Dimensiontale
2 Echotale: MaravilhOsso
Notas iniciais
Gaster acordou com uma dor de cabeça tremenda, sentou-se de repente, assustado e percebeu que além de nevar um pouco, o local a sua volta era cinzas e restos do que parecia ser um laboratório. Colocou a mão na cabeça devido a dor e cambaleou um pouco para ficar de pé, não tinha ideia de quantas horas ficou desmaiado mas se lembrava de tudo que tinha acontecido no que para ele, parecia ser nos últimos segundos.
Então procurou anomalias no seu corpo mas não achou nada de diferente, além de estar vestido com uma calça escura, botas de cano alto uma blusa de lã e uma jaqueta preta com alguns detalhes.
Sua prioridade agora era saber onde estava e em qual tempo se encontrava, mas antes resolveu dar uma explorada pelo local.
Andou um pouco e observou alguns frascos quebrados e prateleiras destruídas. Concluiu que apesar de praticamente tudo destruído, aquele era seu laboratório.
Quando passou por alguns vidros notou algo estranho, não no recipiente, mas sim com seu reflexo. Gaster ainda tinha os típicos rachados em seu rosto, porém seus olhos diminuíram e obtiveram uma pupila amarelada, contudo parecia mais jovial e até lembrava-o de quando era mais novo, ou até mesmo de Sans. Sabendo das anomalias ele resolveu deixar isso de lado.
Continuou andando e quando virou uma parede — a única inteira que tinha – tropeçou em algo e caiu de cara no chão.
—Ai!
Exclamou o algo que Gaster tropeçou. Depois de se recuperar do tombo, sentou na neve e encarou a dona da voz.
Era uma garota da qual nunca tinha visto antes, ela parecia bastante emburrada e esfregava a parte do joelho em que Gaster teria tropeçado, também obtinha umas correntes nos pulsos que a ligavam na parede.
— Quem é você?
— esse é seu jeito de pedir desculpa pras pessoas?!
— ahn.. desculpe por isso, eu realmente não te vi, não é como se eu gostasse de tropeçar em tábuas propositalmente. – E lançou um sorriso provocativo para a garota.
Gaster estranhou seu comportamento rebelde e um pouco imaturo, não era essa sua personalidade, então pensou até que sua dupla personalidade tivesse vindo com ele.
— você é um ridículo!
Ela disse enquanto corava, Gaster apenas pegou um cigarro e o colocou na boca. Desde quando ele fumava? Ele não sabia, mas tinha achado os cigarros e o isqueiro no bolso do casaco e apenas achou uma boa ideia.
—acho que só tem nós dois aqui, não acho que seria uma boa ideia ficar brigando a toa. – ele fez uma pausa para soltar a fumaça. – então vamos manter um bom convívio, ok? – um pouco relutante, a garota assentiu. – ótimo. Então, qual seu nome?
— Frisk.
— Saúde.
— não – ela o fuzilou com o olhar – meu nome é Frisk.
— hm.. e como você chegou aqui?
— Isso daqui é um questionário da minha vida?! Fale algo sobre você também!
— o que você quer saber?
—começando pelo seu nome?
Ela disse, irônica.
—Gaster.
—você não é o Gaster! O Gaster é totalmente diferente de você.
— sou eu, apenas sofri algumas anomalias. Estava com meus filhos, Sans e Papyrus, no laboratório e ligaram a máquina do tempo sem querer, quando acordei estava aqui. Mas se eu soubesse que fosse cair aqui com uma emburradinha eu teria destruído aquilo tudo.
Gaster falou provocando-a, por alguma razão gostava do jeito que ela inflava as bochechas quando irritada.
— Escuta aqui, você acha que eu queria estar aqui?! Ainda mais contigo?! Claro que não! Mas vamos ter que passar por isso juntos, querendo ou não.
— Que romântico. – ela bufou em resposta. – mas voltando ao assunto, eu sou o Gaster e já disse o que aconteceu, então agora é sua vez. – ele disse apagando o cigarro na neve.
— Eu estava no laboratório com o Gaster – ela o olhou de soslaio. – com o Sans e a Alphys, enquanto eles estavam arrumando algum tipo de máquina e eu estava presa lá, como pode ver — ela levantou os braços mostrando as correntes. – Porém a Alphys estava toda agitada falando de uma revista que tinha comprado, talvez foi isso que atrapalhou os meninos e a explosão ocorreu, quando eu acordei já estava aqui. – ela levantou os braços desanimada. — Mas é estranho porque a história que você falou é diferente da minha e você está vestindo as roupas que estavam na capa da revista. Eu não estou entendendo mais nada.
— Talvez duas dimensões tenham caído na mesma linha do tempo, nisso a gente veio parar aqui – ele disse com a mão no queixo. – mas como eu estou vestindo o que tinha na revista mas ainda sou eu, isso quer dizer que tudo se misturou, fora minha aparência e essa personalidade um pouco estranha que eu estou tendo. Acho que aconteceu isso mesmo.
— Talvez você seja o Sans – ela disse sem perceber e ele encarou-a. – Seu jeito me lembra um pouco ele. — ela disse olhando para os pés, tímida.
— realmente parece um pouco, mas ainda não sei dizer o que pode ser realmente pois eu ainda sou eu. – Ele apontou para as correntes dela. – E como você conseguiu isso ?
—Sans me prendeu.
Ela disse parecendo chateada.
— e?
Ele fez um sinal para ela prosseguir.
— e que ele me prendeu. Nada mais, não está vendo?!
— Mas que barraqueira. Eu estava pensando em te tirar daí – ele disse se levantando e abanando a calça para retirar a neve. – mas como você é muito educada, acho que merece passar mais um tempo ai.
— não, espera. – ele se virou lentamente para ela e a olhou com uma cara provocativa. – me tira daqui, por favor? — ela fez a melhor cara de pidona que pode.
— ahn.. – ele fez uma pausa significativa e colocou a mão no queixo, olhando-a em seguida. – não. – virou-se e retomou o caminho anterior.
— O QUE?! DEPOIS VC FALA PRA GENTE TER UM BOM CONVÍVIO, VOCÊ É UM RIDÍCULO MESMO, SABIA?! SEU FILHO DA.. — Frisk gritava e ele continuava se afastando lentamente enquanto sorria presunçosamente.
Quando estava quase anoitecendo ele retornou com dois gentilvetes e dois cachorros quentes.
—Eai, estressadinha. Gostou do castigo?
Ele se sentou na frente dela se encostando em uma árvore e colou a sola do sapato dele com o dela, isso lhe deu um tipo deja vú.
—você fez isso de propósito, né? — Ela puxou o pé dela rapidamente enquanto abraçava os joelhos, estava mais cabisbaixa do que quando ele a deixou literalmente plantada.
—te deixar aqui? Claro, foi a melho-
— não. – ela o interrompeu. — eu me referia a colocar seu pé com o meu. – ela olhou para os sapatos, chateada.
— hm, isso te incomodou? Eu não sabia, eu só..
— não, mas.. – ela parecia relutante em falar, mas suspirou pesadamente e continuou. – Sans fez isso comigo antes de me prender, talvez você tivesse lembrando de algo, já que você é um pouco da minha dimensão e um pouco da sua.
— Talvez, na verdade me deu uma espécie de deja vú, mas nada além disso. – ele entregou-lhe um cachorro quente e um gentilvete. – mas talvez isso seja um sinal de que posso “lembrar” de algo da sua dimensão.
— Talvez. – disse frisk desanimada olhando para o par de alimentos que tinha nas mãos.
— hmm – disse Gaster dando a primeira mordida no cachorro quente. – isto está maravilhOsso, você deveria experimentar.
Foi o suficiente para ela sorrir com o humor barato que lembrava seu velho amigo e morder o alimento. Não parecia muito interessada no começo, mas foi até dar a primeira mordida e adorar o sabor que sentiu, seus olhos até brilhavam como uma criança que acabara de receber um novo brinquedo. Aquilo mexeu com Gaster mais do que ele gostaria.
Ele ainda estava confuso com a piada que tinha soltado, nunca foi de gostar muito desses trocadilhos de humor barato que fazia mais o jeito de Sans, e sempre reparava em Papyrus repreendendo o irmão quando soltava uma dessas..
“Isso! Sans!” Pensou. “ se eu estou fazendo essas piadas que nunca foi de meu costume e estou um pouco rebelde, sim, isso me lembra muito ele”. Concluiu.
— hey. – ela disse, fazendo Gaster sair de seus devaneios e dar atenção pra ela. – você acabou de fazer uma piada típica do Sans e o Gaster que eu conheci nunca ligou muito pra isso. – ela lhe lançou um sorriso provocativo.
— eu sei, mas quando eu reparei, já tinha saído. – ele terminou o cachorro quente dando outra mordida. — eu estava pensando agora, se eu sou um pouco da minha dimensão e um pouco da sua, essa personalidade extra e esse humor fajuto não me pertencem. – ele disse depois de engolir o alimento, amassando o saquinho. – Então, eu sou uma mistura do Sans da sua dimensão e o Gaster da minha, pelo o que entendi.
— uhuhu, não deixa de ser inteligente, Gaster Sans. – ela disse o provocando novamente, enquanto mordia seu gentilvete.
— Gaster Sans? Você está louca ?!
— agora você é Gaster Sans pra mim, hihihi. – riu debochada.
— hmm. – ele fez com um tom provocativo. – Então você prefere ficar aí por mais algum tempo, né? – ele disse se levantando e tirando a neve da roupa.
— o que?! NÃO, POR FAVOR! Era brincadeira Gasterzinho, por favor. – Lhe lançou um sorriso amarelo e um coração com as mãos na tentativa desesperada de não ficar presa e sozinha de novo.
Gaster riu do desespero da menor e invocou seu Gaster Blaster — que nessa dimensão tinha uma cor alaranjada em vez de azulada — sendo o suficiente para a garota se assustar.
— não me mate, por favor! – ela dizia em desespero, Gaster levantou onde deveria ficar sua sobrancelha e soltou um sorriso debochado, nunca seria sua intenção matá-la mas aquilo o fez querer pregar uma peça na menor.
— ah, mas eu vou. – Ele fez a cara mais diabólica que conseguiu e lentamente, se aproximou da garota.
— Não, por favor. – Dizia em total pânico, quase chorando. – o Gaster que eu conhecia nunca faria isso!
— vou te mostrar o quanto posso ser mal. – ele chegou do lado da garota e se abaixou, segurando os dois braços da morena, esticando-os para frente.
— Não, por favor! – Frisk já chorava de medo, colocou os braços para frente como se estivesse sendo presa e afastou o resto do corpo esperando o pior, então escutou um barulho de correntes, Mas não sentiu nada.
Vendo que nada aconteceu, abriu os olhos, achando um Gaster Sans se segurando muito pra não rir. Logo ela olhou para as correntes e viu que elas estavam cortadas, ela estava finalmente livre.
— pffffff, você tinha que ver sua cara de assustada. — Gaster Sans morria de rir e até limpou uma lágrima de tamanho divertimento.
— você me enganou! Isso não se faz. – A garota queria falar com um tom bravo mas estava feliz demais, olhando as correntes cortadas.
— ora, não acredito que você achou que eu fosse te machucar, isso foi desuman-
Gaster foi surpreendido por um abraço da menor, que estava com um sorriso enorme no rosto o que o fez suspirar e abraça-la de volta. Ele viu-se gostando daquilo mais do que prezaria e isso o incomodou de certo modo.
“maldito Sans que se fundiu comigo e me faz isso parecer melhor do que parece”. Pensou, porém não com a raiva que queria.
Frisk se afastou e os dois deram um sorriso satisfeito.
— acho melhor irmos. — Disse Gaster, caminhando enquanto fazia o Gaster Blaster desaparecer.
— Vamos!
Frisk estava mais determinada do que nunca enquanto acompanhava Gaster.
“Mesmo ele sendo meio irritante as vezes, ele é legal”. sorriu com o pensamento.
Apesar de Gaster ter se separado de seus filhos e estar em outra dimensão — que no caso era a junção de duas -, ele tinha aventura pela frente – coisa que ele não tinha há muito tempo – com uma aliada que não era muito educada, mas tinha um jeito espontâneo que despertava algo nele e apesar disso tudo, isso os enchia de determinação.
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