Notas iniciais
Hallo~

Ora presa ao segundo círculo

Ora pela montanha do purgatório a rastejar

Em minha mente, apenas um mantra a repetir:

Quanto mais terei que sangrar

Para que finalmente me deixes ir?

― Quem é viva sempre aparece! ― Daniel abraçou Diana com força quando ela chegou à festa.

Eles estavam em uma das cabines mais afastadas, e o som, ensurdecedor na pista de dança, era apenas uma música de fundo.

― Não seja dramático, Dani-boy. ― Diana riu, mas retribui o abraço com a mesma força. ― Onde estão Ana e Nimah?

― Elas foram no banheiro, mas logo vão voltar. ― Separaram o abraço, e o sorriso de Daniel só não era maior por que seus músculos faciais não permitiam. ― Eu disse pra elas irem antes de sairmos, mas elas não me escutam.

― Se conforme, Daniel. ― Diana riu. ― Sua irmã e sua namorada não tem respeito por você.

― Eu sei disso a muito tempo. ― Ele ecoou a risada. ― Nimah pode me fazer de gato e sapato o quanto quiser, mas Ana já faz isso a dezoito anos, acho que ela poderia me dar uma folga. Mas falando em namoradas... ― Para crédito de Daniel, ele disfarçava sua antipatia por Camille o melhor que podia, ao contrário de Ana e Nimah. ― Onde está a sua?

― Eu não sei se ela vem. ― A animação de Diana murchou. ― Tivemos essa briga enorme hoje e eu meio que disse que se ela não viesse ela poderia ir pro inferno e eu não sei o que isso quer dizer pra gente.

― Bom, em um mundo ideal, significa que você vai dar um pé na bunda dela, voltar pros seus amigos e no futuro, encontrar alguém que realmente mereça você ― Daniel falou docemente.

― Adoro como você apoia o meu namoro. ― Diana revirou os olhos, mas sorriu levemente. Não conseguia ficar zangada com Daniel. ― Não comenta nada disso com as garotas, ok? Pelo menos não hoje. Preciso de um pouco de diversão inocente.

― Claro, Di-girl. ― Daniel tornou a abraçá-la.

Ficaram assim por algum tempo até que ouviram uma voz familiar.

― Meu bom Alá, tem uma zumbi abraçando meu namorado! ― Nimah não conhecia a palavra discrição.

Diana riu ao soltar-se do abraço e encarar sua amiga de infância, completamente resplandecente, com um vestido comportado verde e o hijab azul escuro ao redor de seu cabelo negro.

― Como você conseguiu convencer seus pais a te deixarem vir para uma boate? ― Diana perguntou enquanto a abraçava.

― Oh, eu não convenci. Eu saí pela janela e deixei meu irmão me cobrindo. ― Nimah deu um beijo no rosto da amiga. ― Eu encontrei a coleção de pornô dele. O garoto é meu escravo agora.

― Tenho certeza que Alá reprova suas ações. ― Diana riu escandalosamente.

― Oh, eu tenho igual certeza ― Nimah falou sem um pingo de vergonha e soltou Diana. ― Ei, Ana, olha quem resolveu nos agraciar com sua presença VIP.

Ana sorriu abertamente antes de abraçar Diana. As duas ficaram assim por uns bons segundos, antes de recuar e usar a língua de sinais para elogiar o cabelo de Diana. Era por isso que Diana a amava um pouco mais que os outros. Ana estava incondicionalmente pronta para ajudar qualquer um que precisasse, mas nunca pressionava. Ana era feliz apenas por ter as pessoas que amava por perto.

― Não sei se sua língua dos sinais está tão boa assim, mas ela está dizendo que seu cabelo está magnífico e quer saber se você foi a praia, por que sua pele está muito boa. ― Daniel fazia a tradução.

― Obrigada, Ana. ― Diana não se preocupou com a distração de Daniel, que agora só tinha olhos para Nimah, uma vez que sabia que Ana podia ler lábios. ― Na verdade faz tempo que eu não vou a praia. Deveríamos ir qualquer dia desses.

― Isso, vamos matar a mulçumana de inveja ou de insolação. ― Nimah forçou um sorriso, abraçada a Daniel.

Ana gesticulou freneticamente, e levou alguns segundos para Daniel, que franziu as sobrancelhas em concentração, traduzir o que a irmã dizia.

― Ela está dizendo que viu que mulçumanas tem um traje de banho que cumpre as regras e que é pra você parar de drama ― Daniel falou em tom de dúvida, mas Ana assentiu entusiasticamente.

― É, mas eu odeio aquela coisa ― Nimah resmungou. ― Não tanto pela roupa, mas o hijab parece que vai me estrangular.

Diana riu, sentindo o peso em seus ombros incrivelmente mais leve. Não havia percebido que sentia tanta falta de apenas sair com seus amigos, sem as paredes da escola e suas pressões ao redor.

― Enfim, eu resolvo isso depois. ― Nimah fez um gesto de pouco caso. ― Eu agora quero saber a que milagre devo agradecer para você ter se disposto a aparecer hoje.

― Eu encontrei a July, sabe, que faz espanhol com a gente? ― Nimah soltou um murmúrio afirmativo. ― Então, eu encontrei ela na sala de espera para a entrevista na universidade e ela me lembrou que era hoje. ― Diana deu de ombros, tentando parecer casual. ― Então aqui estou.

― Surpreendente é aquela lá ter deixado você vir. ― Nimah não escondeu seu desgosto.

― Nimah, pega leve, tá? ― Daniel pediu.

― Mille não é minha dona, Nimah. ― Diana tentou ser diplomática.

Ana não demorou a gesticular com uma expressão triste, e Daniel fez uma careta.

― Ela disse que seria bom que você lembrasse disso mais vezes. ― Daniel pediu desculpas com os olhos. ― Mas não vamos falar sobre isso hoje, ok? ― Ele se virou para Ana e Nimah, que ainda estava com os braços enrolados ao redor de seu tronco. ― Faz tempo que não saímos todos juntos, então vamos aproveitar e deixar pra lavar a roupa suja outra hora.

― Me consiga um coquetel sem álcool e eu faço o que você quiser, baby. ― Nimah deu um beijo no rosto de Daniel, que riu.

― Seu pedido é uma ordem! ― Ele a beijou na testa. ― E vocês duas?

Daniel se retirou logo depois, reclamando que não sabia como ia trazer quatro copos na mão, mas prometendo que daria um jeito. As garotas riram enquanto se acomodavam no sofá.

― Sério, não quero começar uma briga, mas as vezes sinto como se um século tivesse se passado desde de a última vez que eu te vi ― Nimah murmurou, meio envergonhada.

Ana sorriu abraçou as duas pelos ombros.

― Eu sei que tenho vacilado, mas agora isso vai parar. ― Diana não queria se distanciar de seus amigos, e faria de tudo para evitar tal coisa. ― Vocês foram meu suporte quando eu me assumi para os meus pais, eu amo vocês pra cacete e vocês vão ter que me aturar pelo resto da vida.

― Parece um bom plano pra mim. ― Nimah sorriu brilhantemente. ― E desculpe ter pegado pesado.

― Está tudo bem. Eu sei que vocês não gostam da Mille. ― Camille enrolou seu cabelo loiro em um nó com uma das mãos. ― Ela é minha primeira namorada, vocês sabem disso. E eu quero fazer dar certo.

Ana retirou os braços dos ombros das amigas e gesticulou, dessa vez um pouco lentamente, já que nem Nimah nem Diana tinham a língua de sinais tão avançada ou o tanto de prática de Daniel.

― Ela não me controla demais, Ana! ― Diana resmungou, derrotada. ― Ela pode parecer mandona, mas é só pose.

Ana revirou os olhos e tornou a gesticular, mostrando sua opinião sobre como Camille nunca a apoiava em nada e sempre tinha um comentário negativo sobre o que Diana gostava.

― Ana tem um ponto, sabe ― Nimah falou tranquilamente. ― É a história das tiaras toda de novo e de novo. Você adorava usar tiaras, depois da Camille ficar enchendo o saco falando o quanto era infantil, você parou de usar.

― Bom, tiaras são infantis... ― Diana começou, mas Nimah revirou os olhos.

― Não, não são. E mesmo se fosse, Diana. Você não precisa parar de gostar de alguma coisa só por que sua namorada não gosta. ― Nimah sempre era direta ao ponto. ― Daniel detesta jujubas. O que você diria se ele tivesse pedido pra mim parar de ser louca por esses doces vindos do céu e que ele não sabe apreciar devidamente?

― Você e Daniel não são Camille e eu. ― Diana teimou. ― Cada caso é um caso.

― Sente esse cheiro, Ana? ― Nimah falou em um tom baixo, conspiratório. ― É o cheio de alguém fugindo da pergunta. ― E um sorriso perverso se espalhou por seu rosto, enquanto Ana sorria divertidamente.

― Vocês duas são impossíveis. ― Diana revirou os olhos, mas acabou rindo.

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Dizer que Diana estava triste era um eufemismo.

Depois da briga no estacionamento do bar, Camille não havia tentado falar com ela de nenhuma maneira. Quase uma semana havia se passado, e não havia notícia dela, a não ser os posts no facebook onde Mille aparecia sorrindo ao lado das amigas em um show qualquer e os tweets sobre o último episódio de The Walking Dead.

― Acho que ela não sente a minha falta ― Diana murmurou enquanto cutucava o sorvete com a colher, e tentava evitar os olhos de Ana.

Ana segurou a mão livre de Diana e sorriu tristemente, mas de forma solidária.

― Eu a amo, Ana ― Diana falou, os olhos ficando marejados. ― E eu fico me perguntando se ela sente o mesmo por mim. Às vezes parece que sim, mas outras vezes... Por que tem que ser eu que sempre tem que ir atrás para fazer as pazes? Como ela nunca reconhece que me magoou?

Ana soltou a mão dela, e com uma expressão triste, usou seus gestos para a simples pergunta: “E vendo tudo isso, por que você a ama?”

― Porque... porque sim! ― Diana falou frustrada. ― Ela é incrível! É tão inteligente, sabe? Você deveria vê-la quando ela está com os amigos da universidade e eles começam a conversar sobre economia e política. Mille totalmente domina a discussão. E ela é engraçada e o jeito que ela olha pra mim me deixa sem chão.

Ana tornou a gesticular, lembrando que não era apenas desse jeito que Camille fazia Diana se sentir. Diana teve que pedir que Ana fosse mais devagar com as mãos, para entender a amiga que dizia: “Essa não é a primeira vez que ela deixa você nessa confusão, sobrando pra você ir falar com ela e pedir desculpas por coisas que não são sua culpa e ela ainda te faz se sentir mais culpada.”

― E o que eu deveria fazer, Ana? ― Diana suspirou, cansada. ― Eu não quero perdê-la.

E Ana foi categórica, como apenas ela em sua doçura poderia ser: “Não adianta você ficar se segurando a Camille e se perder de si mesma. Talvez essa distância seja boa para as duas.”

E Diana escondeu o rosto nas mãos e teve que conter mais um suspiro frustrado.

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Foram quase duas semanas até que Camille apareceu no estacionamento perto da cafeteria preferida de Diana. Diana quase riu enquanto revirava os olhos. Estava magoada demais pra qualquer outra reação. Teria passado direto para o seu carro se Camille não tivesse corrido até ela.

― Ei, você sumiu ― Camille falou, levemente ofegante.

― Eu continuo seguindo a mesma rotina de sempre e não mudei meu número de telefone e nem minhas redes sociais ― Diana falou friamente, um sorriso educado no rosto. ― Se você é incapaz de apertar um botão, isso não é problema meu.

― Você ainda está zangada por causa daquela briga idiota? ― Mille soltou uma risada depreciativa. ­― Eu não acredito que você está me ignorando todo esse tempo...

― Eu estava esperando você se tocar, Camille! ― Diana a interrompeu, irritada, falando com o dedo em riste. ― Toda vez que brigamos, sou eu que tenho que ir pedir desculpas enquanto você só faz eu me sentir pior com seu ― pontuou a palavra empurrando o ombro de Camille com o indicador ― drama. Mesmo quando eu não estou errada. E a questão aqui nem é eu estar certa ou não. Eu não me importo com isso. O que me importa é que você nunca se esforça pra gente ficar bem. Sempre sou eu que tenho que ceder. Não dessa vez, Mille.

― Você está sendo irracional. ― Camille soltou outra risada, fazendo pouco caso.

― Do seu ponto de vista devo estar mesmo, já que você não ficou nem um pouco incomodada com nada disso. ― Diana estava a beira das lágrimas.

― Não inventa, Diana!

― É, você parecia muito arrasada e chateada saindo com seus amigos ― Diana rebateu. ― Você claramente não sente a minha falta. Então não precisa se preocupar em ficar vindo atrás de mim. Agora, se me dá licença, eu tenho que ir pra escola.

Camille fez uma expressão desgostosa quando Diana tentou seguir em frente, e a segurou pelo braço.

― Você fica um tempo saindo com seus amigos e eles já colocaram você contra mim. ― Mille mordeu o lábio inferior, seu sorriso mal escondendo sua raiva. ― Quem foi? A Nimah?

― Que surpreendente você lembrar do nome da minha melhor amiga ― Diana falou em um falso tom de surpresa. ― Você deveria ganhar um prêmio.

― Não vem com ironia pra cima de mim ― Camille rebateu. ― Como quer que eu saia com seus amigos se eles tão claramente me detestam?

― Eles não conhecem você e você não se preocupa em dar uma boa impressão já que nas poucas vezes que vocês se cruzaram você mal disse duas palavras!

Camille praticamente rosnou antes de voltar a falar:

― Tudo bem, você venceu. ― Suspirou. ― Marca alguma coisa com eles e eu vou. Mas eles vão ter que se comportar também, principalmente a do véu.

Diana ficou boquiaberta por um instante, antes que um sorriso se espalhasse por seu rosto.

― Sério? ― perguntou, sorrindo estupidamente.

― Se é tão importante pra você... ― Camille não parecia satisfeita, mas sorriu um pouco. ― Não prometo que vou ser melhor amiga de ninguém, mas se você quer que a gente tente se dar bem, eu posso pelo menos dar uma chance.

Diana se adiantou e beijou Camille um pouco esfuziantemente demais, mas Mille riu mesmo assim.

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― Ela quer o quê? ― Nimah perguntou durante o começo da aula de espanhol, tão abruptamente que assustou July, que acabara de chegar e fazia parte do grupo de Nimah e Diana naquela atividade específica.

Diana corou enquanto July parecia igualmente encabulada enquanto se sentava ao lado delas. Ainda sorriu como quem pedia desculpas, já que não havia pretendido se intrometer na conversa de ninguém.

― Por favor, Nimah, por mim! ― Diana sussurrou enquanto July fazia um ótimo trabalho fingindo que procurava alguma coisa na mochila. ― Daniel e Ana concordaram.

― Ok, só não me peça pra realmente gostar da criatura. ― Nimah revirou os olhos, e então reparou em July. ― Nossa, você é realmente quieta, eu nem notei você chegando. ― Riu.

― Não é a July que é quieta, é você que fala demais. ― Diana deu um tapa na cabeça da amiga, que apenas riu mais.

July se rendeu e acabou rindo junto.

O resto da aula transcorreu sem problemas. No fim, Nimah teve que se despedir as pressas para correr para uma sala vazia onde pudesse fazer suas preces em paz, deixando Diana e July sozinhas.

― Desculpe pela briga que você meio que presenciou. ― Diana fez uma careta que fez July rir. ― Nimah tem uma opinião bem forte sobre a minha namorada. Ela e Mille não se dão muito bem e eu fico nessa corda bamba.

― Eu imagino. Meu irmão conseguia passar horas brigando direto com a minha. ― July guardava suas canetas no estojo, então não viu a expressão surpresa de Diana, que logo se apressou em esconder. ― Os dois não conseguiam concordar em nada, até nas coisas em comum. Sério, meu irmão começou a defender o Império de Star Wars só pra discordar com ela.

― Como você fez eles se darem bem? ― Diana perguntou, colocando a alça da mochila no ombro.

― Não precisei. Ela teve que se mudar e acabamos terminando. Não acredito em relacionamento a distância. ― July deu de ombros. ― E depois, acho que tudo é implicância de irmão. Johan também não se dava bem com meu ex-namorado. ― Pegou sua mochila e seguiu Diana para fora da sala enquanto falava. ― Se Nimah e sua namorada realmente não se dão bem, você podia levar todo mundo pro cinema, pelo menos nas primeiras vezes. Não vão poder brigar durante o filme e vocês já vão ter um assunto para conversar depois que não seja o que odeiam um no outro.

― Sabe, essa é uma ótima ideia. ― Diana estava encantada. ― Obrigada.

― Não foi nada. ― July riu, antes de se virar em um corredor. E ainda andou de costas alguns passos, apenas para gritar: ― Qualquer coisa para uma futura colega de Universidade!

Diana riu e acenou enquanto July se distanciava correndo, com seus volumosos cachos balançando.

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Diana estava no apartamento de Camille, as duas enroscadas na cama, os beijos e as carícias indo cada vez mais longe. O celular de Mille começou a vibrar e ela apenas o empurrou para fora da cama, o que fez Diana rir.

― Sabe, devíamos começar a nos vestir ― Diana falou ainda rindo.

― Bom, eu acho que deveríamos começar a nos desvestir! ― Camille abriu um sorriso cheio de segundas intenções e levantava a blusa de Diana.

― Sério, a gente vai se atrasar pro cinema! ― Tentou se levantar, mas Mille a puxou de volta pra cama. ― Mille! ― Riu.

― Mais um beijo e eu levanto. ― Mille sorria com seu cabelo castanho bagunçado, e Diana não pode resistir a dar o que ela queria. ― Viu? Tudo se resolve no diálogo. ― E dito isso, se levantou e correu para o banheiro. ― Eu vou tomar um banho rápido e saímos.

Diana se deitou e encarou o teto sonhadoramente antes de se virar para pegar seu celular e ver se Daniel já tinha ido pegar Nimah. Soltou um muxoxo ao ver que estava descarregado, então se debruçou para pegar o celular de Camille no chão. Daniel era o único que tinha o número de Mille salvo em seus contatos, então resolveu ligar pra ele, torcendo para Camille não sair do banheiro enquanto isso. Ela não gostava de ninguém mexendo nas suas coisas sem permissão.

Desbloqueou a tela, e estava prestes a digitar o número quando uma notificação de mensagem chegou. Diana não era o tipo de pessoa de ler as mensagens de ninguém, mas na prévia que chegou junto a notificação, ela viu seu nome. Seu nome em uma mensagem em um dos grupos de amigos de Camille. Deus e os homens podiam condená-la o quanto quisessem, mas Diana abriu a maldita mensagem.

Samantha [17:38]

Ei, alguém sabe da Mil? Tentei falar com ela e não consegui.

Rob [17:39]

Ela falou que vai sair com a Diana

Samantha [17:39]

Não sei por que ela ainda atura essa daí. Achei que Mil e Lauren tivessem se acertado semana passada

Carol [17:40]

Elas até ficaram, mas sabem como a Mil é, fica com todos e com ninguém. Só com a menininha dela mesmo, deus sabe o porquê

Diana colocou o celular em cima do criado mudo, a conversa no grupo prosseguindo. Pegou seu casaco e o resto de suas roupas e saiu do apartamento sem pensar duas vezes.

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A primeira coisa que Diana fez ao entrar na cafeteria foi encontrar uma tomada para conectar seu carregador e ter o mínimo de carga para cancelar os planos com seus amigos. Deu uma desculpa vaga de que seus pais estavam brigando e não queria deixar seu irmão mais novo sozinho e tornou a desligar o celular.

Escondeu o rosto nas mãos, sentada sozinha naquela mesa, tentando com toda a força não chorar. Não sabia quanto tempo ficou daquele jeito até que ouviu uma voz familiar e hesitante:

― Diana? ― Diana levantou os olhos para encontrar a expressão surpresa de July. ― Está tudo bem?

Diana sentiu uma lágrima cair e rapidamente se livrou dela com a mão e deu de ombros, forçando um sorriso.

― Eu... eu não sei ― confessou. ― Eu estava aqui sentada pensando e acho que acabei de perceber o que estava na minha cara o tempo todo. A garota que eu amo não me ama de volta. ― Riu sem humor algum.

July não escondeu sua tristeza, mas não tinha intimidade para saber quais as palavras certas para aquele momento. Então apenas ficou ali, fielmente, para que Diana não tivesse que chorar sozinha.

Notas finais
Terceira parte, amanhã, no mesmo horário o/