Distrito 10, Beatrice Solace
13 Banho de Sangue
Quando o cilindro de aposentou na superfície da arena, olhei a minha volta. — Que diabos elas fizeram aqui? – Disse baixinho a mim mesma.
As plataformas estavam postas em circulo, como de costume. Mas no meio, não havia mais a antiga Cornucópia. No lugar, foi posto uma fonte. Em cima da fonte haviam armas, e algo me dizia que em algum lugar ali estaria meu arco, ou quem sabe minha besta. Mas não seria tão fácil assim pega-lo, pois rondando a fonte estava um chacal. Obviamente, não um chacal comum. A fera tinha meu tamanho, e seu olhar mirava todos os tributos inteligentemente.
"Senhoras e senhores, que a segunda edição dos Jogos Vorazes comece!" A voz de Claudius Templesmith penetrou em meus ouvidos. Tinha menos de um minuto para me orientar. Pois em seguida, o gongo soaria e os tributos estariam livres para se mover para fora de suas placas de metal e matar uns aos outros. Mas se mover para onde?
Em volta da praça, havia um cenário caótico de asfalto, casas e prédios. Um dos lados parecia uma replica da capital, o outro, uma replica das partes ricas dos distritos. Era um tanto assustador.
‘’Eles não facilitariam nossa fuga’’ Penso. Pois logicamente, eles cercaram a cidade com spots – armadilhas – pra quem tentasse fugir. O que me restava era arriscar no chacal. Pegar minha arma e dar o fora dali.
20 segundos. Penso em um plano e olho os tributos a minha volta. Na minha direita está o tributo feminino do distrito 9 — Beatriz Nascimento — e a minha esquerda o tributo masculino do distrito 8 — Johnny Welch. Tento examinar quem arriscará no chacal, e quem correrá para os domínios das cidades.
10 Segundos... Todos se preparam para correr. E então o sinal é dado. Muitos recuam e seguem para o lado norte ou sul da praça, e alguns vão em direção a fonte. Disparo atrás de do tributo do distrito 8 – Johnny — de modo que fico ‘’invisivel’’ para o chacal fêmea e evito ser a primeira isca.
A primeira a se aproximar da fonte foi a garota do distrito 3 – a audaciosa Alyss — mas Blue, a chacal fêmea já estava bastante atenta aos seus movimentos, quando a garota alcançou o machado, Blue saltou sob seu pescoço, jogando-a com força contra o chão.
O golpe não foi forte o suficiente para mata-la, mas a garota soltou um urro de dor tão furioso que assustou ao restante dos Tributos os quais se aproximavam. Alyss continuou jogada ao chão, tentando se recuperar da dor insuportável que se alastrava por seu corpo.
A fera viu que por aquele momento, ela não seria mais problema e partiu em direção a Carreirista do D1, Tessriel.
A garota não se intimidou com o tamanho e a postura do animal, pensou ser mais inteligente e disparou na mesma direção que seguira Alyss, tentando saltar por Blue. Mas o animal foi mais esperto, agarrou a sua perna esquerda e fez com que ela rodopiasse no ar, arremessando-a em direção a fonte.
O único som escutado antes do primeiro canhão foi o de um crânio se quebrando. O sangue de Tessriel espalhou-se rapidamente pela água da fonte. Lá se foi a garota do D1, para a alegria e entusiasmo de todos os viciados nos jogos da capital.
Percebi que alguns tributos agora mudavam sua rota, hesitantes em ter que enfrentar a fera. Alguns correram para o sul, outros para o norte. Poucos tributos continuaram na praça.
Vallery Baker do Distrito 5, tomou fôlego e correu em direção a Blue, e aproveitando-se da distração, Johnny do Distrito 8 fez o mesmo, só que do lado oposto.
Agora eu não tinha mais Johnny para bloquear a vista da fera, então, ela sabia que eu alcançaria a fonte em segundos.
A fera concentrou-se primeiro em Vallery, porque a mesma saltou sobre ela, como se de alguma forma fosse vencê-la corpo a corpo. Saltando sobre Blue, Vallery agarrou suas orelhas, fazendo-a entrar em fúria. O Bestante agitou-se abaixo a ela, soltando uma espécie de uivo, mas Vallery estava agarrada firmemente a ela.
Blue estava enfurecida, correu em disparada, seguindo sem rumo ou direção. E Johnny que tinha acabado de alcançar o kit de armas, foi acertado em cheio por ela, porém ele também se agarrou a Blue.
Enquanto a chacal estava distraída, rondei a fonte e examinei as armas. Um sorriso abriu-se em meu rosto quando avistei minha besta. Na minha mente, agradeci as idealizadoras. Coloquei as 5 flechas nas minhas costas e uma na besta.
Olhei em direção a chacal, que tinha parado de rodopiar como uma louca e agora corria em sua mais alta velocidade em direção a uma das quatro árvores da praça, imprensando o garoto Johnny com força.
Imaginei a famila de Welch entrando em desespero.
Com medo de ter a mesmo fim que o de Johnny, a garota Vallery, desprendeu-se da Bestante, rolando em direção ao chão. Blue, agilmente, voltou sua atenção para a garota e lentamente caminhou em sua volta, como um predador faz antes de encurralar sua presa.
Vallery desesperou-se quando o animal saltou em sua direção, prendendo-a em meio a suas enormes patas, ela o agarrou e ambas rodopiam-se pelo chão da praça. Mas a imobilizou colocando ambas as patas por cima de seus braços, os quebrando.
Um grito desesperado ecoou por todos os telões de Panem. Os dentes de Blue cravaram-se com força no pescoço da garota.
Ao ver aquilo me desesperei e derrubei a besta no chão. A chacal a me fitou assim que o canhão soou — anunciando a morte de Vallery.
A chacal começava a correr em minha direção, e se eu fosse para o norte, teria de enfrentar dois tributos que estavam hesitando em arriscar nas armas.
Alyss -a garota que estava desacordada — estava gemendo de dor na minha frente, o golpe de Blue fizera com que ela batesse em força a cabeça e a coluna no chão. Se a Bestante fosse a sua direção, ela não teria quase nenhuma chance de se defender.
Então eu me virei para correr para o sul, onde haviam tributos correndo para evitar Blue. Passei por alguns tributos, e quando estava quase nos limites da cidade algo agarrou seu pé.
Fui arrastada de volta para a fonte me contorci e consegui soltar meu pé das presas de Blue. A adrenalina que corria em minhas veias fez com que eu não sentisse dor, mas eu sabia que era só uma questão de tempo.
Tomei distancia – com meu pé esquerdo sangrando – abaixe-me e apoiei-me sobre o joelho direito para pegar mais firmemente a besta. Coloquei a besta em direção a chacal, mas ela era esperta, e não avançou. Começou a me rondar, ignorando os outros tributos que haviam acabado de alcançar a fonte.
Eu podia sentir meu coração bombeando.
‘’Eu posso fazer isso.’’
Então, o mais rápido que pude, rolei sobre meu braço direito e mirei novamente na chacal que tinha acabado de avançar, e atirei.
Por um segundo achei que a flecha não acertaria o alvo, mas foi em cheio. O olho esquerdo da fera havia sido perfurado por minha flecha. E agora ela se contorcia pela praça. Batendo fortemente contra a fonte.
Os tributos aproveitaram para tentar ataca-la e eu sai corri dali.
Seguindo para o sul com o pé encharcado de sangue e com apenas 5 flechas para serem disparadas. Eu teria que encontrar agua e abrigo logo.
‘’Pai, é hora de agir’’ Pensei.
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