Diuturno

2 Dia três. Canções.


Notas iniciais
Um dia de estudo que não foi bem de estudo. (tem mais drama que qualquer outra coisa q) A sugestão era no plural, mas eu usei a palavra no singular. q

Hinata não poderia ter desconfiado sobre muitas coisas de Tsukishima, uma vez que aquele era um garoto tão reservado. Assim sendo, também pela inveja e admiração que possuía por aquela pessoa, era uma expectativa para Hinata sobre o que o loiro falaria a seguir, e cada novidade adquirida era guardada com uma ansiedade por mais. O mistério lhe atraía, lhe fazia criar uma ilusão de que aquela pessoa era a prova de falhas, uma meta a ser perseguida.

Afinal, Tsukishima tinha tudo o que sempre sonhou. Por consequência, Hinata não poderia ver como aquela pessoa incrível pudesse depender de qualquer coisa além de si mesmo. A emoção, a surpresa, e a confusão lhe vieram quando Tsukishima disse que eles deveriam ficar juntos. Não foi fácil compreender o significado daquela canção, que lhe era apresentada aos ouvidos, e talvez até aquele momento Hinata não tivesse assimilado bem.

Entretanto, não foi algo que aconteceu da noite para o dia. Apesar de tudo, não foi uma surpresa para ninguém o resultado final da fórmula. Eles esperariam que durasse o máximo possível, uma vez que aquela era uma canção encantadora de se ouvir. Contudo, quando Hinata veio a entender aquela plenitude, sentiu o medo correr como sangue pelo seu corpo.

Algo pareceu quebrar como vidro, algo que ia do autocontrole até a espontaneidade. Um ritmo desordenado, desta forma, iniciou um espetáculo em seu cérebro, que acabou por fazê-lo sorrir nervosamente pelo que via diante de seus olhos.

— O que está fazendo? Sabe que não pode se desconcentrar agora. —Tsukishima disse, girando o lápis em uma das mãos.

Ele tinha os mesmos fones de ouvido sobre o pescoço. E Hinata via que Tsukishima não estava escutando nenhuma canção desde o início, que estava escutando uma diferente, e que de alguma forma isso lhe incomodava.

— Tem algo que vem me incomodando, Tsukishima. — Hinata disse, hesitando um pouco na escolha de palavras — Queria que me respondesse uma coisa.

Tsukishima arqueou a sobrancelha, em razão de estar se perguntando o que se passava, provavelmente.

— O que foi? Fala logo se é tão importante.

—... realmente, né? — Hinata disse, mais para si mesmo que qualquer outra coisa. — Bem, eu vou direto ao ponto, então: quem é você exatamente?

Tsukishima poderia ter dito a primeira coisa que veio a sua cabeça quando ouviu aquilo, entretanto, acabou por se refrear. Hinata estava com aquele olhar de quando estava muito sério sobre alguma coisa, aquele olhar intimidador que não admitia represálias, que apenas permitia uma contemplação certa. Viu que era uma daquelas perguntas que iam além do comum perceptível. Desse modo, Tsukishima compreendeu a respeito do que Hinata estava se referindo.

Tsukishima suspirou, apoiando o peso do corpo em uma das mãos sobre o chão.

— Vem cá.

Hinata passou pela mesa onde estavam os livros e dicionários, e se aproximou de Tsukishima. O loiro abraçou Hinata com o braço livre e fez com que apoiasse a cabeça em seu peito.

— O que foi? — Hinata disse, o rosto se avermelhando a medida que os segundos passavam.

—... não deveria se incomodar que eu esteja prestando mais atenção em você, Hinata. — Tsukishima disse, por um momento, desviando o rosto. — Sabe, é o que os namorados fazem.

—... sério? — Hinata disse, suavizando a expressão — oh… certo. Acho que entendo agora!

Não era como se Tsukishima estivesse se tornando alguém totalmente diferente. Ao invés disso, era um procedimento normal da vida, por causa do novo relacionamento que eles tinham. Hinata podia guardar aquela lição.

— Isso é conhecimento básico. — Tsukishima disse, acabando por franzir as sobrancelhas.

—… desculpa. — Hinata disse, sorrindo sem graça.

Dessa forma, a canção voltava a seu ritmo harmonioso.

Notas finais
Tenho sentimentos divididos com relação a versão "intensa" do Hinata, fico feliz em conseguir escrever com essa versão alguma vez ♥ Tchau ♥