Dinastia de Cinza
21 O amor fala mais alto...
A movimentação na entrada da Casa Branca era intensa, mas para Edward tudo parecia acontecer em câmera lenta no instante em que o carro finalmente parou. Ele desceu os degraus praticamente correndo, ignorando protocolos, ignorando olhares, ignorando qualquer coisa que não fosse a porta que se abria diante dele. Quando Bella surgiu, amparada por dois agentes, os cabelos desalinhados, o rosto pálido e a roupa marcada por manchas escuras de sangue seco, o mundo dele parou de girar.
Ele atravessou a distância entre eles em poucos passos e a puxou para os braços com força, como se tivesse medo de que ela desaparecesse novamente.
— Você está aqui… você está aqui… — a voz dele saiu rouca, quebrada, enquanto ele segurava o rosto dela entre as mãos e a beijava com desespero, com alívio, com amor bruto e urgente.
Bella correspondeu ao beijo com a mesma intensidade, sentindo o cheiro familiar dele, o calor do corpo dele, a segurança que só existia ali.
— Eu estou bem — ela sussurrou contra os lábios dele, embora estivesse exausta. — Eu prometo.
Mas os olhos de Edward desceram lentamente até a calça dela, onde o sangue manchava o tecido claro. O ar pareceu abandonar os pulmões dele.
— Isso é seu? — ele perguntou, a voz falhando. — Bella… isso é seu?
Renee, ainda em choque, aproximou-se com passos inseguros, o rosto completamente branco.
— Ela lutou com ele, Edward… — disse, quase sem acreditar nas próprias palavras. — Ela derrubou o Marcus. Derrubou no chão. E ainda atirou nele.
Um silêncio pesado caiu sobre todos. Charles, que acabara de chegar, parou ao ouvir aquilo. Seus olhos se fixaram na filha, absorvendo cada detalhe, cada sinal de que ela estava viva. Então algo inesperado aconteceu: os olhos dele se encheram de lágrimas.
— Essa é a minha garota — ele declarou, a voz embargada, mas carregada de um orgulho quase feroz.
Edward não conseguiu sorrir. Ele apenas segurava Bella como se o mundo ainda estivesse desmoronando.
— O bebê — ele murmurou, encostando a testa na dela. — Me diz que ele está bem.
Bella levou a mão à barriga instintivamente.
— Ele é forte — respondeu. — Mais forte do que todos nós imaginávamos.
Emmett surgiu logo depois, ofegante, o maxilar travado.
— Eu devia ter estado lá — rosnou. — Eu devia ter quebrado cada osso daquele desgraçado.
Edward mal ouviu. Ele já estava acompanhando Bella para a ala médica, sem soltá-la por um segundo sequer.
Os exames pareceram intermináveis. Cada bip dos aparelhos soava como um martelo na cabeça de Edward. Bella permanecia deitada, tentando controlar a respiração, tentando ignorar as cólicas que ainda latejavam de leve, como um eco distante do terror que vivera. Finalmente, o médico retirou as luvas e abriu um sorriso tranquilo.
— Eu já vi muitos casos difíceis — começou ele, ajeitando os óculos. — Mas preciso dizer: esse bebê tem uma vontade impressionante de viver. Depois de tudo o que aconteceu, da gravidez de risco, do estresse físico… ele está bem. Saudável como um cavalo.
Edward fechou os olhos e soltou o ar com força, passando a mão pelo rosto.
— Obrigado… — murmurou, a voz embargada.
Bella sorriu pela primeira vez desde que chegara.
— Eu disse que ele era forte.
Mais tarde, já em um momento mais calmo, Charles pediu que todos saíssem da biblioteca. Ele ficou sozinho com Bella, caminhando de um lado para o outro por alguns segundos antes de finalmente parar diante dela. O homem que o país via como inabalável parecia pequeno naquele instante.
— Eu quase perdi você — ele disse, e a voz saiu falha. — Bella… eu quase perdi você.
As lágrimas começaram a cair sem que ele tentasse impedir. Seus ombros tremeram, e ele levou as mãos ao rosto como se não soubesse o que fazer com aquela dor.
— Você é a coisa mais importante da minha vida — declarou, chorando abertamente. — Mais do que qualquer poder, qualquer eleição, qualquer aliança. Eu falhei tantas vezes… eu te coloquei em riscos que nunca deveria ter permitido.
Bella se levantou e o abraçou com força.
— Pai… — ela sussurrou, sentindo o peito apertar ao vê-lo assim. — Eu também errei. Eu fui dura demais com você na ilha. Eu estava com raiva. Eu estava com medo. Mas eu amo você. Sempre amei.
Ele segurou o rosto dela com cuidado, como se ainda visse ali a menina pequena que corria pelos corredores.
— Eu daria a minha vida por você sem pensar duas vezes.
— Eu sei — ela respondeu, com os olhos marejados. — E é por isso que você é meu pai.
Naquela mesma noite, Bella encontrou Renee no quarto, sentada na beirada da cama, as mãos entrelaçadas com força.
— Nós precisamos falar sobre o que ele disse — Renee murmurou, a culpa evidente na voz.
Bella respirou fundo antes de responder.
— Não precisamos — disse com firmeza. — Eu não vou contar. Para ninguém. Não importa o que ele falou naquele galpão. Charles é meu pai.
Renee ergueu os olhos, cheios de lágrimas.
— Eu nunca quis que você descobrisse assim.
— Eu não quero descobrir — Bella rebateu suavemente. — Eu sou uma Swan. Eu fui criada como uma Swan. Eu amo meu pai. E aquele homem… — ela engoliu em seco — …aquele homem não significa nada para mim.
Renee a abraçou com força, como se ainda temesse perdê-la.
Alguns dias depois, tentando afastar as sombras, Edward apareceu no quarto com uma pequena caixa nas mãos. Ele parecia nervoso, quase tímido.
— Eu sei que ainda é cedo — começou, sentando-se ao lado dela. — Mas eu precisava fazer algo que fosse… leve.
Ele abriu a caixa, revelando um par de sapatinhos minúsculos e um cobertor delicadamente bordado.
Bella levou a mão à boca, emocionada.
— Edward… — sussurrou.
Ele se inclinou e beijou a barriga dela com cuidado.
— Ele já é amado mais do que qualquer coisa nesse mundo.
Ela acariciou os cabelos dele.
— Ele tem o melhor pai que poderia ter.
Dias depois, um pacote inesperado chegou. Edward o abriu ao lado dela. Dentro, envolto em veludo escuro, havia um broche de ouro pesado, trabalhado com riqueza de detalhes, exibindo o brasão da família Volturi.
Edward franziu o cenho.
— Por que alguém enviaria isso para você?
Bella ficou imóvel, o coração acelerando.
— Porque ele quer que eu me lembre — disse lentamente.
Edward a encarou.
— Lembrar do quê?
Ela respirou fundo, sentindo o peso do segredo pressionando o peito.
— Eu preciso te contar uma coisa sobre aquele galpão… sobre o que Marcus disse antes de eu atirar.
O silêncio que se seguiu foi denso, carregado, como se o passado estivesse prestes a atravessar novamente as portas da Casa Branca.
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