Dirty Little Secret
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Gente, to passando rapidinho aqui e demorei novamente né? sinto muito, mas eu vou ter prova amanhã e to surtada estudando um bicho do demonio chamado Biologia Celular (algum de vocês vai prestar vestibular na área da saúde? repensem e fujam enquanto há tempo, amigos!)
Esse cap é fofinho e espero mesmo que vocês gostem.
Ah é, e quanto a Quinn + Jake, só tenho algo a dizer: nojento, mas necessário.
Boa leitura amores *-*
Finn Hudson andava em meio ao corredor apinhado de gente de Carmel. Um casal se beijava com um fervor incomum para as sete horas da manhã, encostados ao mural do terceiro ano. Atrás deles, o rosto sorridente e demasiadamente maquiado de Lex sorria altivo em um cartaz de cartolina. “Vote em Lex para Rainha do Inverno”. Finn bufou ao lembrar-se da discussão que havia tido com Lex Furman no dia anterior.
- Você pode parar de me tocar, por favor? – pediu Finn por aquela que deveria ser a vigésima vez. Lex o olhou, brava, e cruzou os braços sobre os seios grandes.
- O que está acontecendo com você, Finn? – a garota levantou-se do sofá da cabana e se encaminhou para fora do local, batendo os pés enfiados numa bota cor de rosa com força no chão velho de madeira. O barulho era ensurdecedor.
Ele não sabia explicar o que estava acontecendo com ele, também. Ali estava Lex, linda em um vestido de mangas compridas, curto apesar do frio que havia tomado Lima naquela semana. E ela estava louca por ele. Seu amigo Jake beijava uma garota loira a alguns metros. A aparência dela destoava de Jake e do local: os cabelos loiros estavam puxados para trás com uma tiara de laço, e o corpo magro e esguio estava vestido com meias-calças e um grande e pesado casaco amarelo. Se apresentou como “Quinn Fabray, muito prazer em conhecê-lo”.
Finn levantou-se do sofá e, após alguns problemas com a velha porta da cabana, se viu fora dali. O vento frio fez com que ele fechasse seu casaco e colocasse as mãos dentro dos bolsos. A floresta ficava linda no inverno, e ele se perguntou se Rachel gostaria da vista: o sol se pondo por trás das árvores desfolhadas, a grama pintada da geada que vinha com a noite, os pássaros migrando para algum local mais quente. Será que Rachel o abraçaria, arrepiada pelas rajadas de vento frio? Será que ele estava louco por pensar tanto em Rachel?
- O que eu fiz, Huddy? – disse a voz de Lex, subitamente. Finn se retirou de seus devaneios. Argh, como ele odiava aquele apelido. Por que decreto permitia que Lex o chamasse assim? – Você não gosta mais disso? – perguntou, jogando os cabelos platinados para trás e franzindo os lábios de forma sexy. Aproximou-se dele, se colocando na ponta dos pés e o beijando nos lábios. Finn retribuiu o beijo, sem emoção. Após alguns minutos, Lex afastou os lábios cor de rosa dos dele e mordeu os próprios lábios, suas segundas e terceiras intenções estampadas em cada gesto exageradamente sexy.
- Não, Lex. Eu não gosto mais disso.
Ele viu a máscara de sensualidade derretendo pouco a pouco, e os lábios se abrindo em surpresa. Ela parecia ofendida, e Finn se perguntou se tinha perdido a cabeça. Lex Furman era sexo bom e fácil. Ela não cobrava um anel, ou flores, ou presentes no Dia dos Namorados. Ele sabia que ela queria todas essas coisas, mas se sujeitava às regras dele na esperança de um dia te-las. Finn poderia continuar enrolando Lex por pelo menos mais um ano, o suficiente pra ele dar o fora de Ohio, como pretendia. Bastava uma ligação e Lex estava em sua cama, ou em qualquer lugar que ele desejasse. Então por que isso parecia tão vazio agora?
Lex virou as costas pra ele, batendo os longos cabelos no seu braço e caminhando rápido em direção à saída da floresta. Algumas folhas se enroscaram nos seus pés e Finn pode ouvi-la gritar. Esperou por alguma sensação de arrependimento. A sensação não veio.
Finn percebeu Lex a alguns metros. Quando o viu, seu rosto bonito se contorceu em uma careta triste, e suas lacaias que a cercavam lançaram olhares assassinos em direção a ele. Ele deu um sorriso afetado para as garotas e aumentou o volume de seu disc-man.
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- Você parece uma tulipa.
O sorriso bonito no rosto de Quinn murchou ao ouvir as palavras de Rachel. Virou-se para o espelho, analisando a forma como a saia caía em camadas brancas à partir de sua cintura, onde uma fita cor-de-rosa delineava seu formato pequeno. Talvez Rachel estivesse certa. O vestido era mesmo um pouco exagerado. Mas ela estava começando a se arrepender de ter convidado a amiga para matar aula e buscar vestidos de festa em sua companhia no centro de Lima. Cada vestido era duramente criticado e Rachel nem ao menos se esforçava para parecer feliz. Só ficava lá, sentada na poltrona, emburrada.
- Você pode se esforçar pra ser uma boa amiga e fingir que está feliz por mim? – disse Quinn, brava, entrando no provador novamente.
Rachel suspirou, um pouco arrependida por estar sendo tão amarga. Quinn era sua melhor amiga e ela deveria compartilhar de sua felicidade. Ontem à noite, Jake – o limpador de piscinas dos Berry, com quem Quinn estava saindo há duas semanas — havia pedido à ela para ser sua acompanhante no Baile de Inverno enquanto os dois jogavam boliche. Mas as surpresas não haviam parado por aí: durante o jantar no Breadstix, ele a pedira em namoro. Então era de se esperar que Quinn mal pudesse se controlar e agisse exatamente como uma bridezilla adolescente. O problema é que Rachel queria um grande pedido de baile também. Queria escolher o seu vestido e programar cabelo e maquiagem junto de suas amigas. E ficar ali, vendo sua melhor amiga provar vestidos, era torturante demais.
Quinn saiu novamente do provador, usando um maravilhoso vestido salmon, longo, que delineava seu corpo de proporções perfeitas. Rachel nem ao menos teve de esforçar para sorrir: Quinn estava linda, como o fantasma de Lauren Bacall.
- É esse. Jake vai cair para trás quando a vir! – disse Rachel, esforçando-se para soar animada. Não era culpa de Quinn que ninguém a houvesse convidado para ir ao baile, afinal.
- Você acha? – perguntou Quinn, voltando a sorrir para a amiga. As discussões entre as duas eram sempre assim: esquecidas em questão de minutos, no máximo. Toda vez que tentavam parecer bravas uma com a outra, não alcançavam êxito algum.
- Tenho certeza!
Quinn virou para o espelho, observando o vestido em ângulos diferentes e alargando ainda mais o sorriso.
- Rach? – chamou, voltando a se virar para a amiga. – Me desculpe pelo que eu disse, está bem?
Rachel se levantou, andando até Quinn e a abraçando.
- Me desculpa por estar agindo como uma vaca amarga.
Ambas permaneceram no abraço, sorrindo.
- Meninas? – chamou, uma voz masculina. As amigas se viraram para a porta do provador e se depararam com Jake Puckerman, parecendo um pouco desconfortável ao lado de tanto tule e cor-de-rosa. Quinn deu um grito agudo e se enrolou na cortina do provador, cobrindo-se e gritando algo sobre ele não poder vê-la no vestido antes do baile. Rachel ia perguntar se essa regra não era válida somente para casamentos, quando Jake (devidamente virado de costas para o provador da namorada) disse que não estava ali para ver Quinn. Estava ali para ver Rachel.
- O Finn me pediu pra vir até aqui e dizer que ele está te esperando na cabana. Eu nem sabia que vocês se conheciam...
Rachel parou de ouvir o resto do relato de Jake. Finn estava chamando-a. Sentiu algo gélido nas veias, amedrontada. Despediu-se rapidamente de Quinn e Jake, vestiu seu casaco, colocou a mochila nas costas e correu até seu carro.
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Rachel amaldiçôo mentalmente as nuvens carregadas que se tornavam cada vez mais cinzas à medida que ela caminhava por entre as árvores das florestas de Lima. Ela tentava caminhar o mais rápido que podia, mas não ajudava o fato de estar usando sapatilhas e não galochas, que seriam mais adequadas ao chão úmido e coberto de folhas do local. Avistou a cabana à frente e, na ânsia de chegar a um abrigo antes da tempestade que o céu cinzento prometia, enroscou o pé em um buraco. Reprimiu um grito, de surpresa e dor, e retirou o pé de lá lentamente. Estava sujo de terra úmida e exibia escoriações na pele branca. Mancando um pouco, chegou até a porta da cabana. Jogou o seu peso sobre ela, abrindo-a no mesmo instante em que a chuva começou.
Finn, que estava deitado no sofá, levantou-se rapidamente ao ouvir a porta ser aberta de supetão. Rachel estava parada na porta, com os cabelos um pouco bagunçados pelo vento, os olhos arregalados, e algumas folhas grudadas na perna. Ele se esforçou muito para ao rir.
- Olá Noiva do Frankstein. – começou, levantando-se e indicando que ela se aproximasse. — Você entrou de supetão e trouxe a chuva com você. Rachel Berry, a Srta. seria uma bruxa?
- Não tem graça Finn. O que aconteceu? – perguntou, a voz ansiosa, colocando a mão sobre o braço dele no instante em que conseguiu se aproximar.
- Nada demais.
- Você é idiota? Eu estava desesperada. Esperava te ver sem um membro, sangue espalhado pelo chão, ou alguma coisa do gênero. Achei que só tivéssemos a próxima lição amanhã.
Finn riu do desespero dela, colocando uma das suas mãos em sua cintura.
- Em primeiro lugar, os livros que você está lendo estão te afetando. Isso é sério e é preocupante. – Rachel rolou os olhos e Finn se esforçou para não cair na risada novamente. – Em segundo lugar, nós teríamos a próxima lição amanhã. Mas eu a estou cancelando. Aconteceu um imprevisto.
- Cancelando?
- O meu avô se machucou. Quebrou a perna ao cair de cima de seu trator, segundo minha mãe disse. Nada sério. Mas alguém precisa ir pra lá e ajudá-lo com a fazenda, e sendo o seu único neto o sorteado fui eu. Eu parto amanhã de manhã, devo passar o próximo mês no Texas, ajudando-o. Então, as lições estão suspensas por agora. Por favor, não chore ou ameace cortar os seus pulsos.
Rachel o olhou, parecendo um pouco brava. Cruzou os braços abaixo dos seios, e só aí Finn reparou que ela usava o uniforme. Uma camisa branca, saia xadrez um pouco acima dos joelhos, e sapatilhas pretas. O protótipo do sonho adolescente. Alguns pensamentos sujos se passaram por sua mente, e Finn tratou de bloqueá-los.
- Você poderia ter passado o recado pelo Jake Eu não precisaria ter vindo até aqui, com esse tempo ruim e esse frio de rachar.
Finn abaixou o olhar, sentindo as veias pulsarem.
- A verdade é que eu queria te ver antes de ir embora.
Rachel sentiu as batidas do coração acelerarem um pouco e um frio no estomago a deixar vertiginosa. Desmanchou a carranca brava e se aproximou ainda mais de Finn. Ele não queria ir embora antes de se despedir dela. Isso significava alguma coisa, certo? O problema é que ela não sabia exatamente o que poderia significar. Jesse dizia que a amava, mas na primeira oportunidade passou a ignorar a sua existência. Finn dizia que ela era egoísta, mimada, e arrogante, mas não ia embora ser dizer um adeus. Antes que Rachel pudesse perguntar qualquer coisa, Finn soltou um palavrão.
- O que aconteceu com o seu pé? – questionou, abaixando-se para fazer um exame minucioso do pé da garota.
- Ah... eu afundei em um buraco sem querer. – Finn tocou um dos cortes no pé dela, fazendo com ela soltasse um gemido. – Não toque, dói!
- Isso está horrível. Se senta.
Rachel preparou-se para responder que não se sentaria em lugar algum, que estavam em pleno séc. XX e as mulheres não eram subordinadas dos homens; quando Finn voltou a falar.
- Por favor, não seja mandona e se senta. Eu vou pegar um kit de primeiros socorros e dar uma limpada nisso. Além disso, se você pretendia ir embora, não vai conseguir. Está chovendo à cântaros lá fora.
Ela sentou-se, contrariada.
- “Isso” por um acaso, é o meu pé. E você não parece o tipo de pessoa que diz a palavra “cântaros”.
Finn a ignorou e continuou a procurar pelo kit, encontrando-o embaixo de uma madeira solta.
- E você parece exatamente o tipo de pessoa que é: falante, mandona, e chata.
Rachel mostrou a língua pra ele, enquanto ele se sentava ao lado dela.
- Coloque os pés no meu colo.
Ela obedeceu, colocando os pés no colo de Finn e se recostando sobre o braço do sofá. Só agora, sem toda a preocupação e estando completamente relaxada, é que Rachel percebeu como o seu pé doía.
- Por que vocês têm um kit de primeiros socorros na cabana? – perguntou, tentando desviar o seu pensamento das pontadas em seu pé. Finn retirou as sapatilhas dela, e concentrou-se na tarefa de embeber algodões em álcool. Quando colocou o algodão sobre um dos cortes em seu pé, Rachel soltou um gemido baixo e se retesou.
- Acontecem algumas festas ou encontros um pouco mais agitados aqui. É bom ter esse tipo de coisa em um lugar onde as pessoas só param de encher a cara quando a bebida acaba.
Rachel assentiu e voltou a recostar-se no sofá, acostumada à sensação do álcool queimando sua pele. Foi somente nesse momento que reparou que as cortinas que cobriam a única janela da cabana – quadrada e de tamanho médio – estavam abertas, dando uma visão privilegiada dos pingos de chuva caindo sobre as folhas das árvores, e do céu escuro entrecortado por somente alguns teimosos raios de sol fracos.
Finn terminou de limpar os machucados no pé da garota, olhando para ela em seguida. Ela tinha recostado no sofá, o rosto apoiado em seu braço esquerdo. Olhava para a janela, focada na visão da chuva caindo. Ele retirou os pés dela de seu colo, e tornou a guardar o pequeno kit por baixo do piso de madeira. Ao se voltar para o sofá, viu Rachel um pouco sonolenta, encolhendo as pernas junto ao tronco. Aproximou-se devagar e, com cautela, se abaixou ao lado dela. Ela o olhou e sorriu, fazendo-o sorrir também. Finn passou uma das mãos no rosto de Rachel, uma carícia suave que a despertou. E então, sem dizer nada, ele a beijou. O beijo foi diferente de todos os outros beijos que ambos haviam compartilhado. Foi um beijo suave, calmo, onde não se estava aprendendo ou ensinando nada. Um beijo espontâneo.
- Estamos no meio de uma lição? – perguntou Rachel, quando os lábios de Finn deixaram os dela por alguns segundos.
- Não dessa vez.
Rachel sorriu e Finn tomou os lábios dela uma outra vez. A chuva continuava a cair lá fora, e o cheiro de terra molhada invadia a cabana. As mãos de Finn passeavam pelo corpo suave de Rachel, e as dela imitavam os seus movimentos. Roupas foram tiradas e as horas esquecidas. Pela primeira vez, Finn não sentiu necessidade de música tocando. O barulho tranqüilizante da chuva, somado às batidas frenéticas do coração de Rachel era toda a sinfonia da qual ele precisava.
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