Dirt And Roses - Part I
6 Capítulo 6
Near estava sentado no colo de Mello, os braços ao redor do pescoço do louro. De vez em quando lhe dava leves mordidinhas no pescoço. Mello, por sua vez, sempre aproximava o pequeno ainda mais para si.
– E aí, casal!
Automaticamente, Near sai de cima de Mello e senta-se ao lado.
– Porra seu besta, você me deu um susto – reclama Mello.
– Dei, é? Bem, vocês sabem que eu vi, não adianta ficarem escondendo – Matt estava com um sorriso perverso no rosto.
– Seu putão. Aposto que ficou batendo uma – Mello passou o controle da televisão para Matt e Near, como sempre, ficava quieto.
– Claro. Romance gay. Você nem sabe como eu fico excitado. Mas não é ruim para vocês namorarem aqui? Na sala?
– Você sabe que quase ninguém, ou melhor, ninguém entra nesta sala – Near pega na mão de Mello.
– Vocês têm razão. Mas com uma exceção. Tenham cuidado – Matt dá uma piscadela. – Talvez eu esteja observando – e com um sorrisinho, Matt sai.
– Que filho da puta! – Exclama Mello. – Agora entendo porque você fica quieto e o ignora.
– Mas ele é seu amigo.
– É por isso que tenho que aturá-lo.
– Você sabe o que ele sente.
Mello dá um suspiro. “Sim, eu sei.”
– Ah, a propósito... – A cabeça de Matt aparece na porta. – Quem é que leva a caralhada? – Mello e Near se entreolham.
– A-a gente ainda não... – Mello começa. – Pera aí... SEU PORRA, QUE TIPO DE PERGUNTA É ESSA? SOME DAQUI! – Mello joga em Matt a primeira coisa que vê, porém o ruivo já havia fechado a porta. – Desculpe pelo Matt.
– Não se desculpe.
Com um sorriso, Near encaixa o rosto de Mello em suas mãos. Seus rostos iam se aproximando um do outro muito rapidamente, cada um sentindo a respiração acelerada do outro.
– Vamos pro quarto – sugere Near.
Near estava deitado na cama junto de Mello, os dois abraçados. O pequeno enrolava em seus dedos mechas de cabelo do louro, que afagava suas bochechas. A porta se abre bruscamente e aparece Matt, que pergunta:
– E aí, a foda foi boa? – Mello se levanta da cama com um susto.
– O que você tá fazendo aqui, seu viado?! – Matt olha para baixo e morde os lábios.
– Nossa Mello. É grande, hein. Então Near, como foi ter tudo isso dentro de você?
Near olhava friamente para Matt, que deu falta de Mello que aparece meio segundo depois.
– Mello, você botou calças, que sem graça.
Mello dá um soco em Matt, que fica imóvel no chão.
– Mello, acho que você exagerou – observa Near.
– AH, PORRA! QUE ALÍVIO! Esse puto estava irritando. Ei Matt levante – Mello o cutuca com o pé. – Ei... P-por que você não se levanta? Matt... – Mello se posta ao lado do ruivo e o balança levemente. – Ruivo... Acorda... Ei... – Lágrimas escorrem pelo rosto do louro. – POR QUE VOCÊ NÃO ACORDA? Near... NEAR! O-O QUE NÓS FAZEMOS?
Near, por sua vez, muito calmamente e enrolando um cacho de cabelo, sugere levarem Matt às enfermeiras.
– Mail ficará bem. Afinal, isto aconteceu muitas vezes, não é mesmo, Mihael? – A enfermeira dá uma piscadela.
– Ah, é... Mas desta vez me preocupou realmente – Near arregala os olhos para Mello.
– Como assim, enfermeira?
– Esses dois possuem uma ficha bem cheia aqui. Eles não conseguem passar por um local e não deixar uma marca. O que foi desta vez? Outra brincadeira de luta? Ou foi briga mesmo? Comparado com as outras vezes, o soco foi bem forte – Near e Mello se olham rápido e desesperadamente.
– Briga – responde Mello.
– Briga, hein? Certo... Parece que Mail acordará logo – a enfermeira sai, deixando os três para trás.
– Mello, você está aí? – Chama Matt com muita dificuldade, os olhos semi-abertos e a mão direita tateando o ar.
– Matt! – Mello se senta ao lado da maca com Near atrás. – Como você tá?
– Bem... Meio tonto... Mas bem. Mas vocês não me responderam... Se a foda foi boa... – Matt dá um sorriso fraco.
– Seu tolo – responde Mello com um sorriso.
– Foi. Foi boa – responde Near.
Mello olha para o albino que lhe dá um sorriso, os olhares se encontrando tão profundamente.
– Da próxima vez me chamem – diz o ruivo com o mesmo sorriso fraco estampado no rosto.
– Um ménage-à-trois? – Mello ri. – Eu vou adorar isso.
– Eu sei que você vai adorar. Sempre foi um safado.
– Sim, eu que sempre fui... Prometa nunca mais me assustar desse jeito.
– Vou tentar.
– Muito bem, garotos! A hora da conversa acabou! É melhor deixarem Jeevas descansar – a enfermeira o olha por cima dos óculos.
– Voltamos depois então, puto.
– O que a enfermeira quis dizer com “uma ficha bem cheia”? – Pergunta Near após saírem da enfermaria.
– Está curioso, não está? – Near assente. – Certo. Matt e eu brincávamos muito de luta, e só parávamos quando algum de nós se machucava seriamente. Teve uma vez na qual Matt tropeçou e caiu de cara na escrivaninha. Saía muito sangue de seu nariz e não conseguíamos parar de rir, até que percebemos que poderia ser grave. Matt já conseguiu quebrar um dente meu, dois braços, uma perna e sem contar os dedos. Já eu consegui quebrar seu nariz, as duas pernas, dois braços e acho que pelo menos duas vezes todos os seus dedos.
– Mello, você é bem violento – Mello ri. – Há quanto tempo vocês fazem isso?
– Desde que nos conhecemos. Faz um pouco mais de 7 anos – há uma pausa.
– Lembra de quando nos conhecemos?
– Você tinha 2 anos e eu 6. Eu era como sua babá e você sempre me seguia. Então criei uma afeição.
– Que se desfez assim que L desapareceu.
– Após ter te conhecido.
– É.
– E você continuava me seguindo.
– Mesmo após tudo isso.
– Mesmo após de ter feito tudo que fiz.
– Eu acho que nunca deixei de te amar.
– Eu acho que nunca o odiei realmente.
– Eu te amo.
Mello faz Near encostar-se na parede, prendendo-o bruscamente. O louro beija levemente o pescoço do albino, depois leva os lábios ao ouvido do mesmo e sussurra “Eu te amo.” Near responde:
– Eu sempre soube.
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