Dishonored
1 Capítulo 1 - De volta em casa
Notas iniciais
Estava cansado, tinha acabado de chegar às redondezas de Newcastle, depois de ter passado dois meses fora, estava voltando para casa. Sou o guarda-costas de confiança da imperatriz e não estava acostumado a passar muito tempo longe, mas era necessário, eu era um dos melhores homens do país e não estava sendo fácil. Estamos lidando com uma peste que possivelmente não tem cura, por isso fui mandado para pedir ajuda das cidades vizinhas, mas foi em vão.
O barco era úmido e cheio de ratos, a madeira já estava apodrecendo de tanto mofo. Cenas assim são comuns no nosso dia-a-dia desde de que a praga chegou. Já dava para avistar Newcastle, mal podia aguentar a ansiedade de rever a Imperatriz e Emily sua filha. Eu protegia a Imperatriz mas às vezes tomava conta de Emily. Emily Kaldwin era a legítima herdeira de sua mãe Elizabeth, seu pai havia morrido por causa da peste. Ela era linda, com longos cabelos castanho escuros, seus olhos eram negros e muito bonitos.
Desembarcamos no cais, estava vazio, Newcastle estava em um estado crítico. As pessoas não saíam mais de suas casas de tanto tinham medo. A Comida e a água estão escassas, por isso somente os ricos estavam se mantendo vivos, ainda que com dificuldade. Havia ratos em todos os lugares e agora, eles estavam mais fortes.
A peste é uma doença que quando somos infectados nosso sistema nervoso é atacado, mas por alguma razão os ratos não são afetados, mas pelo contrário, eles ficam mais fortes e agressivos. E quando em bando são capazes de matar um homem adulto.
Já estávamos nos aproximando do palácio e os guardas já estavam se reunindo perto de nós, muitos deles me cumprimentaram mas eu não estava com humor para isso. Chegamos no palácio e dava para notar que a peste começou a afetá-lo. Antigamente ele era branco, bonito com várias pessoas alegres sempre indo e vindo, os funcionários trabalhavam com o sorriso no rosto e o trabalho era sempre bem feito, mas agora, ele está perdendo a cor, está cheio de rachaduras e cada dia que passa fica cada vez mais difícil de mantê-lo limpo.
Mal entrei no palácio e Cornow o general militar já veio falar comigo.
- Will! – Gritou Cornow quando dei o primeiro passo dentro do palácio. — Estávamos te esperando daqui a dois dias, – Ele falou coçando a cabeça ligeiramente. – mas pelo visto se adiantou... – Ele falou dando um sorriso de lado.
- Hum... – Falei como se estivesse interessado, entretanto, sem saber se aquilo fora um elogio ou não. — Obrigado Cornow, mas tenho que falar com Elizabeth. – Afirmei. — Sabe onde ela está? – Perguntei um tanto aflito.
- Está na sala dela. – Ele falou um pouco desapontado. — Depois venha me visitar... Temos que muito pra conversar. – Ele disse em um tom mais sério.
Concordei com a cabeça e fui para a sala de Elizabeth, A sala era grande e bonita. Decorada com quadros e com uma grande janela atrás da cadeira de Elizabeth fazendo com que ela ficasse de frente para a porta e a luz batesse em suas costas, a janela dava uma ótima vista para o jardim e os telhados das casas vizinhas.
-Will! – Disse Elizabeth ao me ver entrar. Ela ficou feliz em me ver. — Não esperava que você voltasse tão depressa... – Ela afirmou mudando um pouco seu humor. — Conseguiu a ajuda de que precisamos? – Ela disse em um tom preocupado.
Antes de responder entreguei meu relatório a ela, não conseguiria dá-la uma notícia ruim. Ela abriu o envelope e leu-o com calma, de acordo com o que lia seu rosto ficava cada vez mais sério, mas antes de terminar a ler de repente Emily entra na sala.
- Will! – Disse Emily alegre ao me ver. — Que saudades que eu estava de você – Ela terminou me abraçando forte.
- Emily. – Disse Elizabeth friamente. — Sabe que não gosto que me interrompa enquanto trabalho. Ainda mais agora que Will acaba de chegar. – Elizabeth explicou com seriedade.
- Desculpe mãe. – Emily pediu. — Mas é que já faz dois meses que não o vejo e quando fiquei sabendo que ele havia chegado... – Ela desviou o olhar para a janela. Como se estivesse viajando. Algo aconteceu. Em um momento ela estava sorridente. Em outro ela estava assustada e até um pouco perplexa. — Espera aí... – Ela disse calmamente. — O que aquele homem está fazendo no telhado? – Emily disse aumentando o tom de voz.
Mas era tarde demais. Um grupo de homens com roupas pretas que usavam máscaras entraram pela janela e começaram a atacar. Eu saquei minha espada na mão direita e o revólver na esquerda e corri pra cima de um dos invasores. Dei-lhe um tiro na cabeça e o mesmo caiu duro no chão. Entretanto, havia mais deles e antes que eu pudesse reagir senti uma fisgada no pescoço. A sensação era como se uma abelha tivesse me picado. Quando tirei era uma agulha com um líquido vermelho saindo dela. Meu corpo estava ficando pesado, não conseguia me mexer por mais que tentasse, não cheguei a desmaiar, mas fui obrigado a assistir pior cena que poderia imaginar.
Um dos homens de preto esfaqueou a imperatriz enquanto o outro pegou Emily e a levou para fora. Quando o efeito começou a passar eles já estavam longe, mas tinha uma coisa que não saía da minha cabeça “Onde estavam os guardas?”.
Quando voltei ao normal os guardas entravam na sala com as armas empunhadas. Havia cinco guardas e entre eles estava Cornow.
- Como você foi capaz disso Will? – perguntou Cornow.
Já ia perguntar sobre o que ele estava falando, quando percebi. Eu estava de pé ao lado de Elizabeth morta. Eles achavam que eu havia matado Elizabeth. Tentei explicar a eles mas não havia a menor possibilidade deles acreditarem, a prova estava ali na frente deles, não tinha como eu escapar dessa. Fui levado para a prisão de Coldridge e lá, eles me interrogaram.
Eles me colocaram em uma cadeira e começaram a me torturar, tentando me fazer assinar um papel onde seria minha confissão de que eu matei Elizabeth. Perdi a noção do tempo depois da primeira hora de tortura, aquilo parecia eterno. Eu desmaiava, esperavam eu acordar para começarem de novo.
-Will, você está tornando as coisas mais complicadas do que realmente são. – Cornow falou revirando os olhos. — A imperatriz está morta e Emily está escondida muito longe daqui e ninguém vai saber a verdade. – Ele afirmou. — Você tornou as coisas bem mais fáceis quando chegou mais cedo. Agora temos alguém a quem culpar. – Ele disse soltando um risinho. — De qualquer forma você será executado amanhã, então... Vai querer assinar o papel e acabar logo com isso? – Terminou impaciente.
Eu não estava em condições de responder, nem sequer me mexi, mas agora sabia o que realmente tinha acontecido. Emily era a única herdeira do trono e agora que foi raptada Cornow vai ser o novo regente. Ele estaria no poder e faria o que quisesse.
- Ok, você venceu. – Cornow cedeu. — Vamos lhe dar um tempo para pensar. – Ele disse pra mim. — O coloque de volta na cela. – Gritou para o guarda — Nos vemos mais tarde Will. – Finalizou saindo de perto de mim.
Levaram-me para uma cela imunda cheia de ratos. Ela era úmida, tinha um colchão que serviria facilmente de cama e um vaso para fazer minhas necessidades. Depois de meia hora de descanso um guarda aparece na porta da cela e diz:
- É melhor comer Will. – Um guarda falou depois de meia hora de descanso. — Isso veio de um amigo. – explicou colocando um prato de comida no chão da cela.
Eu fui direto pegar o que tinha, nem vi o que era e já estava comendo. Não me lembrava da última vez em que havia comido, mas quando mastiguei pela primeira vez senti algo muito duro e com gosto de ferro junto com a comida, tirei da boca para ver o que era e quase dei um grito. Eram duas chaves. Mas... o que elas abriam? Comecei a investigar a bandeja e achei uma carta. Onde estava escrito:
Quem somos é irrelevante agora.
Saiba apenas que temos fé em você.
Aqui está a chave de sua cela.
Uma vez que estiver fora vá até a sala do interrogatório.
Lá vai ter um cofre com uma bomba relógio.
Coloque a bomba no portão da ponte e quando ela explodir se jogue no rio e se perca nos esgotos.
Lá você achará alguns equipamentos úteis que deixamos lá.
Boa sorte. Nós precisamos de você vivo para o que estar por vir.
- Um amigo
No início pensei que pudesse ser algum tipo de armadilha de Cornow, mas não encontrei nenhuma razão para ele estar fazendo isso. Peguei a chave da cela e como dizia na carta rodou sem nenhuma resistência. Mesmo sendo ótimo em espionagem, não seria fácil sair sem que ninguém me visse, ainda mais que eu estava sem equipamento. Mas quando parei para observar vi que em cima da mesa tinha uma pistola, peguei-a mas quando fui conferir ela só tinha uma bala. Mesmo assim guardei-a e segui em frente.
Não foi muito difícil passar pelos guardas, na verdade eles não estavam muito atentos. Acho que por estarem numa prisão de segurança máxima achavam que não havia como fugir. O que mais dificultou foi a localização, o lugar era enorme e eu nunca havia estado ali, mas, depois de umas duas horas procurando finalmente achei a sala.
A sala era a mesma na qual eu tinha sido torturado, senti um calafrio, não gostava daquele lugar, vi ferramentas nas quais não fazia ideia pra quê que serviam, mas com certeza não era pra boa coisa. Procurei o tal cofre e não demorei a encontrar, abri-o com outra chave que estava na comida e peguei a bomba. Seria mais difícil agora carregando isso. No trajeto, em apenas um momento, dois guardas vieram em minha direção. Felizmente havia uma pilastra na qual pude me esconder. Finalmente, consegui chegar ao meu destino.
Posicionei a bomba no lugar certo e marquei para dez segundos, sai correndo e me escondi atrás de um latão de lixo. Quando a bomba explodiu fiquei desorientado, não sabia pra onde tinha que ir. A explosão fora mais forte do que eu tinha planejado. Concentrei-me. Corri para o buraco feito na parede e pulei no rio. Antes de cair ouvi várias pessoas gritando e o alarme tocando, tinha que ser rápido.
Caí no rio e gritei de dor. A água estava muita gelada. Nadei o mais rápido que podia em direção aos esgotos, ouvindo balas e tiros passando raspando por mim e perdendo o impulso na água. Finalmente cheguei nos esgotos e vi um papel amarrado em um cano. Nele estava escrito:
Will,
Se você está lendo isso é porque nosso plano funcionou e você está livre de Coldridge.
Um dos nossos contatos escondeu armas para você encontrar no fundo dos esgotos.
Pegue o equipamento e encontre Meg, ela o ajudará a sair daqui.
Depois de ler isso fiquei aliviado, realmente eles queriam me ajudar, mas ainda sim fiquei pensando “Por que eles queriam me ajudar?”.
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