Acordei sem lembrar de nada. Estava nua, e o outro lado do colchão estava marcado. Por um momento me desesperei. Não sabia o que tinha feito ou com quem tinha dormido na noite passada. Isso era assustador.

Meu corpo ardia em dor, e minha cabeça latejava... Ressaca.

E então me lembrei que era inicio dos jogos. E provavelmente estariam todos morrendo — não literalmente — por causa da festa.

''Malditas sejam aquelas game makers! E que imbecil eu fui de ter 'aproveitado' a festa'' — Pensei comigo mesma.

Mas era hora de levantar, e me preparar psicologicamente para o Banho de Sangue. Então tirei a ideia de ter sido abusada por um ser misterioso na noite passada e levantei-me.

Quase que por magica, assim que me levantei meu estilista entrou no quarto.

Michael tinha que me levar para o aerodeslizador, ele quem iria me vestir para entrar na arena.

Quando sai do quarto, meu pai estava me esperando. Ele olhou pra mim com seu olhar severo e me abraçou. Eu fiquei tão surpresa que recuei um pouco, mas depois o abracei de volta.

– Você vai ganhar. Eu sei que vai. Apenas use tudo que sabe, dê o seu melhor, e tenha cuidado com os outros. Nem todos são uma boa aliança.

Então, ele beijou minha testa, e antes que eu respondesse ele se virou, e foi embora. Em geral aquilo completou meu dia. E para minha surpresa, até se eu morresse no Banho de Sangue, eu morreria feliz.

– Precisamos ir. — Disse Michael. Por um instante eu havia me esquecido dele.

Então virei-me e fomos até o telhado. Onde um aerodeslizador nos esperava.

Lá dentro a corrente elétrica me congelou no lugar, até que o médico injetou o rastreador no meu antebraço esquerdo — para que eles pudessem sempre me encontrar na arena. O aerobarco decolou, e nenhum tributo abriu a boca. Olhei pra fora, e então rapidamente, a capital sumiu. Michael me orientou a comer o máximo que conseguisse. Afinal, Deus lá saberia quando eu iria encontrar algo naquela arena.

Quando chegamos no lounge da arena, o aerodeslizador pousou. Cada tributo foi guiado para sua sala, onde seriamos preparados e onde o cilindro que nos levaria para a arena se encontrava.

Michael me guiou até o banheiro e me entregou a roupa. Quando terminei, me senti nua. A roupa era estranhamente leve — o que imaginei que seria bom no caso de minha vida depender da minha agilidade.

Depois de esperarmos um pouco um pacificador entrou na sala e disse que estava na hora.

Michael me abraçou, e percebi que ele se segurava para não chorar. Era até fofo. Um manequim da capital sentir algo.

Então entrei no cilindro pois a contagem já havia começado. O cilindro foi subindo e comecei assumi a postura de uma — talvez — vencedora dos Jogos Vorazes.

E enquanto a luz da arena entra pelo cilindro, pensei comigo mesma: ‘’Que a sorte esteja ao meu favor’’