Discovering the Love
5 Capitulo5
Notas iniciais
Tem uma mulher arrumando meu cabelo, não sei exatamente seu nome, mas acho que é alguma coisa com Gabriela, não tenho certeza. São exatamente oito horas da manha e ás onze é minha despedida na praça. Eu estou nervosa e minhas mãos estão suando. Ela já está quase concluindo, meu cabelo está sendo arrumado com uma flor chamada Érica, em qualquer casa que você for em Kent terá estas flores no jardim, ela cresce em um pequeno arbusto com flores rosas e delicadas, tem um aroma delicioso e suas folhas são usadas para curar pequenas gripes. E estou com plantas no meu cabelo porque as selecionadas devem chegar no castelo com a flor da província no cabelo, uma calça preta e uma blusa branca, algum casaco discreto,os sapatos eram a nossa escolha. Hoje eu ia deixar a minha província para ir para uma terra quente e desconhecida, totalmente diferente da qual eu conheço, eu tenho medo de esquecer como é o frio e como é não sentir a pontado nariz.
A mulher que está arrumando meu cabelo chegou hoje aqui em casa, durante toda a semana eu fui bombardeada com visitas inesperadas vindos de Angeles para tratar de assuntos da seleção, um mais desagradável do que o outro.
–Josi, está realmente bonito, ela vai arrasar hoje- minha mãe entrou inesperadamente na sala, pelo visto o nome da moça não tem nada de Gabriela
–Lucy, você já está pensando em ir com que sapato hoje?- ela me perguntou com uma formalidade absurda.
–Sim, mãe- falei encarando a parede- eu vou com a minha bota normal mãe.
–Ok... Hum...Licença- e saiu da sala
–Pronto querida, vamos para a sala e revisar tudo para mais tarde.
Ela começou a me dar dicas de coisas "importantes" de como sentar, ou se dirigir as pessoas, mas aos poucos minha mente foi se desligando da conversa enquanto lembrava da noite de ontem.
Eu estava quase em pânico, eu sabia que seria minha ultima noite como eu mesma, na minha casa, no lugar onde eu pertenço. Meu coração martela constantemente contra meus ouvidos e eu me revirava na cama, não encontrando o sono. E então subitamente eu tive uma ideia, levantei em um salto quase acordando a Neve, ela era mais minha do que do meu irmão, fui até o meu guarda roupa abri a ultima gaveta e peguei meus patins que eu tinha ganhado como prêmio de uma competição simples da região, um cachecol, um gorrinho, luvas e fui para a sacada, abri as portas e um ventinho gelado me fez ficar arrepiada.
Simplesmente joguei meus patins de gelo no chão, não era uma grande altura mesmo. Tirei o excesso de neve da barra de apoio e sentei nela, colocando os pé pro lado de fora, apoiei os pés na pequena parte de chão do lado de fora e uma mão na barra e então me inclinei até meus dedos encontrarem um galho mais próximo, balançando ele de leve e assistindo a neve brilhosa ir flutuando com graciosidade até o chão, e se perdendo entre a camada de neve e gelo. Segurei com mais firmeza na árvore com a mão esquerda e soltei um pé do chão e enroscando minha perna na árvore, agora eu estava metade na árvore e metade na sacada. Com um frio na barriga deixei o chão firme e me pendurei totalmente na árvore, como um macaquinho, e o galho onde eu me encontrava se balançou me fazendo morrer de medo, deixei ele se acalmar, assim como a minha respiração.
Percebi que era hora de eu começar a me mexer, deixei meu pé escorregar até a ligação do tronco e do galho, me deixando mais firme, e fiquei mais reta na árvore, fui me apoiando nos galhos até o final da copa da árvore e percebi que teria que pular, não é um grande salto, mas meu principal medo era fazer muito barulho ou escorregar no chão liso. Fui me preparar para saltar e infelizmente eu mudei meu pé de lugar sem prestar muita atenção, e acabei me apoiando num lugar com gelo e escorreguei fazendo um belo de um "baque" seco no chão. Senti uma pontada de dor no quadril, que eu cai em cima dele.
Deitei no chão com os batimentos cardíacos acelerados esperando a adrenalina sair do meu corpo. Com o contato com o meu corpo quente a neve foi derretendo e molhando algumas partes do meu corpo me deixando com frio, então eu estava ali, parada olhando as estrelas acima de mim, piscando naquela imensidão preta, eu vi como a situação era ridícula, como aquela posição me lembrava a primeira vez que eu fiz anjinho, comecei a rir pelo nariz baixinho e resolvi me levantar, tentei ignorar a forte dor no quadril fui buscar meus patins, que estavam a pouco mais de um metro de onde eu cai. Fui andando pelo emaranhado de ruas, não demorei muito para chegar em um bosque perto da minha casa, e tinha um lago de tamanho um pouco menor que meu quintal, era ótimo, para passar o tempo, mas ele só ficava totalmente bom para praticar quando estava MUITO frio, e tivesse um boa camada de gelo. Sentei em uma pedra coberta por musgo e coloquei meus patins, fui fincando ele na grama até chegar o lago e fui deslizando com leveza, quando comecei a sentir o familiar vento no rosto de quando se pega velocidade, permiti que atravessasse um sorriso pelo meu rosto.
Cheguei em casa exausta e a caminha da de volta para a casa foi muito mais demora que a primeira, entretanto foi mais fácil subir na sacada do quarto. Pulei na sacada e abri e porta para encontrar a minha mãe me olhando, de uma maneira mortalmente séria.
Me inclinei de leve e soltei os patins que estavam na minha mão direita, olhando diretamente nos olhos dela, continuei tirando o excesso de roupa para aquecer, e jogando junto aos patins, sempre encarando os olhos dela.
–Você sempre foi meio rebelde- Ela finalmente falou, ainda estava muito séria, mas sua voz transmitia decepção- Eu estava acordada achando que você poderia estar nervosa com amanha, mas isso eu não esperava.
–Pelo amor de Deus mãe, qual é o problema de eu querer pegar um arzinho? Até parece que eu ia fugir ou qualquer outra coisa!
–O problema filha é você não só quebrou o toque de recolher, mas saiu sozinha com pouca roupa em pleno inverno, e foi para um bosque sozinha DE NOITE!
–Mãe, eu acho que eu não posso patinar num lago quando ele não está congelado, então pra isso tem que estar no inverno!
–Não seja sarcástica com sua mãe! E caso você não saiba, você está indo pro palácio agora, e vai ser exemplo para um monte de garotas de Illéa, e agora você quer dar uma de aventureira e sair sozinha de noite só porque está revoltada com as coisas, você se pôs em perigo arriscando TODO o investimento que eu e seu pai te damos só para ter um curto momento de prazer e adrenalina!
Eu não acreditei no que eu estava escutando, minha mãe nunca brigou sério comigo, e agora ela está aqui na minha frente quase se descontrolando.
–Mãe! Eu não estava em busca de adrenalina ou qualquer coisa assim,meus momentos de prazer estão contados a partir de agora! Eu estou indo para um palácio para me comportar de uma maneira totalmente diferente de eu mesma, eu nem sei porque fui me meter nessa droga! E na minha ultima noite você vem no meu quarto para me dar sermãozinho idiota, dizendo que eu não posso me arriscar e que agora eu sou um exemplo para garotas que eu nem conheço!
–As vezes acho que minha mãe tem razão sobre você, você pode ser muito ingrata e ignorar o esforço dos outros para o SEU bem estar, não sei com quem você aprendeu isso…
– COM QUEM EU APRENDI, MÃE? AGORA VOCÊ ESTÁ CONCORDANDO COM UMA VELHA QUE NÃO PENSA ANTES DE FALAR! VOCÊ É UMA BOA MÃE? VOCÊ FICA TENTANDO DIZER QUE É BOAZINHA COM AS PESSOAS E PACIENTE MAS VOCÊ NÃO É, FAZ ISSO PARA BENEFICIO PRÓPRIO, VOCÊ ACHA QUE EU NÃO PERCEBO? EU NÃO LIGO PRA O ESFORÇO TEU E DO MEU PAI? EU NÃO TIRO NOTAS EXCELENTES? QUAL É O PROBLEMA DE FAZER AS COISAS QUE EU GOSTO? Na verdade eu sei porque! Porque a senhora nunca fez nada vida além de ensinar pirralhos o alfabeto!
–Eu não preciso de uma garotinha de dezessete anos que não sabe nada sobre o mundo para falar como eu devo ser! Eu sei que não sou assim- ela estava realmente magoada, ela se enrolou um pouco nas palavras ao responder, mas eu estava com muita raiva para me importar, como ela tem coragem de dizer que jogo o esforço deles fora?
–Podes achar isso, mas é assim que a tua filha te vê!
–Eu não acredito que minha filha é assim! Nunca fiz nada para dar um motivo dela me ver desse jeito...
–Isso te incomoda?
–Claro que sim, não era a minha inten…
– Eu não ligo.
Ela me olhou, assustada com a frieza na minha voz, e eu vi lágrimas encherem seus olhos, me deu uma ultima olhada rancorosa antes de atravessar a porta.
Fiquei ali parada, enquanto ela fechava a porta, com muita, muita raiva. Essa foi a primeira vez que eu discuti com ela, justo no dia anterior da minha ida para o palácio, e talvez eu a deixe sem reconciliar, duvido que a gente se entenda amanha, se depender de mim com certeza não.
Por um momento eu fiquei com medo dela contar ao meu pai. Eu tinha receio e um pouco de medo dele, porque a dois anos eu e mais duas amigas, Natasha e Jolie, estávamos indo para uma festa de quinze anos de uma garota da nossa sala, o pai de Jolie estava levando a gente e de repente o pai da Natasha ligou e disse que ela tinha fugido de casa e não tinha autorização de ir na festa e disse para ele levasse ela para casa, só que de uma maneira bem brutal, ele falava tão alto do outro lado linha que era impossível não escuta-lo. Então o pai dela deu meia volta e nos levou de volta, a Natasha não falava nada, mas dava pra perceber que ela estava nervosa. Estávamos quase em casa quando cruzamos com o carro dele, o pai da Jolie parou e ligou o pisca-pisca, então o pai da Natasha, que é um homem gigante que se chama Ranieri, desceu do carro abriu a porta do carro da Jolie e a arrastou para fora, então ele levantou a mão bem alto e desceu no rosto dela com MUITA força, enquanto ela chorava e não fazia nada, depois disso praticamente jogou ela dentro do carro e saiu voando por cima da lombada. Nas semanas que se passaram ela tentava, inutilmente, esconder o inchaço com maquiagem. Ta o que que tem haver com eu ter receio do meu pai? Acontece que eles são amigos. Da escola. E uma vez a Natasha me disse que os dois eram meio que os "bonzões" da escola, e tal, então desde esse episódio eu tenho um pé atrás com ele. De qualquer maneira não acho que ela vá contar pro meu pai…
–Entendeu Lucy? Quando você chegar no palácio vocês receberam novas intrusões, não se preocupe quanto a isso, mas não deixe de comprimentar o público, porque vai ter bastante gente na sua chegada, isso causa bastante simpatia para eles.
–Ok- Me desliguei totalmente da conversa, mas, durante a semana toda escutei isso, e sei que não foi muito diferente das outras conversas.
Fui lá em cima para arrumar a minha mala, coisa que eu tive adiando, tenho medo de que se eu tirar as coisas do lugar, elas não voltem a ser como eram antes. Vejamos. Meu pijama, uma roupa confortável para ficar no quarto, meu perfume, por que eu tenho certeza que não vai ter nenhum igual ao meu e eu quero conservar o meu cheirinho, alguns rascunhos de livros, meu aparelinho de música , que mais eu levo? Alguma joia? Tenho certeza que lá vão me fornecer. Roupas não precisa de muita, já que vão me vestir. Acho que deu. Peguei o uniforme das selecionadas e vesti, coloquei uma meia calça de lã para esquentar, a calça preta, a blusa da mangas curtas branca, minha bota de fivelas, um lenço no pescoço (eu nem sei se pode, mas eu não ligo), e um casaco marrom. Me olhei no espelho e dei uma olhada no meu cabelo, ele estava como eu geralmente uso, de lado para direita, só que uma chuva de florezinhas rosa caindo pelo meu cabelo, o que impedia eu passar a mão pelo cabelo, uma das regras de Josiane.
Fechei minha mala e desci, me jogando no sofá.
Minha família ainda estava se arrumando quando eu cheguei de modo que estava sozinha com a Neve e a Josiane, peguei a Neve e coloquei no meu colo, dando carinho nela, de maneira meio saudosa, sei lá antes eu queria cozinhar ela e agora to com pena de deixar ela aqui. Fiquei lá coçando as orelhas dela quando meus pais desceram com roupa formal esportivo, tipo, meu pai tava de calça jeans, camiseta social e um blazer e um sapatênis, meu irmão igualzinho mas ao invés de um blazer tinha um lenço no pescoço, minha mãe com uma blusa de botões branca um sobretudo preto, calças jeans e botas muito mais elegantes que a minha, ela tinha um salto e tinha um bico fino. Minha avó estava com aquelas roupas ridículas floridas e meu avô normal. Ficamos nos olhando por um tempo até que Josiane falou:
–Ok, acho que já podemos ir pro carro.
Foi horrível. Um segundo após o outro, fomos para o carro e meu coração tinha voltado a minha cabeça, bombardeando o meu ouvido, entramos no carro e meu pai estava quase dando partida quando Daniel saiu do carro correndo, sem nenhum aviso, e quando voltou carregava a Neve nos braços, ele simplesmente colocou ela no meu colo e deitou no meu ombro.
Fomos indo devagarinho para a praça, enquanto isso eu via alguns funcionários do governo jogando sal na estrada, para evitar que a neve se acumule. Enquanto passávamos eu já sentia saudade, Kent fica bem no norte de Illéa, perto da floresta, tem uns dois bosques (um fica perto da minha casa), e é meio velha, tipo, não sei como explicar mas, as casas já estão aqui a muito tempo, sei lá mas passa um ar de antiguidade. Kent é também absolutamente acolhedora, não tem como se sentir deslocado aqui, é frio, as casas geralmente são rústicas, e tem uma lareira acesa, é impossível se sentir mal aqui, o verão é muito bom, não esquenta muito, o inverno é bem rigoroso, mas nada que um bom casaco de lã não aguente, não tem muitos moradores de rua, e o que eu mais gosto, mesmo sendo um das províncias menores, é fresco, o fato de ter muita natureza e ser frio passa essa ideia der respirar ar puro. E o fato que quase todas as famílias serem descendente dos italianos, da um ar de família e festa. Não é nem um pouco sufocante. E isso é o que mais me assusta em ir para Angeles, acho que o calor vai me dominar e me sufocar, os altos muros do palácio vão tirar a minha liberdade, não vai ser a primeira vez vez que eu vou para lá, na verdade a última vez foi em outubro, no Hellowean, como todos dizem que o Hellowean é uma data especial para a rainha América e o rei Maxon, convidaram as campeãs da patinação de cada província conviveram um mês juntas (devo dizer, foi um inferno com tantas meninas) para ensaiar uma apresentação para comemorar a data, e a família real estava lá. Enfim foi a primeira vez que eu fui para e lá e já desejei ser a última, agora eu vou voltar para lá.
Chegamos na praça onde já se encontrava uma pequena multidão, e o prefeito já estava em cima do palco improvisado, fazendo um discurso pomposo.
Subimos no palco por uma escadinha discreta, meu irmão com a Neve no colo, a multidão aplaudiu quando nós aparecemos. O prefeito começou com um novo discurso idiota, falando algo sobre a honra de me ter representando a província de novo, e que eu estava linda hoje…Daniel apareceu do meu lado e me abraçou, tristonho. Depois ele colocou a Neve nos meus braços, e eu segurei ela meio atrapalhada, olhando ansiosamente para as pessoas assistindo minha despedida, para ver o que elas achavam de eu segurar um cachorro, sei lá né, vai que eles sintam nojo ou qualquer coisa assim, mas eles parecerem ter achado "fofinho". O prefeito perguntou se eu queria dizer alguma coisa, e eu meio que travei na hora e então ele me deu um empurrão de leve, me incentivando.
–Er... Obrigada por estar aqui, é, hum, muito especial para mim ter vocês me incentivando de novo — Tentei não olhar para os rostos das quais eu tinha tirado a oportunidade de ter um romance com o príncipe — eu vou sentir saudade de Kent. Obrigada.
O prefeito se aproximou de mim para retomar a fala, e nesse momento a Neve cheirou as orelhas dele, a tudo mundo riu quando ela tentou lamber ele, mas eu a puxei antes que isso acontecesse.
Agora estava eu tinha que realmente dar adeus, comecei com meu irmão, dizendo para ele se cuidar e também da Neve, que eu amava ele e ele estava no meu coração, ele me deu um abraço dizendo "Eu te amo mana, volta logo" apertei ele um pouco mais forte antes de solta-lo. Com meu pai foi mais breve, ele me abraçou e disse que me amava e tal, depois meus avós, eles me desejaram boa sorte e "vão estar comigo", minha avó não esqueceu de lembrar para não fazer nenhuma bobagem. Minha mãe estava chorando quando fui abraça-la, ela pediu desculpas e disse que eu tinha todo o direito de estar nervosa, e que eu estava linda e ia brilhar mais que uma estrela, dai eu também pedi desculpa e tals. Daniel abraçava a minha perna enquanto nós esperávamos o carro chegar. Quando chegou dei um último beijo no Dan e na Neve, acenei pro resto da minha família e entrei no carro.
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