Disfarces
1 Capítulo 1
Shadam observava Kou na escola por meio de uma projeção numa maleta. Havia descoberto que o menino era o Kiba Ranger e portava a Byakkoshinken. Definiu como objetivo sequestrar Kou e apoderar-se da espada. Mas para isso precisava de um disfarce convincente. Chamou Gara para uma sala à parte, pois temia a reação de um estranho que ouvisse o plano.
“Kiba Ranger é esse menino.” Apontou para Kou na imagem. “Se nós enganarmos todos ali e convencermos Kou de que somos os pais desaparecidos dele...”
Por um momento, ela considerou uma iniciativa interessante, mas depois ficou intrigada.
“Espera...nós quem? Você tá me dizendo que...”
“Exatamente...vamos ser os pais do Kou.”
Ela riu. “Shadam, eu não acredito que você...Que ideia é essa?”
“Como assim?”
“Eu...fingir ser sua esposa? Não tem cabimento.”
“Tá com medo de gostar de mim?”
Ela riu novamente.
“Tudo bem, se você tiver outra pessoa pra indicar, me apresente.” ele retomou.
Vestidos como civis, dirigiram-se à escola. Um professor, de nome Kazuhiko Sonozaki, encontrou-os pelo caminho.
“Com licença, quem são vocês?”
“Somos os pais de Kou, que estuda nesta escola. Ele é nosso filho perdido.”
Sonozaki olhou-os, incrédulo.
“Venham por aqui, por favor.” Ele encaminhou-os à sala do diretor.
O diretor abriu a porta e convidou-os a se sentarem.
“Vocês dizem ser os pais de Kou. Não se preocupem, ele é um bom menino, só é muito travesso. Mas então, vamos nos conhecer melhor. Meu nome é Takuya Hamao, e acredito que vocês me verão outras vezes, se Kou continuar a aprontar.” Ele riu. Estendeu a mão e cumprimentou-os.
“Assim que ele voltar pra casa, espero que não te dê mais trabalho.” Shadam respondeu, tentando ganhar a confiança dele.
“Vocês não vão me dizer seus nomes?”
“Shiro e Yoko Tatsumi.”
“Seus documentos?”
“Perdemos num acidente.”
Hamao pegou o histórico escolar de Kou e apresentou a eles.
“É como eu disse: tem problemas de disciplina, mas é dócil. Não faria maldade com ninguém. Até onde eu sei, né?” Riu. Eles sorriram igualmente.
“Desculpem-me pela indiscrição, mas vocês são muito tímidos. Até agora não vi uma demonstração de carinho.”
“É, nós somos reservados mesmo.” Gara respondeu rapidamente.
“Eu sou um romântico inveterado. Mas nunca consegui entrar em um relacionamento. Nem conquistar a menina de quem eu gostava nos tempos de escola. Enfim...” Hamao pausou, depois sorriu com ares de travessura. “Posso pedir uma coisa?”
“O quê?” Shadam perguntou.
“Que vocês se beijassem.”
“Agora?” ele assustou-se.
“É, aqui e agora. Só pra eu ver.”
“Não faz sentido isso, mas...” Por um momento, Shadam pensou que isso devia ser um costume dos humanos e cogitou fazê-lo para conquistar a confiança do diretor. Então, Gara apertou seu braço por debaixo da mesa e olhou-o, preocupada.
“Melhor não, minha esposa está desconfortável com esse pedido...”
A tenente aproveitou que a janela estava aberta e, com o poder do Youryoku, fez surgir uma corrente de ar que soprou sobre as folhas do histórico, levando algumas ao chão.
“Melhor o senhor guardar esses papéis para não perder.” Ela sugeriu.
Ele juntou os papéis e dirigiu-se ao armário para guardá-los. Shadam olhou-a com ar de interrogação, mas ela fez sinal de que conversariam depois sobre o assunto.
“Então, onde Kou está?” ela perguntou ao diretor.
“Bem, pelo horário...Deve estar numa aula ainda. Mas vocês não vão...?”
“Vamos andar pela escola pra conhecer.” ela cortou a fala dele. Cumprimentou-o e agradeceu-lhe. Os dois saíram da sala e caminharam pelo pátio.
“O que deu em você naquela hora?” Shadam perguntou, num tom bem-humorado.
“Shadam, não me fale disso.”
Ele ria.
“Qual é a graça?”
“Você...haha...num desespero, por causa de...não ia acontecer nada de mais...”
“O que você quer dizer com isso?”
“Quem se deixa levar por sentimentos são os humanos. Os Gorma não se afetam por isso.”
Breve momento de silêncio.
“Mas mesmo assim, Shadam...É estranho.”
“Eu falei que você tinha medo de gostar de mim.” Ele riu. Ela deu-lhe um leve tapa no braço, mas riu também.
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