Disgusting
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Dimitri continuava a abraçar o pequeno que tremia, desamparado, nos seus braços. A dor que irradiava daquele frágil ser era tanta, que sentia o seu peito apertar e o seu coração pesar em compaixão para com ele. O íncubos fazia sons reconfortantes no ouvido do menor, que se aconchegava em si, não acreditava em como tal coisa podia ter acontecido com alguém tão singelo como Nathan.
Sentia uma estranha força a puxá-lo em direção ao pequeno, junto de uma possessão e proteção que faziam com que quisesse sair daquele quarto e ir caçar aquele que fazia o seu pequeno sofrer.
– Nos diga, Nathan, diga quem foi. – a voz, carregada de raiva, de Layton tirou Dimitri dos seus pensamentos. Parece que ele não era o único naquela sala a querer vingança.
Nathan olhou em volta quando ouviu a voz do seu pai, o médico tinha abandonado o quarto, e agora só ele, o seu pai e o homem dos olhos verdes estavam lá. Encontrou os olhos do seu pai e estremeceu outra vez, não queria que o homem que o abraçava soubesse de Oswald, nem sobre o que Oswald lhe fizera ele queria que o outro soubesse! Mas algo nos olhos do seu pai disse que ele precisava saber, talvez sentisse que não era um bom pai se não fizesse nada. Mas mais nada podia ser feito… “Ele conseguiu terminar o seu trabalho sem interrupções…”
– Ele… Foi Oswald… — sussurrou – O companheiro da minha mãe…
– O companheiro da Madeline! Como é que ela pôde deixar que ele lhe fizesse tal coisa? Ela devia saber sobre você ser meio íncubos! – Layton exaltou-se.
Como era possível que Madeline tivesse deixado que um homem fizesse tal coisa com o seu filhote? Ela era um shifter lobo, um lobo! Todos os lobos eram extremamente territoriais e protetores das suas crias, nem o mais forte dos seres paranormais mexia com uma cria! Era certo que, pelo menos, uma matilha inteira o iria perseguir e fazer pagar pelo que fizera ao filhote!
–“ Se acalme, Lay, já estou a ir para aí, tenha calma, o escute. “ – Scott, o seu companheiro, acalmou-o pelo vinculo que ligava as suas mentes.
– Ela… Ela não podia fazer nada… — Nathan recomeçou a chorar – Ele tinha muita força, e mesmo sendo companheiro dela, não sentia amor… Mas ela não o conseguia deixar… — murmurou – A mamãe teve depressões por causa dele… algumas vezes, parecia que enlouquecia… Ela podia ver o que ele me fazia… — estremeceu – Ela só aparecia quando eu permitia que ele me fizesse aquilo… - sentiu os braços em torno dele ficarem tensos e os olhos de Layton incrédulos, com o que disse – Ele dizia que ia fazer mal à mamãe! Eu não podia deixar! Ele dizia que se eu não deixasse, ele a ia estuprar na minha frente! Quando se cansasse de mim, seria ela! Eu não podia! Ele não podia! Era a minha mãe! Eu sei que nos dias que ele não fez nada foi ela que sofreu! – Nathan começou a chorar.
Sentia-se ainda mais sujo quando deixava que Oswald o tocasse, era o amor que sentia pela sua mãe a única coisa que o impedia de lutar.
Sim, no inicio, relutou e negou-se a permitir que o monstro lhe fizesse aquelas coisas, mas quando as ameaças começaram e foram compridas, o medo pela sua mãe instalou-se nele. Talvez fosse da sua identidade íncubos, talvez fosse a sua consciência a culpar-se, mas ele conseguia sentir a dor dentro da sua mãe, e odiava que por sua causa, por se negar a Oswald, é que ela tinha de passar por aquela dor.
O homem de olhos esmeralda começou a balançá-lo levemente, fazendo barulhos confortantes no seu ouvido.
–Shhh… Se acalme. – pediu carinhosamente — Nos diga onde ele está. Nós vamos acabar com a causa do seu sofrimento. – continuou com uma nota de raiva na voz.
Nathan balançou a cabeça.
– Não podem… Ele já não… Já não podem fazer nada… — murmurou desconexamente.
–Por que não? Porque não podemos matar o bastardo que fez tal coisa com o meu filho? – Layton explodiu, com os olhos a faiscar em raiva para com Oswald.
Nathan balançou a cabeça com os lábios a formarem uma linha fina. Tinha vergonha de dizer o que lhe acontecera e o que fizera. A sensação do sangue daquele ser na sua boca era nojento, a lembrança do carmesim que cercava a sua mãe era doloroso, o medo e a angustia que sentiu quando viu o que Oswald fez com a sua mãe eram tão fortes que todo o seu ser estremecia nas lembranças.
– Se acalme, querido. Diga, por favor. Porque razão não podemos ir atrás dele? – o homem de olhos esmeralda virou-o de frente para o seu peito e subiu o seu rosto, olhando para o interior das ametistas, pedindo respostas e dando forças.
– Ele… — a sua voz tremeu e respirou fundo, continuando. – Eu tinha chegado a casa da escola, e pensei que ele fosse chegar mais tarde… Naquele dia ele devia trabalhar até tarde, o que significava que estaria a tarde toda sozinho, mas… Ele chegou mais cedo… Parecia bêbedo, alto… não sei o que era, mas sempre que me fazia alguma coisa, ele tinha muita força, era mais violento… — divagou, enquanto um estranho e tenso silencio se instalava no quarto – Ele empurrou-me no sofá, forçou-me… — Não se queria lembrar daquilo, não o queria dizer. Não, não era capaz de contar o que Oswald lhe fizera, era demais… — A mamãe chegou a meio e tentou pará-lo, ela nunca o tinha visto a fazer aquilo verdadeiramente. Ele… Oswald largou-me e agarrou nela, estuprou-a no chão da sala, enquanto falava do quão melhor eu era… — fechou os olhos molhados – A mamãe estava a gritar… Ela estava com dor… Ele mandou-a calar… Mas a mamãe tinha muita dor, ela não conseguia parar, então… Ele usou o canivete e cortou a garganta da mamãe… Meu deus, foi tanto sangue! A mamãe fez um som estranho… Ela olhava para mim, e tinha tanto medo… — Nem Nathan sabia mais o que dizia, sentia-se perdido na lembrança. Sentiu aqueles braços apertarem-no mais forte. – E então, tudo em volta ficou vermelho. Transformei-me em lobo e saltei em cima dele, ele tinha de largar a mamãe! Ela ia morrer! Eu matei-o e fui tentar ajudar a mamãe, mas…
Nathan parou aí. Sentia-se patético, não fora capaz de a ajudar, e ela morrera por sua culpa! Agora não podia fazer nada. Perdera tudo. Era irônico, como alguém que nada tivera podia sentir que ainda menos tinha…
Sentia a loucura rastejar dentro dele, tentando tomar os seus sentidos. Fora abusado por mais de metade da sua vida, fora marcado, perdera a única pessoa que lhe dera um pouco de amor e carinho na vida, matara um homem, engravidara e perdera o filho que nem sabia carregar. Era estranho o quanto a situação lhe dava vontade de rir, perdera a sua mente de vez?
– Vamos, tenha calma. – Dimitri pediu-lhe, agarrando o seu rosto e sentindo a avalanche de emoções contraditórias que esmagavam Nathan. – Respire, seja mais forte que isso, você consegue. – encostou as suas testas e olhou no fundo daqueles belos olhos, procurando passar a paz que sabia que o outro necessitava. – Você é forte, não se vai perder… — murmurou.
Nathan fechou os olhos e respirou fundo, era verdade, o homem lindo tinha razão. Ele tinha de manter a calma, não podia deixar que aqueles sentimentos governassem sobre ele. Ele era forte. Ele tinha de ser forte. Sentiu uma mão poisar no seu ombro e apertar sinal de apoio. Olhou para trás e viu o seu pai olhar para ele com carinho e compreensão.
Seria forte, agora tinha um pai, um verdadeiro pai. Não podia deixar aquele homem na mão, seria forte, lutaria contra o seu passado e, aí, poderia deixar que o seu pai o visse viver e sorrir.
– Venha, Nathan… Quero que conheça uma pessoa, o meu companheiro, Scott. – Layton disse docemente.
– Mas Layton… — o homem que ainda o abraçava disse em duvida.
Nathan olhou para o seu pai, que agora sabia que se chamava Layton. Ele queria apresentar-lhe o seu companheiro, seria ele como Oswald? Apesar do medo, algo lhe dizia que não era assim. Aquele pequeno homem que vira quando ali chegara parecia ser doce, nada como aquele monstro.
– Sem mas, Dimitri, eu quero que ele conheça Scott, tem todo o direito a isso, afinal, sendo meu companheiro, Scott também é pai de Nathan! – Layton respondeu, olhando duramente para Dimitri. Ele estava a permitir que o seu amigo estivesse tão próximo ao seu filho, mas não permitiria que o controlasse.
Nathan olhou para quem o agarrava, então, aquele homem bonito chamava-se Dimitri… Era um belo nome…
– Lay… — Dimitri começou a falar, mas parou-se quando sentiu uma mão pequena apertar o seu braço de leve, olhou para o pequeno que disse:
– Deixe estar, — voltou a apertar o braço forte e largou-o, olhando para o seu pai e sorrindo levemente. – Claro que eu adoraria conhecer o seu companheiro.
Dimitri suspirou e afastou os braços do menor, deixando-o sair do seu aperto, enquanto Layton sorria, era ótimo saber que o seu filho queria conhecer o seu companheiro, custava admitir, mas tinha medo que devido ao seu passado, Nathan, não quisesse conhecer Scott, mas o seu companheiro era doce, e Taylor sabia que Scott daria de tudo para proteger o seu filho.
–Você sabe que sim, faria tudo por si e pelo seu filho. – Scott falou na sua mente.
– O nosso filho. – Layton respondeu-lhe docemente, sentindo a alegria do seu companheiro.
Nathan levantou-se e secou as lágrimas que ainda molhavam as suas faces rosadas. Sentiu Dimitri levantar-se atrás dele e lançar-lhe um olhar preocupado. O pequeno fungou e olhou para o pai com olhos determinados.
– Vamos. – disse com um leve sorriso.
– Venha. – Layton sorriu largamente por ver o seu filho mais animado, mesmo sabendo que a dor ainda lá estava, acreditava que aquele pequeno seria capaz de passar por qualquer provação que aparecesse e sair vitorioso.
Layton abriu a porta e dirigiu-se a uma sala de estar, eles ainda estavam dentro do prédio onde ficava a boate, mas a parte superior do prédio fora refeito para se tornar um grande apartamento, onde habitava junto do seu companheiro e membros do clã que não queriam ter uma casa própria.
Quando entraram, Nathan viu o pequeno homem loiro que o ajudara quando chegara, a correr em direção a Layton e a saltar nos seus braços, beijando-o levemente. Layton envolveu os braços em torno da cintura do pequeno homem com um sorriso nos lábios.
– Scott, este é Nathan, o nosso filho. – apresentou-os — Nathan, este é o meu companheiro, Scott, a partir de agora, ele também será seu pai.
Nathan sorriu ao ouvir o seu pai apresentar-lhe Scott, agora, além de encontrar o seu verdadeiro pai, ganhara outro, e pelo que vira no pouco tempo que se conheceram, seriam pais muito melhores que o seu anterior.
– Prazer, sou Scott, espero que possamos nos dar bem. – Scott estendeu-lhe a mão, com os seus olhos verdes a brilhar de felicidade.
– Penso o mesmo. – Nathan murmurou, sem saber o que dizer.
Quando Nathan estendeu a mão para Scott, o loiro sorriu e agarrou-lhe o pulso, puxando-o para um abraço apertado.
Nathan corou e ficou momentaneamente paralisado, nunca o tinha abraçado assim antes, só a sua mãe, e unicamente quando Oswald não estava presente… Levantou os braços, lentamente, e correspondeu ao abraço frouxamente, sentindo os olhos de Dimitri a seguirem os seus gestos como os olhos de uma águia.
O seu pai riu, e aí pensou, que talvez, mas só talvez, aquele pudesse vir a ser o inicio de uma boa vida…
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