Disgusting
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Nathan abriu os olhos enquanto sentia o seu corpo encolhido, embalado por dois braços fortes e reconfortantes, ser balançado levemente pelos passos firmes de quem o transportava. Choramingou levemente quando sentiu os seus braços arderem pelos golpes que se autoinfligiu e sentiu os braços que o entornavam ficarem tensos levemente e ser gentilmente abraçado para mais perto daquele peito quente, foi nesse momento que reparou que corpo estava envolvido numa manta que tapava as suas marcas terríveis, uma pequena onda de alívio o preencheu. Virou a face e enterrou o nariz naquele pescoço com uma tão doce fragância que só podia pertencer a Dimitri.
– Shhh… Tudo vai ficar bem, estamos quase no seu quarto. – a voz de cascalho sussurrou contra a sua orelha.
O pequeno lobo assentiu e inspirou profundamente, procurando no aroma do incubo a calma que necessitava, abrindo levemente os olhos reparou que o corredor atrás deles estava vazio, o que estranhou, pois, mesmo não se lembrando ao certo das circunstâncias, Scott parecia extremamente preocupado antes de sair à procura de ajuda, o que o levava a pensar que o loiro o iria perseguir até ter certeza de que Nathan estava bem.
– Scott estava muito preocupado consigo. – Dimitri comentou como se tivesse lido os pensamentos de Nathan – Mas Layton convenceu-o a esperar até amanhã para o encher de perguntas, achámos que seria melhor se não tivesse muito mundo na sua volta e pudesse simplesmente descansar um pouco… — o maior divagava, se estava tentando distrair o menor ou a si mesmo era uma boa questão.
Nathan acenou contra o pescoço do seu companheiro. Companheiro… era isso que o seu lobo sussurrava na sua mente sempre que o outro homem chegava perto de Nathan, então… Porque razão não se entregava simplesmente a Dimitri? Oswald. A sua consciência murmurava, o que fazia Nathan franzir o cenho e bater o pé mentalmente. Tinha ouvido as histórias da sua mãe sobre companheiros, tinha até visto Layton e Scott juntos! Porque razão deixava um fantasma sugar a sua felicidade quando a tinha bem na sua frente? Albert. A maldita voz voltou a responder e desta vez Nathan não sabia o que fazer… Oswald estava morto, não lhe podia fazer nada, mas Albert estava bem vivo, e com intenção de fazer Nathan se contorcer numa maneira nada feliz… Sentia ciúme e sentia medo… Não queria mais ninguém a alegar Dimitri como seu para além de si mesmo, mas, mesmo assim, Nathan ouviu a malicia por trás das ameaças de Albert e sentia um medo já conhecido começar a se levantar e agitar o fundo do seu ser.
O pequeno apertou os olhos fechados e esfregou o nariz no pescoço de Dimitri, tentando esquecer tais pensamentos e mergulhar-se no aroma do maior.
– Tenha calma pequeno. — Dimitri sussurrou no seu cabelo — Eu vou protegê — lo.
Nathan acenou contra o pescoço do íncubo e quando ouviu uma porta fechar e o clique da serradura, indicando que esta mesma estava trancada, mas foi só quando sentiu a maciez do colchão contra o seu pequeno corpo que percebeu que tinham chegado no seu quarto. O pânico começou a crescer quando sentiu os braços de Dimitri o largarem e o corpo quente se afastar, Nathan não podia ficar sozinho!
– Por favor... — pediu com a voz áspera e a mão com um aperto de ferro em torno do braço de Dimitri — Não me deixe agora. Ele trouxe Oswald de volta... — sussurrou sem força.
Uma mão quente agarrou a pequena de Nathan e puxou-a do braço de Dimitri. O pequeno sentiu o seu coração apertar, o seu corpo tremer, e as lágrimas fazerem os seus olhos queimar com a sensação de abandono e rejeição, quis gritar quando sentiu o calor de Dimitri se afastar, mas logo sentiu a cama se mexer e um peito quente contra as suas costas, enquanto dois braços o envolviam puxando-o para mais perto do corpo quente.
– Eu nunca o irei deixar, pequeno, vou estar sempre do seu lado e mais nada o poderá machucar. — Nathan sentiu as palavras serem sussurradas na sua nuca, num suspiro, como se Dimitri as dissesse unicamente ao pequeno e não quisesse que mais ninguém as ouvisse.
Nathan conseguia sentir a respiração quente de Dimitri na sua nuca, e ouvia as palavras doces de conforto, sentia uma vaga de calor descer pelas suas costas até aos seus pés e inundar todo o seu corpo, o relaxando e aquecendo, parando o tremor.
O pequeno virou-se e enfrentou os olhos verdes do íncubo, vendo as emoções nadarem naquele verde musgo tão bonito. Levantou a mão e tocou levemente na bochecha de Dimitri.
– Obrigado... — sussurrou sem voz.
Dimitri sorriu e tocou na mão que estava sobre o seu rosto.
– Quer falar sobre isso, o que aconteceu? Talvez o possa ajudar... — Os seus olhos encheram-se de preocupação.
Nathan abriu a boca e voltou a fechar, não sabia o que dizer. Se contasse o que aconteceu, teria de explicar tudo o que Oswald lhe fez... Nathan não sabia se estava pronto para isso... Balançou a cabeça. Não, se Dimitri era seu companheiro e o pequeno sentimento que começava a aparecer no seu coração era o que pensava, Dimitri merecia saber!
Tirou a sua mão de debaixo da do outro se sentou na cama de costas para o maior e deixou o cobertor que o cobria escorregar pelos seus ombros.
A primeira coisa em que Dimitri reparou foi em como a pele de tonalidade leitosa de Nathan ficava bela sob a luz do Sol que se punha, e sentiu a sua boca se encher de água, junto da vontade de provar aquela pele. Mas, foi então que reparou em finas linhas mais claras que cobriam toda a extensão daquela doce pele, maculando a beleza, de outra forma inocente, do seu pequeno. Sentiu o seu estômago apertar e um sentimento de raiva e sede de vingança se espalhar pelo seu corpo, levantou a mão lentamente e sentiu o corpo de Nathan tremer ao seu toque.
– Ele… Oswald… já sabe o que ele me fazia… — Nathan começou a falar tremulamente.
– Não tem de falar nada se não quiser, pequeno. — Dimitri tentou confortar o pequeno, sentindo a sua relutância em falar, mas o pequeno abanou a cabeça em negação e passou a falar com mais confiança.
– Sabe, no inicio, quando a mamãe o encontrou ele nem era mau. Eu ainda não tinha nascido nessa altura, mas eu me lembro que quando tinha 3 anos, ele brincava comigo, trazia doces e brinquedos para mim, comprava presentes para a minha mamãe e era o " companheiro " de que a minha mamãe falava nas suas histórias de dormir. — sorriu, se lembrando de quando eram todos uma família feliz — Mas os anos foram passando, ele começou por deixar de brincar, não dava tanto carinho à mamãe, era mais frio, a olhava estranho e com certa repulsa. — o seu sorriso diminuiu, tornando-se num meio-sorriso triste — Ele começou a lhe bater e chamar de cadela, dizia que não sabia porque razão chegou a ir para a cama durante tantos anos com ela, porque nos deixava estar na sua casa, porque nos tolerava. Acabou por chegar o dia em que ele lhe começou a bater, a arrastava pela casa, já não podia dizer que fazia amor com ela, ele abusava dela, em qualquer lugar da casa, a chamava de nomes, dizia que não a amava… Foi quando… uma noite, depois de eu ter feito 8 anos, que ele entrou no meu quarto. — sorriu amargamente — Naquela tarde, a mamãe tinha chegado em casa um pouco antes dele, estávamos os dois na sala assistindo desenhos animados quando ele chegou e bateu com a porta, tinha uma coisa nos seus olhos, um sentimento que nunca lá tinha estado antes, era como se nos odiasse verdadeiramente, mamãe me empurrou no meu quarto e disse para não sair por razão nenhuma, para tapar as orelhas e tentar dormir, que ela viria me acordar na manhã como sempre… Durante o resto da tarde e da noite, ouvi a mamãe gritar e implorar, coisas se partirem… Acredite, quando ele abriu a porta do quarto eu estava debaixo da cama a chorar! — riu sem vontade — Então ele agarrou no meu braço e me puxou para fora do meu esconderijo, disse que achava que já que estava na sua casa lhe devia pagar, e como era uma boneca tão linda a melhor maneira de o fazer seria, claro, por via do sexo. Eu tinha 8 anos! Nunca tinha dado um beijo, não sabia o que era o amor, só podia sonhar em encontrar aquela pessoa de a mamãe falava nas suas histórias de companheiros para a vida… Disse que não, claro que disse, ouvia a mamãe chorar quando eles faziam esse tal "sexo", eu não me queria magoar, mas então ele me agarrou e arrastou para a sala… — os cantos da sua boca tremeram e lutou contra as lágrimas — Mamãe estava no chão, o seu braço… tinha… estava partido num ângulo estranho e eu não entendia o porquê, o seu corpo estava cheio de manchas. Ele sorriu para mim e agarrou os cabelos da mamãe levantando o seu corpo, disse que estava cansado de brincar sempre com o mesmo brinquedo e olhou-me inocentemente e perguntou "Não vê que está quebrada? ", enquanto a abanava " Tem de a substituir! ". Tive a reação que qualquer criança de 8 anos teria vendo a sua mãe assim. Chorei. Ele veio atrás de mim e eu fugi. Ele disse que se eu não queria ajudar a minha mamãe a pagar pelo nosso lugar naquela casa, que então ela teria que pagar pelos dois, se virando e a chutando no ventre enquanto baixava as calças. Eu não sabia o que fazer! — a sua voz ganhou um tom histérico — A mamãe começou a gritar e ele começou a enfiar o seu pênis dentro dela, a sufocando, lhe batendo… Eu… Implorei… Era por minha culpa que mamãe estava sofrendo mais, depois de tantas horas de sofrimento… Eu… Eu pedi a Oswald para me usar, para a deixar… Implorei, regateei, fiz promessas, só queria que ele deixasse a mamãe! E então… Ele parou. Me agarrou e levou para o meu quarto. Disse que sabia que era a minha primeira vez e seria gentil. Mas… Ele não foi… me usou. Levou-me de todas as formas possíveis e imaginárias. Eu gritei até perder a voz, implorei que parasse, mas ele sempre dizia que usaria a "cadela" no meu lugar, e eu me calava… Não queria que ele machucasse a mamãe… O dia seguinte chegou, ele saiu do quarto, deixado o meu corpo jogado sobre a cama, coberto por toda a sujidade que ele jogou em cima de mim, reparei que a mamãe não veio naquela manhã… Ela ficou na sala se curando. — A sua voz ganhou um tom monótono — Isso se repetiu no mês seguinte, e no que vinha a seguir, primeiro era todo o mês, depois toda a semana, até que foi quase todos os dias, ele disse que a culpa era minha, eu era muito belo, os meus olhos ametistas " pediam para serem fudidos "… Um dia… quando já tinha desistido de lutar, quando achei que não valia a pena viver naquele pesadelo, esqueci a mamãe, pensei só no meu sofrimento e que um garoto de 11 anos não devia passar por aquilo, tentei me matar, sabe? Cortei os meus pulsos, esqueci que me ia curar rápido por ser um shifter! Oswald chegou e me encontrou cheio de sangue… A primeira coisa que disse foi que o vermelho ficava bem em mim. Depois disse que se me encontrasse morto, a mamãe se juntaria a mim do outro lado depois de uma morte lenta e dolorosa. Perdi a vontade de morrer. Por fim, disse que como parecia que eu tinha desejo de morte e gostava de ver vermelho na minha pele, ele ia juntar o útil ao agradável. Na noite seguinte ele chegou em casa com um frasco de prata em pó e uma faca. Nessa mesma noite começou a explorar o seu novo desejo, cortou o meu corpo enquanto me estuprava, deitando prata em alguns dos cortes para continuarem a sangrar. Foi desde aí que me transformou no seu parque de diversões pessoal por completo e começou a me cobrir de teias de cortes, marcando o meu corpo como seu, cortando até ao fundo do meu ser com a sua lâmina, até não deixar nada de mim para alguém pegar além dos pequenos pedaços que ele cortou e deixou para trás… — Concluiu o seu discurso com lágrimas a descerem pelas suas faces.
Dimitri olhou para as profundezas dos olhos ametistas e sentiu uma onda de infelicidade abater-se sobre si, e aquela vontade de matar o homem que fizera o seu companheiro sofrer tanto voltar. Ele não permitiria que mais nada acontecesse ao seu doce Nathan.
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