Digimon: The Call
2 Capitulo 2 - Welcome to a new World.
Yuu
Seus olhos finalmente abriam-se, na verdade, eram forçados a se abrir, uma vez que a luz do sol penetrava por entre os galhos de folhas das diversas arvores ali aglomerada, formando feixes de luz que percorriam sua face, aquecendo ao mesmo tempo que lhe irritava a vista. Estava deitado, sobre a grama, à sombra das arvores, onde, após alguns instantes, finalmente se sentou, e ali, começou a examinar tudo ao seu redor.
Aquele local parecia confuso a seu olhar, de alguma forma, ele o fazia se lembrar de coisas, para ele, naturais, mas, ao mesmo tempo, pareciam completamente diferentes, como por exemplo as arvores, que de alguma forma pareciam plugadas sobre o solo ao que pisava, assim como as diversas tomadas dispersas sobre o tronco das mesmas.
O rapaz se levantou, estapeando suas vestes para eliminar qualquer resquício de sujeira que ali ficasse, e mais uma vez olhou ao seu redor, tentando procurar por Yoko, ou qualquer outra pessoa que conhecesse. Yuu é o tipo de pessoa que aprecia a solidão, mas, não via como poderia ser positivo estar sozinho num lugar destes. Afinal... Onde estava? Bem, isso, logo descobrirá.
O silencio imperava por ali, chegava a ser estranho, não havia absolutamente barulho algum ali, a não ser quando movia-se sobre a grama, fora isso, nada. Isso é, até que algo lhe chamou a atenção, um som começou a se aproximar, vinha de suas costas, era como um trote, oque o fez virar-se, visivelmente espantado com a veloz aproximação do som. Mas, havia outro som ali, algo mais próximo, parecia vir por trás de uma árvore qualquer.
– Quem... Quem está ai? — Disse o rapaz, sentindo suas pernas tremerem.
Não demorou muito para que uma pequena criatura surgisse, por trás da árvore. Seu corpo pequeno e avermelhado, com rajadas azuladas parecia emitir eletricidade que percorria todo seu corpo. Ele parecia tão assustado quanto Yuu, mas, diferente do rapaz, poderia usar aquela eletricidade para se defender. — Você está com eles? — Emitiu finalmente a criatura a mover sua boca.
– Vo... Você falou!? — Disse o rapaz, recuando alguns passos, em sua face estava estampado o medo. — Como diabos você pode falar!? É um animal. Animais não falam!
– Ah. — O monstrinho não compreendera, mas, interrompera as faíscas que emanavam de seu corpo. — Não sou um animal, mas, não tenho tempo para isso, e se quiser continuar vivo, é melhor começar a correr.
– Por... Por que? — Questionou o rapaz, recuando ainda mais. — Vai me atacar? Saiba que já sou vacinado contra raiva...
– Não, não eu. — Disse a criatura após após um profundo suspiro. — Enfim, adeus. — E assim, o monstrinho afastou-se, em meio a saltos, e Yuu ficou ali sozinho, porém, não por muito tempo. Outras criaturas surgiram do mesmo caminho que o primeiro viera, mas, eram maiores, maiores até que Yuu. Pareciam cavalos, mas, eram híbridos. Yuu já lera sobre eles em algum livro qualquer de mitos, eram centauros, criaturas metade homens, metade cavalos, mas, estes tinham espécies de canhões em um de seus braços.
Ao ver aquelas criaturas, eram seis, ao todo, lhe apontando armas, o jovem começou a correr, oque eles detectaram como uma atitude suspeitas e começaram a disparar esferas de energia que Yuu podia ouvir chocando-se contra as arvores ao seu lado.
Por que isso está acontecendo!? — Gritava o rapaz enquanto colocava as mãos sobre a cabeça numa tentativa de se proteger. Mas, a única coisa que ouvira vindo daquelas criaturas eram coisas como "Peguem-no! Ele está com um dos fugitivos!"
Seus passos eram rápidos, mas, quando menos notara, viera ao chão, tropeçara em uma tomada, esticada de uma árvore a outra, oque formou uma armadilha. Mas, diferente do esperado, os centauros pararam em sua frente, como se não o vissem, e após o comando do maior deles, se separam em grupos de três, cada um pegando uma direção. Então, sentiu algo tocar seu ombro, e então envolver seu corpo, oque o fez gritar, um grito de medo, pavor, tentando adivinhar oque viria a seguir.
– Ah! Não seja um medroso, Yuu! — Disse uma voz já conhecida.
– Yoko! — Disse o rapaz, enfim virando-se assim que conseguiu se soltar dos braços da garota. — Que diabos de lugar é esse? Todos estes bichos falantes...
– Não somos bichos! Que audácia! — Disse uma pequena canídea aos pés de Yoko, que possuía em seu pescoço uma espécie de coleira dourada. — Você caiu longe dos outros... Mas, fique tranquilo, aqui é seguro.
– E oque é você então? — Disse Yuu, afastando-se um passo para trás, oque o fez não mais enxergar Yoko ou o cão. Assustado com o efeito, deu um passo para frente e voltou a vê-los. Havia alguma espécie de barreira ali.
– Não vá para trás, é perigoso!
– Ela é um Digimon, Yuu. É a Salamon, é lindinha, não é? Não é? — Disse a garota, pegando a pequena em seus braços.
– E oque é um Digimon? — Seu olhar incrédulo se mantinha sobre a canídea
– Bem... Não sei, oque é um Digimon, Salamon?
– É complicado dizer... Outra hora explicamos.
– E... Tem mais alguém aqui? — disse então virando seu olhar para Yoko, decidindo não mais falar com nenhuma daquelas criaturas falantes que apenas lhe botavam medo, não eram normais, e isso o assustava.
– Ah! Aquela baixinha da nossa sala, o irmão dela e um outro cara. Bem... Foram estes que caíram aqui. — Liberou um de seus braços, segurando Salamon apenas com o outro, enquanto com o livre tratava de empurrar o jovem até onde os outros também se encontravam. Como Yoko disse, os três estavam lá, mas, diferente de Yoko, não havia nenhum destes monstrinhos, oque foi um alívio. Mei, a garota que conhecera mais cedo liberou um fino sorriso em sua face quando o viu, quanto aos dois amigos, simplesmente lhe acenaram com as mãos.
– Então... Quanto tempo será que demora para o resgate chegar? — Disse Koji, que agora deitava-se sobre a grama, cruzando seus braços por trás da cabeça.
– Por que, bem... Logo darão falta de nós. De que acham que virão? Helicoptero?
– Mas, onde estamos? — Disse Ren para o amigo.
– Eu já disse isso, por que não me escutam? Estão no Digimundo. — Disse a pequena nos braços de Yoko.
– Dá na mesma, nunca ouvi falar sobre este lugar. Isso é ridículo... Como irão nos caçar num lugar que ninguém conhece!? — O jovem parecia irritado, como se duvidasse que alguma alma viva surgiria para o resgate.
Então, começaram a ouvir barulhos de explosões que ecoavam em seus ouvidos. Todos se colocaram de pé imediatamente. Olhavam ao redor, mas, não viam nada. Rachaduras começaram a surgir do nada, no nada. Era a barreira que os protegia, estava sendo destruída. Houve então um som de vidro, caindo ao chão e se espedaçando. As figuras dos centauros surgiam no campo de visão dos jovens, que agora se reuniam, na tentativa de se protegerem.
– São Centalmons! Eles não são maus... Mas, seguem qualquer ordem a eles comandadas... Então, cuidado! — Bradou Salamon enquanto lutava para desvencilhar-se dos braços de Yoko, que a prendia com toda sua força, oque chegava a sufoca-la.
– Peguem Salamon e o garoto que estava com Elecmon. Ele deve saber onde ele se esconde! — Disse mais uma vez o maior daquelas criaturas.
– Ah, droga... De novo não... — Emitiu Yuu, já se preparando para recomeçar a correr na direção oposta, mas, então viu algo percorrer o céu, um lampejo elétrico luminoso cortou o ar, avançando contra os corpos dos centauros que pouco reagiram.
– É Elecmon! — Bradou Salamon mais uma vez.
Então, a figura já conhecida por Yuu surgiu, a energia mais uma vez percorrendo seu corpo. — Fujam! — Disse ele. — Não os segurarei por muito tempo.
– Ah! Me solte, garota! Tenho que ajudá-lo! — Disse Salamon irritadiça.
– Não! — Respondeu a garota decidida a não liberar a pequena, que tentava até a mordidas se liberar, pelo contrário, a apertava cada vez mais forte.
Mei segurou-se nos braços do irmão e fez menção de começar a correr para trás, mas, logo fora impedida, um dos Centalmons saltaram por Elecmon e avançou contra a garota, a derrubando ao chão. Aproveitando o furo na defesa de Elecmon, outros Centalmons saltaram, imobilizando cada um dos outros 4 humanos contra o chão, restando apenas o maior para lidar com Elecmon, que já começava a mostrar sintomas de exaustão diante das descargas elétricas disparadas inutilmente.
– Virá conosco por bem ou por mal, lord... Matem o garoto!
– Não! Socorro!- Bradou Yuu, enquanto começava a sentir o peso do casco da criatura fazer cada vez mais força contra seu peito.
– O Garoto não tem nada a ver com isso, Centalmon. Deixe-o em paz!
– Deixarei... Se você e Salamon vierem conosco.
– Não vamos voltar!
Yuu emitia mais um gemido, a cada palavra de recusa dita por Elecmon o Centalmon aplicava mais peso em seu casco. O canhão das mãos de Centalmon começaram a se iluminar, estava arrecadando energia, se preparando para disparar.
– Solte-os! Agora!
Após um ultimo gemido de Yuu, ele sentiu a luz aumentar, mas, era uma luz diferente, ela emanava um calor que o acalmava. Vinha do interior de sua mochila. Era uma luz amarela, que de alguma forma atingia o Centalmon sobre si, o fazendo recuar. Sem o peso do casco sobre seu peito o rapaz avançou até a mochila e a puxou para perto, abriu-a e dali viu oque seria ser seu celular mudar de forma diante de seus olhos. As bordas do aparelho tornaram-se laranjas e a luz que dali era emitida aumentou.
O corpo de Elecmon parecia reagir àquela luz, seu corpo era tomada pela mesma cor, e começava a mudar de forma, seu tamanho aumentava e sua forma também, até que finalmente a luz cessou... Elecmon havia se transformado, evoluído.
Agora se tornara mais humano, apesar de suas pernas, que se mantinham como os membros de um bode. Mais uma vez aquilo lhe parecia conhecido, a figura assemelhava-se a um sátiro. Centalmon, diante da evolução de Elecmon sentiu-se ameaçado e então levantou seu braço, preparando seu movimento.
– Hunting Ca...
– Stun Beat Blow! — O sátiro foi mais rápido que Centalmon, realizou um grande salto e de seus braços liberou uma descarga elétrica que avançou até o alvo e o paralisou, fazendo assim interromper seu movimento, em choque.
– Iron Trust! — Com mais um salto, o monstrinho saltou até o centauro e impactou-o bruscamente com um golpe de seus cascos oque o fez recuar. — Agora, saiam! — E virou-se para os demais.
– Recuar! — Bradou o lider dos Centalmons. — Nós ainda voltaremos! — E assim, trotando o grupo afastou-se.– Estão todos bem? — Disse o bode. Parecia muito cansado, como se aquela forma o levasse a exaustão.
– Isso não tem graça! — Disse Mei. — Não mesmo! Poderiamos ter morrido!
– O que aconteceu aqui? Você mudou quando isso brilhou... — Disse Yuu enfim, uma expressão mista de medo e confusão estampada em sua face.
– Foi uma evolução... Você me ajudou a evoluir, com essa coisa ai. — E apontou para o objeto laranja nas mãos do rapaz. — Nessa forma sou Aegiomon, mas, não conseguirei mantê-la por muito tempo, logo devo retornar a... — A energia de seu corpo parecia se exvair, até seu corpo encolher e retornar à forma antiga. — Elecmon.
Fora do perigo, Yoko finalmente libera a canídea de seus braços, que assim que tocava o solo começava a reclamar. — Ah! Garota, da próxima, é bom me deixar lutar ou juro que te mordo o mais forte que conseguir. — Ela levantou sua cabeça a foi até Elecmon. — Isso é curioso... A muito tempo diziam haver digimons que evoluíam assim... Com a ajuda de humanos, mas, isso foi extinto...
– Mas, foi oque aconteceu. Você viu... Precisamos protegê-los. Encontrar os outros dose...
– Me desculpe, mas... Nós só queremos ir embora daqui. — Disse Ren, interrompendo a conversa entre as criaturas.
– Deve haver um motivo para terem sido chamados... Prometemos ajudá-los a sair daqui, se em troca, nos ajudarem. — Então virou-se a Yuu. — Oque aconteceu aqui foi claro. Serei seu parceiro jovem... Como se chama?
– Yuu... — Disse o rapaz.
– Certo então... Nós os ajudamos e damos o fora daqui na primeira oportunidade. — Disse Koji, assentindo positivamente.
Elecmon, ao evoluir para Aegiomon conseguiu afastar os Centalmons, pelo menos, por enquanto, mas, os mesmos se encontravam simplesmente seguindo ordens, alguém desejava os dois ditos Digimons, e aparentemente, até então não se importavam com os humanos. Oque estaria por vir à frente? Quantos outros perigos teriam de enfrentar até finalmente o retorno para seus lares?
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