Disgusting
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Nathan ainda estava na sua forma de lobo quando acordou na outra manhã, sentia-se envolto em braços quentes e acolhedores e o apertavam contra um peito largo, inspirando profundamente, sentiu aquela fragância doce que pertencia a Dimitri.
Na sua forma animal, aquele puxão que o atraía para Dimitri tornava-se mais forte, o seu lobo implorava que o incubo o reivindicasse e afirmasse como seu e o seu corpo formigava na necessidade de ser tocado e amado.
Esfregando o focinho no peito de Dimitri, Nathan esticou-se, tirando a cabeça de debaixo das cobertas, olhando para o rosto bonito do outro deu uma lambida na sua bochecha, tentando que o maior acordasse.
Quando Dimitri continuou dormindo, franziu o nariz e esfregou a mão na bochecha molhada, o lobinho revirou os olhos e, bufando, deu uma mordidinha no nariz do incubo, lambendo logo de seguida. Desta vez, o maior gemeu levemente e as suas pálpebras tremularam.
— Não me lamba… Isso faz cocegas… — sussurrou ainda meio a dormir.
Com essas palavras, o lobinho saiu dos braços do maior, sentando-se na sua frente com a cabeça tombada em curiosidade, então os seus olhos escureceram enquanto as suas orelhas começaram a vibrar e a sua cauda a abanar levemente.
—Hum? – Dimitri abriu os olhos e observou o lobo com curiosidade.
Nathan agachou-se enquanto deixava a sua língua de fora e saltava sobre o incubo, começando a lamber sem parar a face do maior que rebentou em risadas.
—Não! Pare com isso! – Dimitri ria — Nathan! Eu juro que me vou vingar de você! – ameaçava entre risos.
Nathan parou de lamber Dimitri e olhou nos seus olhos bufando, como se as ameaças do outro não tivessem valor nenhum e voltou a lamber o maior que ria até ficar sem ar.
— Eu me rendo! Nathan! Faço o que quiser, mas por favor, pare! – gritou no meio das risadas.
O menor parou repentinamente, deixando que a sua forma humana aparecesse, olhou seriamente para Dimitri que ofegava com as bochechas totalmente vermelhas, e não aguentando mais, começou a rir loucamente, balbuciando coisas como “São só lambidas”e “Está todo vermelho!”
Dimitri não resistiu à risada contagiante de Nathan e acabou por voltar a rir com o pequeno em cima de si.
— Bom dia, Dimitri. – Nathan sussurrou suavemente com a cabeça apoiada no peito do maior quando as risadas tiveram o seu fim.
Dimitri inspirou o cheiro de canela pertencente a Nathan, e sorriu afagando os fios sedosos do pequeno.
— Hum, bom dia, pequeno. – Dimitri murmurou distraidamente, olhando para as profundezas ametistas de Nathan.
Quando Dimitri terminou de falar, o ar em volta dos dois pareceu vibrar com eletricidade enquanto os dois se perdiam no olhar um do outro, as suas respirações desaceleraram e igualizaram. Um segundo pareceu durar uma hora, enquanto as suas faces se aproximavam, até que os seus narizes se tocavam e as suas respirações se misturaram, Nathan suspirou tremulamente e deixou as suas pálpebras tombarem.
—Nath… — Dimitri sussurrou num suspiro, com os lábios à distância de uma respiração.
Nesse momento, Dimitri fechou os olhos, quando a porta do quarto foi abruptamente aberta.
— Bom dia! – uma voz alegre gritou – O Sol brilha! Os pássaros contam na rua! E o Lay deixo-me levar o Nathan para a piscina coberta!
— Scott… — Dimitri gemeu em desgosto, quando Nathan se afastou rapidamente, com as faces totalmente rubras.
Scott olhou curiosamente do incubo para o lobo, e repetiu o gesto ao contrário, até que compreensão iluminou os seus olhos e um sorriso malvado apareceu nos seus lábios.
—Oh Lay… -riu para o seu companheiro em pensamento. – Hum… me desculpe se interrompi qualquer coisa… — disse inocentemente, mordendo a bochecha para não rir – Mas… Lay queria que comêssemos todos em família… — continuou com olhos de cachorrinho.
— Scott! Não faça isso! –Layton repreendeu-o pelo vinculo que os ligava, acabando por rir quando o companheiro lhe mostrou a língua mentalmente.
Nathan abanou a cabeça repetidamente e saltou da cama, enquanto o vermelho das suas faces se intensificava, correu para o lado de Scott e abraçou-o rapidamente, dando um olhar de canto para Dimitri que o observava silenciosamente, e vez ou outra lançava olhares portadores de certo ódio na direção de Scott.
— N-não interrompeu nada… — assegurou a Scott – B-bom dia. – cumprimentou timidamente.
O loiro observou momentaneamente o menor, até que soltou um sonoro “Awn” e abraçou fortemente o pequeno esfregando a sua bochecha.
—Nathan! Você é tão fofo quando está corado! – guinchou alegremente.
— Não sou nada! – Nathan bufou, querendo rir da idiotice do outro – Você falou de comida… — tentou desviar a atenção do loiro da sua “fofura”.
— Sim, é verdade! – Scott largou Nathan instantaneamente – Temos de ir comer! – deu saltinhos.
Nathan negou com a cabeça, e começou a seguir atrás do loiro, que já ia no meio do caminho para a sala, quando virou a cabeça para trás, e lançou um sorriso tímido para Dimitri, que se levantava da cama, se Scott não tivesse entrado naquele momento, Nathan teria sido beijado por aquele homem quente e cheiroso…
— Se apresse Nathan! – Scott chamou-o, arrancando-o dos seus pensamentos.
O lobinho suspirou e correu atrás do loiro em direção ao salão onde haviam comido no dia anterior sorrindo levemente ao pai que estava sentado na cadeira que se situava na cabeça da grande mesa.
—Bom dia. – murmurou sentando-se no seu lugar ao lado de Layton.
— Bom dia pequeno! – Layton exclamou sorridente, naquela manhã fora acordado por um Scott excitado que o deixou a sentir-se de novo um jovem de 16 anos.
— Mesmo que para um imortal, ter 650 anos não seja ser velho…— Scott comentou ironicamente em pensamentos, sendo respondido com um revirar de olhos irónico seguido de uma onda de amos e carinho que o fez sorrir.
— Hum, hum – o loiro limpou a garganta enquanto tentava recuperar o foco – Sabe o que tem para o café da manhã, Nathan? – questionou com os olhos brilhantes de diversão.
— O quê? – Nathan perguntou curioso no momento em que Dimitri entrava no salão.
— Panquecas com frutas e… — suspendeu a respiração deixando o suspense no ar. – Chocolate! – exclamou, lembrando-se da ultima refeição em família.
— Hum… — Nathan gemeu em prazer com os olhos a brilhar.
Logo que Dimitri ouviu o gemido vindo dos lábios do pequeno lobo e assistiu às pequenas ametistas a brilharem na menção do chocolate adorado pelo lobinho, o incubo não teve outra opção senão inspirar profundamente numa tentativa de se aclamar e seguir para o seu lugar na mesa, onde ficou a adorar o pequeno na sua frente por toda a refeição.
Quando a refeição se deu por terminada, Scott saltou da sua cadeira e foi para as costas da cadeira de Nathan, pendurando-se nesta e abraçando o pequeno lobo, deixando o seu queixo apoiado no ombro deste.
— Vamos na piscina, Nathan? – pediu com cara de cachorro que caiu do caminhão da mudança.
Nathan riu da ação de Scott e bateu levemente com a sua cabeça contra a do loiro, acenando e se levantando quando este o largou.
— Também vem connosco, Lay? – Scott perguntou ao companheiro na esperança de ver o íncubo de belos olhos violáceos em calção de banho e molhado.
Layton riu mentalmente com os pensamentos do loirinho e sacudiu levemente a cabeça, inclinando-a levemente para a esquerda, observando os dois pequenos que eram tão importantes para si.
— Eu queria muito ir, mas… — lançou um rápido olhar a Dimitri – Terei de resolver alguns negócios sobre o clã e precisarei da ajuda do me braço direito, Dimitri… – explicou com certo pesar na voz. – Nos desculpem, mas penso que durará toda a manhã e parte da tarde…
Scott fez um beicinho enquanto Nathan sentia uma estranha tristeza e apreensão, mas ambos assentiram. Scott correu até Layton e deu-lhe um selinho rápido de despedida, voltando para perto de Nathan, puxando-o para fora do salão.
—Então até mais tarde! – Scott despediu-se por cima do ombro enviando um beijo pelo ar aos dois íncubos que ainda estavam na mesa.
— Até mais tarde… — Nathan acenou timidamente, deixando-se levar pelo loiro.
Scott aproveitou, e enquanto passavam pelo corredor em direção ao elevador para aceder à cobertura do edifício, onde se situava a piscina, ia dizendo a Nathan o que era cada porta, até que chegaram à biblioteca, onde Nathan parou e agarrou o braço de Scott.
— Antes da piscina podemos ir na biblioteca? Por favor? – pediu com olhos brilhantes
— Hum… — Scott levou o dedo ao queixo movendo-o como se afagasse uma barba inexistente enquanto pensava. – Penso que não, a nossa coleção é unicamente composta por obras homoeróticas, o que um jovem como você não pode ler! – respondeu sério, fazendo o menor corar – Claro que pode! Agora ela também é sua! – disse rindo.
Nathan, com as maçãs do rosto ainda rubras abriu as portas da biblioteca, deparando-se com uma vasta coleção de livros, que iam de cópias originais de Shakespeare, Allan Poe a Dan Brown e Stephanie Meyer.
O pequeno moreno sorria bobamente, passando os dedos pelas lombadas gastas ou novas dos livros, estavam ali tantas gerações de livros e universos que ele simplesmente não sabia para onde olhar.
— Se quiser pode levar um consigo, como lhe disse, agora também são seus. – Scott disse ao ver as reações do pequeno na descoberta de tantos livros. – Gosta de ler? – perguntou o obvio.
Nathan assentiu pegando num livro chamado “1Q84”, o autor era Haruki Murakami… não conhecia, era uma coleção de 3 livros, e a capa simples e escura chamou a sua atenção.
— Sim, eu leio muitos livros… Ajudam a esquecer os nossos problemas e entrar naquele mundo especial e único que cada livro tem…- Nathan divagou, lendo a sinopse do livro.
Scott sorriu docemente ao filhote, mesmo tendo sofrendo o que sofrera, arranjara uma forma de escapar do seu inferno, sem cair diretamente no meio de outro inferno.
— Quero levar este! – Nathan exclamou alegremente, abraçando o livro.
— Murakami? – Scott perguntou após espreitar o nome do escritor – Difícil de ler… mas muito bom! – comentou – Então? Já podemos ir?- perguntou ansioso
Nathan sorriu e assentiu, só faltava o outro dar pulinhos de felicidade no lugar enquanto cantarolava “Piscina, vamos para a piscina!”, o que realmente fazia… Bem, nem tudo, o canto era realmente proferido, mas Scott mantinha um certo grau de decência, controlando-se para não saltar, o que não impedia o pequeno balanço presente na sua cintura... Era impossível, Nathan tinha de rir!
— O que se passa? – Scott parou de se balançar e perguntou inocentemente.
— Nada… — Nathan tentou não rir, mas era impossível de resistir, acabou por inspirar profundamente e acalmar-se.
Scott olhou para o outro interrogativamente, mas acabou por dar de ombros e continuar o seu caminho até a piscina.
Era uma grande piscina situada no topo do edifício de 7 andares do clã de Layton, em torno da piscina haviam algumas árvores e uma zona relvada e florida. Debaixo da sombra das árvores mais próximas da piscina estavam algumas cadeiras para quem não queria estar na água, todos os membros do clã podiam utilizar a piscina, mas naquele dia, ninguém lá estavam, eram só eles os dois e as borboletas e pássaros que passeavam pelo jardim. Era impossível para Nathan de não ficar admirado com a beleza do local.
— Gosta? – Scoot perguntou enquanto acariciava um pequeno colibri que poisara no seu dedo. – Venha, vamos nos trocar para os calções de banho! – chamou-o, dirigindo-se para um pequeno vestiário com paredes de madeira, que se confundia com as arvores e plantas que o circundavam se não se soubesse que ele lá estava.
Nathan assentiu e seguiu o maior, aceitando a camiseta branca e calção de banho negro que Scott lhe passava, ao que entrou no vestiário e começou logo a se trocar, saindo e esperando por Scott que trocou de lugar com ele.
— Prontinho! Vamos para a água? – Scott saiu do vestiário e perguntou alegremente.
— Claro! — Nathan concordou animadamente.
Scott riu e correu para a piscina, ao que mergulhou na água com elegância, esperando por Nathan que estava na borda da piscina a observa-lo, com as mãos a agarrarem as pontas da camiseta em punhos.
— Não vem? – Scott questionou-o sem perceber a reação do pequeno.
— Eu… — Nathan sussurrou, apertando mais fortemente o tecido nos seus punhos e baixando a cabeça.
— Não sabe nadar! É isso? – o loiro perguntou em admiração.
— Não… Não é bem esse o problema… — Nathan murmurou — Eu… minhas costas… Ele… — continuou com a voz quebrada.
Scott olhou para o lobinho preocupado, saindo da piscina e levantando levemente o queixo de Nathan com uma mão, ao que a outra agarrava uma das de Nathan.
— O que se passa pequeno? – perguntou preocupado. – Me diga filhote… — incentivou.
—Scott… precisa de ajuda? –Layton perguntou-lhe em pensamentos, preocupado.
— Eu trato disto Lay, tenha calma, está numa reunião importante, não se preocupe, querido. –Scott acalmou-o.
—Tudo bem… Mas tenha atenção, Dimitri está agitado sem razão desde que vocês saíram da biblioteca… só tome atenção, por favor… -Layton pediu, ao que Scott concordou, não podia ignorar quando um companheiro ficava agitado…
Nathan encolheu-se e puxou a sua mão da de Scott, tirando-o da sua conversa mental, e quando o pequeno virou as costas ao loiro e levantou lentamente a camiseta, deixando as suas costas pálidas e cobertas de finas linhas mais brancas, que formavam uma teia, descobertas.
Scott inspirou em choque e levou a mão trémula até uma das infinitas cicatrizes.
— Oh pequeno! – exclamou e abraçou Nathan – Não tenha vergonha, não tem razão para ter vergonha! – sussurrou no ouvido do pequeno que tremia levemente.
—Eu não quero… não quero pensar nelas, só quero que ele me deixe em paz! – Nathan chorou – Oh Deus, ele voltou, ele está aqui outra vez! Porquê, por favor, me diga porque é que ele voltou! Eu estava a começar a se feliz outra vez! – começou a tremer mais – O mande embora! Eu quero o Dimitri, o tire daqui por favor! – nesse momento, Nathan caiu no chão e começou a arranhar a cicatrizes quase impercetíveis que cobriam os seus braços finos.
Scott olhou horrorizado para o pequeno que parecia quebrar na sua frente, sem saber ao certo o que fazer, abraçou o pequeno, dizendo que voltaria mais tarde e começou a correr em direção ao companheiro e Dimitri, que ainda não sabiam nada, pois Scott fechara a sua ligação para não distrair mais o seu companheiro da importante reunião, o que agora se arrependia de ter feito, pois a sua mente estava uma total confusão.
Nathan encolheu-se no chão, tremendo e choramingando, nem reparou quando uma presença invejosa se aproximou de si.
— Olhe só, o pequeno filhote está chorando! – uma voz acida exclamou atras de si – O que se passa? Está tentando chamar mais atenção para si?
Nathan levantou a cara, olhando para quem menos queria ver naquele momento, ali, na sua frente, encontrava-se Albert com um sorriso de escarnio nos lábios.
— Vá embora, me deixe em paz… — murmurou fungando.
— Oh… não chore mais! Olhe só para si! Aí encolhido! Sabe uma coisa? As suas costas quase parecem um mapa dos Estado Unidos… tem aí uma bela arte! – fez o pequeno estremecer ainda mais. – Mas não era isso que lhe queria dizer… Vim lhe dizer para deixar Dimitri em paz, ele é meu, desista dele! De inicio ainda pensei em o ameaçar só para o ver tremer como um bebé, mas parece que não é necessário… — disse puxando os cabelos do pequeno para que este o olhasse – Sabe? Se não o deixar… — aproximou-se da orelha do pequeno – Vou voltar, vou fazer com que chore ainda mais quando se lembrar de mim do que de quem lhe fez essas belas marcas no corpo… Não vale a pena contar isto a ninguém, sabe, eu estou aqui faz anos, e você um par de dias… — disse puxando fortemente os cabelos de Nathan, fazendo com que o seu choro ficasse mais forte – Não esqueça, ele é meu! – exclamou antes de o largar e se afundar na vegetação, momentos antes da porta da cobertura se abrir.
Nathan encolheu-se mais, com as unhas cravadas nos seus braços, porque não podia estar num sítio onde não tivesse alguém que o detestasse sem razão? Perdendo-se em pensamentos, e quase perdendo um grito carregado de preocupação vindo de uma voz de veludo.
— Nathan! – Dimitri gritou e embalou o pequeno que tremia nos seus braços, tão pequeno e frágil…
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