Disintegration
3 Devaneios
Notas iniciais
—Olha desculpa de novo ok? Eu só estava cansado e estressado com o trabalho e...
—Pela puta que teve a infelicidade de nos pari, já falei que eu te desculpo então para de cu doce que o meu pau é diabético.
—Ta vendo? Ta vendo só? — Heitor parou o carro no farol vermelho e apontou o dedo indicador pra minha cara e falava em ar acusador. — Você fala que me desculpa mas já ta irritado.
Decidi ignorar mais uma das crises de Heitor e voltei meu olhar para a janela encarando as pessoas e lojas do lado de fora. A questão é que Heitor acabou esquecendo que ele tinha que dormi comigo no hospital aquela noite e foi direto pra casa, mas o pior é que ele comprou a maldita pizza e levou pra casa, e ninguém lembrou da minha pessoa enquanto saboreavam as calorias da massa com queijo e calabresa... Até sinto o gosto da gordice na minha boca só de pensar.
Mas bem Heitor resmungou mais algumas coisas até percebe que eu o ignorava e começou a resmungar mais ainda. Finalmente a rua de casa já estava chegando e eu poderia me trancar no meu quarto e ficar sozinho, mas o carro passou direto da entrada da rua e começou a entrar em outras ruas que a muito tempo eu não ia.
—Você sabe que a entrada da nossa casa era aquela que passou não é? — Perguntei meio desconfiado.
— Claro que eu sei, apenas cala a boca e deixe-me compensar ok?— Não questionei. Era isso que eu mais admirava em Heitor, toda vez em que ele fazia uma cagada ele sempre tentava concertar as coisas.
Não demorou para o carro parar em frente a um estabelecimento de cerâmica branca e com varias mesas e cadeiras espalhadas na frente do mesmo. Havia algumas crianças por ali acompanhada dos pais e alguns casais aqui e ali.
— Você quer se desculpar me entupindo de sorvete? Você que me engorda isso sim.
— Do que você ta falando? Já se olhou no espelho? Você mais parece uma criança africana branca com disfunção alimentar!
— Que seja, quero de baunilha. —Falei e me sentei em uma das cadeiras vermelhas.
— Como assim ‘’eu quero’’, eu já vou pagar você ao menos deveria ir fazer os pedidos. — Ele quase gritou no meio da sorveteria. Isso é uma coisa que eu não admiro muito em Heitor, ele é muito extravagante e chama muita atenção, e eu odeio ser notado pelas pessoas.
— Quem aqui ta tentando se desculpar mesmo? — Falei em um tom ameaçador, ele bufou e foi ao balcão para fazer os pedidos. Logo ele voltou com os dois potes de sorvete com calda de chocolate, o que me fez salivar só de olhar e ele riu.
— Do que você ta rindo?
— Dessa sua cara de cachorrinho pidão.
— Eu não tenho cara de cachorro pidão. — Falei e virei a cara, odeio quando ele fica falando essas coisas estranhas.
— Cachorro não, cachorrinho. — Me corrigiu como se aquilo fizesse toda a diferença do mundo .
— Que seja, me de logo esse pote de sorvete divino.
Tomamos nosso sorvete em silencio, as vezes eu pegava Heitor me encarando e quando eu encarava de volta ele desviava o olhar. Não liguei muito e continuei saboreando a sobremesa a minha frente. Terminamos e fomos para casa ainda em silencio. Ele nem precisava pergunta se eu estava de boa com ele, ele conhece o meu ponto fraco.
Não tece nenhuma cerimônia ou nada do tipo quando cheguei em casa, não que eu estivesse esperando mesmo Rum, mas bem, os meus irmãos apenas perguntaram se eu estava bem e da demora da gente chegar em casa, e antes que eu fala-se que a gente havia parado pra tomar sorvete Heitor disse que teve engarrafamento e mim deu uma piscadela.
Eu me tranquei no quarto pelo resto do dia, meu corpo ainda doía em alguns pontos mas nada que eu não consegui-se suporta. Fiquei deitado na minha cama escutando músicas aleatórias até que começasse à escurecer. Apenas desci para jantar e logo voltei pro meu quarto. Não gostava de ficar muito com a minha família, eles sempre fazia perguntas constrangedoras e ficavam me zombando ou fuçando a minha vida, ou seja eu sempre era o centro da atenção para eles.
Já havia passado da meia noite e todos pareciam dormi... Acho que não vai ser uma má ideia usar aquilo... Apesar que já faz algum tempo que eu não faço mas... Foda-se.
Levantei da cama e comecei a fuçar o fundo da minha gaveta do guarda-roupa até encontrar a carteira de cigarros já na metade.
— Ola bebezinhos, o papai voltou. — Falei em um sussurro, logo me reprendendo. — Não acredito que eu falei isso, puta merda.
Fui até a janela e abri para que a fumaça pude-se circula e não ficar presa no meu quarto e correr o risco de que alguém senti-se o cheiro do tabaco queimado (Não pensem outras coisas U.U)
Levei um dos cubos até a boca e logo o acendi, tossi no primeiro trago mas logo comecei a me acostumar com a fumaça que invadia meus pulmões junto com o ar. Coloquei Sweater Weather para tocar baixo, apenas para eu escutar. Eu encarava a imagem da grande lua cheia que cintilava atrás da fumaça que eu mesmo assoprava. Sempre gostei de momentos como esse, em que tudo era calmo, e apenas o que importava eram os meus pensamentos e devaneios bobos de como seria a vida perfeita.
Já estava no meu terceiro cigarro e a minha garganta começou a ter uma leve ardência e minha boca adotar um gosto forte do cigarro, o que indicava que já estava bom de eu parar. Dei o ultimo trago no cigarro e o joguei fora e fechei a janela. Me deitei na minha cama e aconcheguei a minha cabeça no travesseiro e fechei os o lhos.
Gostaria de dizer que eu aquela foi uma das melhores sonecas da minha vida, mas eu apenas fiquei lá parado, pensando, não sei bem no que eu estava pensando, mas aquilo me ajudou a dormi, só lembro de ver anéis de uma cor verde mar.
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