Distâncias
2 Atravessando o Anoitecer 2/2
Notas iniciais
Haru estava dentro de um metrô em movimento, em Tokyo, indo para a escola. O barulho do veículo batendo nos trilhos era alto, e dava para ouvir vários murmurinhos de pessoas conversando, ela apenas estava em pé, segurando em um apoiador e olhando para a janela. Sua expressão não era das melhores, levantou sua cabeça, olhando para a janela novamente, e lembrando da cena que vira no dia anterior. Tsuna e Kyoko de mãos dadas... Estariam eles juntos? Não tinha como saber. Será que o que Taeko tinha a dito seria o certo? Seus olhos marejaram, não queria perdê-lo para ela e nem ninguém, de jeito nenhum. Foi nesse momento que sentiu a manga de sua blusa ser puxada por uma criança que aparentava ter por volta de três anos, no colo da mãe.
– E-Ei, não faça isso! — disse a mulher, repreendendo sua cria. — Gomenasai.
– Não tem problema. — Haru logo sorriu.
– Peça desculpas.
– Gomenasai. — a criança falou, num tom triste.
– Tudo bem.
As portas do metrô se abriram, fazendo com que a mulher e a criança saíssem.
– Tchau! — gritou a garotinha, se referindo à Haru. A morena apenas acenou, logo quando as portas do metrô se fecharam e ela retomou a expressão triste que tinha antes. — Tudo... Bem... — ela tinha muito esse problema, se fazia de feliz na frente dos outros para não preocupar ninguém, acabava mantendo todo seu sofrimento dentro de si. — Tudo bem.
–---------------------------------------------------------------------
Kyoko, já não estava muito bem. Se sentia mal por ter causado uma má impressão a Haru, era sua amiga e não queria magoá-la e nem roubar seu namorado, de jeito nenhum! Tsuna não falara com ela desde o incidente, com isso, podia-se concluir que ele estava bravo com ela, por motivos óbvios. Numa fonte termal ela relaxava, junto das amigas. Olhava para o azul calmante da água com culpa, triste. Uma gota caiu de seu cabelo, causando um impacto com a água, mas, logo se dissipou.
– É culpa minha... O que eu faço? — a ruiva encolheu-se mais.
– Esqueça isso! — Hana a repreendeu. — É normal coisas assim acontecerem em relacionamentos.
– Mesmo assim... — mergulhou na água, buscando relaxar. Hana suspirou, ela não tinha jeito mesmo.
**********************************************************
– Você está com problemas sérios! — disse Gokudera, vendo que Tsuna mexia desesperadamente em seu celular. — Ela viu seu namorado de mãos dadas com um antigo amor! — num tom deboche, ele riu. Estavam na recepção do hotel onde hospedaram-se durante a viagem, tinha pouca gente ali.
– Ela não apareceu no lugar que combinamos, não atendia o celular e não respondia as mensagens. — Tsuna dizia, desanimado, mas, ainda futucando seu celular. — Ah, droga! O que ela está fazendo? — bagunçou mais ainda seus cabelos castanhos. — P-Por que o sinal está ruim aqui? Talvez ela já tenha me ligado! — voltou ao celular.
Sentiu apenas uma pancada forte em suas costas, fazendo seu celular cair e ir parar embaixo da mesa. Era Hana, que havia batido nele com uma toalha em mãos.
–Itai! Por que fez isso!? — o moreno resmungou.
– Eu é que pergunto! O que você está fazendo!? Um homem de verdade não ficaria aqui sentado esperando uma mensagem!
Tsuna a olhou assustado, mas, logo adquirindo uma expressão séria. Kyoko também observava tudo de longe.
– E-Eu... Vou visitar a Haru! — falou num tom determinado, levantando-se da cadeira onde antes estava sentado.
– Vá atrás dela e resolvam isso!
– O-Obrigado! — ele apenas saiu correndo, em direção à recepção do hotel, suava bastante, mas, não podia parar. Não agora.
"Se for preciso, não volto." — pensou. "Por mais que ela esteja brava, por mais que ela me odeie... Eu quero vê-la!" Corria o mais rápido que conseguia, atravessando a região de Shibuya, as pessoas o olhavam um pouco assustadas.
–-------------------------------------------------------------------
– Será que o Dame-Tsuna já encontrou com a Haru-chan à essa hora? — Hana falou, entediada.
– Aposto que sim.
– Aqueles dois estão ligados pelo destino. — Hana pronunciou-se mais uma vez, num tom de admiração.
– Isso foi ridículo, terrível! — Ryohei logo apareceu, com uma toalha em mãos.
– Qual é o seu problema!?
– Você? Falando sobre destino? — debochou, rindo.
– Desocupado. — logo ela fechou a cara, fazendo o grisalho rir.
*********************************************************
Tsuna havia sim conseguido chegar até a casa de Haru, mas, ninguém abrira a porta para ele. Agora, já era noite, e ele estava sentado num degrau da calçada, na calmaria da noite, não havia uma só nuvem no céu, teriam estrelas, mas, Tokyo era uma cidade muito poluída, não era possível vê-las.
– O que eu estou fazendo? — pôs uma das mãos sobre a cabeça. — Eu sou um idiota!
– Ah? — Tsuna apenas viu uma garota conhecida a sua frente, era amiga de Haru, lembrava-se dela. Desde que se lembrava, ela se chamava... Aoi Asahina. Era ruiva, e tinha os olhos esverdeados. — Estava apenas pensando quem era aquele garoto esquisito na frente da casa. — pronunciou-se, fazendo-o levantar de onde estava sentado.
– E-Eu vim em uma viagem com amigos! Você pode ligar para a Haru? E-Eu... Esqueci meu celular! — Tsuna parecia desesperado, mas, logo viu o olhar debochado da garota.
– Eu a encontrei quando estava voltando pra casa. — empinou o nariz, fechando seus olhos.
– Eh? Onde ela foi? — indagou, curioso, enquanto a via se afastar, andando.
– Como eu vou saber? Eu nunca consegui descobrir o que ela pensava antes. — Tsuna adquiriu um olhar de derrotado, olhando para o chão.
– Ah, talvez ela tenha arranjado um namorado e foi vê-lo! Relacionamentos à distância não duram.
– Eu acredito nela! — gritou, já irritado. Quem aquela garota pensava que era? Mal conhecia Haru direito para sair falando mal dela assim! A garota apenas riu, fazendo sua raiva aumentar.
– Tudo bem. Eu não vou te impedir. — quando ela ia sair andando, ele agarrou o braço dela com uma das mãos.
– E-Espera! Por favor, liga pra ela!
– Ela provavelmente está dando uma volta. Esqueça, uma hora ela voltará. — soltou-se da mão dele. — Embora eu ligasse se ela não voltasse mais.
– Eh?
– Você sabe como ela é. — sorriu, sarcástica. — Sempre chama a atenção das pessoas fingindo que não consegue fazer nada sozinha. Ela só quer atenção. É irritante só de olhar.
– O que você está falando!? — gritou mais uma vez, agarrando o braço dela com mais força. Sua raiva estava perto dos limites. — Ela não é assim... — iria terminar sua fala, mas, ela o interrompeu. Soltou-se de sua mão novamente, contornando sua face com a duas mãos, e o beijando de modo repentino, fazendo com que sua pasta caísse no chão.
– Você é igual, Tsuna. É irritante só de olhar.
– O-O que está fazendo!? Vá logo embora daqui! — a empurrou, enfurecido.
– Tudo bem, nervosinho. — riu novamente. — Até quanto tempo vai ficar aí?
– Não é da sua conta. — levantou-se, virando o rosto. Saiu correndo, se ela não estava em casa, talvez a encontrasse em meio à rua. Corria o quanto aguentava, toda a vez que encontrava uma garota com roupa de colegial, olhava para ver se não era ela. Olhava, olhava e olhava, nenhuma delas nem ao menos se parecia com Haru. Suspirou, vencido. Mirou seu olhar em direção ao céu, pensativo. "A noite em Tokyo... É tão brilhante, e ainda assim, não consigo encontrá-la." -s eus pensamentos eram distantes, correu novamente.
Via crianças brincando em parquinhos, pessoas conversando, lanchonetes, lojinhas... Era tudo tão movimentado. Parou de andar de repente, pondo suas mãos nos bolsos, várias lembranças vieram à sua cabeça.
FLASHBACK
– Olá, eu me chamo Miura Haru, de Tokyo! Prazer em conhecê-los!
–-------------------------------
– Seus pais devem se preocupar bastante de você vir para uma escola no interior. — pronunciou-se a mãe de Tsuna, Nana.
– Sim, mas, eles me deixaram vir por que essa é a cidade natal do meu pai, e estou na casa de conhecidos.
– Você é uma garota linda! — Nana e Haru apenas conversavam, e Tsuna descascava uma tangerina entediado, sentado na mesa junto das duas. Estava com raiva, por que aquela garota estranha tinha que morar justo com ele!?
Quando ela foi para Namimori, estava procurando um lugar onde se encaixava.
– Obrigada pelo elogio.
–----------------------------------------------------
– Não consigo! — seus olhos marejaram, enquanto anoitecia, e Tsuna a olhava confuso, com sua bicicleta em mãos.– Não consigo fazer nada sem você!
E ele não percebeu.
–----------------------------------------------------
– Eu não consigo. Eu não vou.
– Hã? — Tsuna a questionava, no metrô de Namimori, no dia em que ela estava indo para Tokyo.
– Me leve de volta com você. Não vou para Tokyo.
Ela se esforçava, para não desistir.
FLASHBACK OFF
Se lembrava também das palavras da "irmã" dela.
" Eu nunca gostei dela... Eu nunca a vi como uma irmã mais velha."
Mesmo passando por isso, Haru estava tentando suportar tudo.
Ela sempre se esforçava a sorrir.
Pôs-se a correr novamente, mais lembranças invadiram sua mente.
FLASHBACK
– Meu pai se casou novamente. Minha madrasta trouxe a Taeko-chan junto. — Haru contava a ele sua história, que, olhava entediado para a televisão. — Por isso, o relacionamento com a minha família é um pouco estranho.
– Não somos uma família? — perguntou, mesmo sem importância.
– Eh?
– Não sou meio que parte da sua família? E-Então... Tudo bem chorar quando estiver passando por algo difícil. — o Sawada corou, sem acreditar no que tinha dito. — Q-Quando isso acontecer, eu... P-Posso te ajudar! — pronto, isso foi o suficiente. A menina pôs uma das mãos por seu rosto, soluçando e seus olhos marejaram.
FLASHBACK OFF
"Por isso... Eu preciso estar lá para ela." — pensou enquanto corria. Uma corrente incessável da brisa da noite batia em seu rosto. " Preciso ser alguém forte, confiável, em quem ela possa acreditar." — arfou, descansando sobre seus joelhos, encostado na parede. "Mesmo assim..." — Adentrou na estação de metrô de Sandai. Indo até uma das máquinas onde se compravam as passagens, logo, tirou algumas moedas de seu bolso, pondo na máquina e selecionando os botões. Mas, uma mão surgiu apertando o botão de cancelar, logo ao seu lado.
– Está atrasado! — ouviu uma voz conhecida. Arregalou seus olhos, era ela mesmo? Olhou para o lado e viu a própria. A morena de olhos castanhos por quem estava tanto procurando. Sua cara não era das melhores, pelo contrário, parecia brava. — A Haru te enviou uma mensagem, mas, você esqueceu o celular! Eu procurei nos hotéis, em todo lugar! A Haru soube o que você e a Kyoko-chan estavam fazendo, mas depois de ver uma coisa daquelas, ninguém...- sentiu apenas ele a envolver num abraço caloroso, com força. Haru, por sua vez, apenas corou. Tsuna não havia entendido nada do que ela havia falado, apenas tinha ficado paralisado a partir do momento em que ouviu sua voz, achando que aquilo fosse um sonho.
– Eu queria te ver. Queria te ver... Tanto... — sorriu, levemente.
– Não é justo... — murmurou, entre o abraço.
–-----------------------------------------------------------
– Mas foi bom termos nos encontrado! — Haru disse, feliz. — Se Tsuna-kun não aparecesse nos próximos cinco minutos, a Haru iria embora!
– Mesmo? — andava junto dela, naquela noite confortável. A brisa calmante batia nos dois, refrescando-os.
– O que foi?
– Bom... É-É que...- parou de andar de repente.
– Tsuna-kun?
– Gomen.
– Eh?
– Eu disse que nunca iria te deixar triste, e acabei fazendo uma coisa daquelas, então... Gomenasai.
– Esqueça isso. — falou indiferente, fazendo-o olhar para ela confuso.
– Mas...-
– Estamos perdendo tempo! — Haru o interrompeu. — A Haru quer falar de outra coisa que não sejam pedidos de desculpas! — pediu, vendo Tsuna sorrir.
– C-Certo! — continuou andando, ao seu lado.
"Gomen, Haru. Eu sou idiota." — pensava.
FLASHBACK
Tsuna pedalava em sua bicicleta, enquanto Haru estava sentada no apoio, sendo levada junto dele. Era primavera, o lugar em que passavam estava cercado de lindas flores de cerejeiras, fazendo com que pétalas caíssem por onde passavam. Haru as olhava com admiração, não tinham paisagens assim em Tokyo.
– São lindas! — sorriu.
– Por que quis vir para esta cidade? — Tsuna questionou, aquela menina esquisita era um estorvo para ele.
– O que?
– N-Não foi ideia sua vir pra cá? Você veio de Tokyo para estudar.
– Há muito tempo, visitei essa cidade, e gostei muito.
– Essa é a razão?
– S-Sim!
– É estranho! — ele corou, sem perceber.
– Hahi! Não é, não!
– Com certeza...-
– Isso importa? — Haru logo o interrompeu, isso o irritava profundamente, detestava ser interrompido. Pôs o braço sobre seu rosto, para retirar a poeira, que atrapalhava sua visão dianteira. Corou ao sentir Haru o envolver com os dois braços. — Vamos dizer que essa foi a razão. — continuou pedalando, como se não tivesse ouvido.
FLASHBACK OFF
–-------------------------------------------------------------
– Eu sempre fui um idiota. N-Nunca fui capaz de criar coragem para segurar suas mãos. Na primeira vez que nos encontramos, desde a primeira vez que nos vimos, provavelmente eu tenha... G-Gostado de você. — corou, repentinamente. Os dois olhavam para o lago à sua frente, estavam numa ponte em Tokyo. O azul da água era lindo, calmante, relaxante. — T-Todo esse tempo...
– E-Eu... Acho que já gostava do Tsuna-kun à muito mais tempo. — corou também, desviando o olhar.
FLASHBACK
Era uma noite quente de verão, nem daqueles festivais japoneses mais conhecidos como Matsuri. Tornou-se comum ver pessoas com quimono naquela noite, era típico do festival. Assim como todas as outras, era uma noite quente em Namimori, com diversas estrelas no céu. Mas, nessa noite, uma certa garotinha de cabelos castanhos chorava, sentada no degrau do templo de Namomri. Soluçava muito e suas pequenas mãozinhas cobriam seu frágil rosto.
– Ei! — uma outra criança chamou sua atenção. Era um garotinho de cabelos espetados, usando um quimono esverdeado. — S-Se perdeu? — perguntou, sem obter resposta. — Qual é o seu nome?
– N-Não vou dizer! — a garotinha se encolheu.
– Por que?
– Não quero voltar! — soluçava novamente.
– Ehh?
– Eu não queria vir! — apenas ouvia o choro não tão baixo da garota, preocupado.
– E-Ei... N-Não chore! — tentou acalmá-la, pondo os braços à sua frente. — Você não tem jeito...V-Vou te levar a um ótimo lugar! — a viu levantar a cabeça e esfregar os olhinhos com as mãos, secando as lágrimas.
– U-Um ótimo lugar?
Pegou a mão dela, a fazendo segui-lo, a menina estava assustada, andava por um desconhecido caminho, seguindo também um desconhecido, tinha medo de que algo fosse acontecer. Corriam por dentro de um pequeno bosque, onde tinham várias árvores, chegaram finalmente ao fim do mesmo, resultando na margem de um lago calmo, não tinham peixes, apenas limo e algumas plantas, dando-o uma aparência bonita. Também era um ótimo lugar para se observar o céu.
– É-É aqui?
– Sim. N-Nesse lago... Uma flor aparece só uma vez no ano! — o garotinho pulou, empolgado.
– Não tem nenhuma flor. — olhou para o lago, preocupada.
– Está vindo! — ele sorriu, vendo a água se mexer.
Os dois olharam para frente, onde puderam ver lindos fogos de artifício, espalhando-se no céu. Era isso que ele se referia à flor, pois, o fogos refletiam na água, dando-lhe uma aparência que mais lembrava tal planta florescendo.
– Que tal? — sorriu, querendo saber a opinião da menina.
– É linda. — pôs as mãos sobre suas bochechas fofinhas.
De repente, os dois se entreolharam, e, Tsuna sentiu-se feliz por ter feito-a sorrir pelo menos uma vez.
– Obrigada!
– Você finalmente sorriu. E então... G-Gosta dessa cidade agora?
– Gosto.
– Então, não chore mais! — o pequeno sorriu, fechando os olhos.
– Uma coisa ruim aconteceu... Mas agora, estou bem!
– M-Mesmo? — nesse momento, os fogos acabaram, e, ela fez uma cara confusa. — Se acontecer de novo, volte aqui!
– Posso mesmo?
– C-Claro! — a olhou confuso ao vê-la estender sua mão e levantar o dedo mindinho.
– Então, prometa. — corou.
– Certo. — encostou seus dedo no dela também, sorrindo. — Eu prometo.
FLASHBACK OFF
– Aqui, é pra você! — estendeu-lhe uma sacola alaranjada, Haru sorria, queria dar esse presente a ele. — Pelo aniversário do Tsuna-kun!
– E-Eu... Também trouxe uma coisa! — tentou procurar em seus bolsos, mas, não teve sucesso em encontrar. — Mas... Esqueci de pegar.
– Não tem problema!
– M-Mas... Como seu namorado, me sinto patético por sempre ganhar as coisas. — a brisa da noite veio novamente, esvoaçando um pouco os cabelos dela.
– Eu... Tenho que ir. — olhou para ela, assustado. Mais lembranças invadiram seus pensamentos, sua mente.
FLASHBACK
– Não volte para Tokyo... Fique aqui comigo.
– Não tem como. — ela olhava fixamente para o lago, onde as flores de gelo boiavam. — Sentimentos mudam.
– N-Não é verdade!
– Mas os seus mudaram, não mudaram? — perguntou, vendo-o encarar a neve, sem graça. — Pouco tempo atrás, você gostava da Kyoko-chan. Sentimentos podem mudar. Relacionamentos a distância nunca dão certo.
FLASHBACK OFF
– Relacionamentos à distância nunca dão certo!
– E-Então... N-Não vai ser um relacionamento à distância! — Tsuna disse, deixando sem querer a sacola que segurava cair e, repentinamente, agarrou os braços dela, a puxando para si e a beijando. Corou logo em seguida, ambos tinham uma expressão triste em seu rosto, logo, beijaram-se novamente, na escuridão da noite.
"Naquela hora, na verdade, fiquei muito feliz... Quando você me pediu para ser sua namorada e que até mesmo iria para Tokyo comigo." — pensou a morena, feliz. Por causa do ar, tiveram de se separar. Mas logo, Haru o puxou pela nuca, o beijando de novo, aquilo era tão bom... Sentia falta dele, muita. Encararam-se, suas testas se encostaram.
– E-Eu... Quero ficar com você mais um pouco. — Tsuna logo disse, vermelho, a abraçando. — Não é o suficiente.
– Eu tenho mesmo que ir.
–-----------------------------------------------------------
Tsuna a levou à pés até a estação de Tozai, agora, estavam se despedindo, uma coisa que ele jamais queria que fosse à acontecer.
– A Haru vai se despedir de você aqui. Mande um oi para os outros!
– C-Certo.
"Quando mais feliz for o encontro, mais triste é a despedida." — pensou.
– Algum problema?
– A-Ah... Não. M-Mas... É mesmo complicado. — coçou a nuca, sem graça. — Um relacionamento à distância.
– Então, a Haru devia terminar com o Tsuna-kun?
– O-O que está dizendo? — arregalou os olhos, ouvindo a risada baixa dela.
– Se cuide, Tsuna-kun.
– Até. — ele viu a garota se distanciar cada vez mais, sentiu seu coração apertar. Era doloroso demais despedir-se dessa forma, ele tinha que ao menos dar um sinal de que voltaria. — Eu... V-Vou voltar pra te ver! — disse, vermelho. — É uma promessa. — estendeu seu dedo mindinho, vendo-a sorrir e ir até ele andando, encostando no dedo dele, fazendo o juramento.
– É uma promessa. — Haru sorriu.
*****************************************
Já era outro dia, encontravam-se no ônibus, indo embora de Tokyo, ou seja, voltando à Namimori, Tsuna olhava para a janela entediado, e os outros, conversavam.
– É esse! O omelete do restaurante Amani estava muito bom! — disse Hana, estendendo uma revista gastronômica para Ryohei.
– Delicioso! — Kyoko pronunciou-se, com um sorriso no rosto.
– As garçonetes eram lindas, ao extremo! Quero ir até lá de novo!
– Então volte para Tokyo sozinho!
– Sozinho é o caramba! Você vem, não vem, Sawada!?
– Ah, claro.
– O que? Mas você nem mesmo estava ouvindo! — Hana estava indignada. — Kyoko, diga alguma coisa!
Tsuna e Haru estariam longe um do outro com o tempo.
– A-Ah... Eu não...
Mas ele tinha certeza de que ficariam bem.
– O Sawada sempre foi assim!
Seus relacionamentos davam certo à distância, pois, seus corações eram um só.
– Aposto que estava pensando na Haru!
O amor desses dois à distância... Apenas começou.
Continua...
Notas finais
93 Million Miles - Jason Mraz.
Fale com o autor