Distâncias
3 Perseguindo
Tsuna's POV
Ela apareceu repentinamente em minha frente.
Sorridente, e com os olhos que aparentavam ver ao longe.
Mesmo que eu não tivesse encontrado ou falado com ela anteriormente, ela veio de Tokyo para a minha casa.
E então, ela... Me deu memórias impossíveis de serem apagadas.
Tsuna POV off
Uma mulher de longos cabelos da cor rosa, e olhos esverdeados, lembrando esmeraldas, aguardava em frente à estação de Tozai. Parecia procurar por alguém que estava aguardando chegar. Várias pessoas por ali passavam, logo, era realmente difícil encontrar alguém específico se procurando no meio de toda aquela gente. Ruídos vinham de todos os lados, eram pessoas conversando, crianças brincando, metrôs chegando, aquilo tudo lhe renderia uma boa dor de cabeça.
Foram ouvidas rodinhas de mala sendo arrastadas por alguém, finalmente Bianchi tinha o encontrado.
- Tsuna! — ela chamava, mas, o moreno olhava para todos os cantos, carregando sua mala e mais algumas bolsas, não a via, por ter um grande número de pessoas ali. — Tsuna! Tsuna, aqui! — acenou para ele, vendo que ele tinha a visto de uma vez. Logo, os dois saíram andando para fora da estação, passando para a calçada da rua. Tsuna estava muito cansado da viagem, é bastante cansativo ir de Namimori até Tokyo, mesmo que de metrô. — O que houve, Tsuna? — perguntou, vendo a cara de exausto dele.
- É bem longe.
- Não é tão longe assim, é em Narima.
- Pra mim, isso é bem longe.
Ouviu-se o mio de um gato ao longe, continuaram andando, até chegar ao edifício onde Bianchi estava a morar. Tsuna subia as escadas com muito esforço, por causa de suas malas pesadas.
- Então, o que fará de agora em diante? Vai ver a Haru-chan? — perguntou sorrindo, logo vendo ele fechar a cara.
- N-Não!
- Como eu pensei. Você é tão previsível quanto o Hayato. Antes disso, você deve ter algo a fazer. — disse, com as mãos na cintura.
- Eh? — virou-se para trás e viu um quarto todo bagunçado, tinham pacotes de batatinha, bolinhos, sujeira, poeira e outras coisas não identificadas para todos os lados do quarto. Estava boquiaberto com aquilo tudo, não esperava isso de uma mulher como Bianchi. — B-Bianchi-san!
- Então, conto com você na limpeza. — quando ele foi ver, a mulher já estava dentro de um elevador, com as portas se fechando, e, acenando para ele.
--------------------------------------------------------
Mesmo que ele tenha causado problemas à seus pais, ou enlouquecendo seus amigos ainda assim, ele foi capaz de chegar lá. — pensava Tsuna, olhando para a janela. Enfim, a partir do dia de hoje, a cidade na qual ele iria viver. No momento, estava debruçado na sacada da varanda, observando alguns prédios que aparentavam ser bem antigos, para um bairro de Tokyo. Ouviu a porta ser aberta, logo, virou-se para trás.
- Bianchi-san? Se é a limpeza, eu já terminei. Por hora, se estiver com fome, eu posso...- foi entrando de volta no apartamento, mas, assustou-se ao encontrar com uma pessoa vestindo um capacete de motociclista e segurando um bastão à sua frente. "Será que é um ladrão!?" — pensou, assustado. A pessoa à sua frente, tentou acertá-lo com o bastão, mas, ele desviou do mesmo, jogando-se contra o chão e gritando. O suposto ladrão subiu em cima dele, ameaçando o acertar com o bastão, agarrou-o pela gola da camisa e posicionou-se. — E-Espere um minuto... S-Senhor ladrão!
- O que está dizendo? — uma voz feminina se fez presente. A figura retirou o capacete, revelando uma menina de cabelos arroxeados presos num penteado e olhos também roxos. — Você é o ladrão, certo? — perguntou, fazendo uma cara de poucos amigos. — O que está fazendo no apartamento da Bianchi-san?
- E-Eu moro aqui! — disse, um pouco corado pela posição em que ela estava.
- Não diga mentiras. — pegou o bastão, tentando acertá-lo novamente.
- A-Anno... — Bianchi se fez presente, abrindo a porta e achando tal cena um tanto estranha.
- Bianchi-san! Chame a polícia e traga algo para amarrá-lo!
- Qual é a situação?
---------------------------------------------------------
Estavam sentados na mesa de centro da sala do apartamento de Bianchi. Era um lugar arrumado, depois que Tsuna fez a limpeza. A mesa era de cor roxa, como os cabelos de Chrome.
- Ha, ha! — Bianchi ria do acontecimento recente. — Então era por isso que o Tsuna estava deitado no chão!
- Er... Bianchi-san.... E essa pessoa é...?
- Chrome Dokuro-chan, nossa vizinha. Nós duas moramos sozinhas, então, ela sempre vem aqui para almoçar ou jantar.
- Prazer, sou amigo do irmão da Bianchi, Sawada Tsunayoshi. — com um pouco de esforço e uma cara emburrada, ele falou.
- Então você devia ter dito logo. — desviou o olhar.
- M-Mas foi você que veio pulando em cima de mim do nada! — começou a bagunçar seus cabelos, confuso. — Q-Que pessoa em sã consciência... Começa agredindo alguém!?
- Mas era suspeito! Ver um cara que eu não conheço entrando no quarto da Bianchi-san! — tentou se defender.
- Tentem se dar bem, ao menos. A partir de amanhã, irão á mesma escola.
- Eh? — perguntou, assustado. — A-A mesma escola que ela!?
- Você se transferiu nesse período do ano? — ouviu-se a campainha tocar, logo, Bianchi levantou-se com uma cara não das melhores, para atendê-la.
- Sim, espere um momento!
- Ah, Bianchi-san! — fechou a cara. — E pensar que vamos à mesma escola...
- Essa fala é minha! E além disso... Arrume esse sotaque. N-Não é um filme caipira!
- Eu sou de Namimori. Queria que eu tivesse sotaque de onde? Do Acre? — perguntou, irônico.
- Quando se vem à Tokyo, normalmente se usa o japonês moderno, não? Aprenda com a Bianchi-san.
- Chrome, não maltrate o garoto que acabou de chegar em Tokyo. — um garoto alto apareceu na porta. Tinha os cabelos espetados e negros, olhos cor-de-mel, corpo definido. Usava um camiseta avermelhada, uma calça jeans e um par de tênis da cor branca.
- Quem é?
- Takeshi Yamamoto. Sou amigo dessa mulher com maus hábitos, na sua frente. Chrome, como que meu capacete e meu taco de beisebol vieram parar aqui? — desviou o olhar para os objetos aos quais se referia.
- Aconteceu algo...
- Prazer, sou Sawada Tsunayoshi. — viu o maior se aproximar dele, abaixando-se ao seu lado e envolvendo seu pescoço com um dos braços, num gesto amigável.
- Que tal irmos pegar umas gatinhas? — perguntou, enquanto sorria.
- Ehh? — Tsuna se espantou, não era disso, e aliás, ele tinha uma namorada.
- O que está dizendo de repente, Yamamoto?
- Tsuna, já que conseguiu alguns amigos, cozinhe alguma coisa.
- Até que não é uma má ideia, estou com fome. — Yamamoto sentou-se do outro lado.
- Até que ele é bom em cozinhar, não é Dame-Tsuna?
- N-Não fique espalhando isso!
- Vamos às compras então? Chrome. — o Takeshi a chamou, a puxando pelo braço.
- Eu não quero, por que deveria fazer isso?
- Apenas comer é errado.
- C-Certo, eu vou. Entendi!
- Eles são meio parecidos, não é? — Bianchi comentou após eles saírem.
- Aqueles dois... Com seus amigos de infância, Hayato, Kyoko, Ryohei e Hana. Você deve conseguir se dar bem com eles rapidamente.
-----------------------------------------------------------
- Hã, o que houve? Como eu pensei, há bastante gente aqui. — Yamamoto olhou em volta, ficando surpreso. — Com muita gente, as chances de se encontrar garotas lindas também sobem. Sabe, eu corro de moto numa cidade vizinha. Acredito que apostar corrida seja algo proibido. É por isso que o faço na cidade vizinha. Pois é, são minhas duas paixões, jogar beisebol e andar de moto.
- D-De qualquer forma... Você está infringindo a lei. — Tsuna pronunciou-se, coçando a nuca sem graça.
- Não diga coisas tão más assim. Eu vou te apresentar umas garotas da próxima vez, vamos...- fez o mesmo gesto amigável de antes, com um sorriso no rosto.
- Eu...
- Pare com isso, Yamamoto. Por mais que apresente alguém com o dialeto de Namimori... Elas vão apenas rir!
- O-O que!?
- A forma que eu falo... É-É da minha conta!
- Me pergunto sobre isso. Talvez alguma garota de Tokyo olhe para você por pena.
- Chrome...
- Q-Quem vai aceitar isso!? — Tsuna corou, instantaneamente. — P-Pelo menos eu sei que não sou interessado em garota que saem entrando no apartamento dos outros com um bastão!
- Não tem como uma garota assim existir. — fez um bico, vendo a cara dele se fechar.
- Eu estou falando de você!
- Se ficar dizendo coisas horríveis assim, não vai conseguir uma namorada.
- Ei, parem. — Yamamoto tentou repreendê-los, entediado.
- Você... Provavelmente nunca teve um namorado!
- Não tenho agora, mas, tive um no fundamental!
- M-Mentirosa!
- Não é mentira!
- É impossível!
- Eu tive.
- Que briga infantil.
- Com certeza... É-É uma mentira!
- Eu já disse que não é mentira~ppe! — os três ficaram em silêncio, e a garota, por sua vez, apenas se calou.
-"ppe"? — Tsuna perguntou, sem entender. — Como? Acho que não ouvi direito. — ele abriu um leve sorriso, agora, ele não era o único com sotaque ali. Yamamoto logo estendeu o braço em sua frente, como se o mandasse parar.
- Ela não conseguia omitir isso até o fim do fundamental, às vezes, acontece. — Chrome apenas olhava para o chão, com o rosto avermelhado. — É por isso que no primeiro ano, ela quase não falava. Mesmo quando era levada á uma conversa, nem abria a boca. — sorriu, despreocupado.
- N-Não fique espalhando isso!
- Então você está na mesma que eu. — Tsuna logo sorriu.
- Não somos iguais! O meu dialeto é mais doce e fácil.
- Ficou bem irritada de repente "ppe". — riu um pouco, fazendo-a fechar a cara.
- Olha, até que vocês se dão bem. — o moreno logo passou pelos dois, entediado. — Companheiros do interior.
- Não menospreze o interior! — os outros dois disseram, em uníssono.
----------------------------------------------------------------------------
Um pouco mais tarde, fazia uma noite fresca em Narima, a brisa batia nas plantas e elas se esvoaçavam. Já jantavam no apartamento de Bianchi todos os quatro, Tsuna, Yamamoto, Chrome e a própria dona. Comiam coisas como karaage* e yakisoba*, eram pratos típicos do Japão, mais do interior, pois, com a pressa na cidade, a maioria das pessoas comia fast food, como hambúrgueres e sanduíches.
Após terminar de comer, Tsuna levantou-se e foi até a porta de vidro da varanda, afastou a cortina para ver o que se passava lá fora, ouvia tanto barulho, em sua cidade natal, tinha-se muito mais conforto.
- Parece que algo aconteceu. — estranhou ao ouvir altos barulhos de moto.
- São apenas pessoas em alta velocidade. — Yamamoto sorriu, olhando para ele.
- Onde ele nasceu, normalmente não tem muita gente correndo, ou melhor, não tem gente correndo.
Tsuna olhava de um jeito misterioso lá pra fora, como se tivesse algo errado, aquele céu não era como o que ele costumava ver, não era aquele céu azul que o ajudava a pensar e o acalmava. Era um céu escuro, com uma cor feia, um tom poluído. Ali não era o seu lugar.
--------------------------------------------------------------------------
Mais um dia amanheceu, o moreno fora conhecer sua nova escola, preparando-se para seu primeiro dia de aula. Mas, teria que passar pelo sufoco de se apresentar na frente da turma, detestava isso, era tímido demais. E do jeito que Chrome tinha implicado com ele por seu dialeto, imaginava que na escola fossem implicar também.
- E-E-Eu... V-Vim de Namimori. S-Sou Sawada Tsunayoshi. — disse, com uma expressão séria, mas, ao mesmo tempo, avermelhada. Olhava para alguns alunos, estava á frente da classe, de costas para o quadro negro. — P-Prazer em conhecê-los...
"Incrível, ele é de Namimori!"
"Por que se transferiu numa época como essa?" — ouviam-se alguns sussurros em meio à sala de aula.
- Ei, Cheff! — Yamamoto acenou para ele, lembrando-se de como cozinhava bem. — Fale um pouco mais alto!
- É um amigo seu, Takeshi? — um garoto ao lado da carteira dele, o perguntou, sorrindo.
- Sim, ele cozinhou ontem. Estava ótimo. Ne, Chrome?
- Bem, só a comida...
- Já que é assim, cuidem bem do meu amigo.
Tsuna sorriu, ao menos, com o apoio de Yamamoto, não passaria pelo o que passou no início da escola em Namimori, era apelidado de bom-em-nada e sofria bastante nas mãos dos garotos de lá, era terrível.
------------------------------------------------------------------
Agora, todos encontravam-se no corredor da escola, era bastante espaçoso naquele lugar, Tsuna estava encostado numa das paredes, observava seu celular, sorrindo, ao ver que havia chegado uma mensagem de seus amigos de Namimori.
- Ei, Tsuna, já decidiu em que clube vai entrar? — Yamamoto aproximou-se dele, ao sorrir.
- Não, não vou entrar pra nenhum clube. — pôs seu telefone no bolso e logo, saiu andando.
- Ne, vamos para casa juntos então. Eu moro em Kotakubu.
- Volte com a Chrome. — disse, um pouco emburrado, não gostava muito daquele cara.
- Ela tem seu próprio clube. Ela é a melhor no time de Softball feminino. — Yamamoto arregalou os olhos ao ver que o rapaz simplesmente tinha saído andando, o ignorando. — Tsuna! — chamou, sem obter uma resposta sequer.
---------------------------------------------
Ao voltarem para sala, no último tempo de aula, haviam poucas pessoas, só estavam passando por lá para terminar de arrumar seus materiais e ir embora. Até que uma das garotas chamou sua atenção.
- Ei, Sawada-kun, tem um tempo hoje? — perguntou, sorridente.
- Hã? O que? — Tsuna já não entendia nada.
- Francamente, nós já falamos! — a garota comentou, desapontada. — Queremos fazer uma festa de boas-vindas, então vamos nos divertir. — disse, enquanto alguns outros se aproximavam a sorrir.
- A-Ah... Gomen, vocês não precisam se preocupar com isso. — ele logo corou, pegando sua pasta e saindo andando.
- A-Ah, espere! — uma delas tentou o repreender, mas, ele não deu ouvidos.
- Que atitude é aquela!? — a menina ao seu lado comentou, indignada.
--------------------------------------------
Tsuna chegava em casa com algumas compras na mão, sabia que Chrome não cozinhava e que a comida de Bianchi era horrível, daquelas de embrulhar o estômago. Por isso, fora fazer compras para ele mesmo cozinhar. Quando iria abrir a porta, logo, o som do elevador chegando se fez presente.
- Vai fazer o jantar agora? — Chrome perguntou, ansiosa.
- Vou, já me cansei de problemas com a Bianchi em relação à isso, então... F-Faço ao menos isso. — ele adentrou no apartamento, com uma expressão séria e fechou a porta. Chrome encarou o lugar por onde o mesmo passou com uma expressão confusa, mas ao mesmo tempo, triste.
Resolveu ir para seu apartamento, aquele lugar não era dos mais arrumados, mas, também não dos mais relaxados. Tinham algumas roupas espalhadas, morava sozinha, por conta de sua família que morava no interior. Sentou-se em sua cama, coberta por uma colcha de cor roxa, assim como seus cabelos não tão longos. Como não tinha o que fazer, começou a jogar sua bola de Softball para cima e para baixo, entediada. Mas, teve um momento em que a bola caiu, começou a encarar sua própria mão com uma expressão cansada.
*************************************
O moreno, preparava a comida no apartamento, mas, logo, seu telefone tocou, avisando que havia chegado uma mensagem.
"Gomen, mas, fui convidada pelo meu chefe para beber. Então, jante sozinho."
- Bianchi
- M-Mas o que!? — perguntou para si mesmo, sem entender. O barulho do toque da campainha interrompeu seus pensamentos. — Já vou. — disse sorrindo, pensando que o compromisso da rosada poderia ter sido cancelado e ela fosse jantar consigo. Estava enganado, quando abriu a porta, encontrou Chrome. — C-Chrome? O que foi? Se quer ver a Bianchi-san, ela ainda não chegou.
- Não é isso. — desviou o olhar, lentamente. — S-Só quero falar algo com você... Tudo bem?
- C-Comigo? — corou, mas, logo sorriu. — Tudo bem, então... Entre.
Tsuna abriu espaço para ela passar, e, fechou a porta. A comida já estava quase pronta, então, enquanto ela se ajeitava na mesa, ele ia pondo os pratos, copos, talheres e comidas ali em cima da mesma. Ele havia feito o de sempre, por sorte, não teve de jogar a comida fora, afinal, havia feito comida para duas pessoas.
- Ne... Sempre quando acabam as aulas, você vai embora. — disse, enquanto comia.
- Hum? — a encarou de uma forma curiosa, onde ela queria chegar com aquilo?
- Todos e todos os dias... O-O que você faz?
- B-Bem, isso é... Várias coisas.
- Logo quando todos te convidam, você responde de forma irritada e vai embora.
- Irritado? — perguntou, sem entender.
- É assim que parece, pra todo mundo.
- Ehh?
- P-Pode ser que tenha coisas pra fazer, mas... Desse jeito, vai ficar sem amigos na escola. — tomou um gole de seu suco, entediada.
- G-G-Gomen!
- N-Não é como se eu estivesse reclamando! — Chrome corou, de repente. — Gomenasai... É melhor pararmos com essa conversa.
- O que?
- Mesmo que pareça que está tudo bem, você tem um grande medo de falar, não é? — perguntou, se lembrando de como sofreu no primeiro ano quando se transferiu para Tokyo. Fora tão chateada pelas amigas de sua antiga classe, era sempre alvo de risadas e brincadeiras de mau gosto. — Comigo era assim... Então, está tudo bem! P-Por mais que você não diga, e-eu... Posso compreender o seu sofrimento! O dialeto de Namimori é ótimo, você pode continuar assim. — pegou um pedaço de carne, mas, logo o encarou ao ver que soltou uma risada baixinha. — O que é?
- Não, nada. — "Parece que ela é uma boa pessoa... Essa Chrome." — pensou.
- V-Você lembrou do meu dialeto e riu, n-não foi!?
- C-Claro que não! Na verdade... N-No seu caso, é melhor do que falar dessa forma moderna. Quer dizer... Não é melhor falando com o dialeto?
- Por que? — perguntou, se encolhendo.
- Por que dessa forma, você fica linda. — sorriu. — Q-Quando você... Fala com o dialeto. — o rosto da menina logo enrubesceu, e ela arregalou os olhos.
- V-Verdade?
- Sabe... Quando você fala esses "ppe", fica mais fofa que um gatinho. — corou, coçando a nuca, sem graça. Por que ele estava dizendo aquilo?
- C-Como pensei, você está me fazendo de boba!
- N-Não estou!
---------------------------------------------
Já era o dia seguinte, Tsuna bebia água num bebedouro perto de sua escola, enquanto alguns pensamentos invadiram sua mente. " É como a Chrome diz... Já que vim até aqui, quando terminar as aulas, eu irei encontrá-la." — pensou, feliz. Andava despreocupado, mas, uma voz feminina se fez presente.
- Tsuna-san? — ele logo se virou, fitando à sua frente, uma garota ruiva com os olhos esverdeados.
- Taeko-chan? — perguntou, reconhecendo a meia-irmã de Haru.
- Por que você está aqui? — a ruiva correu até ele, fazendo-o a encarar. — O uniforme da Kitakou? — fitou o emblema na camiseta dele. — Você se transferiu?
Tsuna apenas a encarava com uma expressão de tédio, Taeko sempre foi daquelas que perseguiam, aquela garota chegava a lhe dar nervoso.
- Você quer tanto assim estar com a minha irmã? Eu diria que você é bem persistente. Parece um perseguidor. — comentou, sorrindo cínica.
- Eu só quero ouvir a verdade vindo dela.
- Você acha que ela gostaria de algo assim? — o olhou com desprezo, empinando o nariz. — É claro que ela vai fugir.
- É-É por isso que vim até aqui! — engrossou um pouco a voz, aquela garota se metia muito onde não era chamada.
- Assustador... Por que está bravo? — se fez de vítima, o fazendo a olhar com nojo.
- Eu... — cerrou os punhos.
Continua...
Fale com o autor