Notas iniciais
Hey, hey (desvia das facas) Então pessoas, eu demorei pois como todos já devem ter percebido é final de ano, pois é, e acabou que foi muito puxado para mim escrever esse capítulo, fora que a beta atrasou uns dias para entregar o capítulo e como se já não bastasse eu havia perdido a folha com todas as ideias que eu havia tido para esse capítulo, então tive que improvisar, não ficou tão bom quanto eu esperava , mas foi o melhor que eu consegui. Boa leitura e até lá embaixo o/

Senti todo sangue deixar a minha face no momento em que ouvi o nome daquele desgraçado. Minhas pernas começaram a tremer levemente, senti minha mão se ensopar de suor, o ar entrou com mais dificuldade e meu coração acelerou as batidas. Aquilo só podia ser uma brincadeira, uma brincadeira de muito mau gosto. Sem duvidas ele havia mandado alguém parecido com ele só para tirar uma com a minha cara.

Respirei o mais fundo que consegui e tentei falar o mais firme que pude pra Heitor:

— Não me interessa quem ele é, mande ele embora, não conheço nenhum Brendon. — Mas infelizmente minha voz saiu mais fraca e tremula do que eu esperava.

Heitor franziu o cenho e entrou no quarto lentamenteEu sabia que se não o convencesse daquilo ele me encheria de perguntas até que eu falasse a verdade. E eu não sou bom sob pressão. Ele se sentou ao meu lado na cama, pousou uma de suas mãos sobre a minha perna e esfregou sua mão como sinal de conforto.

— Tom, o que foi? Você sabe que pode confiar em mim, pode me contar.

— Não é nada, Heitor, apenas esqueça isso, ok?

Eu queria contar pra Heitor o que aquele desgraçado fez comigo, mas sabia que não adiantaria de muita coisa; o pai dele era muito rico e poderoso, o máximo que Heitor poderia fazer era dar umas porradas nele, mas sem dúvida era Heitor quem iria sair na pior se isso acontecesse.

Por fim senti as lágrimas forçarem à sua saída, denunciando como eu estava destruído por dentro. Logo vieram os soluços e a áurea de melancolia que se apoderou de mim. Senti os braços de Heitor rodearem o meu corpo.

Tudo o que eu menos queria era perturbar o pouco de paz que Heitor tinha, mas o que eu poderia fazer se ele era o meu único porto seguro? O único que realmente se importava comigo naquele mundo tão frio e cruel?

— Esse é um daqueles garotos que te machucavam na escola? — ele perguntou passando os dedos por meus cabelos, quando meus soluços diminuíram. Apenas acenei com a cabeça e ele deu um suspiro pesado. — Quer que eu desça lá e dê uma surra nele? Até posso chamar o Gustavo se quiser.

— Não precisa, não adiantaria de muita coisa mesmo, ele só descontaria em mim quando eu fosse pra escola. — falei enxugando os olhos.

— Então, sabe o que eu acho que você deveria fazer? Deveria tomar um banho rápido, colocar a sua melhor roupa e sorriso na cara e mostrar para esse tal de Brendon que você é mais forte do que pensa. Se ele acha que você tem medo dele, levante a cabeça e continue em frente, coisas boas acontecem para pessoas boas, Thomy, então espere pelas suas coisas boas, elas chegarão.

Acabei por sorrir com aquilo, aos olhos dos muitos foi uma coisa bastante boba de se dizer, mas eram essas coisas bobas que Heitor me falava que me ajudavam a seguir sempre em frente. Dei um leve aceno de cabeça e mandei ele me esperar lá em baixo. Só de pensar que me encontraria com aquele traste novamente fazia meu sangue ferver, mas como Heitor acabara de dizer, eu tinha que mostrar que era mais forte do que ele achava que eu era, não daria essa vitória a Brendon. O bastardo poderia levar a pureza do meu corpo, mas jamais deixaria que leve a minha sanidade.

Tomei um banho rápido, coloquei uma calça e uma camisa listrada de mangas compridas, peguei os meus óculos e me dirigi a escada, começando a descê-la, mas parei de frente aos degraus do último lance da mesma. Será que eu realmente era forte o suficiente para aquilo? Será que eu teria a coragem de olhar ele de frente? Engoli em seco e comecei a descer os últimos degraus que davam para a sala.

Me dirigi à cozinha, sendo atraído pelo cheiro da comida caseira, o que fez despertar a fome do meu estomago, que roncou em afirmação. Estava todo mundo sentado à mesa, inclusive ele. Era impossível não reparar no loiro de olhos verdes sentado no canto da mesa, os ombros encolhidos na camisa xadrez; ele conversava e sorria ao lado de Katerrine, como se fosse um velho amigo da família, mas o seu sorriso morreu no momento em que me viu. Brendon adotou uma expressão seria misturada com curiosidade. Me deu vontade de pegar uma faca e me jogar em cima do imbecil.

Me sentei na cadeira oposta à de onde aquele traste estava sentado, do outro lado da mesa; eu até aceitaria aquele maldito almoço para não ter que revelar o que estava marcado em manchas por meu corpo, mas ficaria o mais longe dele, de preferência com um muro nos separando.

Logo a minha mãe começou a colocar os pratos e alimentos em cima da mesa com a ajuda da Morgana. Igor limpava as unhas com a ponta da faca, Katerrine conversava animadamente com Brendon, este que começou a ignorar um pouco ela para ficar me encarando com aquela mesma expressão seria; já Heitor fitava Brendon com um olhar mortal, como se fosse pular em cima dele a qualquer hora. Claro que nem se comparava ao meu olhar mortal, mas o que vale é a intenção.

Logo todos começaram a se servir em silêncio. A fome monstruosa que eu sentia antes agora não passa de uma leve sensação, eu sentia que só de estar no mesmo ambiente que ele a dor em meu coração aumentava, como se ela se expandisse e quisesse ir de encontro a Brendon, mas eu teria que superar aquilo, ao menos por aquela hora, só aquela hora...

— Então Brendon, há quanto tempo você é amigo do meu filho? Ele nunca me falou de nenhum amiguinho, principalmente de um er... tão... elegante como você — minha mãe perguntou com uma voz tão fingida que até mesmo eu não reconheceria.

— Ah, ele nunca falou de mim não? Er... é que a gente nunca se relacionou muito, sabe? — Não sei se mais alguém percebeu a surpresa dele no momento que a minha falou que eu não comentava dele, mas eu percebi.

— Sei, sei, ele é a mesma coisa aqui em casa, não sei como você ainda consegue se relacionar com ele, a gente praticamente tem que forçar o Thomy a falar. — Minha mãe riu um pouco forçadamente, enquanto Brendon apenas deu um sorriso sem graça.

—Isso não é verdade! – se pronunciou Heitor com um pouco de revolta na voz. – Ele conversa comigo e conta tudo para mim. — Deu ênfase à palavra tudo enquanto encarava o loiro com um olhar desafiador.

— Que seja Heitor, ninguém quer saber. Então docinho, você estuda na mesma sala que o Tom? – Continuou minha mãe.

DOCINHO? Como assim docinho? Ela nunca me chamou de docinho pra chamar aquela praga de docinho! Ele não é nada docinho!

— Não, eu sou 1 ano mais velho, estou no 3° ano.

— Oh, jura? E você pretende fazer faculdade?

E assim a conversa de ambos rolou por uns 5 minutos sem parar. Até eu já estava ficando entediado com as perguntas insistentes da minha mãe, então resolvi comer um pouco da comida que estava no prato à minha frente. Tudo aquilo parecia tão irreal que eu poderia jurar que estava sonhando.

Depois de uma longa gargalhada solitária da minha mãe é que ela começou a comer a comida dela; Brendon parecia bastante à vontade a todas as perguntas da minha mãe, parecia até que ele tinha ensaiado as respostas... Mas a principal pergunta naquele momento era por que? Por que aquele infeliz havia ido pra minha casa, comer da minha comida, conversar com a minha família – não que eu me importasse muito com essa última parte – e sem dar nenhuma explicação?

— Agora lembrei de uma vez, quando o Tom era pequeno, dele falando que quando crescesse ia se casar com um príncipe de sorvete — falou a minha mãe em meio a risadinhas.

— Eu lembro desse dia— anunciou Gustavo. —Zoei com a cara dele por 2 messes inteiros.

Até mesmo Heitor tirou a carranca da cara e riu das velhas lembranças, a única que boiou naquela conversa foi a Kat, que havia viajado naquela época.

— Príncipe? — questionou Brendon — De sorvete? Tem alguma preferência para sabor?

—Ca... calem a boca! — Meu rosto estava totalmente vermelho, quanta vergonha! Tinham que lembrar disso justamente com o Willian aqui? Que merda!

Terminei de engolir o último pedaço de carne que estava no meu prato e me levantei apressado, eu que não iria ficar ali pra ser motivo de piadinhas. Logo que levantei ouvi a cadeira do Brendon se arrastar pelo piso, o prato dele também estava vazio e me encarava com uma expressão seria no rosto, e o pior que eu sabia no que tudo aquilo ia dar...

— A comida estava ótima senhora, ah... Scalen.

—Me chame de Rallary por favor, esse sobrenome é por parte de pai do meu filho e eu prefiro que apenas ele use desse sobrenome nessa casa. — A frase saiu tão fria e cheia de rancor que Brendon me olhou quase boquiaberto, e quem não me olharia assim depois daquelas palavras tão frias? A única coisa que eu podia fazer naquele momento era desviar o olhar para bem longe das orbes verdes.

Me dirigi à cozinha para colocar meu prato na pia de lavar com Brendon logo atrás de mim, mesmo com medo do que aquele psicopata poderia fazer eu tinha que encará-lo de frente e ao menos tirar alguma resposta de toda aquela cena que ele fez.

— Então... pode me dizer o que diabos você faz aqui? — Fiz a pergunta que martelava a minha cabeça desde que pisei fora da cama. Não tinha tempo para mimimi, sabia que logo Heitor, do jeito que era, viria atrás da gente para ter certeza que eu estaria bem.

— Que direto... — sussurrou mais pra ele mesmo do que para mim — Eu... só queria saber se você estava bem... fiquei bastante preocupado por você não ter aparecido na escola hoje e... eu sei que o que eu fiz foi algo ruim, mas...

— Mas? Como assim mas? Não existe mais para o que você fez comigo! — falei em um tom um pouco alto, mas logo tentei controlar a minha raiva que parecia trasbordar do meu peito pelas palavras. – Se realmente estiver arrependido de alguma cosia que você fez a mim, é simples: apenas suma da minha vida, Brendon. Suma da face da terra, entendeu? Nunca mais quero ver você na minha vida!

Senti algumas lágrimas trasbordarem pelos cantos dos olhos, mas logo tratei de limpá-las no momento exato em que Heitor havia entrado na cozinha, ele estava ainda mais carrancudo que no almoço: as sobrancelhas inclinadas para a frente, o cenho franzido, eu conseguia ver até mesmo as veias que saltavam do seu pescoço. Aconteceu tão rápido que eu quase não consegui acompanhar.

Heitor se aproximou de Brendon e o segurou sob o ar pelo colarinho da camisa, o imprensou na parede com um olhar de fúria estampado na cara e bufou feito um touro pronto para matar quem aparecesse na sua frente.

— Toque no meu irmão de novo e eu juro por tudo o que Deus criou que eu irei fazer você se arrepender do dia em que nasceu! – Nem mesmo Brendon esperava por aquela e seu olhar esbugalhado provava isso. — Entendeu?

— S... sim.

— Ótimo, então suma daqui e nem pense em voltar, você não é bem vindo aqui.

Brendon se livrou das mãos de Heitor e ajeitou o colarinho da camisa, engoliu em seco e retomou à expressão seria de antes.

— Como quiser. – Foi tudo o que ele disse enquanto encarava os meus olhos que brilhavam pelas lagrimas não derramadas. — Licença.

Ele saiu da cozinha e deu uma desculpa esfarrapada para a minha mãe, que estava atrasada para um compromisso familiar. Heitor viu o meu estado frágil e me abraçou com força, como se aquele abraço pudesse me proteger de todo o mal que o mundo oferece.

E quem me dera que realmente aquilo pudesse me proteger de todo o mal que já senti na pele e os que estariam por vir...

Notas finais
Yo, então gostaram? Não teve tanta treta como eu esperava, mas como eu já havia dito tive que improvisar. Então, o que vocês acham que deve acontecer? O Brendon está tentando mesmo se redimir com o fragilizado Thomy? O que será que Heitor faria se descobrisse o que realmente aconteceu? Tudo isso e muito mais só aqui na Desin.... (tapa na cara) ok, parei com as propagandas kkk E fiquem felizes em saber que o próximo capítulo já esta em andamento :3