Near sai correndo pelo corredor.

– L! – Chama. – L!

– Near, espere! – Chama Mello.

Near bate com tudo em L, depois o abraça.

– Matt me contou histórias terríveis sobre B!

– B...? – L parece surpreso.

“Cara, ele nunca vai cair nessa” pensa Mello. “Mas pouco importa se não cair, Roger cairá.”

– Roger... O MATT! – Choraminga Near.

– Near... – Mello ofega falsamente. – Não corra tanto...

– O que tem Matt? – Roger pergunta.

– Assustou Near com histórias sobre B.

Matt foi levado até a sala de Roger para ficar de castigo. Antes que Roger saísse da sala, Matt pegou levemente do bolso do mesmo o bolo de chaves. Por sorte Roger não percebeu.

“Vamos ver...” pensa Matt “As fichas devem estar... aqui! Ah, se eu acertar eu sou fodão! Agora cadê a chave desta gaveta? Achei!” Matt abriu lentamente a gaveta e foi avistando as preciosas fichas. “Ah, cara! Eu sou muito fodão!” Matt passou rapidamente os dedos pelas fichas da letra “B”. “Beyond, Beyond, Beyond... Aqui!” Matt pegou a ficha, satisfeito. “Vamos saber mais sobre esse cara, então. Não interessa... Não interessa... Não interes... OPA! Isso interessa sim!”

– Ah, não...

Com esse sussurro, Matt sai correndo da sala com a pasta na mão.

– Mello! – Chama assim que abre a porta do quarto de Near.

– Que foi?

– Não devemos nos meter nessa.

– Por quê?

– Esse cara... Ele é MUITO perigoso!

– Eu sei...

– “Eu sei”?! – Berra Matt, totalmente desesperado.

– L não teria medo – diz Near com um cacho enrolado no dedo, a expressão fria.

– Exatamente. Matt, cê tá se comportando feito uma garotinha.

– Feito uma garot... Ei escuta ô seu louro aguado...

– Ei ei ruivinha, te acalma – interrompe Mello.

Matt respira fundo e entrega a pasta a Near.

– Analise.

E assim faz Near, que fica horas ali, com a cara enterrada na pasta.

– Será que Roger sabe que você fugiu?

– Eu acho que não, Mello. É melhor eu voltar para lá.

Matt chega à sala e arruma a bagunça que fez.

– Ah, cara... Esqueci meu PSP – lamenta para si mesmo.

– Mail?

– Roger.

– Pode sair.

– Finalmente – diz Matt enquanto se espreguiça e boceja falsamente.

Assim que a porta é fechada, Matt sai correndo rumo ao quarto de Near. Assim que chega lá, não vê ninguém.

Matt POV ON

Assim que a porta da sala de Roger é fechada saio correndo em direção ao quarto de Near. Quando chego lá, nem Mello nem o branquelo estão. Então alguém me agarra, tapa minha boca e tudo escurece.

Matt POV OFF

– Não acha que já era para Roger ter liberado Matt? – Pergunta Mello.

– Acho – Near responde ainda concentrado na pasta.

– Vamos lá ver o que houve.

– Certo.

– Mas Roger... Como assim já liberou o Matt?

– Ele saiu correndo logo após a porta ter sido fechada.

Mello e Near se entreolham e saem correndo.

– Ele pode ter ido para seu quarto, Near!

“Mas... E depois?” Se perguntou o pequeno. Assim que os dois chegam ao quarto, Mello avista um bilhete sob o criado-mudo de Near.

– “Querem ser L? Resolvam este caso, então. B.” Matt virou refém de B! MATT! MAAATT! CHEGA DE BRINCADEIRAS, PORRA!

– Mello, se acalme.

E assim Mello fez.

– Tá, e agora?

– Como assim?

– Near, somos apenas nós dois.

– E...?

– Devemos dizer algo a L?

– Não.

– Certo. Ah Matt, você não presta – Mello soca a parede. – Seu gamer filho da puta... AH! VOCÊ É TÃO IDIOTA ASSIM PARA B TE PEGAR, É?!

– Mello, se acalme.

E assim Mello fez novamente.

– Devemos pensar sobre a situação. Vou perguntar sobre B para L. Eu já venho, Near.

– Não.

– Como assim “não”?

– L desconfiará de algo.

– Tem razão...

– Você age sem pensar devido suas emoções.

– Por que está dizendo isso?

– Pensei que não soubesse.

– Ótimo.

– No que está pensando?

– Num plano.

– L é muito inteligente.

– Eu sei. E daí?

Um monte de possibilidades passava pela cabeça de Near, que preferiu ficar em silêncio.

– Eu já volto.

– Vai aonde?

– Pegar chocolate.

– Ah.

“B... Não pode ser ele... Sem chance!” Durante todo o trajeto até seu quarto, Mello pensou sobre B. “Ué... Por que a porta do meu quarto está aberta?” Quando Mello adentra o quarto, acha sua foto de 7 anos acima do criado-mudo. Uma onda de raiva percorre seu corpo. Mello pega a foto e a rasga. Só depois que vê a inicial “B” escrita num pedaço de papel onde antes estivera a foto.

– B... – Mello chuta o criado-mudo, pega uma mochila, a enche de chocolate e sai.

– Near!

– Diga.

Mello hesitou, pendendo seu peso de um pé para outro. “Eu deveria contar mesmo a Near? Sim.”

– Quando cheguei ao meu quarto, B havia deixado uma foto minha de 7 anos atrás em meu criado-mudo.

– Como sabe que foi B?

– Num pedaço de papel junto da foto havia a inicial “B”.

– Hum... – Near assentiu pensativo. – Sabe a parede falsa? Que há dois esconderijos?

– Sei...

– Está claro que B está no orfanato. Vamos tentá-lo.

– E a parede falsa será nosso esconderijo – completa Mello.

– Exato.

– Como iremos trazê-lo até nós? Você estudou muito a ficha, deve ter algo em mente.

– Talvez...

– Mello, vamos revisar o plano – Mello assente. – Sabemos que possivelmente B vasculha seu quarto e o de Matt. A parede falsa há cortinas que contém esconderijos. Você fica no lado esquerdo e eu no direito.

– Entendido.

Near respirou fundo, levou a mochilas aos ombros e pegou na mão de Mello.

– Ei, que isso! – Mello desvencilha-se da mão.

No meio do caminho, o louro suspira e pega na mão de Near, que cora e sorri. Quando chegam ao local do esconderijo, Near diz:

– Segundo os cálculos e o que sabemos ninguém passa aqui. E as chances de B passar aqui são muitas. Digo 88%.

– Certo.

– Boa sorte.

– Pra você também.

Antes dos dois irem para seus respectivos locais, Near dá um beijo na bochecha de Mello.

– Qualquer coisa faça um sinal.

– Que sinal?

– Shh, vem vindo alguém.

– Hã? Onde?!

Mello, totalmente desesperado, acaba entrando no esconderijo de Near.

– Ei, Mello. O que está fazendo aqui?

– Ahn... Eu fiquei...

– Nervoso? – Mello pensou e percebeu o duplo sentido.

– Ah... EI! NÃO SEJA IGUAL AO MATT!

– Vá para o seu lado enquanto há tempo.

– Tá bom.

“Nervoso? Por causa de Near? Mello, você deve estar ficando louco.”

– O Near... O que será...?

– Mello.

Mello leva um susto, indo bruscamente para trás e jogando tudo ao ar.

– Near... O QUE ESTÁ FAZENDO?!

– Ahn...? Que história é essa de Near? Tá pensando muito no albino, é?

– Matt? C-c... COMO?!

– Como o quê?

– Como você está aqui?

– Não era para estar?

– É claro que sim!

– Então o que quer dizer?

– Quero dizer que B pegou você, não pegou?

– Ah, isso... Eu fugi! – O sorriso de Matt ia de orelha a orelha.

– Você tá brincando comigo, né?!

– Ahn? É claro que estou seu incompetente.

– TÁ CHAMANDO QUEM DE INC...?

– Cale a boca, vão nos escutar – Matt tapa a boca de Mello com a mão.

– Quem?

– Eu não tinha tapado a sua boca?

– Usou o verbo certo.

– Inacreditável – reclama Matt.

– Quer me contar mais sobre essa história?

– História? Que hist... Oh! Não.

– NÃO?! Como assim, não?! Porra, você me deixa preocupado pra cacete seu gamer filho de uma puta mal comida e agora me diz que não?! Que merda é essa? – Mello ofegava e Matt suspirou.

– Cadê o Near?

– Do outro lado.

– É bom ele saber também, não?

– É – Matt então sai e meio minuto depois volta.

– Era para Near estar aqui ao lado, não era? – Mello sentiu seu coração disparar, suas mãos estavam frias e quando se deu conta ele estava nos braços de Matt.