Digimon: The Call

1 Capítulo 1 - A new Call


MEI

Um novo dia se iniciava. Vários pássaros já entoavam seu canto matinal, uma bela e suave sinfonia de piados e cantos surgia enquanto tais aves pairavam suavemente pelo ar frio da manha em questão. A leve brisa parecia se dispersar a todos os cantos, procurando por brechas para se infiltrar a todos os lugares, assim encontrando a pequena fresta deixada pela janela de um quarto na casa número 18. No quarto em questão, havia uma garota, ainda submersa em sonhos, que tinha sua face então tocada por aquele ar frio que contornava sua face, fazendo com que inconscientemente a jovem puxasse para cima a manta que cobria seu corpo, assim, cobrindo também seu rosto.

- Mei! – Disse uma tranquila voz à porta, se misturando com o som que era produzido quando os nós dos dedos da mãe da garota batiam contra a madeira de sua porta. – Já está acordada, querida?

Com a voz ecoando em seus ouvidos Mei logo teve de despertar de seu sono, seu sonho... Fora um sonho um tanto estranho. Agora já acordada, porém de olhos ainda fechados, a garota liberou algumas palavras cujos significados eram indecifráveis, simplesmente para sua mãe saber que acordara, e com isso, ouviu o som dos passos de sua mãe afastar-se, descendo lances de escadas, até desaparecer e restar apenas o som do cantar dos pássaros à sua janela. Mei fazia força de se lembrar do sonho que acabara de ter, mas, como em muitos casos, aquela memória parecia esvair de sua mente rapidamente, fazendo com que a única coisa que permanecesse em sua mente era a figura de uma pequena criatura a cantar para a lua, que brilhava intensamente no céu, acompanhada por diversas estrelas.

Finalmente a garota abriu seus olhos e estes encararam as paredes, todas pintadas de rosa, resultado de suas birras de quando ainda era uma criança de 7 anos, quando se mudara para aquela casa. Não que o tom róseo a incomodasse, mas, agora com 15 anos, apenas gostava de imaginar como seria a aparência do quarto se fosse outra cor, cada dia era uma cor diferente, hoje, pensara em algo mais tranquilo, um azul. Sentou-se sobre sua cama e encarou a janela, na verdade, a paisagem lá fora. O céu parecia nublado, onde as nuvens se misturavam com o imenso azul, apesar de não parecer que havia alguma probabilidade para chuva naquele dia, bem, pelo menos não ouvira nada do tipo no jornal que assistira com seu pai no dia anterior, apesar de também não dar qualquer importância para coisas como jornais, afinal, eles só sabem falar de coisas ruins que acontecem ao mundo todo. Seu irmão, dois anos mais velho é quem acompanhava seu pai nesta questão.

Após um lento e relaxante bocejo a garota levantou-se, caminhou até o armário e retirou deste um uniforme, jogando-o sobre a cama enquanto o analisava. Era um uniforme escolar, ainda nunca usado, afinal, hoje seria o primeiro dia de aula, em uma nova escola. Seu uniforme consistia em uma saia xadrez, em dois tons de azul, um mais escuro, e outro mais vivo, cujo tom era compartilhado por um blazer, que teria de usar sobre uma simples camisa branca, em conjunto com uma pequena gravata em laço no mesmo tom de azul mais escuro usado também em sua saia.

A garota vestiu-se rapidamente, saiu de seu quarto, e adiantou-se até as escadas, onde, desceu-a em meio a saltos, de dois em dois degraus, até char no estreito corredor que tinha passagem para a cozinha. Parada diante do arco, a garota pôs-se a observar a cena. Seu pai estava sentado à mesa, com um prato vazio à sua frente e um jornal em suas mãos, sua atenção voltada a uma manchete que dizia sobre uma onda de vandalismo que atingia a cidade. Ao seu lado, estava seu irmão, ele vestia um uniforme bem semelhante ao de Mei, mas, claro, um que fosse masculino. O rapaz de cabelo castanho esticava seu pescoço para tentar ler algum texto qualquer do jornal à mão de seu pai.

- Eh? – Emitiu a mãe da garota, pousando uma frigideira sobre o fogão, voltando sua atenção à filha. – Você está linda querida! Ansiosa para o primeiro dia de aula? Me lembro que sempre me animava com os primeiros dias.

- Estou tranquila, mamãe. Acalme-se – Disse a garota, estampando um largo sorriso em sua face, ordenada por seus longos fios de cabelo levemente encaracolados em suas pontas.

- Sei... – Disse a senhora Fuyuki, com um singelo sorriso enquanto pousava o café da manha sobre o prato de cada um ali à mesa.

O café não se prolongara por muito tempo, assim que todos estavam prontos, o irmão de Mei, Ren, levantou seu olhar até o relógio e disse. – Então... É melhor já irmos, Mei. Combinei de me encontrar com o Koji antes da aula.

A garota simplesmente assentiu positivamente, jogou sua mochila sobre o ombro, agarrou seu celular que estava sobre a bancada da cozinha e virou-se rumo à saída, mas, após algum protesto por parte de seu pai, a garota voltou e lhe beijou a bochecha, fazendo o mesmo com sua mãe, que lhe acompanhou até a porta, onde, ali, mesmo quando seus filhos já estavam na calçada, disse:

- Boa aula, queridos! Divirtam-se! Tome conta de sua irmã, Ren!

- Tá, tá, mamãe! Até! – Disse Ren, levantando sua mão ao ar, em despedida à mãe.

A caminho do colégio não houve tanta emoção, os dois seguiram calados, não que não se dessem bem, simplesmente não havia algo que os fizesse iniciar uma conversa naquele momento. O único instante em que Ren disse algo foi quando viu uma máquina de vender refrigerante derrubada próxima de um restaurante, o que o fez citar a notícia que leu com seu pai no jornal, sobre a tal onda de vandalismo na cidade. Mal sabia Ren, ou qualquer outro morador da cidade oque realmente o havia causado.

Aos poucos, a construção do colégio se tornava visível, até que finalmente chegaram a seu portão, onde outro rapaz, assim que viu Ren, já levantou sua mão, saudando-o, era Koji. Mei já o conhecia, afinal, era amigo de seu irmão já há muito tempo. – Hey! Ren! Caímos na mesma sala, de novo! Olá também, Mei. É seu primeiro ano aqui, né? Tome cuidado com a senhora Keiko, ela vive tentando botar qualquer um de castigo por cada coisa mais ridícula... Ainda bem que este é meu ultimo ano aqui. – O rapaz tinha em sua face um largo sorriso, o qual era retribuído tanto por Ren quanto por Mei. Koji era sempre muito sorridente, o que Mei achava algo legal.

Após agradecer o conselho de Koji, a garota se despediu deste e de seu irmão e adentrou a construção, seguindo pequenas placas expostas nas paredes para guiar os alunos novos. Sem muita dificuldade Mei encontrou seu nome em uma das folhas na parede, onde se guiou para o interior de sua nova sala e ali parou. Chegara antes de muitos outros alunos, então, só havia outro rapaz ali, que já havia encontrado sua carteira, ele não se sentara na frente, mas, também não era no fundo, estava no meio, na fila que se seguia rente a parede, ao lado da janela. Como não havia mais ninguém ali, a garota pensou ser uma boa ideia sentar-se próxima, então, caminhou até a carteira ao lado, e sentou-se.

Mei virou-se em sua carteira e encarou o jovem. Ele era mais alto que ela, o que não era tão difícil, para sua idade Mei era um tanto pequena, seu cabelo era negro e seus olhos estavam fixos na janela. – Olá! – Disse a garota enfim, o sorriso marcante já estava em sua face. – Sou Mei!

O rapaz virou sua face à garota, e, um tanto tímido, disse. – Hum... Sou Yuu. – Seus olhos também eram negros, penetrantes, mas, o encontro fora interrompido quando outra garota surgia na cena, ela tinha cabelo também castanho, mas, mais claro que o de Mei, e também mais curto, pouco acima de seu ombro, em sua face uma expressão de maravilhada. A garota avançava até Yuu e passava seus braços ao redor do mesmo, dizendo em alto tom:

- Yuu!!! Que saudades! Estamos na mesma sala! Coincidência, não!? – Yuu lutava para desvencilhar-se dos braços da garota, enquanto podia sentir sua orelha queimar.

- Yoko... Yoko, me solta. – Disse o rapaz, enquanto a luta prosseguia.

- Ah! Tão fofinho! Tá bom! Vou me sentar aqui, na sua frente, só por que sei que sentiria minha falta se sentasse longe.

Mei de alguma forma se incomodara com a garota, ela havia interrompido sua apresentação, então, virou-se para frente enquanto esperava os outros alunos entrarem na sala, muitos em grupo, escolhendo seus lugares uns próximos aos outros. Desligou seu celular para que não houvesse nenhuma interrupção e o guardou no interior de sua bolsa, não queria passar uma imagem ruim logo no primeiro dia de aula. Quando a sala finalmente se encheu, e a sineta tocou, uma senhora adentrou a sala, fechando a porta. Ela tinha uma expressão de cansaço em sua face já um tanto enrugada pela idade. – Sou a professora Keiko, e neste ano estarei ensinan...

O som de um toque de celular ecoou pelo interior daquela sala, interrompendo a professora. Os olhos de todos percorriam todas as faces da sala, em busca de onde viria aquele som. A face de Mei se tornava rubra quando todos os olhares caíam sobre sua mochila. Sem reação, a garota também encarava sua mochila, lembrava-se de ter desligado o maldito celular, e como ele ainda tocara? Havia deixado o despertador ativado? Não... Não usava o despertador do celular. Logo, outros sons começaram a ecoar pela sala. Eram os aparelhos de Yuu e de sua amiga, Yuko. Os dois disparavam a tocar, fazendo com que a expressão de Keiko se tornasse ainda mais furiosa, e ao que seria um berro, a senhora disse.

- Para fora! Os três! Sinceramente... No primeiro dia de aula? Vamos, saiam!

- Mas... – Yuu tentou argumentar com a professora, mas, após mais um berro da senhora, o rapaz finalmente se levantou, sua face baixa, mais uma vez colorida pelo tom avermelhado, assim como o de Mei, que o acompanhou. Yoko também os seguiam, mas, ela, por sua vez, não parecia incomodada com o olhar dos outros alunos, simplesmente seguiu Yuu, pondo-se a seu lado.

Fora da sala, Mei abriu sua mochila imediatamente e retirou dali o celular, encarou sua tela e disse, num tom um tanto alto após Yoko fechar a porta da sala ao sair desta. – Eu te desliguei porcaria! Como pode ter tocado! – Parecia brigar com o aparelho, movendo-o de um lado para o outro, com sua face inflada e vermelha. O celular finalmente parecia ter interrompido seu toque, e, sua tela estava escura, como se de fato estivesse desligado, e realmente estava.

- Mamãe vai me matar se ligarem para ela... – Disse Yuu, desanimado, puxando sua mochila para mais perto de si. Na outra mão, seu celular finalmente se iluminava. Mas, não era uma simples luz emitida de sua tela, todo o dispositivo se iluminava. O mesmo efeito se repetia no aparelho de Yoko e de Mei. O aparelho de Yoko ainda estava em sua bolsa, então, dali era de onde a luz emanava.

Do outro lado do corredor, outras duas figuras se aproximavam, Mei logo os identificou, eram Koji e Ren. Algo em suas mãos também se iluminava... Parecia ouvir a voz de Ren a distancia, mas, estava um tanto longe para entender com precisão. Aos poucos, aquelas luzes alvas foram tomando cores, cada dispositivo começou a irradiar uma cor distinta da do outro. Da luz azulada que o celular de Mei emitia, a garota poderia jurar ouvir uma voz, bem ao fundo... Era uma voz já conhecida... Então se lembrou de seu sonho, o suave cantar da criatura à luz da lua... Então, tudo cessou... O brilho... A voz... Os cinco simplesmente desapareceram do corredor. Oque teria lhes ocorrido?