Digimon - Revival
1 CAPÍTULO I
Notas iniciais
Não me lembro de muita coisa...
Acordei, parecia que havia levado um murro na cara e tivessem me esquecido ali no chão daquela... Floresta? O que estou fazendo aqui? Com calma consegui me manter de pé. Olhei ao meu redor e presenciei uma cena um tanto perturbadora.
Uma casa logo ao meu lado estava totalmente destruída, fumaça ainda saía de pedaços chamuscados e focos de incêndio estavam quase chegando ao seu fim. Partes da grama que rodeava a casa também estavam chamuscados, praticamente tostados.
Forcei tanto meu cérebro para tentar me lembrar do que havia acontecido comigo, que acabei ficando tonto e quase caí. Mas valeu o esforço, pois consegui ver alguns flashes.
À minha frente uma mulher com uma armadura completa no corpo estava sendo capturada por alguns digimons que não consegui identificar. Ela gritava, mas o som não saía de ninguém, apenas de mim.
“Mestra Ophanimon!”, eu gritava. Mas de nada adiantava.
Os digimons estranhos a levavam para perto de uma carruagem escura, mas às vezes parecia ser rubro. Um ser estranho com panos escuros sobre o corpo e encapuzado chegou perto dela e com a mão aberta, fez raios saírem e atingirem minha Mestra. Eu gritava para pararem de machucá-la, mas nada dava certo.
Ela começou a mudar de forma, até que a armadura tomou conta de seu corpo inteiro. Suas asas mudaram de angelicais para demoníacas. Num ombro podia-se ver o rosto de um boi e do outro lado um carneiro. Atrás dela, uma foice era muito perceptível.
“O que fizeram com a Mestra Ophanimon?!”, gritei.
O homem de preto virou-se para mim e disparou algo de sua mão.
Abri os olhos novamente e lá estava eu perto da casa destruída. Sozinho.
Eu sou um Bancholeomon, conhecido como Bancho pelos amigos. Ajeitei meu bancho e o chapéu. Saquei minha espada e corri em direção à floresta. Tenho que achar minha Mestra! Não posso deixar que a machuquem, pois foi me dada esta missão, protegê-la a qualquer custo!
Depois de um tempo, já no meio da floresta, comecei a ver que o mundo estava realmente um caos. Via digimons caídos por todos os lados na floresta, alguns estavam quase mortos, outros ajudavam os feridos e ainda um grupo de digimons chorava e lamentava.
Corri e desviei de várias árvores e assim consegui chegar a um precipício não muito alto, mas que me permitia ver a cidade inteira abaixo – eu vi, mas preferia não ter visto.
Chamas cresciam por todos os lados, várias construções vieram abaixo e as ruas estavam vazias, apenas alguns digimons podiam ser vistos por aí e pareciam furiosos.
Juntei todas as minhas forças e pulei. Por sorte, um monte de feno estava acumulado, no que parecia ser a parte de trás de uma casa, e este amorteceu minha queda. Levantei-me e cruzei a casa toda destruída, saindo na rua.
O lugar uma cidade fantasma. Ninguém nas ruas, casas destruídas e o clima estava pesado. Corri pela rua à esquerda, vi duas bolinhas pequenas e vermelhas, vindo em minha direção, eram dois Jijimn. Atrás delas dois fantasmas brancos as perseguiam, eram Bakemons. Rapidamente, com minha espada, pulei os pequeninos digimons e desferi um corte no fantasma da esquerda, ele explodiu em dados e ao cair no chão, levantei-me com um pulo e cortei o último perseguidor pelas costas, fazendo-o sumir.
Os dois Jijimons nem pararam para olhar para mim, continuaram a correr, dobraram a esquina e sumiram.
Depois de alguns metros correndo, vi uma praça. Com certeza ela devia ter árvores, bancos, fontes e, com certeza, vários digimons a visitavam todos os dias, porém, ela estava irreconhecível. Todas as árvores foram queimadas, bancos quebrados e alguns incinerados. Não havia ninguém, a não ser um digimon humanoide com fogo saindo de seu corpo inteiro, fogo azul. Era um Bluemeramon. Ele queimava alguns arbustos enquanto ria.
- Ei! Você, Bluemeramon, o que está fazendo?! – Gritei.
Ele se virou, parecia incomodado por eu ter parado “sua diversão”.
- O que quer aqui, seu idiota?! Com certeza está pedindo para morrer! – Disse ele.
Após sua breve fala, o digimon, com as duas mãos próximas uma da outra, formou uma esfera incandescente e atirou em minha direção. Com minha espada cortei a chama ao meio, bloqueando seu ataque.
— Idiota! O-O que está querendo aqui?
— Estou indo atrás de minha mestra, Ophanimon!
— Ophanimon?! – E caiu na gargalhada. – Pelo que sei, ela já deve ter se rendido às trevas! Ela não é mais sua mestra, ignore-a e morra aqui! – Formou mais uma bola de fogo, porém maior e atirou. Novamente bloqueei o ataque.
- Basta! Eu vou salvá-la, nem que custe minha vida!
- Sua vida?! – Com uma breve risada, seu fogo aumentou. – Ela vai acabar aqui!
Ele correu em minha direção disparando bolas de fogo azul, mas de nada adiantou. Enquanto ele corria pela esquerda, eu ia pela direita bloqueando seus ataques. Chega de brincar, pensei. Corri em sua direção e com a espada desferi vários ataques, mas nenhum com êxito.
Várias bolas de fogo foram disparadas novamente. Rapidamente as bloqueei. Algumas conseguiram me acertar, isso significa que estava ficando cansado e ele cada vez mais rápido. Entretanto, seu parasse para descansar ele poderia usar uma ataque mais forte em mim, ou seja, estaria em desvantagem. Não posso parar!
Pulei para trás analisei o inimigo.
Ele se movia rápido e seus ataques basicamente eram bolas de fogo, não podia ser tão difícil derrotá-lo. Tinha que me mover, eu tinha de ser muito rápido!
Corri pela direita, empunhei minha espada com a mão direita e, inesperadamente, saltei para frente – ao invés de continuar correndo –, Bluemeramon levou um pequeno susto, mas logo se armou de mais bolas de fogo e atirou-as contra mim.
Deixei o fogo me acertar e com a espada fiz um corte de cima para baixo. Bluemeramon caiu para trás e finalizei com ele cravando a espada em seu peito.
- Idiota! Acha que me derrotando conseguirá algo?! – E riu. Ele realmente estava fazendo minha raiva aumentar. – Digamos que sou um grão de areia numa praia de inimigos.
Retirei a espada de seu corpo e observei com raiva o inimigo se converter em dados. Na verdade, minha raiva não era dele, mas sim, do que ele e os outros digimons estavam fazendo.
Decidi continuar minha jornada por aquela cidade indo por uma rua paralela àquela que eu vim. Por sorte estava vazia, então descansei um pouco. Nesse espaço de tempo pude pensar mais um pouco a respeito do que ocorria com aquela cidade, com os digimons que ali viviam até aquela invasão idiota.
“Como... Como puderam deixar isso acontecer? Não têm guardas, guerreiros, protetores? Nada!”, pensei. “Vou tentar ajudar o máximo de digimons possível enquanto vou atrás da Mestra!”.
Meu tempo de descanso foi apenas alguns segundos. Fôlego recuperado, estou pronto para continuar. Segui pela rua vazia até o fim e virei à esquerda. Ao longe podia ver uma praça enorme, muito maior que a outra em que estava.
Corri muito, com certeza devia haver alguém lá, seja do bem, seja do mal.
Um garoto de cabelos loiros e roupas verdes, usando uma adaga, tentava atacar um grande ser coberto por panos pretos e encapuzado. O que aquele garoto tinha em mente? Ao lado dele, tentando lutar também, havia uma garota de cabelos loiros, asas brilhantes e douradas, com um tipo de lança ela atacava o inimigo.
Aquele homem... O de preto era exatamente como aquele que me atacou e capturou a Mestra Ophanimon. Ele jogou a garota contra uma parede e pegou o menino de verde esmagando-o em suas mãos, que eu mal podia ver.
- Solte-o! – Gritei e corri para a luta.
O homem alto de preto, enquanto apertava o garoto, olhou para mim e pude ver seus olhos vermelhos brilharem na escuridão do capuz. O garoto tentava se soltar, mas estava quase sufocado. Enquanto olhava para mim, joguei minha espada na mão dele, deixando o digimon – se é que posso chamar aquilo de digimon – cair.
- AAH! – Gritou. – Bancho idiota! Acha que poderá me deter? – Olhou para o garoto de verde no chão. – Petermon, seu insolente. Logo morrerá! – Pelo jeito ele havia se esquecido da garota que desmaiou perto da parede onde foi atirada.
- Onde está minha Mestra Ophanimon?! – Indaguei.
Voltou seus olhos para mim:
- Esqueça-a, ela já é uma dos meus! – Sua voz era muito grossa e dava medo no ouvinte. – Mas se quiser ir atrás dela, vá! Mas já lhe digo: será em vão, você irá morrer, tenha certeza disso!
De repente o tempo mudou. Tudo escureceu e as nuvens tomaram conta do céu, dificultando minha visão. Nem parecia ter um inimigo a minha frente, nem Petermon, muito menos a garota. Entretanto, os olhos vermelhos do homem de preto brilharam mais e mais.
— Quem é você?! – Perguntei.
- Sou as trevas em forma de digimon, o mal puro! Esse mundo será meu e você, mero digimon, não irá me impedir! Chame-me de DarkXmon, um dia saberá quem realmente sou!
Um trovão rebimbou e tudo voltou ao normal, porém aquele chamado DarkXmon sumira. Petermon ainda gemia de dor no chão e a garota – provavelmente um digimon também – desacordada.
Eu tinha de ajudá-los e partir em busca de Ophanimon!
Notas finais
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