Disintegration

11 Revelações


Yoo ~desvia das facas~

Finalmente, depois de um puto bloqueio mental em uma misera parte, aqui estou postando mais um capítulo para vocês, seus lindos(as) do meu ♥
Bem, para aqueles que acompanhavam a "criação" do capítulo de perto como a Nany e o Dee (sim, estou usando vocês como desculpa, agora me escondam ~se encolhe~) sabem como estava tenso para escrever uma certa parte, e mesmo agora ainda acho que ficou bem ruim, mas fazer oque...
Atenciosamente, a Direção ~ignorem isso

Tenho outro aviso parar dar aqui, infelizmente a minha antiga beta, Midichan, não betará mais os capítulos de Disintegration, e até que a Liga dos Betas me arrumem outro beta eu mesmo que estarei betando. Então se vocês acharem algum erro que passou despercebido por mim, peço que me avisem para que eu os corrija.

~o~

Era hoje o dia em que eu ficaria de cara a cara com Brendon, o dia em que ele daria a sua "explicação" por tudo que já havia feito comigo, isso se houver algo que possa explicar tudo que já fez, mas mesmo assim não custaria nada ir lá só para escutar o que ele tinha a dizer.
Me espreguicei na cama pela terceira vez desde que acordei, não estava com a menor vontade de sair da minha caminha tão confortável, mas tinha que existir escola para estragar meus planos malignos e preguiçosos.
Por fim me levantei e caminhei até o andar de baixo com passos preguiçosos, eu realmente não estava com saco de ir para a escola hoje. Quando cheguei os meus irmãos estavam encenando jogos vorazes para ver quem usava o banheiro primeiro, já eu sentei no chão e dei um cochilo de 20 minutos muito bem aproveitados, quem me acordou foi Heitor falando para eu tomar um banho rápido.
Fiz minha higiene pessoal e tomei um banho morno para tentar tirar o sono impregnado no couro. Coloquei as primeiras roupas que vi pelo guarda roupa e me dirigi para a cozinha onde todos comiam tranquilamente. Coloquei meu café da manhã e me sentei ao lado de Heitor.
Comecei a comer enquanto observava as conversas alheias e nem percebi quando terminei toda a comida do prato, era raro eu termina de comer antes que todos já tenham saído de casa ou voltado pros seus quartos. Levei a louça suja para a pia e me dirigi a porta para ir a escola, mas parei quando abri a maçaneta, quase que esquecia do dinheiro, não deixaria que Brendon tivesse mais um motivo para zombar de mim só porque ele queria pagar a conta, não mesmo.
—Heitor er... Será que tem, hur...
— O que é Thomy? Fala logo que eu já tô atrasado.
— É que eu vou sair com uns colegas hoje e... eu queria saber se... er... — Que timidez maldita, nem conseguir pedir dinheiro eu consigo.
— Colegas hein? É dinheiro que você quer? Era só ter falado antes Tom e deixa de frescura.
Ele abriu a carteira e tinha apenas uma nota de vinte reais e outra de cinquenta. Ele franziu a testa e soltou uma bufada de leve. Eu sabia que Heitor não estava com muito dinheiro já que não havia chegado o dia dele receber o salário.
— Pode me dar a nota de vint... — Até arregalei os olhos quando Heitor puxou a nota de cinquenta reais e a estendeu para mim. — Vinte já está bom, é só para...
— Para de frescura e pega logo esse dinheiro Tom.— falou em tom autoritário, mas com um sorriso acolhedor no rosto.— Francamente, você é a única pessoa que eu conheci até hoje que recusa dinheiro. Fora que eu estou feliz hoje.
— Já que insiste... — Peguei a nota da mão dele e a dobrei com cuidado à guardando na bolsa. Não era todo dia que eu pegava uma nota daquele valor, não mesmo.— Agora tô indo pra escola, até mais.
— Opa, pra onde o senhor pensa que vai? — Questionou minha mãe que até aquele instante estava sentada lendo uma revista de moda qualquer.
— Para... a escola?
— Isso eu sei né seu Zé tabaca, mas quem você tá achando que é? Saindo assim a hora que quer? Não avisa nada pra mim nem nada — falou enquanto articulava com as mãos.— Vai que você não avisa e, Deus me livre, você pode ser assaltado (o que já quase aconteceu), ou pode ser estuprado ( o que infelizmente também já aconteceu ) e isso sem tirar o fato que alguém pode tentar te matar! ( estou começando a achar que minha mãe seria famosa no ramo de clarividência, só acho.)
— Ok mãe, posso sair com uns amigos depois da escola hoje?
— E que amigos? Por acaso é aquele Brendon? Ele parece ser um bom rapaz, devia andar mais com ele. Ele tem classe.— Só de ouvir o nome do loiro Heitor revirou os olhos como se aquilo lhe doesse os ouvidos.
— Nã... Não é com ele mãe, existem milhares de outras pessoas naquela escola sabia? Eu poderia fazer outras amizades. — Comecei a ficar nervoso por estar mentindo, só espero que ninguém perceba, principalmente Heitor se não é bem capaz dele tirar esse dinheiro de mim as tapas.
— Tudo bem "senhor popular" — Ela soltou um risada pelos narizes quando me "apelidou", mas que seja, só espero que ela deixe logo. — E para onde vocês vão posso saber?
— A gente vai pra uma lanchonete perto da escola, mãe. Será que pode dizer logo se eu posso ou não? Já estou atrasado.
—Tudo bem, ao menos você sai daquele quarto. E nem pense em chegar tarde. Não quero criar outro vagabundo na minha casa. — disse dando um olhar semicerrado para Gustavo que se encolheu na cadeira enquanto entupia a boca com torradas.
— Tudo bem, até mais pra todo mundo. — Saí correndo porta a fora pra evitar outra pergunta que me fizesse mentir, e para não perder o ônibus.
Os ponteiros pareciam apostar uma corrida infinita no relógio, o tempo passava monstruosamente rápido naquele último período de aula. Brendon só veio falar comigo no intervalo para saber se eu realmente ia para o encontro, já André até veio tentar conversa comigo, mas eu queria ficar sozinho, pensar, e é isso que estou fazendo até agora, pensando.
Finalmente o sino da escola tocou e todos começaram a recolher os seus materiais, mas eu fiquei ali parado, repensando se era realmente uma boa ideia conversar com o William. Essa duvida não saia da minha cabeça. Será que realmente valia a pena me encontrar com ele? O que diabos ele me falaria? Qual seria a sua explicação para as atitudes selvagens dele? Bem, acho que só existe uma forma de descobrir...
Comecei a colocar meus livros na mochila com cuidado, estava ansioso e ao mesmo tempo com pavor do que estava por vir. Acabei dando um pulo da cadeira quando ouvi duas batidas na porta de madeira, Brendon estava lá parado com um olhar curioso no rosto.
—Tudo bem aí? Precisa de ajuda? — Isso me fez lembrar das diversas vezes em que ele aparecia assim na porta, e não era pra perguntar se estava tudo bem.
— Está sim, já estou terminando aqui. — disse enquanto terminava de guardar meu material e me dirigia a porta, de encontro ao loiro.
— Então podemos ir? — Perguntou ele parecendo um pouco desconfortável. — Tem uma lanchonete aqui perto da escola, que tal?
— Só tem ela de lanchonete aberta por perto da escola a essa hora, não temos muitas opções. — falei grosso. Não estava nenhum pouco me importando em ser educado com ele.
— Ok então...
Andamos lado a lado pelos corredores, ambos sem falar nenhuma palavra. Por toda a parte em que passávamos as pessoas olhavam para gente, incrédulas. Será que não se pode andar mais lado a lado com o um maníaco sociopata adolescente? Aff viu, puta preconceito!
Em um dos corredores acabamos esbarrando em André que andava com os amigos dele. Quando ele me viu l seu rosto ficou branco e ele arregalou os olhos, quase que instantaneamente ele se encostou na parede e colocou as mãos pra cima como se tivesse sido pego no flagra. Aquilo até que me deu vontade de rir, mas acabei por dar um sorriso de canto e desviei o olhar novamente.


Andamos mais alguns minutos até que chegamos na lanchonete, aquele horário era a hora do pique do restaurante. Essa era a vantagem de se abrir uma lanchonete que só vende porcaria do lado de uma escola, estudantes adoram comer porcarias depois das aulas.
Eu nunca havia ido aquela lanchonete antes, sempre achei que os preços deveriam ser absurdos por ser do lado de uma escola de alta classe como a Verdadeira Vera Cruz.
Entramos e atraímos os olhares de quase todos ali presentes, e isso me incomodava profundamente, eu só queria que ele me falasse logo a droga da explicação para eu poder ir para casa e viver minha vida em paz, não precisava de toda aquela gente me olhando torto.

Brendon apontou para uma mesa mais isolada no canto da lanchonete e nos dirigimos até lá. Sentamos e logo uma garçonete veio nos atender. Não sabia muito bem o que pedir ali, então pedi o óbvio que sem dúvidas teria ali.
— Pode me dar um misto quente e uma lata de Coca por favor?
— Claro querido, e quanto a você meu lindo? — Ela perguntou com um sorriso amistoso para Brendon.
— Poderia me trazer um sanduíche natural com um copo de laranja por gentileza? — falou em um tom tão calmo e educado que fiquei admirado com a elegância daquela simples frase.
Ela anotou os pedidos e pediu licença para poder entregar os pedidos à cozinha. Logo quando ela saiu André entrou aos pulinhos pelo canto da parede salmão, e se sentando na mesa de frente para mim. Destacou uma folha do caderno rapidamente e anotou alguma coisa, logo depois erguendo o papel pra mim.
" O que está acontecendo?"
E apenas balancei a cabeça em uma negativa, sem querer parecer ingrato nem nada, mas aquela era uma péssima hora pra ele se preocupar com o assunto que eu tinha para tratar com o Willian. O corredor voltou a rabiscar na outra parte da folha.
"Quer que eu compre um picolé? Ou algo assim? "
Tentei abafar o riso que veio de imediato, mas foi quase impossível, fazendo o meu acompanhante olhar para trás buscando o motivo da graça, e em uma atitude desesperada de esconder o pedaço de papel André colocou a folha junto da sua barriga e se jogou por cima da mesa, chamando a atenção de toda a lanchonete, mas ele apenas sorria e acenava para todo mundo como se fosse algo que acontecesse toda hora com ele.
— Então... Tom, como você já deve saber estou aqui para tentar me explicar, ou ao menos tentar explicar algumas coisas, não sei...— Começou a falar o dono dos olhos verdes enquanto encarava fixamente um ponto qualquer da mesa. — Eu sei que o que eu vou falar aqui não vai te fazer me perdoar, talvez nada que eu faça agora pode fazer isso, e nem sei se você vai se importar ou vai apenas mandar eu me ferrar quando terminar de contar tudo...
— Tudo bem Brendon, apenas fale logo ok? — Tentei ser o mais grosso que pude, mas acho que não consegui esconder o nervosismo que me corroia por dentro.
— Tudo bem, não precisa me engolir. — Ele deu uma risada meia forçada e limpou a garganta. — Eu sofro de dupla personalidade Thomy, uma hora eu sou uma pessoa outra hora não. Eu já fui a diversos psicólogos e psiquiatras, todos dizem quase sempre a mesma coisa, que é tudo coisa da minha cabeça e que com uma terapia eu conseguiria melhorar, tudo mentira, apenas queriam comer mais dinheiro do meu pai.
Eu engoli em seco com aquela revelação, não esperava que Brendon sofresse de dupla personalidade, mas mesmo assim, isso não chegava nem perto do que ele já havia feito comigo.
— Sim, é daí? É só isso? Só porque uma das suas personalidades não ia com a minha cara, você fez tudo aquilo comigo? — Quase gritei no meio de todas as conversas ali, mas me controlei e voltei a sentar com postura na cadeira. Não queria perder a cabeça ali.
— Nã... — O loiro foi interrompido quando a garçonete chegou com os nossos pedidos, colocando o meu lanche a minha frente e o mesmo com o Willian para logo depois de retirar.— Como eu estava dizendo Tom, não é bem assim que fuciona, eu queria que fosse, mas não é. Parece que essa minha outra personalidade só acorda quando vê você, como se tivesse uma sede me consumindo, eu...
— Você o que Brendon? Fale alguma coisa coerente pelo amor de Deus! — Eu não sabia se estava mais nervoso, estressado ou chateado. Eu esperava algo melhor, uma desculpa mais aceitável vinda dele.— Que sede é essa?
— É... uma sede por superioridade, não sei... Toda vez que esse outro eu toma o controle eu fico preso dentro dele, assistindo... sabe? Eu não tenho controle sobre mim mesmo...
— Então quer dizer que estou falando com o Brendon sádico agora, ou é "você" mesmo? — comentei com certa ironia, eu não conseguia engolir aquela história, simplesmente não descia.
— Você não está acreditando... imaginei que isso também poderia acontecer. Não Thomy, depois do... do que... do que eu fiz para você lá no acampamento, eu... eu... — Eu nunca fiquei tão surpreso assim na minha vida, ele estava, estava mesmo, Brendon estava chorando na minha frente, na frente de todos! Fiquei sem reação, eu o consolava? Mandava continuar a história? Não sabia, a única coisa que eu conseguia fazer era ficar parado vendo ele limpar as lágrimas e cessar o choro.— Depois do que eu te fiz naquela noite, parecia que eu finalmente tomei o controle. Foi horrível, era como se eu tentasse parar com o que estava fazendo, mas não conseguisse...
— Foi horrível para você? Imagina como foi pra mim seu bastardo! — Acabei gritando e batendo na mesa com o punho cerrado, o que atraiu os olhares dos que estavam perto, inclusive a de André que não sei quando se sentou com uma menina do primeiro ano e parecia estar se enturmando muito bem. Senti meus olhos se encherem de água também. Voltei a sentar e dei uma mordida no meu misto quente, que estava espetacularmente delicioso, mas infelizmente não estava com apetite naquele momento, não depois de ter relembrado aquela noite tão dolorosa.
— Eu sei, por isso não importa o que eu faça agora, nada pode mudar o que já aconteceu, mas... eu não devia ter deixado você lá, eu não queria... —Ele começou a chorar de verdade, as lágrimas desciam como finas cascatas por seus olhos— Você estava sozinho, e se te acontecesse alguma coisa... eu nunca me perdoaria...
As lágrimas também saiam dos meus olhos livremente, mas sempre estava enxugando elas para que ninguém percebesse meu estado.
Ambos começamos a parar de chorar, e começamos a comer nossos lanches em silêncio, tentando recobrar a sanidade. Já estávamos quase na metade do lanche quando decidi quebrar o silêncio, afinal tudo aquilo parecia muito surreal, não parecia ser apenas alguma peça para me machucar depois, ele realmente parecia estar sofrendo com aquilo também, da forma dele, mas ainda sim sofrendo.
—Então, sobre essa sua dupla personalidade... Quando ela começou? Não poderia ter sido assim do nada, me viu e Pow você estava lá me batendo.
Willian engoliu um pedaço do sanduíche natural e bebeu um gole do suco, respirou fundo e se aprumou na cadeira.
— Eu nunca contei isso a ninguém, apenas poucas pessoas sabem disso, mas acho que vou ter que contar de qualquer jeito...

Eu vi de relance André levando um tapa na cara da tal menina, mas ele simplesmente sorriu maliciosamente enquanto a menina saia da lanchonete pisando duro. Logo ele me e viu o encarando e deu uma piscadela como se afirmasse que estava tudo sob controle ali, se levantou com as mãos nos bolsos e começou a caminhar apressado em direção a menina que acabara de deixa-lo como uma puta marca no rosto.
—Você o conhece? —perguntou o loiro do nada. Só então me toquei que o ignorei pra prestar atenção no que ocorria com o meu mais novo amigo.
— Ele é um colega, nada de mais.
—Hm... Tanto faz. — Ele acabou falando um pouco rude, como se a minha amizade com André o incomodasse.
— Continue. —incentivei, estava me roendo para saber aquela história do Brendon.— A sua história.
Ele respirou fundo então ficou pensativo por alguns segundos, o que só me intrigava mais. O que diabos havia acontecido para que alguém chegasse a esse ponto ao qual ele chegou? Ter uma dupla personalidade tão violenta e desumana assim.
—Então, só te peço uma coisa, que não conte isso a ninguém, não é algo que eu goste de comentar muito menos que outras pessoas saibam. — Ele deu mais um gole no suco e tomou uma expressão seria no rosto.— Tudo aconteceu quando eu era pequeno. Eu era um garoto normal, gostava de brincar e tudo o mais, enfim, eu tinha um amigo que eu sempre gostei de brincar quando era pequeno em um parque que eu sempre ia. Éramos bons amigos, na verdade não lembro de ter brigado uma vez se quer com ele. — Brendon deu um sorriso vago com a lembrança.— Ambos tínhamos horários para chegar em casa, unas seis horas se não me engano...
— Ok Brendon, o que isso tem haver com a sua desculpa?
— Calma ok? Só escute. — Com um suspiro pesado ele continuou— Um dia eu acabei perdendo as horas, voltei pra casa bem tarde e meu pai ficou uma fera, ficou gritando comigo por horas e horas, e quando ele não conseguia mais fritar falou que queria conhecer esse meu amigo e o pai dele, saber o "tipo" de pessoa com que eu passava as tardes. — A repulsa estava clara na voz dele quando falou a palavra "tipo", como se fosse algum tipo de xingamento gravíssimo.— Então no outro dia ele saiu do trabalho mais cedo e foi comigo ver esse meu amigo, eu era pequeno, inocente...
Comi os pedaços finais do meu sanduíche e bebi o resto do refrigerante. Aquela história estava sendo até interessante, mas algo me dizia que não terminaria com um final feliz. E esse algo era a expressão triste no rosto do Loiro.
— Quando chegamos lá meu pai sequer pensava em conversar, já chegou gritando e xingando, arrumando confusão só por causa de um misero atraso. E por fim me proibiu de ver o menino, sem mais nem menos, apenas proibiu e como se não tivesse bastado tudo aquilo ele passou a viagem toda de volta pra casa falando que pessoas como eles eram inferiores. Mas eu nem levei a sério aquele castigo. — Ele deu uma pausa para terminar o suco e limpou a garantia antes de continuar— No outro dia eu achava que ele ia chegar tarde, e meio que fugi de casa a tarde pra brincar com o mesmo amigo, o pai dele que sempre o levava relutou falando que eu devia voltar pra casa, mas menti falando que meu pai tinha mudado de ideia e assim foi aquela tarde. Quando eu fui dar por mim mesmo eu já estava atrasado de novo. Voltei pra casa correndo, mas quando cheguei lá meu pai já tinha chegado em casa e estava bêbado, tentei me explicar, mas ele estava muito bêbado pra me escutar, me arrastou pra um dos quartos no terceiro andar e me espancou praticamente as noite toda, e ficava me xingando falando que eu não merecia ser filho dele porque eu me enturmava com pessoas de classe média e tudo o mais. Só parou quando eu desmaiei, minha mãe chamou uma ambulância que por sorte chegou rápido, quando me analisaram eu estava com várias fraturas nos ossos e órgãos internos, e tive uma pequena hemorragia interna. Eu provavelmente estaria morto se não fosse pelo nome da minha família que eu fez a ambulância chegar tão rápido. Talvez tenha sido isso que criou essa segunda personalidade em mim, todos os xingamento e socos... Parece que isso deixou algo mais do que hematomas em mim, algo mais profundo...

Senti meus olhos lagrimejarem, e apertava a minha calça por baixo da mesa. Não estava preparado para uma história daquelas. Eu abria e fechava a boca, não sabia o que falar, não sabia o que agir, nem sabia como pensar! Talvez nem Brendon sabia como agir naquele momento, ele olhava para o prato vazio com uma expressão triste, ele sorria minimamente, mas era claro a dor estampada por trás daquele sorriso torto. Ficamos em silêncio por vários minutos, eu tentava pensar em alguma coisa para falar naquele momento, mas eu só conseguia pensar em uma única coisa naquele momento:
— Monstro... — Foi o que conseguiu sair da minha boca naquele momento. O loiro franziu a testa quando ouviu o meu sussurro.— Seu pai... ele deve ser um monstro...
— Não fale assim dele, apesar de tudo eu ainda o amo, de qualquer jeito ele ainda é o meu pai, mas pensei que você teria uma impressão dessas dele, afinal quem não teria? Depois disso ele começou a me mimar, tudo o que eu pedia ele fazia, sempre tentado me alegrar e tudo o mais, mas no fundo acho que ele ainda se sente culpado por tudo aquilo que aconteceu.
— E deveria se culpar mesmo! Que tipo de pessoa faz isso com o próprio filho? Só... Só... Só porque você brincava com um menino pobre. Isso é horrível!
— Eu também não posso falar nada sobre isso... — Ele levantou a mão como se fosse tocar meu rosto, mas a recolheu quase instantaneamente. — Mas isso não importa agora Thomy, o passado foi feito para ser relembrado ou esquecido, eu decidi relembrar desse meu passado, toda vez que eu te machucava eu me trancava no meu quarto por horas e horas. Conseguia ver aquele meu pai bêbado batendo em um garoto inocente. Aquilo me enlouquecia! É por isso que agora eu quero recompensar, quero ser seu amigo Tom, uma chance de mostrar quem eu realmente sou, é tudo o que eu te peço, uma chance.
Eu estava com os olhos arregalados diante do que o loiro acabara de falar, como ele poderia perdoar o pai dele daquele jeito? Eu ainda sofria um pouco por causa da rejeição do meu pai, e quanto ele conseguia amar o dele mesmo depois de tudo aquilo, parecia impossível de acreditar. Se ele conseguia perdoar o pai dele eu também podia perdoar ele, mesmo que eu não conseguisse perdoar ele, ao menos poderia falar que tentei.
— Tudo bem Brendon, eu aceito... tentar... ser seu amigo. Mas apenas vou tentar, não force a barra, eu ainda não te perdoei pelo o que você me fez...
Ele deu um sorriso de orelha a orelha, nunca o vi sorrir assim. — Tudo bem, eu prometo não força a barra nem nada.
Olhei as horas no relógio que ficava em uma das paredes salmão do estabelecimento e vi que já estava ficando tarde, e eu não queria que ocorresse o mesmo que aconteceu no dia da gincana da escola, não mesmo.
— Acho melhor eu ir, já está ficando tarde e minha mãe mandou eu voltar cedo...
— Ah tudo bem, só deixa eu ir no banheiro que eu te dou uma carona até a parada de ônibus. —falou enquanto se retirava da mesa indo em direção a duas portas que ficavam no final do estabelecimento.
Comecei a refletir em tudo o que havia escutado naquele dia, ainda era surreal para mim pensar que eu, Thomy Scalen, poderia ser amigo do "deus" Brendon William. Era impossível!
Só então percebi que ainda não havia pagado a conta. Chamei uma das garçonetes que conversavam no balcão e pedi a conta.
— O homem loiro já pagou antes de ir no banheiro, mas se quiser pagar de novo a gente não tem nada contra. — ela soltou a piada que me fez rir pelo nariz e logo voltou para perto das amigas delas.
E como assim "homem"? Ele é só um ano mais velho que eu, e nem tinha cara de velho... tá bom, ele tinha um pouquinho, mas mesmo assim! E que história era aquele dele pagar a conta? Eu já havia deixado bem claro que eu pagaria a minha parte.
Não tardou para o loiro voltar do banheiro para pegar as suas coisas e me chamar para o carro. Peguei minhas coisas e saí pisando duro até a saída

— Tem alguma coisa te incomodando?—Perguntou ele cauteloso, como se a qualquer momento eu fosse gritar Xablau, tirar a roupa e sair correndo por aí pelado.
— Você pagou a conta. — falei birrento, até eu tinha que admitir que parecia uma criança falando quando estava zangada.
— Sim... e qual o grande desastre mundial que isso vai trazer?
— Eu falei que ia pagar a minha parte, você não tinha nada que pagar toda ela oras.
— Ah então todo esse drama por causa disso? Eu que te convidei então eu tenho o direito de pagar a conta, não é algo tão grande assim. Mas se isso te incomoda tanto a gente poderia marcar alguma outra coisa e você pagaria.
— Eu mesmo não, já perdi a vontade de pagar a conta. — disse enquanto virava o rosto pro lado oposto que do loiro.
— Para de fazer bico isso é fof... — A frase foi interrompida brutalmente, mas ainda sim eu consegui escutar e o olhei espantado com o seu "elogio".
— O... o que di...disse? — Ele estava vermelho e com o corpo duro, mas sem dúvidas mão estava mais vermelho que eu.
— N...Nada não, esqueça o que eu falei. Ali está o meu carro — disse apontando para um Fiat Palio cinza escuro. Minha boca quase descia ao chão, aquele era o sonho de consumo de Heitor, e Brendon tinha um.
Entramos no carro e acinzentado e logo o seu dono começou a dirigir pelas ruas em volta da escola chegando logo ao ponto de ônibus. Dava até pena de sair de um carro daqueles para pegar um ônibus. Mas fazer o que? A vida não é fácil pra ninguém.
Mas antes do carro sair em disparada pela esquina ele abriu a janela e com um sorriso falou em alto e bom som, para que TODOS, incluindo duas meninas da escola que eram conhecidas como as mais fofoqueiras da escolas escutassem:

—- Até amanhã Tonizinho.— Como assim Tonizinho? Tudo bem que era só um apelido, mas ei já me achava pequeno para a minha idade, e o cara ainda vem com esses apelidos, assim não dá.
Escutei as meninas sussurrando as minhas costas, mas ignorei, não estava com saco de ficar ouvindo mãos piadinhas.
Quando cheguei em casa todos estava bem vestidos e extrovertidos, logo estranhei por todos estarem assim. Quando entrei melhor na sala percebi a presença de mais alguém sentado do lado de Heitor. Era uma garota magra e pele bronzeada com uma pintinha do lado superior da boca.
Logo quando Heitor me viu abriu um sorriso de orelha a orelha, por um momento achei que a pele do rosto dele iria rasgar a qualquer momento.
— Boa tarde... — falei sem muito entusiasmo encarando a garota que estampava um sorriso no rosto.
— Boa — disse Heitor enquanto se levantava rapidamente seguido da garota. — Tom quero lhe apresentar alguém... Essa é a minha namorada Tabata, Tabata esse é o meu irmão Thomy.
Ela ajeitou os longos cabelos negros em um ato de nervosismo e se aproximou de mim dando um beijo em cada lado do meu rosto.
— Ah... prazer em te conhecer... Tabata...
— Prazer em finalmente te conhecer também Thomy, Heitor sempre falava muito de você. E pode me chamar de Tabi como todo mundo chama.
— Er... Heitor nunca falou de você... Tabi... — Havia alguma coisa nela que não me cheirava bem... ela me lembrava aquelas patricinhas de filmes adolescentes. Mas eu sabia que devia ficar feliz por Heitor.
— Eu queria manter isso em segredo até o momento certo, espero que você não tenha se chateado. — Ele a abraçou por trás e deu alguns beijos no pescoço dela, seguido por um "eca" da Morgana que estava sentada no colo da minha mãe. — Eca nada sua chata. — brincou ele.
Era bem visível como Heitor estava diferente com ela por perto, ficava mais... vivo.
— Foi um prazer te conhece, mas tenho que tomar um banho urgente pra tirar esse cheiro de ônibus lotado. — falei enquanto me dirigia para as escadas afim de chegar ao meu destino.
— Então também vou subir, não estou muito bem. — Disse Igor seco com a carranca na cara. Ele não parecia está muito de papo, como sempre.
— Aproveito e subo com você Igor, tenho que te perguntar um negocio sobre aquela nossa amiga sabe? — disse Tabata enquanto saia de uma série de selinhos de Heitor, quanta troca de afeto na minha frente, meus olhos estão a ponto de sangrar aqui.
— Vocês se conhecem? — perguntou Katarine para o ruivo e a morena.
— Ah sim, nos temos uns amigos em comuns e já saímos juntos com a galera algumas vezes.
— Não tenho mais interesse nessa nossa amiga. — respondeu Igor seco enquanto dava as costas para a mulher.
— Não seja tão grosso com ela Igor. — Choramingou Heitor de onde estava.
— Que seja, mas saiba que eu não tenho nada a falar sobre essa nossa amiga. — Igor quase cuspiu a palavra amiga. O clima estava começando a ficar bem tenso ali.
Nós três começamos a subir a escadaria para o segundo andar. Eu me tranquei no banheiro enquanto os dois passaram direto para o quarto de Igor.
Já estava tirando minhas roupas quando percebi que não havia nenhuma toalha no banheiro. Então pensei que Igor poderia me emprestar uma dele, não queria ter que subir mais um lance de escada até o meu quarto.
Vesti a minha calça e caminhei a passos lentos para a porta cheia de adesivos ofensivos. Antes que eu a abrisse ou batesse na porta ouvi sussurros lá dentro, estavam muitos baixos, mas audíveis.
— Vamos lá Igor, uma rapidinho, ninguém nem vai perceber... — ouvi a voz da morena sussurrar empolgada.
— Chega sua puta, já falei que não, a gente já se comeu antes, mas agora é diferente, você é namorada do meu irmão porra! — A voz de Igor saia grossa e violenta, como se fosse um grito se guerra de um anão em miniatura.
— O que só deixa as coisas ainda mais eróticas...
— Já disse que não, me larga e volta pro meu irmão! — as luzes do quarto se apagaram nesse instante.
— Cadê todo aquele culhão que você tinha antes? Virou um viadinho agora Igor? Recusando buceta... Não é bem a sua cara.
— Pare de me provocar...
— Uma rapidinha, eles não vão nem notar...
Logo em seguida ouvi barulhos de beijos e um barulho similar a de fivelas de sinto sendo abertas. Tive que tampar minha boca para não gritar naquele momento, não seria possível que...

Notas finais
Hahaha, então, o que acharam da explicação do William? Será que ele merece uma segunda chance? Pobre Heitor, mal assumiu uma namorada e já levou chifre do próprio meio-irmão. Quem escreveu isso deve ser um filho da... bem, deixa queto. E para aqueles que shippam um incesto básico, próximo capítulo promete...