Notas iniciais
No inicio desse capítulo há um mapa de Belgonia, que é o pequeno país fictício da Europa que se passa a história, que é para ajudar a vocês a se situarem no contexto da região citada pelos personagens da fanfic. Belgravia é a capital de Belgonia e é lá onde os personagens moram.

Respirei fundo e segui em frente. O primeiro olhar em minha direção que vi era o de Edward. Ele me olhava com um olhar tão sereno e tão doce, como se esperasse por aquele momento a vida inteira. Eu e papai estávamos no meio do corredor da abadia e de repente eu queria correr até ele e quebrar todos os protocolos, mas eu não podia, tinha que seguir calmamente e ser firme tanto agora como sempre.

***

Eu mal podia acreditar que já fazia um mês que Edward e eu estávamos namorando. É claro que a gente fazia o que podia para que tudo fosse o mais discreto possível e até agora a impressa não desconfiava de nada. Havia muitos burburinhos dentro da universidade, mas nada que eles conseguisem nos incriminar.

Mesmo tendo que estar ao lado dele na clandestinidade, valia muito a pena cada minuto que eu passava ao seu lado. Eu me sentia amada e com a sensação que eu tinha encontrado o meu lugar, mesmo vivendo em realidades opostas, Edward e eu tínhamos muito em comum e uma certa cumplicidade estava sendo formada ao nosso redor. Nunca ficávamos sem assunto, ele me entendia e eu o entendia, era como se nos braços um do outro encontrássemos o nosso verdadeiro lugar. Às vezes, eu sentia que as coisas estavam indo rápido demais, mas ao mesmo tempo era como se eu o conhecesse a vida inteira.

— Não vale trapacear. – Edward disse colocando a mão sobre a fita que tapava os meus olhos.

— Como eu vou trapacear desse jeito? – ele riu e beijou o meu pescoço, o que me deixou com arrepios. – Não se preocupe. Dessa vez não haverá nenhum perigo.

— Assim espero. Não quero quebrar mais nada. – rimos e ele me conduziu ao carro.

— Não pode me dar nenhuma pista? – perguntei curiosa.

— Não. Por que você quer sempre estragar as surpresas?

— Eu gosto de estar sempre no controle.

— Nem sempre precisamos estar no controle.

— Ok, certo, não quero ser estraga prazeres.

— Você pode tentar adivinhar.

Respirei fundo e senti um cheiro gostoso de comida. Seria um piquenique? Senti o som do carro se movendo e não consegui supor para onde íamos até Edward abrir as janelas e assim começar a sentir o cheiro do campo substituir o da cidade. Será que íamos para alguma fazenda? Pelos minutos que se passaram não era um lugar muito perto. Mas o que poderia ser uma viagem ociosa devido a distancia foi ao contrário, Edward segurava a minha mão e fazia carinho no meu rosto. Isso me fazia tão bem!

Havia tantas mulheres bem mais bonitas, ricas e interessantes ao redor dele e eu havia sido escolhida. Por quê? Ao mesmo tempo vinha àquela desconfiança de quanto tempo isso iria durar. Eu estava sendo insegura, eu sei. Mas eu não podia deixar esses pensamentos de lado. Eu não imagino que ele esteja sendo um cafajeste e querendo apenas me cantar e depois descartar. Ele parecia muito diferente, muito inseguro também e sincero. Eu já estava apaixonada. Isso é fato! Porém eu não queria correr o risco de sofrer se o encanto acabasse e eu virasse abóbora de novo.

O carro parou e Edward me ajudou a descer dele, sempre com a preocupação de que eu não olhasse. Andamos mais um pouco e paramos. Ele me abraçou por trás e tirou a venda dos meus olhos. Abri os olhos devagar e vi um lindo jardim na minha frente. Ri e olhei para ele meio confusa.

— Gostou?

— É lindo! Acho que sei o que vamos fazer aqui.

— Agora está fácil.

— Um piquenique.

— Sim, um belo programa romântico para uma manhã de sábado.

— Concordo.

Virei e o beijei. Por que será que os príncipes deviam ser tão doces?

— Obrigada pelo programa. Eu sempre quis fazer um piquenique num lugar assim, mas era difícil encontrar um lugar desse jeito na Califórnia.

— E também devia ser difícil encontrar uma companhia tão boa quanto a minha.

— Deixa de ser convencido. – Dei um beliscão na barriga dele e ele sorriu. – Olha que eu te deixo sozinho aqui, ein!

Ele segurou o meu braço e me abraçou com força.

— Eu jamais permitiria isso.

— Todos os príncipes são convencidos assim ou você é a exceção a regra?

— Eu não sou assim, meu amor, foi só uma brincadeira. Mas quanto a sua observação, sugiro que conheça o meu irmão, Emmett, você iria querer bater nele.

— Você fala muito do seu irmão. Deve ser muito apegado a ele.

Ele pegou a minha mão e me levou para o centro do jardim. Ajudei-o a estender a toalha e a colocar as comidas em cima. Só coisa apetitosa, por sinal. Nos sentamos e aí enfim respondeu:

— Posso dizer que sim. Emmett sempre foi o meu companheiro, a minha inspiração, apesar de não ser uma muito boa, mas sempre formos muito ligados de alguma forma e é até engraçado por que somos totalmente diferentes um do outro.

— Imagino o quanto deve ser difícil o relacionamento de irmãos dentro dessa coisa de sucessão e tudo mais. Relacionamento entre irmãos em uma família comum já é complicado devido a toda a disputa entre o amor dos pais, imagine numa monarquia.

— Mas as coisas nunca foram complicadas para nós. Emmett sempre tratou a mim e a Alice como um irmão mais velho e não como um chefe. Ele nunca viu as coisas dessa forma. Tudo que a mídia espalhou sobre nós dois é a mais pura mentira. Emmett nunca gostou de ser o próximo na linha do trono, nunca gostou das restrições, obrigações e eventos reais. Acredite, ele se sente aliviado por eu ter assumido tudo. Ele no momento está numa posição muito favorável para sentir inveja de mim.

— Bom para ele, ruim para você...

— Nem tanto. Mas é como você mesma disse acho que eu posso fazer muito pelas pessoas estando nessa posição. Não quero decepcionar o meu pai e nem ao meu povo.

— Sabia que eu tinha curiosidade sobre a sua vida. Eu acredito que deva ser deslumbrante, mas eu nunca tive coragem de te perguntar por que você parecia meio receoso em me falar sobre essas coisas e eu não queria parecer xereta pesquisando tudo na internet.

Ele pegou a minha mão e a beijou antes de responder:

— Fico feliz em saber que não andou lendo todas aquelas fofocas dos tablóides. Nem tudo que está na internet é verdadeiro.

— Eu sei. Eu não quero ser uma bisbilhoteira.

— Me encanta o fato que tenha curiosidade em saber um pouco mais sobre mim. Acredite que eu não fui nenhum desconfiado com relação a você. Eu quero que você me conheça de verdade e não uma miragem de um título.

— Eu quero muito isso. – toquei o rosto dele e ele beijou o meu rosto. – Não quero que você se sinta inseguro com relação a mim e eu também não quero me sentir assim com relação a você.

Edward me beijou mais uma vez e com tanta ansiedade que acabamos caindo na grama. De repente senti uma corrente elétrica passando por mim e uma intensidade que eu nunca tinha sentido antes. Eu queria explorar todos os limites, mas uma coisa de cada vez.

— Eu não quero que você pense que eu sou uma interesseira.

— Eu não penso isso Bella. Eu estou gostando muito de você. Verdade! Eu é que me sinto um egoísta por isso. Por que eu quero que você seja feliz, mas não sei se conviver nesse turbilhão que eu vivo, seja uma boa. Eu não quero te arrastar para tudo isso e que você acabe sofrendo. Mas ao mesmo tempo, eu não quero te perder. Entende isso?

— Por isso é tão reticente comigo quando toco no assunto.

— Sim. Entenda que para nós relacionamentos são muito complicados. A gente tem que confiar bastante na pessoa que a gente está se relacionando e ter certeza que ela pode agüentar o rojão. Por que essa pessoa não vai ficar só conosco, ela vai namorar também com a família, com o trono, os protocolos, com todo o país e ainda ter que agüentar a mídia perseguindo o tempo inteiro.

— E acha que eu não sei disso?

— Você pode imaginar como pode ser, mas não sabe como realmente é. Já tive vários relacionamentos fracassados por causa disso.

Ele balançou a cabeça, parecendo lutar contra esse pensamento.

— Se ir embora é a coisa certa a se fazer, então eu vou me machucar pra não machucar você, pra te manter a salvo.

Meus olhos faiscaram na direção dele.

— E você acha que eu não faria a mesma coisa?

— Você nunca teria que tomar essa decisão e eu sou egoísta demais para deixar você ir.

— Eu gosto desse egoísmo. Por que eu também não quero ir.

Ele pegou as minhas mãos e beijou.

— Sabe que a minha mãe já desconfia que eu possa estar com alguém.

— Mães são fogo!

— Foi ela que me deu a chave do palácio para que nós pudéssemos estar aqui. Foi uma boa dica que ela me deu.

— Estamos num palácio?

— Sim, estamos.

Olhei assombrada para os lados e vi uma casa enorme aos fundos. Como eu não pude notar antes? Mas que palácio seria esse? Não me lembro de haver outros em Belgravia a não ser o principal.

— Não estamos no palácio de Belgravia, não é?

— Não. Estamos em Clarence. Esse é o jardim do palácio.

— Você me trouxe até Clarence para termos um piquenique?

— Não sei para que o espanto? Aqui podemos ficar muito mais a vontade do que em Belgravia.

— Eu sei... É que eu meio me sinto uma insignificante diante de tudo isso.

— Não seja boba, são apenas tijolos velhos.

— Que valem milhões de dólares!

— Talvez um pouco mais. Nunca avaliamos.

Suspirei meio aterrorizada. Eu estava num palácio e nem estava de uma maneira apropriada para isso. Nem sabia me comportar, nem falar corretamente. Ai Meu Deus! E se alguém ficasse comentando? Edward poderia ter problemas.

— Não precisa entrar em pânico Bella. Não estamos em Marte.

— Eu sei. Eu é que me sinto a alienígena.

— Você não se vê muito claramente, sabe... Você não é qualquer uma meu bem. Se quer fazer parte da minha vida é melhor ir se acostumando.

Ele me abraçou e beijou os meus cabelos.

— Você é tão linda que nem percebe.

Olhei para ele meio insegura e ele me beijou mais uma vez. Era doce se sentir amada. Mas ele tinha razão. Se eu quisesse seguir com ele eu tinha me acostumar a tudo isso e passar uma certa segurança. Eu não queria que Edward pensasse que eu era uma covarde e me largasse. Abracei-o mais fortemente e ele retribuiu. Eu sabia que tinha entrado para um caminho sem volta e teria que encará-lo em nome do meu amor.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo! Em breve haverá mais! Eu gostaria de agradecer a todos que deram um voto positivo para essa história e que vem a acompanhando. Agradecimentos especiais a Nikki Becker, Jo G Cullen, Cupcakeimperfeito, bela02, Elisabeth Dias e davylla por deixarem comentários maravilhosos e me incentivarem bastante a continuar com mais vigor. Prometo que tentarei escrever uma história incrível para vocês.