Disgusting
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Dimitri gemeu levemente enquanto ajeitava as calças, sentia-se como se tivesse voltado a ser um jovem incubo, quando a fome era mais forte que tudo e a sua vida se regia por dormir e alimentar-se. Alimentar-se da forma mais primitiva, com suor, gemidos e grunhidos, sob qualquer superfície lisa mais próxima.
Alguns achavam que era o paraíso, sexo quente e duro, sempre com a desculpa de saciar a fome continua e mandá-la embora. Mas aquela fome nunca acabou, e não pararia até ao dia que se encontrasse um companheiro.
Quando na puberdade, um íncubo entrava naquela febre de sexo porque era quando sentia aquela fome e ansiedade por um companheiro, mas depois o desespero e aplacado e a busca continuava, mas sem aquela loucura confusa.
Agora, sentado no outro lado de uma recheada mesa de jantar estava Nathan, o seu companheiro, e Dimitri sentia aquela louca necessidade começar a rastejar desde a sua virilha até todas as extremidades do seu corpo. Um fogo quente que, junto com o doce aroma do mestiço deixavam a sua pele a coçar e o seu coração a implorar pela reivindicação.
Do outro lado da mesa, Scott falava animadamente com Nathan, o qual deixava a cabeça baixa, como se a comida que recheava o seu prato fosse a substância mais interessante no mundo. Será que o pequeno se sentia bem?
Logo o desejo e luxuria de Dimitri foram substituídos pela preocupação. E se Nathan ainda não estivesse bem o suficiente do aborto? Será que já devia estar fora da cama? Não seria melhor se ele mudasse para a sua forma animal para curar completamente?
—Você está bem, Nathan? – Dimitri questionou com os olhos cheios de preocupação pregados no lobo – Ainda lhe dói em algum lugar?
Nathan levantou a cabeça, assustado em ser o alvo daquela preocupação, abanou a cabeça quando os seus olhares se tocaram.
— Não, eu estou bem! – sorriu enquanto corava.
— Se não estiver bem pode nos dizer, não tem problema nisso, nós preocupamo-nos consigo. – Layton juntou-se à troca, ele também estava preocupado com o filho, afinal, ele havia perdido um bebê na noite anterior…
—Estou bem, de verdade Layton, não se preocupem… — Nathan sorriu levemente, gostava de receber atenção, o seu coração sentia-se mais quente por ter quem se preocupasse com ele.
Layton observou a cara do filho, os olhos do pequeno estavam cansados e a palidez da sua pele não parecia a melhor definição de “saudável”.
— Depois do jantar vai mudar para a sua forma de lobo e dorme nessa forma. Assim teremos certeza que estará totalmente curando pela manhã. – Disse docemente, mesmo que os shifters e todas as criaturas paranormais se curassem mais rápido que um humano, quando um shifter tomava a sua forma animal, a cura era ainda mais rápida, e Layton não queria correr riscos com Nathan. – Dimitri ficará consigo para que não se sinta sozinho num lugar que lhe é estranho. – decretou.
Ouviu-se um garfo a cair, e todos os olhares se viraram para Dimitri que olhava para o seu chefe e amigo atónito.
Layton só pode ter enlouquecido! Exclamava em pensamento, como é que ele espera que eu me segure tendo o pequeno no meu lado durante toda a noite?
Mesmo sabendo que Dimitri devia sentir aquele forte puxão que o levava ao seu companheiro e toda aquela luxúria e desejo, Layton acreditava que Dimitri não faria nada, afinal, o pequeno tinha sofrido muito… Era provável, que no futuro, quando Nathan quisesse alguma coisa seria Dimitri quem se negaria…
— “ Companheiros e as suas manias… Será que na vossa academia de Como Ser Um Bom Companheiro, dizem que nós, os submissos, somos feitos de vidro? “ – Scott provocou Layton pelo seu vinculo.
—Dimitri? –Nathan perguntou preocupado. – Se tiver alguma coisa para fazer ou não quiser ficar comigo, não tem problema, posso ficar sozinho… — disse com medo, não queria ser um fardo para ninguém, se o homem quente não o quisesse, Nathan não podia fazer nada contra isso.
Os olhos de Dimitri abriram-se e abanou a cabeça com força.
— Não é nada disso, pequeno. – negou com certa culpa no olhar por ter deixado o outro inseguro – Só… Fiquei admirado. – divagou – Mas estou ansioso pela noite, assim podemos conhecer-nos melhor. – disse, arrependendo-se em seguida, pelo sentido malicioso que aquelas palavras podiam tomar, mas quando viu Nathan sorrir calmamente suspirou aliviado.
Nathan assentiu e voltou a comer, começando a falar com Scott sobre uma música qualquer que tinha estreado naquela semana.
O resto do jantar decorreu calmamente, regado de conversa e risadas dos dois menores, parecia que estava a nascer uma bela amizade entre aqueles dois, o que deixava Layton extremamente feliz por ver que o seu filho parecia gostar do seu companheiro. Scott sentia-se mais completo, sempre se culpara por ser defeituoso e não poder dar um filho a Layton, não poder gerar uma criança como todos os outros íncubos podiam, antes, uma parte dele sentia-se sempre triste e solitária, mas agora com aquele pequeno a tristeza e solidão desapareciam. Sentia que tinha de ajudar aquele singelo ser que era Nathan, a curar as suas feridas, não só como amigo, mas como pai, o pai que sempre quisera ser mas não pudera, até agora…
Mesmo estando concentrado na conversa, Nathan não conseguiu parar-se de ficar a babar para Dimitri por metade do jantar, sempre que se dava conta, os seus olhos estavam pregados na face ou corpo do outro, e, quando os seus olhos se tocavam, o seu coração saltava sempre uma batida.
Era como se uma força invisível o chamasse na direção do belo incubo de olhos esmeralda.
Será isto que você dizia ser a atração entre companheiros antes de Oswald chegar, mamãe?
Perguntava à sua mãe, mesmo sabendo que não receberia resposta.
Foi nesse momento que Scott, que saíra da sala, voltou com um prato cheio de pequenos bolos, Nathan cheirou o ar e gemeu levemente, fazendo um desconfortável Dimitri remexer-se na sua cadeira.
— Isso é brigadeiro? – perguntou dando leves saltinhos na cadeira que provocaram risadas em Scott.
— Hum hum, de chocolate… — Layton concordou, olhando para o prato como se o fosse devorar a qualquer momento.
— É sim. – Scott riu – Lay adora brigadeiro.
— Claro que sim! Já sentiu a textura? – Layton defendeu-se
—E o chocolate! – Nathan acrescentou
— Sim, sim, e o sabor? É dos deuses! – Layton continuou
— E não esqueça, tem chocolate! – Nathan olhava para o prato, quase com se venerasse o doce.
— Pode comer em casa ou numa festa formal. – Layton enumerava as qualidades do doce.
— Sem levar em conta que tem chocolate… — Nathan dizia sonhadoramente.
— Hum, hum, e o chocolate… — Layton terminou com um sorriso nos lábios enquanto Nathan assentia.
— C-H-O-C-O-L-A-T-E – Scott soletrou enquanto ria. – Oh Deus, você ama mesmo chocolate, não? – perguntou a Nathan, que assentiu repetidamente.
Dimitri ria no seu lugar, parece que o seu pequeno gostava de chocolate! Hum… iria guardar essa informação, mais tarde podia ser necessária…
Scott tirou dois pedaços para ele e para Dimitri, ainda rindo, e deu o resto do brigadeiro para os dois fanáticos, que o devoraram enquanto os outros dois terminavam os seus.
Ainda a rir, Scott foi com Nathan para a sala geral e sentaram-se no sofá. Diferente da outra sala, que era no andar da casa de Layton e Scott, esta tinha mais pessoas lá dentro, alguns casais conversavam, outros jogavam bilhar e ainda havia quem só estivesse a ler um livro ou jogar um vídeo game. Aqueles deviam ser os membros acasalados do clã…
— Hoje é domingo, e o clube “Ecstasy” está fechado nos domingos e quartas, assim todos temos algum descanso. – Scott começou a explicar. – Esta é a sala da “família”, é onde o clã se reúne para passar tempo junto, quando o clube está fechado costumam vir todos para cá, quando está aberto, quem não quer estar lá em baixo pode escolher ficar aqui! –sorriu enquanto balançava os pés como uma criança, fazendo Nathan rir.
Nathan observou a sala, vendo como todos pareciam se dar bem uns com os outros, parecia mesmo uma família, uma grande família.
Os seus olhos passaram por um canto mais escondido da sala e viu lá o mesmo guarda que o impedira de entrar no clube na noite em que chegara. Algum sobre aquele homem lhe causava uma estranha sensação de incomodo, e quando viu o olhar de puro ódio que este lhe lançava, sentiu o seu corpo estremecer num arrepio.
— Quem é aquele? – perguntou a Scott apontando para o íncubos que continuava no canto a observa-lo com desprezo – Era ele quem estava na entrada do clube na noite que cheguei…
Scott olhou para o canto que Nathan indicou e os seus lábios apertaram-se em desgosto.
— Ele é Albert, trabalha como segurança do clube, faz parte do clã à pouco tempo, talvez meio ano… — informou num tom depreciativo – Desde que chegou, afirma ser companheiro de Dimitri, mas todos sabemos que não é verdade… Layton esteve perto de o expulsar quando o flagramos a tentar agredir Oliver porque “tentou agarrar” Dimitri, mas Oliver é o companheiro de Vincent, e ele nunca trairia o vampiro! – contou – Mas como não chegou a fazer nada com o Liv, e nunca tinha sido violento, deixámos que ficasse…. – explicou.
Nathan olhou de novo para Albert e sentiu o seu lobo remexer-se por alguém dizer que era companheiro de Dimitri. O homem de olhos esmeralda era seu, de mais ninguém! Possessividade apoderou-se dele e levantou-se com os olhos de Albert sobre si.
— Scott, estou cansado, podia mostrar-me onde é o meu quarto? – perguntou com um sorriso doce para Scott.
Scott arregalou os olhos quando percebeu o que Nathan queria.
— Parece que o seu filho é mais ‘perigoso’ do que pensei. – Scott provocou o seu companheiro, recebendo a satisfação de Layton como resposta – Então vamos chamar Dimitri para vir connosco. – falou piscando o olho para Nathan que lhe deu um sorriso travesso.
Saíram da sala, deixando um Albert vermelho de raiva e ciúme para trás. Avançaram pelo corredor rindo da sua pequena travessura.
Quando chegaram ao quarto que seria de Nathan, Scott mostrou-lhe onde estaria as suas roupas e as toalhas do banheiro, saindo para chamar Dimitri.
Nathan olhou em volta com admiração. O quarto era maior que a sala que tinha na sua antiga casa, e aquela cama devia ser o que chamavam de uma Kig Size, ali caberiam 5 Nathans e sobraria espaço!
Explorou um pouco o quarto, abrindo os armários e admirando as roupas bonitas que ali se encontravam, entrou no banheiro e suspirou feliz. Nunca tivera o seu próprio banheiro, só isso já era ótimo, mas vendo a grande banheira que ocupava metade do luxuoso banheiro deixava-o ansioso pelos longos banhos que lá tomaria.
Despiu-se enquanto a banheira enxia, e entrou na água quentinha que relaxava os seus músculos. Ficou um tempo naquele calor, já estava meio dormindo quando uma leve batida suou da porta do banheiro, acompanhada de uma voz máscula que causava arrepios de prazer em Nathan.
— Pequeno? Está tudo bem aí dentro? – a voz preocupada de Dimitri chegou até aos ouvidos de Nathan que sorriu de olhos fechados.
— Tudo bem! Saio em dois minutos! – respondeu com um sorriso.
Dando o banho como terminado, secou-se e vestiu o pijama que trouxera. Olhou para os cremes e outros produtos que estavam no balcão, mas não sabia para o que metade servia… Amanhã perguntaria a Scott!
Secou os cabelos e penteou-os, deixando-os meios desarrumados, e saiu do banheiro enquanto bocejava.
Dimitri estava no meio do quarto, olhando para ele com certo desejo no olhar. Aquilo causava arrepios ao pequeno, tanto de prazer como de medo… O fantasma de Oswald parecia ainda o assombrar, o que lhe causava quele medo infundado do que tal emoção num olhar poderia causar.
Nathan subiu para a cama, ainda em cima das cobertas e olhou para o maior que o seguia com os olhos, os seus músculos estremeciam, como se estivesse a forçar para não sair daquele sítio.
— Boa noite, Dimitri. – sussurrou para o outro, perdendo-se no verde dos seus olhos.
— Boa noite, Nathan. – murmurou em resposta, como se acariciasse o nome do pequeno que estremeceu e fechou os olhos, deixando que a transformação o tomasse, dando lugar a um pequeno lobo negro.
O pequeno lobo negro sentou-se na cama, olhando para Dimitri com enigmáticos olhos violáceos, e grunhiu levemente, chamando o outro para a cama consigo.
— Quer que eu vá para a cama consigo? – Dimitri perguntou admirado.
O lobinho baixou as orelhas e ganiu, assentindo com os olhos baixos. Dimitri sorriu da fofura daquele pequeno ser, e deitou-se na cama.
Nathan aproximou-se do outro e tocou com o nariz húmido na bochecha de Dimitri como agradecimento, e se afastou para a outra ponta da cama, deitando-se numa bola felpuda, com as orelhas a abanar para os lados.
Dimitri sorriu e ficou a observar o pequeno que abanava levemente a sua cauda enquanto adormecia.
***
O íncubos acabou por adormecer com o pequeno lobo na outra ponta da cama, mas, horas depois, acordou de súbito com um estranho barulho de choramingo.
Olhou pela janela e viu que a lua brilhava no céu noturno, ainda devia ser meio da noite… Então, aquele som de choramingo repetiu-se, e quando Dimitri olhou para o outro lado da cama, reparou que o pequeno lobo choramingava levemente e tremia.
Estendeu a mão e afagou o pelo fofinho de trás das orelhas do lobo, que abriu os olhos ametistas molhados com lágrimas por derramar.
— Venha, fique ao meu lado… — Dimitri levantou as cobertas e abriu os braços, convidando o pequeno a se aproximar.
O lobinho engatinhou até ao incubo e aconchegou-se contra o seu peito, como se fosse um filhote em busca de segurança depois de um pesadelo como o que tivera.
Dimitri fechou os braços em volta de Nathan e afagou levemente o seu pêlo.
— Durma bem, Nathan, eu estarei aqui. –sussurrou na orelha do lobinho que levantou o focinho e tocou com o nariz molhado nos lábios do outro, num pequeno beijo de boa noite, e se voltou a encolher com a cabeça apoiada no peito de Dimitri.
O incubo sorriu e aconchegou melhor o lobinho, voltando a fechar os olhos, e deixando-se adormecer enquanto protegia o pequeno de tudo o que o atormentasse em sonhos…
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