Dishonored
2 Capítulo 2 - Minha Salvadora
O cheiro dos esgotos era quase insuportável, olhei a minha volta e vi um corpo em decomposição, devia tomar cuidado. Se ele estava ali é porque havia sido atacado por ratos. Só havia um caminho no qual eu podia seguir, um túnel bem estreito com canos passando por toda parte. O lugar era quente e úmido, já estava encharcado novamente, sentia o suor gelado escorrendo pelo meu corpo.
Um guarda poderia aparecer a qualquer momento.
- Você realmente acha que ele está aqui? – Perguntou uma voz masculina depois de eu ter adentrado um pouco mais o túnel. – É difícil ele ainda ter sobrevivido com todos aqueles tiros.
- Não tenho certeza, mas tome cuidado mesmo assim, se ele foi capaz de matar a imperatriz, não seria difícil para ele te matar. – Falou o outro guarda, deu para notar que estava um tanto nervoso quando disse.
As vozes estavam ficando cada vez mais altas. Eles estavam se aproximando cada vez mais, tinha de sair dali. Olhei para cima e vi uma grade onde poderia me segurar e me despistar dos guardas, mas quando fui me apoiar, não consegui segurar o grito. A grade estava quente, muito quente, eu tinha me esquecido que os guardas queimavam os corpos dos prisioneiros executados, e devia estar perto das caldeiras.
Mesmo assim os guardas estavam se aproximando rapidamente, eles devem ter me ouvido gritar quando me queimei. Mesmo assim subi usando somente os pés, senti minha sola queimar, mas consegui subir a tempo. Bem próximo de onde estava ouvi gritos. Gritos terríveis. Gritos de dor. Não consegui distinguir quem ou o que estava gritando. Mas quando criei coragem de descer e ver o que era, entrei em desespero, os guardas estavam sendo comidos vivos por ratos contaminados.
Aproveitei a distração e segui meu caminho, não tive problemas mais para frente. Depois de aproximadamente meia hora caminhando encontrei uma caixa estranha, era metálica e um pouco resistente, logo depois eu percebi que se tratava de um cofre. Me lembrei do bilhete deixado na entrada dos esgotos que falava que eles deixaram um equipamento para eu encontrar. Mas eu não tinha a chave, vasculhei em todo local mas não encontrei em lugar nenhum. Tive a impressão de que eles tinham esquecido desse detalhe.
Tive uma ideia. Seria arriscado, mas valeria a pena tentar. Eu ainda tinha uma bala na minha pistola, poderia destruir a tranca, mas isso faria muito barulho e se viesse algum guarda eu estaria desarmado. Contudo, minhas habilidades na luta corpo a corpo não eram de se jogar fora. Tentei abrir o cofre com as chaves que tinha recebido, mas nenhuma delas funcionou. Não havia outra opção, tinha de atirar. Me afastei um pouco e dei um tiro preciso, consegui quebrar a tranca e abri o cofre.
“Quando eles disseram que o equipamento seria útil eles não estavam brincando.” Falei para mim mesmo. No cofre havia uma besta com algumas flecha de munição, também tinha uma máscara, ela era feita com uma tecnologia na qual nunca tinha visto. Quando peguei-a um papel caiu de dentro dela, nele estava escrito:
Will,
Você é um homem procurado.
Logo, todos na cidade conhecem teu rosto.
Entretanto, essa máscara trará terror a eles.
Essa não é uma máscara qualquer.
É uma máscara de assassino.
Assim, ela foi feita de uma maneira diferente.
Você perceberá que ela possui um sistema de zoom colocado na lente.
Isso facilitará que você veja seus inimigos.
Nos veremos em breve,
-Meg
Quando peguei a máscara fiquei impressionado, ela era extremamente leve, coloquei-a no rosto e percebi que ela não atrapalhava nem um pouco a visão e realmente ela tinha um sistema de zoom impressionante. No cofre havia também munição para minha pistola, seis balas ao todo.
Fechei o cofre e atravessei o percurso bem mais confiante, a máscara não incomodava nem um pouco, nem parecia que eu a usava. Depois de um tempo encontrei mais um guarda, mas desta vez eu estava preparado, peguei a besta e dei um tiro, a flecha acertou ele bem na garganta, sem tempo de reação ele caiu morto no chão. Andei mais um pouco e já podia ver a saída.
Os esgotos davam numa praia onde todo o líquido era jogado no mar, reparei que tinha uma mulher a minha espera. Ela era loira com os cabelos um pouco abaixo dos ombros.
-Will – Disse a mulher calmamente olhando para mim. Ela possuía lindos olhos azuis. – Me chamo Meg. Sua nova parceira. –Terminou com um sorriso enigmático.
- Minha nova parceira? – Eu pergunto não sabendo do que ela estava falando.
- Sim Will – Responde Meg calmamente. – Eu trabalho para os “Dukes”, uma aliança de assassinos fundada pela imperatriz Elizabeth com o objetivo de eliminar aqueles que se opõem ao Império.
- Mas por que eu não sabia disso? – Perguntei intrigado, já que era muito próximo de Elizabeth.
- Elizabeth criou a Aliança logo depois que você saiu, ela estava preocupada tanto com a própria segurança quanto com a de Emily. – Respondeu Meg tranquilamente. – Ela estava planejando te contar hoje, — Ela fez uma pausa. – mas depois desse incidente não foi possível.
“Cornow não contava com sua fuga, ele tinha certeza de que você seria eliminado. Mas agora ele irá caçá-lo e matá-lo antes você que possa provar que é inocente. Foi por isso que lhe demos essa máscara ela o tornará irreconhecível, portanto, dificultará que Cornow ou um de seus capangas o ache. Os Dukes agora estão se focando em duas coisa: a primeira é em mantê-lo seguro, e a segunda, é descobrir a localização de Emily e resgatá-la. O resgatamos Will por um único motivo, queremos você entre os Dukes, então topa?”
Depois de ouvir aquilo fiquei inquieto, principalmente quando ouvi a parte de “vamos mantê-lo seguro...”, eu era o guarda-costas imperial, não precisava de homens babando nas minhas costas. Mas também havia o fato de que eu não tinha dado conta de manter Elizabeth e Emily seguras. Eu falhei. Fiquei com um aperto no coração, senti lágrimas escorrendo do meu rosto. Estava com raiva e a única coisa que me vinha na cabeça agora era: VINGANÇA.
Não importa como eu irei resgatar Emily e vingar a morte de Elizabeth, e sem pensar duas vezes disse:
- Tô dentro.
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