Akomaru foi à sala do Imperador. Tinha cara de choro.

“O que foi, meu querido Akomaru?”

“Imperador, meu pai matou meu mascote...”

“Quê?”

“E matou por um motivo abominável para os Gorma.”

“Continue.”

O garoto mostrou a foto do beijo.

“Ele a reviveu com a energia do meu escudeiro Ikazuchi! Os dois têm um romance!”

“Isso é muito grave!”

“Ele traiu os Gorma!”

Depois de meditar a questão, o Imperador bateu o martelo e disse:

“Shadam deve morrer!”

O casal caminhou pelas ruas de Tokyo em busca de moradia. Passaram por hotéis, mas a diária era muito cara, e não havia como pagar. Encontraram uma pensão. Os donos, um casal de meia-idade, aceitaram que se hospedassem, contanto que realizassem tarefas domésticas, pois não tinham condições de pagar. Os dois utilizaram os mesmos nomes inventados para o plano na escola.

Enquanto apresentava a casa, a dona, uma senhora de nome Ritsuko Sasaki, perguntou-lhes:

“Se não for um incômodo, posso saber qual é a relação de vocês?”

“Somos casados.” Shadam respondeu.

Gara respirou fundo e sorriu para disfarçar o nervosismo.

“Ah claro, que tolice a minha, vocês têm o mesmo sobrenome.” A senhora respondeu, rindo.

“Sem problemas. Podíamos ser parentes, não é?” A tenente olhou para seu parceiro e o cutucou.

“É.” Ele sorriu, sem graça.

“Mas então, onde estão os documentos de vocês?” Perguntou Michio, marido de Ritsuko.

“Perdemos num acidente e ainda não recuperamos.” Shadam respondeu de novo.

No quarto, arrumaram as roupas e pertences nos lugares certos.

“Shadam, de novo essa história...” Ela falou, num tom de desânimo.

“Você queria que eu dissesse o quê? Eles iam achar estranho se fossem apenas dois amigos.”

“E parentes?”

“Tivesse me avisado antes.”

“E você não poderia ter pensado nisso antes? Mas não, é mais fácil falar que somos casados, sendo que você nunca...Não, esquece.”

“Eu nunca o quê?”

“Esquece, eu tava falando demais. Desculpa.”

Era noite. Ela deitou-se. Viu-o sentado na cama, com a cabeça apoiada sobre uma das mãos. Aproximou-se e pousou a mão sobre o ombro dele.

“Você está bem? Tá preocupado com alguma...”

“Nada não...” Ele levantou-se, apagou a luz e deitou-se. Logo adormeceu. Ela, no entanto, demorou a ter sono, pois a inquietava o fato de dormir na mesma cama que ele.