– Mello? Mello... Acorda seu porra! – Matt dá um tapa na bochecha esquerda de Mello, que acorda imediatamente.

– Por que me bateu?!

– Você estava desmaiado...

– AH, E QUE ÓTIMO MODO DE ME ACORDAR, NÉ?

– Eu poderia ter feito pior – Mello pensou nas possibilidades de Matt ter feito pior.

– Eu sei. Ahn, cadê o Near?

– Preocupado com o albino, hein? – Matt acendeu um cigarro. – Eu não sei onde ele está.

– C-como assim? O que aconteceu? Por que eu desmaiei? Espera aí... Estou lembrando... Matt me diga que você pensou no caso enquanto estive desacordado.

– Claro que pensei.

– E...?

– L.

– L? O que tem ele?

– Foi L.

– Você sabe que B...

– Tenho certeza que foi L! – Matt interrompe.

– Mas não faz s...

– Faz! Pensa Mello!

“L... Como assim? Matt, o que você quer dizer?”

– Então o plano é esse? – Pergunta Near.

– Sim – L responde. – Mello precisa enxergar a realidade antes que perca tudo.

– Mello é esperto. Ele não deixaria isso passar direto...

– Então por que ele demorou tanto?

– Porque ele não sabe...

– Exatamente.

Near pensou um pouco. “Entendi... Tão simples...”

– Não entendi ainda, Matt – reclama Mello. Matt suspira.

– Tenho certeza de que daqui a pouco você entenderá. L não faria uma merda tão grande – Matt sussurra a última frase.

– E por que você não me explica?

– Você enxergaria melhor se visse sozinho.

– Ah... – Mello só conseguiu dizer isso.

O louro só conseguia se preocupar com o pequeno. “O que aconteceu?” “Onde Near poderia estar?” Mello só pensava nisso. “Mas... por que eu estou preocupado com Near? Não é como se eu o amasse. Com Matt seria diferente. Com Matt é diferente. Eu não... Eu... Eu perdi o Near...” Mello enfim havia se tocado do que Matt falara. Mello enterrou o rosto entre as mãos. “O que fiz em todos estes anos? Era para eu cuidar dele, protegê-lo.” O louro limpou as possíveis lágrimas dos olhos e foi ao quarto de Matt.

– Você estava bem pensativo.

– Eu consegui Matt. Eu entendi. Não existe “B”, ele não está no orfanato. L entendeu o que se passava comigo. Vocês... Vocês estavam no meio disso tudo, não estavam?

– Não há mais o que o esconder. Sim.

– Então pare de jogar, largue esse cigarro e me ajude a achá-los.

– Claro, mas deixe-me zerar, eu zero rapidinho...

Mello suspira e desliga o videogame da tomada. Matt protesta e vai andando na frente.

– Aquilo foi golpe baixo.

– Cala a boca, ruivo. Você tá reclamando durante quinze minutos sem parar.

– Mas foi golpe baixo.

– CALE A PORRA DESSA BOCA QUE EU NÃO AGUENTO MAIS!

Mello empurra Matt com força pro lado e toma a dianteira. “É melhor eu ir na frente se for pro Matt ir reclamando.”

– Mello, aonde você pretende ir? – Mello para bruscamente.

“Aonde eu pretendo ir? É mesmo. Não vejo L desde o começo do caso. E Near está sumido.”

– Desculpe eu te meter nessa, ruivo. Eu vou atrás de Near. Desculpa.

– Não cara, eu vou junto.

– Sem chance. Você... Você... – Mello estava corando.

– Ah... Entendi maninho – Matt estava sorrindo. – Não vai perder, hein?

– Pode deixar – então Mello deixa Matt, os dois com um grande sorriso no rosto.

Near estava em seu quarto montando um grande quebra-cabeça branco. O pequeno não conseguia tirar o louro de sua cabeça. Mal esperava para vê-lo decifrar o caso. Sempre tentava adivinhar o quanto Mello estava perto e quanto tempo mais demoraria...

Mello escancarou a porta do quarto de Near.

– Near... AH PORRA, VOCÊ ESTÁ AQUI! – Mello ofegava muito, sua franja loura colava na testa e Near não conseguiu se contiver. Levantou de imediato e abraçou Mello, que afagava os cabelos brancos do pequeno. – eu juro. Eu juro que jamais vou te abandonar. Juro que ninguém chegará perto de você além de eu mesmo – Near só ficava quieto. Quieto demais. – Ei, pequeno. O que foi? – Foi então que Mello percebeu. Near estava chorando.

– Eu te amo, Mello.

– É eu sei. E eu demorei em perceber que sinto o mesmo. Eu te amo, branquelo. E não quero saber da porra da diferença de idade. Você é meu.

– Sou todo seu.

Near se afasta o suficiente para olhar nos olhos de Mello. Suas pulsações estavam aceleradas. Near estava na ponta dos pés. A pulsação do pequeno ficava cada vez mais acelerada à medida que sentia o cheiro de Mello. Os rostos dos dois garotos estavam a milímetros de distância, paralisados. Near só pensava que o gosto deveria ser melhor que o cheiro. Muito melhor. E Mello sentia a fragilidade do pequeno em seus braços. Sentia medo de machucá-lo. Porém esse medo se esvaiu quando os lábios de Near tocaram os seus.

– Ele conseguiu – a voz de L era muito baixa.

– Sim.

– Está triste?

– Claro que não. Eu o amo. E se realmente sinto isso, tenho que deixá-lo feliz. Não importa o que for. É um preço pelo qual posso pagar.

– Você está certo, Matt.

– Near?

– O quê?

– E agora? Como vai ser daqui pra frente?

– Eu não sei – respondeu o pequeno, agarrando-se ao louro.