Shadam percorreu o palácio à procura de Ikazuchi, mas as portas dos cômodos estavam fechadas, e ele temia ser descoberto. Voltou ao seu quarto, tentou dormir, mas estava inquieto. Foi ao quarto de Gara e deitou-se no chão. Enfim, adormeceu.

No dia seguinte, puxou um Cotpotro à parte e perguntou onde Akomaru dormia. Foi levado até lá. Aproveitou que o menino estava ausente, entrou e procurou algum sinal do monstro, mas nada havia. Não podia perguntar muito, pois suspeitariam dele. Precisava pensar num plano. Chamou um oficial Gorma e ordenou que ele convocasse Ikazuchi para uma nova ofensiva na cidade. O funcionário apareceu no quarto de Akomaru para dar a notícia.

“O que meu pai quer agora? Ele que não se atreva!”

O menino saiu de seus aposentos para tirar satisfação. Shadam viu-o ao longe, virou o rosto e suspirou irritado.

“O que você quer com Ikazuchi? Já sabe que eu não vou--”

“Eu convoquei pra um ataque na cidade.”

“Eu vou junto com ele!”

“Você não vai ter utilidade nenhuma lá!”

“É pra impedir que você faça alguma coisa com ele! Eu te conheço, pai. Não confio em você.”

“Por que já não mostrou aquela foto ao Imperador, se quer tanto me ferrar?”

“Descobri que te chantagear é mais legal. Hahahahahaha! Mas quando eu precisar, eu faço isso.”

O ódio do coronel por seu filho só aumentava. Decidiu ir mesmo assim. Haveria de encontrar uma saída.

Zydos ouvia a conversa. “Vai precisar de mim?”

“Preciso que você tome conta de Gara. E fique atento, porque vão querer te empurrar pra uma batalha.”

“Tá certo.”

Eles partiram para o centro da cidade com Tako Kanchou. Esse monstro Gorma usava seus tentáculos para segurar postes, arrancá-los e jogar em direção às pessoas, bem como outras travessuras. Os Dairangers perceberam a confusão, transformaram-se e foram ao combate. Shadam desviava-se dos ataques dos Rangers e atingia alguns, estando, ao mesmo tempo, atento a Ikazuchi. Viu que o monstro isolou-se com Shouji e Kazu em outra área e acompanhou-os. Akomaru estava empolgado com os golpes certeiros de Tako e não percebeu que seu pai tinha ido com os demais, por um momento.

“Shadam!” Kazu notou sua presença surpreso.

“Babaca!” Shouji lançou sua Dairinken nele, que desviou o trajeto, e a arma cravou em Ikazuchi. A criatura gemeu de dor.

O coronel acertou uma sequência de lasers nos Rangers, que voaram com as explosões. Mandou o monstro esconder-se numa cabana próxima, sob o pretexto de que deveria se recuperar e escapar da visão dos Rangers. Ele entrou lá também.

Tudo isso aconteceu um curto espaço de tempo. Akomaru percebeu, minutos depois, que seu pai não estava mais na área, e já suspeitou do pior.

“Aquele desgraçado vai aprontar! Tako Kanchou, continue a batalha!”

O menino correu, mas não tinha ideia de onde os dois estavam. Enquanto isso, Shadam preparou o punhal e saltou sobre o monstro, cravando-lhe a lâmina diversas vezes. Akomaru pôde ouvir os gritos da criatura ao longe, mas ainda não tinha ideia de onde estava. Shadam impôs as mãos sobre seu adversário, enfraquecido, e extraiu o máximo de seu Youryoku. Ele incorporou a energia e desapareceu de lá. Seu filho procurou o mascote por 1 hora e mandou os Cotpotros ajudarem. Eles, enfim, conduziram-no até a casa onde estava seu escudeiro, já morto. O pequeno chorou copiosamente. Depois, xingou o pai com toda a fúria e prometeu vingança.

Shadam sabia que tinha pouco tempo para realizar tudo. Surgiu no quarto de Gara e surpreendeu Zydos, que estava lá.

“Conseguiu?” O major perguntou.

“Consegui.” ele riu, com a sensação de missão cumprida.

Impôs as mãos sobre a parceira e doou a energia Youryoku excedente. Ela acordou, viu-o e abraçou-o. Ele queria aproveitar o momento, mas estava inquieto.

“Shadam, como você conseguiu--?”

“Eu explico depois. A gente precisa sair daqui agora!”

“Mas por quê?”

“Eu explico tudo depois!”

“E ir pra onde?”

“Pra qualquer lugar!” Ele pegou as malas. “Zydos, não deixe que eles te peguem!”

“Tranquilo. Vão logo! Já ouço passos.”

Zydos apareceu na cidade, acompanhando Tako Kanchou, enquanto os dois caminhavam por uma estrada. Disfarçaram-se de civis novamente.

“Shadam, me explique agora o que aconteceu.”

“Você perdeu muito Youryoku com o último ataque dos Dairangers. E eu quis usar a energia de Ikazuchi pra te ajudar. Mas Akomaru não queria permitir. E ele tinha algo pra usar contra mim.”

“O quê?”

“Uma foto do beijo.”

“Como? Daquele dia?”

Ele balançou a cabeça afirmativamente. Ela levou a mão à testa, numa expressão de espanto.

“Eu matei Ikazuchi e consegui a energia de volta pra você. Agora eu tenho certeza de que ele vai me denunciar para o Imperador.”

Ela ficou sem palavras com toda a situação.

“O que a gente vai fazer agora?” ela perguntou.

“Na pior das hipóteses, viver entre os humanos.”