Disintegration
4 Almoxarifado
Notas iniciais
E cá estou quase dormindo na aula de história. O professor falava alguma coisa dos índios comerem seus inimigos para adquirir super poderes ou alguma coisa assim.
O final de semana passou em um piscar de olhos, meu corpo já estava melhor, só sentia dor quando eu fazia muito esforço, e meu nariz já não incomodava tanto quando respirava.
Logo o sinal tocou para o intervalo e eu já havia começado a arruma meu material. Eu sabia que Brendon e os seus capangas não encheriam o meu saco por cerca de uma semana, sempre era assim, mas bem, desculpa de amarelo é comer barro. Melhor eu me apressar se quiser comprar a coxinha de frango da cantina, acho que eu poderia até comparar ela à sorvete, e vá por mim se eu estou comparando ela com sorvete é porque ela é muito boa!
Mas antes mesmo que eu saísse da sala a voz do Diretor explodir nos caixas de sons que ficavam pelos corredores.
Alunos Tony Scalen e Brendon Willian comparecer a diretoria! Alunos Tony Scalen e Brendon Willian comparecer à diretoria!
Ótimo, mais um dia sem coxinha pra mim. Comecei a abrir caminho no meio da multidão de estudantes e logo cheguei à sala do diretor, e claro que os cães estavam de guarda. Apenas tentei deixar meu olhar em algum ponto vazio e entrar o mais rápido possível. Logo que entrei esbarrei no Willian que estava atrás da porta, e me lançou um olhar que fez todos os ossos do meu corpo tremerem.
— De...desculpa.
Ele abriu a boca pra falar alguma coisa, mas logo a fechou quando viu o olhar repreensivo de Victor em cima dele.
— Bem, eu fui muito compreensivo em relação as suas constantes brigas do ano passado — Victor falou com uma imensa calma e despreocupação como se aquilo nem fosse da conta dele — Mas eu começarei a punir ambos por esse mal comportamento, e começando de já!
Peraí! Como assim punir ambos? Eu nem toco nesse cara nas supostas ‘’brigas’’ aonde só ele e os amigos dele batem e eu só fico lá no chão me contorcendo de dor feito uma cobra que tomou LSD.
Eu já ia protestar quando ele continuou com um tom de voz mais alto e me encarando, deixando claro que não era para eu interromper.
— Os dois vão limpar o almoxarifado depois das aulas, e tenho certeza que vocês vão deixar aquilo um brinco ou bem, vocês não vão querer saber o que pode acontecer se eu receber mais uma reclamação de algum professor pela bagunça. E aproveitem para se conhecer ou qualquer coisa assim. Agora já podem ir.
O loiro do meu lado apenas revirou os olhos e se retirou da sala sem dizer nada, mas eu fiquei lá, claro que eu fiquei lá, eu queria explicações! Victor olhou pra mim como se esperasse as perguntas que ele já sabia que eu iria fazer, mas eu simplesmente travei, eu comecei a encarar ele, e ai fudeu de vez agora que eu não falo mesmo.
—Então... Vai falar ou vai ficar me encarando pelo resto do intervalo?
—Er... Bem... — Limpei a garganta para ver se ajudava, e falei tudo de uma vez — Pode me explica o do porque eu ter que ficar de castigo também? Eu nunca faço nada e você sabe muito bem disso, e outra, não quer entregar logo uma espingarda pra ele não? Como assim nós dois termos que limpa aquela cruta que vocês chamam de almoxarifado? E porque os outros caras lá não vão ajudar também?
É... acho que acabou saindo mais do que eu realmente queria dizer... Mas já foi, não tem mais volta então, mão pare de tremer porra!
Ele apenas me olhou por alguns segundos antes de responder:
—Olha, você já deve saber quem é o pai dele, nada mais e nada menos que Richard Willian, como você acha que ele vai ficar se eu mandar apenas o filho dele pro castigo? Não, você não consegue imaginar então nem tente. E ele não vai tentar nada, ao menos não ainda, você é esperto o bastante para saber o do porque ele ainda não foi expulso, mas nem mesmo eu admitiria que ele te machuca-se em um castigo dado por mim. — Ele falou com uma convicção e confiança que eu simplesmente não consegui criar argumentos contra.— E em relação aos amigos dele, você sabe que isso não adiantaria de nada para eles, e que você esta muito mais seguro sem eles por perto, e eles só atacam se Brendon quiser. Olha eu até entendo a sua revolta e tudo mais, mas, você não tem muita opção.
Richard Willian é um dos empresário mais poderoso e bem sucedidos do ramo, não me admira que Victor tenha medo de provocar ele, fora que se ele expulsasse o William ele perderia grande parte da verba mensal da escola, a qual ninguém sabe para aonde vai já que a mensalidade da escola é alta o suficiente para manter o padrão atual da escola sem o patrocínio do Willian. Isso sem contar os investimentos pro time de futebol da escola.
Suspirei e me dei por vencido, afinal o que eu poderia fazer? Pois bem, melhor eu ir ver se ainda dava pra comprar a minha coxinha que é melhor que eu faço.
— Ok então, mas liguei pra minha mãe avisando.
— Claro. — Ele disse com um sorriso simpático que me deixou enjoado.
~~ o/ ~~
Como eu poderia descrever o almoxarifado da minha escola? É como em uma floresta de papeis e matérias escolares em forma de S, escura e úmida, ela é totalmente fechada e a iluminação é pouca já que a maior parte da luz é tampada pelas prateleiras, e sem contar que tinha muitas coisas espalhadas pelo chão.
Você tem a impressão de que sempre tem alguma coisa correndo pelos cantos da sala. Não que eu seja medroso ou nada do tipo, é que eu apenas não gosto de coisas estranhas, que correm, e tem dentes, e que estejam vivas... ou mortas.
Nós ficamos alguns minutos em silencio até que Brendon quebrou o silencio.
— Vamos acabar logo com isso, tenho que treinar hoje de tarde. — Falou autoritário. E eu obvio que não iria confrontar ele, mesmo que não goste dele me dando ordens.
Nós começamos a tirar as coisas do chão, e as vezes ele falava coisas desconexas como ‘’Cara que bagunça da porra’’ ou ‘’Pra que ter tanto papel oficio? Por acaso eles limpam as bundas isso?’’ As vezes eu ria ou apenas ignorava. O pior é que eu to achando que ele é um cara legal, ao menos enquanto não está batendo em mim ou alguma coisa do tipo.
Já havia se passado uns 30 minutos conosco trancafiados naquele cubículo, o lugar não era muito grande e já estávamos quase terminando. Como não tinha ventilação ali apenas a porta aberta que deixava entrar uma brisa ou outra, estava um calor do inferno, mas nada que eu não consegui-se aguentar até termina tudo, mas ele não, ele tirou a camisa mostrando o peito e braços malhados, o tanquinho era bem definido sem exageros, tinha pouco pelos e era incrivelmente malhado, e... Pera por que eu to olhando isso? Mas que droga, ele realmente é gost... quero dizer, ele realmente é forte, é! Ele é bem forte.
— Não sei como você ta aguentando ficar com essa blusa nesse calor, por que não tira? — Perguntou descontraído enquanto empilhava caixas de papel, que eu não consegui, então eu apenas organizava coisas leves e limpava a poeira de cima das coisas.
— Nã... não preciso, tou bem assim. — Mas que merda porque eu tenho que ficar tão envergonhado só pra falar isso? E também nunca que eu passaria a humilhação de ficar sem camisa perto dele, ele lá todo bumbado e eu aqui com esse meu corpo magrela, que droga, eu realmente devia me entupir de sorvete até que ele saísse pelo meu nariz.
Ele apenas deu de ombros e continuou fazendo o que estava fazendo, enquanto eu fiquei observando ele trabalhar, ele era legal, mas, porque ele sempre fazia da minha vida um tormento? Por que ele simplesmente não em deixava em paz e os dois seguiam com a sua vida? Acho que eu não vou ter outra oportunidade melhor de pergunta isso então...
— Hey Brendon...
— Que foi?
Engoli em seco antes de pergunta, afinal pra mim isso é quase como um tabu.— Por... Por que você sempre me bate e fica me atormentando? Tipo eu nunca fiz nada contra você, ou eu acho que não, então, por que você não me deixa em paz, e pronto? Ate poderíamos ser amigos quem sabe...
Ele parou o que estava fazendo e me encarou, por fim suspirou e disse algo que me deixou em choque:
— Só pra manter as aparências sabe? Dar uma de Badboy da escola, ser temido pelos nerds e cdfs da escola feito você, não é nada pessoal. E me poupe, eu ser amido de uma coisa igual a você? Só pode ta tirando uma com a minha cara. — Ele deu uma bela gargalhada no final, como se aquilo fosse uma piada qualquer, o que so me fez ficar ainda mais irado.
Como assim apenas para manter as aparências? Então que dizer que todo essa tormenta que eu vivo, todo o pesadelo que é a minha vida é simplesmente para manter as aparências? Quem esse idiota acha que é? Senti meu rosto esquentar e ficar vermelho de raiva, cerrei os punhos.
— Como assim apenas para manter as aparências? Então tudo pelo oque eu passo, toda a merda que você fez a minha vida virar é apenas para você ser o machão da escola? Mas que merda. — Quase gritei e não consegui conter a vontade de avançar em cima dele.
Mas antes que o meu punho acerta-se o seu rosto, ele foi mais ágil, segurou o pulso do braço que estava pra acerta-lhe, e me puxou ainda mais forte em sua direção e esquivando para o lado, me fazendo bater com força contra a parede e em questão de segundos ele estava na minha frente imobilizando o meu braço enquanto o seu outro antebraço pressionava a minha garganta.
— Que porra você pensa que está fazendo? É melhor você tomar cuidado no que fala comigo, porque você não vai querer que eu tenha motivos reais para bater em você, viadinho. — Ele falou quase rugindo e com um olhar ameaçador que me fez encolher contra a parede, ele ainda tremia um pouco contento impulso de não me socar, e cuspiu na minha cara enquanto ele se afastava do meu corpo e liberava a minha garganta. — É melhor você termina de arruma isso aqui. Eu já estou atrasado pro treino.
Ele pegou a sua camisa no chão e saiu pisando duro da sala. Meus olhos ainda estavam arregalados e a minha respiração descompassada. Ainda não conseguia engolir toda aquela história de só pra manter as aparências. Acabei escorregando as minhas costas pela parede e caindo sentado no chão, minhas mãos ainda tremiam um pouco e eu comecei a me encolher ali mesmo.
Ali não era hora nem lugar pra eu ficar de cu doce com a realidade, então respirei fundo e me levantei, já estava quase tudo pronto, agora só faltava varrer o chão e joga algumas coisas no lixo. Não demorou para eu termina tudo e ser liberado.
Passei o caminho todo pra casa pensando em tudo que ocorreu aquele dia... ‘’ Só pra manter as aparências sabe? Dar uma de Badboy da escola, ser temido pelos nerds e cdfs da escola feito você, não é nada pessoal.’’ Essa frase ecoava na minha cabeça. Ao menos alguém sai ganhando com tudo isso... né?
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