Dinastia 1: O Sonho Real

5 Um príncipe em minha vida


Eu sentia os olhares das pessoas em mim, mas agora que eu estava adentrando cada vez mais a abadia, o nervosismo bateu em mim para valer. Eu não conseguia fazer nada do que me disseram para fazer nos ensaios que tivemos. Sorria! Olhe pra frente! Eu só conseguia sentir as mãos e as pernas tremerem. Deus! Estava indo me casar com Edward! Isso nunca parecia tão verdade como agora. Eu mal podia disfarçar o meu nervosismo. Papai sentiu o meu estado de espírito e apertou mais forte o meu braço, lembrando-se da promessa de não me deixar cair e eu não poderia, em nenhum segundo. A partir de hoje eu serei mais do que a esposa do homem que eu amo, mas também uma duquesa, uma mulher com deveres para com o povo do seu país. Definitivamente, eu deveria respirar fundo, seguir em frente, e nunca cair. De repente, as palavras de Edward entraram em minha mente: “Dever em primeiro lugar, Bella”. Isso tinha que ser verdade. Tinha que estar pronta para tudo que viesse pela frente.

***

— Eu juro que estou bem, Edward!

Eu disse me esforçando ao máximo para que ele entendesse que não precisava mais se preocupar. Durante quase três semanas, Edward me encheu de cuidados. Trouxe uma cadeira de rodas para que eu não precisasse ficar somente na cama durante a minha torção no pé. Nos primeiros dias em que tive que ficar de repouso, ele trouxe anotações das aulas e os deveres de casa, ficava ao meu lado e me mimava me trazendo flores e as minhas comidas favoritas. Eu me sentia tão encantada com atenção dele, mas com o passar do tempo eu já estava meio que cansada disso. Eu nunca precisei e nem gostava que as pessoas cuidassem de mim. Eu sempre fiz tudo sozinha e me sentia melhor assim. Mas eu permanecia em silêncio por que ele só estava tentando me agradar ou tentando se redimir, uma coisa ou outra, eu tinha que deixá-lo tentar. E também eu adorava ter a desculpa para tê-lo ao meu lado.

Nesses últimos dias, ficamos mais próximos do que nunca e eu sentia que finalmente estava tento a chance de conhecê-lo de verdade. Ele era muito melhor do que eu imaginava. Era simples, extrovertido, gostava das mesmas coisas que eu e era muito carinhoso e sensível. Ângela cuidava de mim sempre que podia, mas no fundo eu torcia para que ela ficasse mais tempo com o namorado ou estudando na biblioteca para que Edward encontrasse a desculpa perfeita para vir me fazer companhia. Foram incontáveis horas que passamos assistindo filmes e séries, eu rindo do fato de ele nunca conseguir fazer uma pipoca, ele criticando o meu gosto por determinados livros e ficarmos abraçados sentindo a presença um do outro.

O tão esperado beijo ainda não tinha conseguido se realizar desde a nossa interrupção brusca. Sempre quando chegarmos próximos, algo nos impedia, e era frustrante, mas ao mesmo tempo necessário. Eu não sabia se estava pronta para enfrentar as conseqüências que viram com um relacionamento com Edward e nem ele estava pronto para me jogar na cova dos leões. Era um impasse sem fim.

— Você tem certeza que já está bem?

— Eu não vou repetir isso, Edward. Até o médico já me liberou. Vou voltar a freqüentar as aulas e ir ao trabalho.

— Se você diz...

Eu sabia que ele estava desapontado. Era como se a nossa pequenas férias tivessem chegado ao fim e tivéssemos que enfrentar a realidade. O meu dormitório era o nosso pequeno refúgio. Não precisávamos nos preocupar e nem nos esconder de ninguém, éramos apenas nós mesmos.

Fui até ele e o abracei, sentindo o seu perfume gostoso.

— Você sabe que não precisa de nenhuma desculpa para poder vir aqui quando quiser, não é.

— Sei sim. Não é desculpa nenhuma. Eu vinha por que eu realmente me preocupava com você.

— Eu sei e obrigada. Depois da minha mãe e do meu pai, você foi à pessoa mais atenciosa comigo.

— Deus me livre de ser a sua mãe e muito menos o seu pai. Não quero esse cargo jamais...

Rimos e ele colou a testa na minha.

— Bella, eu... Oh my! Me desculpa!

— Não está atrapalhando Ângela. – falei.

— Em absoluto Ângela. – concordou Edward.

— Só queria saber se estava mesmo decidida a voltar a ativa hoje.

— Claro! Nunca tive tão bem quanto agora!

— Então ótimo. Quer que eu lhe acompanhe?

— Não precisa Ângela, eu mesmo a acompanharei.

— Certo.

Ela saiu com tanta pressa que parecia que estava fugindo da polícia. Olhei para Edward com uma cara de interrogação.

— Eu estou mesmo bem.

— Eu sei. Não posso acompanhá-la?

— Pode, mas tem que para de ficar me tratando como se eu fosse morrer a qualquer instante.

— Prometo.

Edward me acompanhou até a minha primeira aula como combinado. Era meio estranho estar de volta depois de tantos dias presa em meu dormitório. Parecia que as coisas estavam muito diferentes. Mas o que estava pior eram os olhares maliciosos e curiosos das pessoas em mim e em Edward. É claro que elas deveriam estar desconfiando de alguma coisa. Ele não saíra de perto de mim nesses últimos dias e isso dava margem para muitos falatórios. Fiquei constrangida, nuca gostei de muita atenção. Mas tentei não ligar para isso.

No intervalo, tentei ao máximo fugir de Jéssica e de suas perguntas inconvenientes, mas ela era rápida e conseguiu me alcançar.

— Bella! – disse ela com uma animação meio forçada. – Que bom vê-la curada!

— Oi Jéssica. É bom estar curada.

— É uma pena que tenha perdido a nossa festa. Estava tudo tão incrível e animado! Você iria ter se divertido bastante e poderia ter levado o príncipe Edward com você.

— Como deve saber, o príncipe Edward é muito na dele e por que eu o convidaria para uma festa se ele nunca participa dos eventos daqui?

— É ele não participa... Mas ele tem andado tanto com você que eu pensei que...

— Pensou errado! – a interrompi antes que ela continuasse com as suas insinuações bobas. – Olha Jéssica, eu realmente lamento muito não poder ter ido a sua festa e eu tenho certeza que foi tudo um espetáculo, mas...

— Bella! – falou uma voz que eu conhecia bastante. Virei e vi Jacob parado no corredor. Sem nem pensar, fui até ele e lhe dei um abraço apertado.

— Jake! Que bom que está aqui.

— É bom estar aqui.

Ele me afastou e me observou para garantir que eu estava mesmo bem.

— Você me deixou preocupado mocinha. Como você faz uma arte dessas e nem me chama para eu ficar ao seu lado.

Bati no ombro dele e sorri. Que saudades que eu estava dele!

— Não foi nada demais. Nada que a gente já não tenha feito juntos na infância.

— Então foi algo muito ruim por que éramos duas crianças levadas, Bella.

Sem me importa com olhar curioso de Jéssica nas minhas costas, peguei na mão dele e o levei até o jardim que ficava próximo ao refeitório e nos sentamos no banco próximo à fonte.

— Não foi nada mesmo. Foi apenas uma torção.

— Isso eu sei, mas eu meio que me senti traído por não ter me ligado. Precisou seu pai me contar.

— Não precisava Jake. Não queria que se preocupasse com bobagens, você já tem problemas demais e além do mais tinha gente demais me babando, Ângela, meu pai e...

— e?

— E... Edward.

— Edward? Que Edward? Não vai me dizer que está me escondendo o meu rival.

— Que rival! Nunca ninguém vai tomar o seu cargo de meu melhor amigo.

— Certo. – ele disse com uma cara de desconfiança. – E como foi que a senhorita torceu o seu lindo pezinho?

— Digamos que foi num encontro e que terminou comigo sendo desastrada como sempre.

— Encontro? Hum? Essa universidade deve ter mesmo alguma coisa encantada por que o que eu me lembre você não sai em encontros.

— Tudo tem a sua primeira vez, não é?

— Pelo visto sim.

— Mas chega de falar sobre isso! Como pode ver, eu estou muito bem. Me conte sobre você. Alguma mudança no caso da fazenda?

— Nada ainda. Mas as colheitas deram uma melhorada, deixou o meu pai mais tranqüilo e acomodado. Porém, eu sei que isso é apenas temporário, temos que fazer algo definitivo.

— Sabe, enquanto estava de cama, eu aproveitei para pesquisar um pouco sobre uma solução para o problema da fazenda e eu descobri que há um programa do governo que apóia os pequenos proprietários de terra. Eles investem um ano e em troca esperam que a produção aumente e se os proprietários apresentarem uma idéia inovadora e aí eles dobram a ajuda de custo. Parece algo maravilhoso!

— Bella isso é incrível! Eu tenho muitas idéias que podem ajudar a melhorar a produção. Como faço para nos cadastrar?

— Você entra no site da secretária de agricultura e preenche o cadastro do programa e eles querem que você envie também uma carta online descrevendo a situação da propriedade e o porquê você quer o auxílio. Acho que não deve ser muito difícil e eu posso te ajudar a escrever.

— Bella isso será ótimo! Obrigado!

— Por nada.

Nos abraçamos fortemente. O abraço de Jake era tão caloroso! Era como se ele expressasse todos os sentimentos dele nesse gesto. Mas hoje era mais intenso, ele realmente estava contente, era como se todo um peso tivesse sido retirado de suas costas.

— Bella.

Desvilhei do abraço de Jake e olhei para Edward. Eu não precisava de muito para reconhecer a voz dele. Olhei para cima e o vi. Ele parecia esquisito, meio sem jeito, com um misto de indignação mal disfarçada. Tratei logo de me explicar.

— Edward deixe eu te apresentar o meu amigo, Jacob Black.

— É um prazer em conhecê-lo Jacob. – Edward falou com uma voz fria e estendeu a mão para Jake de uma maneira bem formal.

Jake estava espantado e parecia que havia congelado. É claro que ele nem poderia imaginar de que o Edward que eu estava falando fosse o príncipe. Como se tivesse saído de um encanto ele olhou para mim assustado e olhou para mão de Edward e a apertou.

— Acho que não preciso apresentá-lo a você, Jake.

— Não, todos nós o conhecemos muito bem.

De repente um silêncio mortal se estalou entre nós. Jacob estava surpreso ainda e eu me lembro o quanto ele tinha deixado claro a sua opinião a respeito do homem em nossa frente e Edward parecia que tentava se decidir em sair ou me falar alguma coisa. A cara dele não era muito boa, eu podia sentir a tensão em seus olhos.

— Bella, eu queria saber se você queria minha companhia no almoço, mas vejo que já está acompanhada.

— Sim. Ela está. Essa mocinha aqui achou que poderia se esconder de mim.

— Eu não estava me escondendo, estava aqui o tempo inteiro e você sabe disso.

— Então, eu vou deixá-los. Adeus.

Ele virou- se e se dirigiu ao refeitório o mais rápido que podia. Levantei e fui até ele. Eu não queria que ele guardasse quaisquer sentimentos ruins que ele poderia estar sentindo agora. Não queria nenhuma tensão entre nós.

— Edward!

Ele diminuiu os passos, mas não parou. Ele estava mesmo chateado comigo. Porém, eu não entendia o motivo daquilo. O alcancei e toquei em sua mão.

— Ei. O que foi?

— Nada Bella.

— Não é nada mesmo?

— Não.

Toquei o rosto dele e olhei bem no fundo dos olhos dele.

— Não quero que fique chateado comigo.

— Por que estaria chateado com você? Eu tenho motivo para isso?

— Não. Nenhum. Só sinto que você não está muito bem agora.

— Como lhe disse: não é nada.

— Vá ao meu dormitório essa noite, ok?

— Certo.

Beijei o seu rosto e o deixei ir. Quando voltei, Jake ainda estava com uma cara de quem tinha acabado de levar um grande susto. Respirei fundo, eu tinha que explicar tudo agora.

— Como ousa me esconder um negócio desse?

— Calma, eu tenho os meus motivos.

— É melhor ter mesmo.

— Eu conheci o Edward no meu primeiro dia de aula na disciplina de literatura regional, eu cheguei atrasada e o único lugar disponível era ao lado dele e depois desse dia nós começamos a conversar, nos conhecer e...

— Sair juntos.

— Sim. Nós estamos saindo.

Jake me olhou indignado. É claro que estava chateado por eu não ter contado isso a ele. Mas eu não podia. Edward era um grande segredo ambulante. Nada poderia sair da linha com ele e muito menos da discrição. E meio que eu gostava que as coisas fossem assim. Estar em segredo ao lado dele era como se tivéssemos num mundo só nosso e eu não queria que nada estragasse a nossa pequena bolha que criamos.

— Bella, você sabe quais as conseqüências de namorar um príncipe, não é?

— Nós não estamos namorando. Nós só somos amigos.

— O jeito que ele me encarou e a sua preocupação em justificar o que estava acontecendo pra ele me dizem outra coisa.

— Não rolou nada, ok? Juro.

— Mas vai rolar. Eu sinto isso. Vocês estão explodindo química.

— Não tem nada a ver o que você está dizendo.

— Não tem? Aposto que você torceu o pé quando estava com ele.

— Sim, e?

Jake suspirou e olhou pro lado.

— Seu pai sabe disso?

— Não. Ninguém além de você e Ângela sabem e é para permanecer assim.

— Por que? Ele tem vergonha de ser visto com você, uma pobre plebéia?

— Claro que não! Que bobagem!

— Pode ser bobagem para você, Bella, mas você não conhece o mundo dele. Os príncipes não se casam com qualquer uma e quando saem é só para se divertirem. O irmão dele mesmo saiu com a Europa inteira e não se casou com nenhuma delas.

— Edward é completamente diferente do irmão.

— Como sabe disso? Já conheceu toda a família real?

— Não. Mas eu sei.

— Você não sabe de nada.

— Jacob vamos acabar essa conversa por aqui, ok? Não tem por que a gente está falando disso.

Ele pegou a minha mão com força e me forçou a olhar para ele.

— Bella, eu só quero o seu bem. Não quero que se apaixone e se decepcione quando ele te deixar por que é isso com os príncipes fazem. Eles conquistam e vão embora por que o dever vem sempre em primeiro lugar pra eles.

— Eu sei me cuidar sozinha Jake.

Levantei e ele me impediu segurando a minha mão.

— Cuidado Bella.

— Eu terei.

Beijei a mão dele e saí para a minha próxima aula. É claro que tudo que Jake me dissera me tocara de alguma forma. Eu sabia dos riscos que poderia correr com essa relação, mas ao mesmo tempo eu não conseguia desconfiar de Edward. Eu olhava para ele e era como se eu estivesse vendo o seu coração e podia enxergar a sua sensibilidade e honestidade. Definitivamente ele não estava me enganando. Mas o quão seguros estaríamos para assumir os nosso sentimentos e assumir essa relação? Isso não sabia responder e não sabia também se eu estava preparada, pois eu sentia uma pontada de medo e insegurança só de pensar nisso. E definitivamente, Edward conhecia bem demais o seu mundo para prever as conseqüências de estar com uma plebéia sem graça como eu. Respirei fundo e tentei não pensar mais nisso.

Mais tarde, enquanto mandava um email para a minha mãe, antes que ela mandasse o FBI atrás de mim por negligenciá-la um pouco de notícias minhas, eu lembrava de o quanto a minha vida era mais simples nos Estados Unidos. As minhas únicas preocupações eram estudar e ver se a minha mãe estava fazendo as coisas direitinho. Aqui, eu percebera que finalmente estava virando adulta de verdade. Eu tinha sonhado a minha vida inteira com isso, mas agora com as minhas costas doendo de cansaço e com a minha mente cheia de Edward, eu percebera o quanto era difícil essa tarefa.

Lembrei novamente do poema sobre escolhas. Eu passara a vida inteira olhando para onde estava pisando, literalmente e metaforicamente, sempre tentando ser responsável e tomar as atitudes certas. Me reprimindo e me repreendendo pelo meu desastre em ser como as outras pessoas. Eu havia aceitado a minha diferença, mas as boas escolhas continuaram importando. E eu sentia que elas estavam pesando como nunca agora. Eu me sentia tão presa a Edward em meios pensamentos e nas minhas ações, mas ao mesmo tempo eu me sentia tão longe. O poder das escolhas era o nosso muro. Por que as coisas tinham que ser tão confusas para nós?

Ouvi batidas na porta e eu saí do computador para atendê-la. Eu sabia que era Edward quem estava esperando do outro lado. Abri e o vi. Lindo e sereno como sempre, mas com um leve olhar de tristeza. Eu sabia que essa conversa poderia mudar muita coisa. Mais uma vez me perguntei por que para nós tudo tinha que ser tão definitivo ou como se tivéssemos vivendo sempre no clímax do enredo?

— Você pode sair comigo por alguns instantes? – perguntou ele de supetão.

— Por quê? Não podemos conversar aqui?

—Não sei você, mas estou sentindo que essa conversa vai ser importante e por isso não quero que seja aqui.

— Preciso vestir algo chique?

— Não. – ele disse com um sorriso. – Coloque apenas o seu casaco. Está frio lá fora.

Peguei o meu casaco e o segui para o tal carro preto que tanto eu conhecia. Passamos o percurso inteiro em silêncio. Procurei alguma pista nos gestos dele, mas ele permaneceu impassivo e calado. Andamos um bocado até chegarmos num lugar que parecia um parque. O carro parou em frente e reconheci o Jardim Loquest, um dos principais pontos turísticos de Belgonia. Era um parque lindo e cheio de árvores e flores. Como era de noite estava fechado, mas todas as portas pareciam estar abertas para Edward.

Descemos do Carro e o segui em silêncio. Não entendia o porquê de ele ter escolhido esse lugar e o que ele poderia representar. Paramos próximo ao riacho e ele me convidou a sentar num banco ao lado e ficou de pé olhando para as águas serenas que passavam.

— Você deve estar se perguntando o porquê de eu ter te trazido aqui.

— Sim, você adivinhou.

Ele permaneceu de costas pra mim e olhando fixamente para o riacho.

— Eu adorava vir aqui quando era criança. Eu ficava exatamente aqui quando eu precisava refletir sobre alguma coisa importante. Às vezes eu imagino esse lugar como uma paródia de minha vida. Um grande jardim que veio de tantas gerações, que é o cenário para tantas vidas, mas em que em nenhum momento pediu para que essa fosse a sua função. Eu sou todo esse jardim. Grande, simples, majestoso, mas escuro e simples.

Arrepiei em ouvir aquelas palavras. Elas eram bem fortes e simbolizavam o fato de Edward está finalmente se abrindo comigo. Permaneci em silêncio, não havia palavras que eu pudesse dizer agora. Ele abaixou-se pegou uma pedrinha do chão e atirou no rio.

— Bella, eu não sei se é capaz de entender tudo isso que eu te disse. Eu não sei se compreende o que a minha vida significa. Mas acho que deve estar tão confusa quanto eu estou agora.

Ele virou e olhou para mim. Permaneci em silêncio só o observando.

— Eu preciso esclarecer as coisas para você por que se não eu não vou mais suportar tudo isso.

— Eu também preciso disso.

Ele sentou no banco ao meu lado e pegou a minha mão.

— Desde que eu te vi pela primeira vez, eu senti que você era uma mulher diferente e com o tempo eu só confirmei isso. Você é tão bonita, inteligente, observadora. Bella, você me encanta, me deixa seguro, confortável e me faz até esquecer de quem eu sou. Com você eu sinto que posso ser uma pessoa comum. – Ele sorriu e beijou a minha mão. – Eu sei que pode ser cedo demais para que algo assim possa acontecer, mas... Eu estou apaixonado por você, Bella. Me deixa...nervoso...ficar longe de você.

Me coração falhou uma batida. Seus olhos eram gentis, mas intensos, e eles pareciam estar fazendo os meus ossos amolecerem. Eu não sabia como lidar com isso. Eu tinha sonhado com ele me dizendo que gostava de mim um milhão de vezes, mas agora eu não tinha nada a dizer. Então esperei que ele terminasse.

— Eu tentei evitar ao máximo que isso acontecesse por que eu não queria que você ficasse tão exposta e se chateasse por ter que suportar toda essa maluquice que é o meu mundo como já aconteceu antes. Bella, eu não suportaria em te ver triste e também não suportaria em te perder. Hoje quando eu te vi com aquele cara, eu senti algo estremecer dentro de mim, eu queria socá-lo e foi algo realmente estranho por que eu nunca tinha sentindo isso antes. Então, eu cheguei à conclusão que eu queria esclarecer tudo com você mesmo que me odiasse.

Ele soltou a minha mão e levantou frustrado, colocou a mão no cabelo com tanta força que eu achei que iria arrancá-lo.

— Isso foi tão piegas! Eu não estou nem te dando a chance de falar! Eu sou mesmo um idiota.

Sem pensar, levantei e segurei o seu rosto para que ele me olhasse nos olhos. Minhas mãos estavam frias de tanto nervosismo, mas eu sentia uma força tão grande dentro de mim que me dava coragem para tudo.

— Pare de ficar se culpando por tudo. Não gosto de vê-lo desse jeito. O que me disse foi lindo. Na verdade foi à coisa mais linda que alguém já disse para mim.

Ele sorriu e colou a testa na minha. Sua respiração soprou em meu rosto, me deixando fascinada.

— Eu sinto o mesmo por você. Mas jamais imaginei que um homem como você poderia sentir algo assim por mim.

— Somos tão bobos Bella.

Seus dedos tocaram levemente os meus lábios, me fazendo tremer e sem pedir passagem, ele colou os seus lábios nos meus e nos beijamos como se não houvesse mais o amanhã. Meus dedos se fecharam nos cabelos dele, apertando ele contra mim e as mãos dele passeavam pelas minhas costas. Eu me sentia ferver. Era tão bom! Nada comparado as minhas desastrosas experiências anteriores. Com Edward eu queria sempre mais. As horas poderiam passar que eu nem sentiria.

Suas mãos gentis me afastaram. Abri os olhos e vi seu sorriso torto tão lindo e meu coração quase parou. Ele passou um braço por mim e descansou seu rosto no meu cabelo. Abracei-o e ficamos assim por um longo tempo só apreciando o contato um do outro. Quando começou a ficar frio demais para ficar ali, ele me levou até o outro lado do parque onde havia um coreto e nos sentamos lá. Sorri feito uma boba, tentando ver se estava realmente acordada.

— Por que está sorrindo. – perguntou.

— Posso te fazer uma pergunta?

— Claro.

— Por que eu? Eu sei que pode parecer uma pergunta boba para você, mas para mim é curioso.

— É mesmo uma pergunta boba! – rimos e ele beijou a minha testa. – Acho que nem eu sei explicar. Simplesmente aconteceu. Acho que coisas assim não são explicáveis.

Tremi com o frio e ele me abraçou. Era gostoso está assim com ele. Senti que finalmente as evasivas tinham acabado.

— Pra você deve ser uma grande pressão na hora de escolher um relacionamento.

— E é. Eu cresci acreditado que você pode viver junto com alguém por toda a sua vida. Meus pais são o meu maior exemplo. Eu vi o amor e a parceria deles e sonhava que isso poderia acontecer comigo também. Mas devido a minha posição é muito difícil confiar em alguém e quando acontece é difícil sustentar um relacionamento saudável por causa da mídia. Eu não posso nem andar de mãos dadas com a minha namorada por que tem cem pessoas tirando fotos.Às vezes eu nem consigo separar o príncipe do homem que eu sou e isso me deixa louco.

— E você acha que comigo pode ser diferente.

— Eu confio em você, Bella, mas não estou te forçando nada. Não quero que se sinta pressionada e que sua vida seja arruinada por esses paparazzis idiotas. Hoje à tarde eu fiquei com ódio de mim mesmo por não conseguir deixar você longe e por querer tanto você perto de mim.

— É um risco que quero correr por que eu também estou apaixonada por você e quero estar ao seu lado. Eu quero ter a chance de conhecer esses dois homens que convivem dentro de você por que eu te acho tão sensível, romântico, inteligente, charmoso, meu homem perfeito!

— E você é a minha mulher perfeita. Se você quer mesmo entrar nessa aventura comigo prepare-se não vai ser fácil, mas eu farei de tudo para que você seja a mulher mais amada do mundo!

O abracei mais forte e o beijei novamente, mas dessa vez formos mais delicados e aproveitamos melhor o momento. Sem nem mesmo pensar que a partir daquele momento eu estaria presa a ele para sempre.