutir sobre o andamento de seu plano.
– E então, Sakura está pronta para agir? –quis saber após todos se banquetearem.
– Não exatamente. –foi Mikoto quem respondeu. – Ela já pode se caracterizar, no entanto devemos melhorar sua dança.
A Uchiha tinha razão. No início, chegou á torcer o tornozelo ao andar com aqueles tamancos, porém no fim, com muito esforço conseguira finalmente dominá-los sob seus pés. Também sabia tocar o sangen com a devida perfeição e até o seu tom de voz, aprendera a controlar para que saíssem apenas melodias harmoniosas. Agora, Mikoto lhe ensinava as danças típicas e os movimentos leves que deveriam combinar com os leques que utilizava. Sua mentora sempre a elogiava e a convencia de que estava progredindo rapidamente.
– Espero que não demorem muito com isso. –resmungou o mais velho. – E quanto á sua parte Sasuke?
– Ela tem aprendido. –respondeu simplesmente, olhando a rosada com certo desdém.
O treino com Sasuke se tornava mais cansativo e complicado á cada dia, pois o mesmo sempre a cobrava e exigia mais de si, como se tudo fosse um desafio. Por outro lado, a garota não deixava por menos, e por mais que estivesse fatigada, continuava se esforçando ao máximo, até o que o mentor desse o treino da noite por encerrado. Ganhara vários hematomas e dores que se espalhavam por todo o corpo, quando caia em seu futon, adormecia quase que instantaneamente, mas antes disso refletia se tinha ela nascido para isso, ser uma gueixa, ou ainda uma guerreira, ao invés da humilde camponesa que provavelmente seria se nenhuma tragédia tivesse tomado suas origens de si.
Ao menos como resultado do exaustivo treino, tinha habilidades suficientes para usar uma katana legítima, bem... Na verdade, a que usava em seus treinos era menor do que as de outros samurais, Sasuke achou que seria mais hábil ao manejá-la e estava certo. Dedicavam-se agora a combates corpo a corpo, o que era realmente problemático, pois o Uchiha fazia questão de lhe tirar o foco e distraí-la com ofensas vazias. Apesar de tudo, ele nunca admitia quando Sakura se saia bem, embora sua discípula tivesse aprendido a ler em seu olhar, quando tinha conseguido êxito em algo.
– Espero que isso seja muito, levando em conta o quanto tens treinado. –Madara continuava a resmungar.
Embora seu plano não tivesse nem ao menos começado de fato, Hiashi tinha cumprido sua palavra e mandado recursos para restaurar o distrito, viam-se trabalhadores reconstruindo todo o lugar, de forma que assim, o ambiente ia melhorando pouco á pouco.
Depois da refeição, Sakura pôde finalmente ter um momento de tranquilidade, sem obrigações, treinos ou qualquer coisa do gênero. Mikoto havia lhe concedido isso, notava o quanto sua sucessora parecia esgotada nos últimos dias, e não era para menos, afinal vinha aprendendo duas coisas tão distintas, sem cessar um dia sequer nos últimos dois meses.
Parou diante do riacho que tanto gostava, mas dessa vez não estava só. Lee, o estranho rapaz estava ali diante da água ensaiando os passos de sua luta, que também era tão original quanto sua própria figura em si:
– Sakura–san. –fez uma reverência ao vê-la.
– Lee-san. –retribuiu o gesto.
No mesmo instante, o rapaz que já se mostrava totalmente recuperado de suas fraturas, partiu em disparada até um pequeno arbusto, de onde arrancou uma simples flor branca. Depois voltou com o mesmo ritmo e entregou á ela:
– Arigatô. –disse sem jeito. – É bonita, sua simplicidade a torna assim.
– Sem dúvidas, mas nenhuma das flores há de ser mais bela que essa á minha frente. –por mais que Lee a elogiava, Sakura era incapaz de levar suas palavras para o lado galanteador, porque elas lhe pareciam sempre tão inocentes.
– Assim irei acabar me iludindo com suas palavras. –rebateu cabisbaixa.
– Não são ilusões, apenas verdades. –rebateu fazendo um gesto com o polegar e sorrindo.
– Sakura–chan! –alguém a chamou, era Naruto quem se aproximava. – Lee, não deveria estar de guarda agora? –perguntou repreensivo.
– Tem razão Naruto-kun, a vigilância necessita de minha juventude! –exclamou apressando-se á correr para longe dali.
– Ele é louco. –Naruto disse quando se viu á sós com a amiga.
– Sim, porém ainda assim gosto do jeito dele. –confessou.
– Loucos como o Lee dão para engolir, mas esses ninjas? São ainda mais estranhos, nunca ouvi a voz de nenhum deles, parecem existir apenas para suas funções. –desabafou.
– São os homens exemplares de Madara, assim ao menos não o enchem com o que ele julga ser inútil. Entretanto tenho de concordar contigo, sempre que volto do dojo durante a noite, sinto como se tivessem olhos me observando por todos os cantos, sei que são eles.
– Eles estão por toda parte! Cuidado ao se banhar Sakura–chan, eles podem estar lá te espiando. –o loiro caiu na gargalhada.
– Isso não tem graça baka. –repreendeu com expressões fechadas.
– É bom ver que vocês têm tempo para jogar conversa fora. –nenhum dos dois tinha percebido a presença de Sasuke, antes que o mesmo se pronunciasse.
– Será que poderia avisar quando chegar, por favor? Estamos falando desses estranhos que se camuflam. Além disso, já terminei minha vigília. –Naruto tratou de se explicar na mesma hora.
– Que seja. Madara pediu que cobrasse uma dívida com certo ferreiro que está em dívida conosco. Ele vive num vilarejo não muito distante. Pensei em levá-los comigo. –anunciou apático.
– Tudo bem. –Naruto assentiu animado, o mesmo adorava sair do distrito por qualquer motivo que fosse.
– O que foi? Tem algo á dizer pirralha? –dirigiu-se a garota.
– Não, se acredita que devo ir, então irei. –respondeu firmemente, passara a odiar ser chamada daquela forma e o Uchiha parecia notar isso, fazendo só para provocá-la.
– Ótimo. –assentiu de sua forma superior, depois fora providenciar as montarias, enquanto Sasuke cavalgava sobre seu imponente corcel negro, Naruto dividia o marrom com a moça.
Cavalgaram por um período que Sakura jurou pequeno, por entre a paisagem que se dividia entre grama verde e pastagem seca. A construção onde pararam, não era bem dentro do vilarejo e sim, próxima ao mesmo.
– Sasuke, mas isso é –Naruto começou confuso.
– Uma casa de prostitutas, o lugar certo para encontrar Takeshi. Algum problema? Por acaso és puro de mais para um ambiente como esse? –perguntou sarcástico enquanto sorria de canto, como raramente o fazia.
– Sabes que não teme! –o loiro exclamou injuriado. Jiraya seu padrinho e antigo Imperador, fora quem o apresentou àquele tipo de ambiente, viviam escapando da vista de seus pais e também da Imperatriz Tsunade para, como o velho mesmo dizia: “conhecer as maravilhas criadas pelos deuses”, no entanto não era consigo que estava preocupado. – Acontece que Sakura–chan está conosco, é uma moça direita que não deve frequentar esse tipo de lugar. Você deveria ter avisado para onde viríamos. –repreendeu.
– Quantas besteiras dobe, ela não estará sozinha. Além disso, creio que Sakura já consegue se defender de alguns velhos bêbados. –declarou mal humorado, a garota que só assistia á tudo, estranhou o fato do mesmo chamá-la pelo nome e mais ainda quando ele reconheceu que poderia se defender.
– Ainda assim... E se alguém da Akatsuki vê-la conosco? Isso traria problemas aos planos de seu tio. –argumentou ainda, dessa vez Naruto e Sasuke não estavam caracterizados como samurais, porém eram conhecidos por toda a cidade como Uchihas.
– Aqueles bakas não frequentam estabelecimentos como esse, será rápido... E se está assim tão preocupado, por que não pergunta á ela o que pensa, se quiser poderá ir embora. –nesse momento ambos se voltaram para Sakura, esperando uma resposta.
– Acho que... Não haverá problemas, afinal só temos de encontrar o tal ferreiro e cobrá-lo, não? –indagou acanhada.
– Exato. Ouviu dobe, até a pirralha compreende melhor as coisas do que você. –provocou.
– Tudo bem, mas se depois nos metermos em encrencas, não quero ser culpado. –rebateu contrariado.
Por dentro, o lugar tinha sua classe. A cor vermelha predominava nas paredes e ganhava mais intensidade devida às chamas que iluminavam as lamparinas da mesma cor. Mesmo que a noite ainda não tivesse caído, tinham muitos homens ali, em suas maiorias comerciantes, mercadores, ou simplesmente viciados em jogos e mulheres. Elas por sinal dividiam-se entre servir garrafas de saque e entreter a clientela de forma mais íntima, ora insinuando-se com seus quimonos caídos e desalinhados, ora sentadas em seus colos, sussurrando em seus ouvidos.
Sakura lembrou-se das palavras de Mikoto, de fato aquelas mulheres se assemelhavam a gueixas, principalmente a pintura em suas faces, entretanto suas vestes, gestos e forma de falar acabavam com qualquer semelhança entre duas funções tão distintas.
– É aquele. –Sasuke informou observando um homem gordo, de meia idade, calvo e que paquerava uma das gueixas á distância.
Após tê-lo visto, Sakura olhou ao seu redor e notou que estava sozinha. Depois de vasculhar o lugar com seus olhos verdes, encontrou Naruto atracado á uma mulher em um canto, não esperava que ele caísse na tentação tão cedo. Então, buscou por Sasuke que diferente do loiro, estava apenas recostado em um canto, uma das prostitutas o cercava, até deslizava a mão para dentro de seu quimono, no entanto ele parecia não se importar, seus olhos estavam fixos na garota de cabelos róseos.
Nesse momento, sentiu alguém girá-la pela cintura e a puxar para perto. Logo sentiu o cheiro de saquê que emanava do jovem de cabelos alaranjados que a segurava.
– Não a vi por aqui antes, por acaso é uma novata? –embora estivesse absurdamente bêbado, ainda foi capaz de dar-lhe um sorriso com malícia.
– Não, não sou uma dessas mulheres. –empurrou-o. – E é bom que fique longe de mim. –ameaçou-o nervosa, aparentemente foi o bastante para o mesmo desistir e agarrar outra moça que passava por eles na mesma hora.
Sentiu que era puxada mais uma vez, dessa vez pelo pulso. Ia proferir mais uma ameaça, porém reparou que era Sasuke:
– Eles pensarem que é uma delas, pode ser bom. –disse ainda apertando-lhe, seu rosto estava próximo e os dois buracos negros que o Uchiha tinha como olhos, pareciam absorvê-la a qualquer instante. – Se aproxime de Takeshi e o atraia para fora, ele tem que nos levar as armas e é melhor que chamemos pouca atenção. Estarei esperando com Naruto nos fundos. –supôs e antes que pudesse argumentar, estava sozinha novamente.
Inspirou fundo e deu passos confiantes, até a mesa onde o tal Takeshi se encontrava. Parou diante do mesmo, com os lábios entreabertos sem ter nada para pronunciar. Viu o homem descer os olhos por seu corpo demoradamente, para só então voltar ao seu rosto:
– És realmente bonita, por que não se senta aqui? –indagou batendo a mão sobre a própria perna.
Sakura apenas resistiu á vontade de bater em sua face e pegou sua mão, puxando-o enquanto dizia apressada:
– Tenho uma ideia melhor.
– Hum... Aposto que é uma daquelas safadinhas. –ele ria atrás de si.
Ninguém pareceu reparar quando saíram do estabelecimento. Assim que Sakura deu a volta, ainda arrastando-o consigo, Naruto e Sasuke o surpreenderam com suas katanas miradas ao seu pescoço.
– Fui enganado... De novo. –alegou tristemente, como se aquela não fosse uma novidade para alguém como ele.
– São apenas cumprimentos de meu tio, foi você quem o enganou primeiro. –Sasuke se aproximou, com a katana ainda estendida. – Está nos devendo um grande número de armas.
– Não as entreguei porque não podia. A Akatsuki as solicitou, então a encomenda está em meu armazém, para ser retirada por eles. –justificou com as mãos erguidas em sinal de rendição.
– Melhor ainda. Leve-nos até lá... Agora. –ordenou com seu jeito intimidador.
Sem alternativa, o homem pançudo os conduziu até a construção de madeira na qual depositava as armas que fazia e ganhava todo o dinheiro que depois gastava em bebidas e prostitutas.
– Está bem, Sakura-chan? –indagou o loiro preocupado, assim que chegaram ao local desejado.
– Hai... Mas não graças á você –rebateu, referindo-se á cena que viu entre o loiro e uma das gueixas. –a propósito, sua boca está vermelha como a de uma mulher! –o loiro ficou sem graça diante da bronca e esfregou a boca na manga do traje, ia dizer algo em sua defesa, mas Sasuke o chamou:
– Naruto, me ajude com isto.
Encheram a carroça do ferreiro de katanas, adagas, shurikens, maças e até arcos e suas flechas. Após isso, Naruto deixou-o desacordado e fechou as portas do depósito. Os rapazes voltaram em seus cavalos, enquanto a moça os seguia conduzindo a carroça, o sol já havia deixado de acompanhar seus caminhos quando retornaram ao distrito, onde imediatamente, os ninjas silenciosos começaram a descarregar as ferramentas.
– Sinto muito por não tê-la ajudado Sakura-chan, acontece que fazia certo tempo que não encontrava uma garota daquelas sabe, e nós homens precisamos de-
– Não precisa entrar em detalhes Naruto, já passou e estamos sãos e salvos. –cortou-o, ainda estava um pouco irritada com sua irresponsabilidade, mas ao mesmo tempo, não conseguia ficar realmente zangada com aqueles olhos azuis ingênuos voltados para si.
– Naruto, comunique Madara. –o Uchiha ordenou, o outro assentiu e se retirou.
Sakura refletia, havia sido fácil convencer Takeshi, pois o mesmo estava mais do que bêbado, no entanto... Será que teria ela sucesso em cumprir sua maior missão e conquistar o tal Sasori? Esperava de fato, que os ensinamentos de Mikoto ajudassem, embora a mesma não se sentisse totalmente confortável com isso.
Só então reparou que Sasuke lhe estendia algo: uma katana curta, com uma lâmina prateada e por sinal, bem afiada. O cabo era negro, com a gravura de dois dragões vermelhos circulando-o.
– Pegue, agora esta é a sua. –disse apenas, após ser fuzilado pelo olhar confuso da garota.
– A-arigatô... –segurou-a, apreciando a nova arma.
– Humpf. –o moreno sibilou antes de virar as costas e deixá-la só, com sua mais nova e útil companheira.
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