Notas iniciais
Oia nós de novo aqui.

Oh! anjo cheio de graça e doçura

Protegei-me durante essa fuga desesperada

Ela é o demônio e o mal encarnado

Mas seus lábios são doces e seus olhos são risada

E eu não tenho escolha a não ser responder a seu chamado

As primeiras semanas não foram fáceis. Camille ligava diariamente, várias vezes ao dia e nem sempre Diana conseguia não atender ao telefonema.

E elas gritavam uma com a outra, e Diana chorava e Camille falava como Diana tinha invadido sua privacidade e quebrado a confiança que tinham.

― Você me traiu e você diz que eu trai sua confiança? ― Diana não pode conter a risada, que foi interrompida por um soluço do seu choro.

― Lauren é uma ex, Diana ― Camille falava com impaciência. ― Foi um beijo sem importância.

― E isso soluciona a questão e eu tenho que voltar correndo pra você? ― Diana era a imagem da incredulidade quando abriu a porta do carro, no estacionamento da escola.

― Diana...

― Me esquece, Camille! ― E Diana desligou na cara de Mille.

Sentou-se atrás do volante e tentou controlar o choro, sem sucesso. Mal percebeu quando Nimah abriu a porta do carona e sentou-se ao seu lado. Nimah tinha se comportado de maneira totalmente inesperada para Diana a respeito dos acontecimentos. Diana havia esperado que ela desse uma palestra de como ela tinha dito que Camille não era de confiança, mas Nimah apenas tinha sido uma fonte interminável de consolo.

― Você falou com ela de novo, não foi? ― Nimah perguntou em um tom suave.

― Eu não sei por que eu atendo. Eu só grito com ela o tempo todo ― Diana resmungou, enxugando as lágrimas.

― Acho que você merece sua cota de gritos. É muita coisa guardada. Só que não é a solução. ― Nimah acariciou o cabelo loiro da amiga. ― Gritos não vão mudar as coisas, Di-girl.

― Eu não sei mais o que fazer, Nimah ― Diana sussurrou. ― Eu ainda sou louca pela Camille e parte de mim...

― Ninguém disse que ia ser fácil, querida. ― Nimah foi rápida em interrompê-la. ― Ela é seu primeiro amor e nós nunca nos recuperamos totalmente do primeiro coração partido.

― Você não tem medo? De um dia terminar com o Daniel? ― Diana sussurrou a pergunta em um tom tão baixo que Nimah quase não ouviu.

― Eu estou apaixonada ― Nimah deu de ombros e sorriu levemente. ― Nós nunca pensamos no fim realmente. Meus pais de vez em quando falam de me apresentar a um bom jovem mulçumano. ― Seu tom solene era cheio de zombaria, e elas riram. ― É praticamente um disfarce para o fato que querem me arranjar um casamento. Em pleno século xxi. Eu não sei, talvez Daniel e eu não sejamos feitos para durar. E talvez acabemos como você e Camille, de forma horrível. Mas não vai significar que não foi importante. É por isso que você está assim. Por que, eu gostando dela ou não, eu tenho que admitir que Camille é um capítulo importante da sua história. A única coisa que eu peço é que você lembre que ela não é o último.

― Obrigada, Nimah ― Diana falou, genuinamente agradecida. ― Por ficar do meu lado.

― Você mesmo disse, querida. ― Nimah sorriu petulante. ― Vou ter que te aturar pelo resto da minha vida. O mínimo que posso fazer é ter uma companheira feliz.

—x-

Diana deixou Nimah em casa antes de se dirigir a cafeteria que, a alguns dias atrás, tinha encontrado July. Não sabia dizer como tinha acontecido, mas as duas tinham se aproximado nos últimos tempos, e sempre se reuniam para fazer as últimas revisões para as provas finais.

Era um alívio ter alguém para conversar que não soubesse de todo o drama, de toda a história envolvida. Eram apenas algumas horas de estudo intercaladas de conversa jogada fora, sem compromisso.

Quando entrou na cafeteria, sorriu ao ver July praticamente saltitando no assento, sabendo muito bem o motivo.

― Você recebeu sua confirmação também, não foi? ― Diana perguntou assim que se sentou a frente da nova amiga.

― Você também? Oh, isso é ótimo! ― O sorriso de July era imenso. ― Vou ter que admitir que saber que vou conhecer pelo menos uma pessoa no campus já me deixa mais tranquila.

― Sei muito bem como é. ― Diana riu. ― Daniel e Nimah vão pra Brown e Ana vai pra Yale. Nós duas dominaremos Columbia.

― Sempre achei que Ana fosse para fora do país ― July comentou, ainda animada.

― Ana tem um medo horroroso de aviões ― Diana explicou. ― Ela não entraria em um nem se a vida dela dependesse disso.

― Bem, então acho que seremos só nós duas no próximo semestre. ― July sorriu, e Diana quase podia jurar que tinha algo mais por trás daquele sorriso.

E o que surpreendia Diana é que ela não se incomodou como achou que se incomodaria.

—x-

Um grande confronto pode ser adiado, mas nunca evitado. Então, quando Diana chegou em casa e viu o carro de Camille estacionado no outro lado da rua, não foi uma grande surpresa. Demorou alguns instantes para sair do seu próprio veículo, aproveitando para respirar fundo e se acalmar o suficiente para a discussão que estava para ter.

Saiu do carro e se forçou a andar até Camille, embora quisesse correr até seu quarto e se trancar lá dentro. Mille abriu a porta, mas permaneceu sentada no banco, apenas uma perna virada para fora. Claramente ela não achava que ficaria muito por ali e Diana percebeu que ela poderia estar certa.

― O que você quer, Camille? ― Diana não fez rodeios.

― Você se graduou ― Camille falou em um tom inexpressivo.

― Sério? Obrigada por me dizer, estava me perguntando porque eu vesti aquela beca e recebi aquele diploma ― ironizou. ― Você não está aqui pra me dar parabéns, por favor, vamos acabar com isso.

― Eu não sei o que você quer que eu faça, Diana ― Camille falou, exasperada. ― O que você quer? Um pedido de desculpas?

― Não, eu quero que você pare de me ligar e de me mandar mensagens! ― Diana cruzou os braços.

― Então é isso? ― Camille não escondeu sua incredulidade. ― Só por causa de um único erro...

― Não é por isso. ― Diana falou francamente. Já havia desistido de encontrar desculpas e procurar motivos. ― Não me importa o fato que você se enroscou com sua ex. Você me magoou, essa não é a primeira vez, mas também não é exatamente isso. Pessoas às vezes magoam umas as outras, é péssimo, mas é um risco ocupacional. O que importa é que você ― Diana fez questão de destacar bem a palavra ― não se importa. Todas as vezes que você me magoou, você agiu como se fosse besteira e eu cansei. ― Deu de ombros. ― Eu não tenho rancor, mas eu simplesmente não posso continuar com isso.

― Você realmente acha isso de mim? ― A expressão de Mille era de absoluta perplexidade.

― Eu não sei o que eu acho de você. ― Diana suspirou, numa tentativa de conter as lágrimas que se acumulavam. ― Eu só sei que eu quero parar de tentar te decifrar.

­― Mas eu te amo ― Camille tentou alcançar a mão de Diana, mas esta se afastou.

― Eu não acredito em você. ― Diana sorriu tristemente. ― Adeus, Camille.

E quando Diana se virou para ir para casa, ela fez uma promessa para si mesma: O inferno congelaria antes que ela se perdesse em uma paixão novamente.

Notas finais
Esse foi BEM menor que os anteriores. Porém, não tinha outra forma de dividir e que fizesse sentido na minha cabeça, que é psicótica, btw. Até amanhã o/