Notas iniciais
Oiii estou aqui com a att, foi mal pela demora :/ Boa leitura Xoxo

Feliz natal. Hoje finalmente é natal, e também tem a ceia, e eu simplesmente AMO uma boa ceia, principalmente da minha mãe. Todo ano vamos comemorar o natal com o resto da minha família na fazenda do meu avô, que fica a mais ou menos uma hora e quarenta minutos daqui, mas esse ano com toda aquela parafernália da seleção acabou sendo por aqui, e meus avós querem ficar para minha despedida na praça, porque um monte de outras pessoas que eu nunca vi na vida querem se despedir de mim? Sendo que eu meio que "tomei" o lugar de muitas das suas filha, mas ok né.

Depois do jornal oficial na sexta, eu ficava mais no meu quarto e tinha começado a encarar as coisas, eu decidi que vou conhecer o resto das selecionadas pessoalmente, não me preocupei em ver a reprise para anotar nomes e castas, não estava ansiosa em conhece-las, porque no fim das contas eu tinha outros objetivos no castelo, porque sempre tem esse negócio de conhecer bem as as adversárias, mas elas não são, mas também não quero contato com nenhuma delas, sempre evitei essas coisas e simplesmente não vou dar uma de menininha saltitante e alegre, não sou esse tipo de pessoa fútil, sei que isso pode parecer um preconceito, nem conheço o rosto delas ainda! Mas não é porque estou em um lugar diferente que eu vou mudar. Odeio pessoas que não pensam, que não sai UMA palavra boa de suas bocas, meninas que tentam parecer mais velhas com maquiagem, mas se escutar elas falam, por Deus! E tenho certeza que na próxima semana o castelo vai estar infestado de meninas tolas, e infelizmente, eu vou estar no meio delas.

Ouvi alguma movimentação na sala de estar, e supus que meus parentes haviam chegado, pensei em meu avô com carinho, e na minha vó como uma chata tagarela, com todo respeito, mas ela é uma bruxa, ela me odeia, olhava para mim dizendo que eu era muito alta, muito magra, muito corcunda (e olha que danço, patinação artística, e nenhuma dançarina é corcunda, POR FAVOR! Eu treino 28 por semana e ela vem me dizer que eu sou corcunda! Ela que tem uma montanha nas costas! É apelar de mais não acha??), muito atrapalhada para uma donzela, mas o que mais me irritava era quando ela falava que patinação artística não valia nada e era uma paixão idiota e sem futuro, que era para eu largar essa coisa toda e me concentrar nos meus estudos para ser uma professora. Por favor! Eu vou ser uma escritora e não uma professora, vou poder me confinar num escritório por horas e horas sem ninguém me incomodar, e lançar minhas histórias, sem nenhuma pessoa infeliz vier para incomodar, nunca me vi como uma professora! Tentei me imaginar com um jaleco, um coque firme, óculos para vista cansada, na frente de um monte de crianças mimadas e metidas ou escrevendo alguma coisa no quadro, eu não tenho a paciência da minha mãe, nem a concentração do meu pai, perco a cabeça muito fácil. Pensei nas minhas duas tias e no meu tio, chatos, são tagarelas e fofoqueiras, e eu não as suporto, a única pessoa que eu queria ver não estava ali, e que era a única coisa que valia a pena nesses encontros de família, só o fato de ela não estar lá já deixava tudo pior.

Desci a escada rapidinho, pisando em cada degrau, cheguei e vi minha vó com uma saia até os joelhos florida, uma blusa rosa, uma bolsinha com a mesma estampa da saia e um xale, e uma mala preta velha com uma camada de poeira, meu avô estava com um chapéu na cabeça, seu bigode farto, tão farto como sua barriga, e ao invés de sua bermuda habitual ele usava uma calça comprida, e tênis social, ele segurava três pacotes embrulhados por um papel colorido, um fino, uma caixa enorme, e um meio amassado, que logo foram colocados de baixo da árvore natalina, com outros pacotes. Eu prometo que vou tentar ser legal.

–Oi, oi- apenas quando eu desci totalmente as escadas eu percebi que tinha mais gente no local, minha duas tias, e meu tio estavam lá, com seus maridos e esposa.

Meu tio era o irmão mais novo da minha mãe, e ele estava com sua esposa, os dois eram muito bonitos e jovens, Giovanna era um pouco mais alta do que eu, tinha cabelos pretos lisos até a cintura, olhos cinzas e cílios longos, hoje ela estava com uma calça preta e um sobretudo vermelho e nos pés botas de cano médio e salto, eu me dava bem com ela. E o tio Jim tinha o ar de "estudante universitário", ele usava calças jeans claras e gastas, e sapatos surrados, tinha o cabelo preto, sobrancelhas grossas, olhos castanhos escuros e deixava a barba rala, hoje ele estava com um suéter marrom e uma toquinha de mesma cor, e com a calça e o tênis habituais, ele e minha mãe, sendo os mais novos da família são muito amigos, ele se casou dois anos atrás, com vinte e um anos, isso significa que ele foi o ultimo a sair de casa, fazenda, dos meus avôs, ele trabalhava lá e ainda tem cicatrizes nas mãos de cuidar das plantações, e a Giovanna achava elas um charme. Antes da minha mãe vem tia Sara, e depois começa piorar, tem a tia Marlene, e antes a Marilene, são as fofoqueiras, e na minha opinião as duas mais a minha avó fazem o trio mais chato do mundo, minha avó, como eu já disse, é o tipo reclamona, minhas tias mais velhas tem idades muito próximas, e são super escandalosas, e as duas tinham filhos mais velhos do que eu, e tem uma boa diferença da idade delas para a da tia Sara (Então fica, Marilene 52 anos, Marlene 50 anos, Sara estaria com 38anos, Teresa, minha mãe, 35 anos, e Jim, com 23 anos) essa é basicamente a minha família, e todos estavam aqui, menos uma notável falta.

De qualquer forma nós recebemos eles na sala de estar, a Neve chego se arrastando e simpatizou com o Jim, ela dormiu aos pés dele. Fomos jogando conversa fora e descobri que minha tia Marlene ia ganhar o terceiro neto, filho de minha prima Melissa, e minha vó comentou com muito orgulho a formatura de Jim, no curso de naturologia, imagino o primeiro dia de Jim, onde ele viu uma bela moça caloura, assim como ele, de longe, e como ficou feliz quando ele descobriu que iam estudar juntos, mas infelizmente o seu curso não serviria para nada, ele ia trabalhar na fabrica de artigos de decoração, e isso era muito mal, porque ele amava o que ele tinha estudado, mas passaria o resto da vida dentro de uma fabrica quente e abafada, e suas cicatrizes na mão iam aumentar. Se algum dia tivesse o poder de mudar isso, não ia pensar duas vezes antes de trocar as coisas.

Depois de sabermos todas as novidades uns dos outros, minha mãe anunciou a ceia. Meias estavam sobre a lareira acesa, que um grande peru assado estava no centro da mesa, cercado por outras comidas natalinas. Depois de mais conversa, e mais comida fomos chegando ao final de nosso jantar, e a essa altura minha tia Marlene estava com o rosto vermelho e extremamente feliz, dando risos a toa, sempre se servindo de mais vinho. Minha vó estava com os olhos espertos, esperando uma oportunidade de fazer um comentário maldoso ao meu respeito, mas logo chegou a oportunidade:

–Lucy, ajeite a postura! Francamente, menina, você não quer parecer assim no palácio!

–Aaaaaah, que bom que tocamos neste assunto! Como foi sua reação ao saber que ia conhecer o príncipe?- Meu avô perguntou, me fazendo engasgar com meu suco de maracujá.

–Vou lhe dizer como ela se sentiu- começou minha vó antes que eu pudesse considerar a pergunta- Ela ficou feliz de finalmente poder trazer algum tipo de honra para a família dela, mas ela não vai trazer se continuar a ficar tão muda!

–Vamos lembrar que ela está aqui na mesa, e se a senhora parar de falar na minha postura, poderia perceber que você é a única interessado a saber como eu seguro um garfo!
Me voltei para meu avô e disse:

–Na verdade eu fiquei meio nervosa, quer dizer, é meio intimidador saber que você terá que parar de se sentir a vontade, por que eu sei que muitas pessoas vão observar meus comportamentos.

– Então porque a senhorita está se incomodando tanto com o fato de eu falar do seu jeito medíocre?

–Porque eu sei que ninguém lá vai falar alguma coisa de mim se está com a saia toda melada de molho agridoce!

–NÃO vou tolerar esse tom comigo vindo de uma menininha de dezessete anos que não sabe nada sobre a vida!

–Ótimo-me levantei abruptamente- só porque a senhora nunca fez nada de bom na vida não significa eu que eu não possa fazer, agora se me der licença acho que já terminei!

–Onde você pensa que vai, mocinha?

–Tomar um banho, e sugiro você a fazer o mesmo!

Ouvi minha mãe me chamando, meu pai me chamando, Marilene me chamando, mas mesmo assim não olhei para trás enquanto subia as escadas com força. Cheguei no meu quarto e chutei o pé da cama, estava borbulhando de raiva.
Eu sei que eu fui super mal educada, e meu comportamento foi "rebelde", e eu estou odiando cada ser vivo deste planeta, eu não sei da onde vem tanta raiva, talvez seja a pressão de ir para o castelo, ou minha avó simplesmente estourou a bomba que vem criando desde que eu me entendo por gente. Estou farta de tentar fazer feliz pessoas que eu não devo nenhuma satisfação, e agora vou ir para um lugar que terei que fazer exatamente isso! Não gosto de ninguém segurando minha rédeas, quero ser livre como um pássaro, e eu posso me libertar escrevendo, quando não tem ninguém me falando o que eu posso e o que eu não posso, ou patinando quando eu posso deslizar pelo gelo sentindo um vento no rosto.

Ouço alguma coisa na minha porta, talvez seja a minha mãe, vindo me falar que eu devo descer e pedir desculpas, mas não é, o som vem de baixo e parece alguma coisa roçando na porta, talvez seja um carrinho de controle remoto idiota que Daniel ganhou de natal, também não é, porque eu não escuto o barulho do motorzinho. Vencida pela curiosidade levanto e abro a porta, então eu vejo a Neve entrando no meu quarto e se arrastando para minha cama.

–Oi minha floquinho de neve- Falo pegando ela no colo e deitando na cama- como é que é não saber de nada? Simplesmente poder dormir em paz e receber comida de graça ou ser amada por todos, menos pela vovó, eu sei como é, ela também é chata comigo, sabe, eu não entendo por que isso tudo, eu mal a conheço e desde sempre ela não gosta de mim, a única coisa que eu sei sobre ela é que ela era uma seis, e estava quase morta de fome antes de se casar com o meu avô. Alguma idéia do que eu possa fazer para contornar isso?

Olho para ela esperando uma resposta e vejo que ela está dormindo, totalmente morta pro mundo, sem saber de nenhum problema. Talvez isso que eu deva fazer! Esquecer um pouco meus problemas e tentar alguma coisa nova, apenas apagar por algumas horas antes de tentar recomeçar! Apenas sussurro "Você é brilhante, Neve!" E sem ao menos tirar os sapatos caio no sono.

* * *

Acordo com o sol entrando pela fresta da cortina e me espreguiço, feliz, por alguns instantes sem lembrar da noite de ontem. Com visão meio desfocada pelo sono e vejo Neve dormindo como um anjinho no estremo da minha cama, então lembro da minha conversa anormal com ela, e depois eu lembro porque eu tive essa conversa. Decido agir como nada estivesse acontecido e me sinto muito alegre, pego minha cachorrinha no colo e vou saltitando para a cozinha. Abro a geladeira e vejo o que sobrou do jantar de ontem, algumas frutas, leite, coisas para um sanduíche( como margarina, peito de peru, queijo, tomate,...), pego o leite e vou cantarolando para os armários onde pego um pacote de cereal e uma tigela, e vou sentar na mesinha da cozinha.

Como observando os cantos da casa, estava muito organizado, e é claro que sobraram minha mãe e Jim arrumando as coisas. Escuto os passarinhos despertando e começando a cantar, acabo a minha refeição para servir a de uma cachorrinha manhosa. Olho para o relógio da geladeira e vejo as horas. Os números 6:50 estão brilhando na telinha. Sinto meu queixo caindo, porque eu NUNCA levanto cedo por nenhum motivo. Então acontece a primeira coisa que começa a acabar com a minha felicidade estranha. O telefone toca.

– Alô?- Atendo, sem entender porque alguém ligaria a essa hora da manha.

–Teresa Pina?- Começou uma mulher com a voz pratica.

–Hein?- Perguntei totalmente abobada- Não, é a Lucy falando, ela ta dormindo, feliz natal...

–Aqui é a Glória, do palácio de Illéa, eu vim ligar para avisar que como a Seleção ia começar pouco antes do natal adiamos um pouco, para as meninas da seleção poderem passar o natal com a família, como você já sabe. Então sexta enviaremos uma moça para lhe ajudar a como fazer as malas, e todos os preparativos para ir para o castelo, e ao longo da semana também enviaremos outros encarregados para sua casa, para tratar de assuntos de papeladas da seleção…

–Hãn?- Perguntei, ela falava tão rápido que só absorvi algumas palavra distintas com "natal" "malas" "papelada"

–Senhorita! Amanhã um encarregado irá a sua casa por volta das duas, esteja atenta, ele lhe dará melhores informações, bom feriado.

E ela desligou. Não estou nenhum pouco ansiosa para encarar essa semana.

Notas finais
Ok, obrigada por ler!!! Xoxo PS.:Favoritem pff