Digimon Rebellions
1 A excursão
Notas iniciais
- Alunos, fila indiana para descer do ônibus! — A professora Leila falou alto com seu megafone, fora do ônibus, enquanto via seus alunos descerem.
- Ei, May, acorda! — Sam falou para a amiga adormecida sentada ao seu lado, que roncava alto. Nada aconteceu. — MAY!
- Hãããã, o que?! — May quase pulou do banco, assustada.
- Vamos logo, dorminhoca! — Ao dizer isso, Sam puxou a amiga sonolenta pelo braço, que começou a se mover desajeitada, procurando se equilibrar.
Assim que saíram, a professora Leila chamou a atenção e May, falando:
- May, minha querida, eu sei que você não é do tipo muito feminina, mas por favor, pare de roncar assim! É nojento.
May, um pouco constrangida, fez um rosto meio envergonhado, tentando falar algo para se defender, mas logo abaixou a cabeça fazendo uma expressão de desgosto.
- Tudo bem professora...
A professora Leila deu um sorriso simpático e deu um tapinha no ombro da aluna.
- Ótimo! Agora vá pra fila, seus colegas querem ver a floresta!
May foi logo para perto de Sam, que segurava uma câmera para tirar fotos, e logo sussurrou pra ele:
- Ela reclama de mim, mas ronca mais alto do que eu...
Sam deu uma risada leve, e a amiga o acompanhou. Logo a turma 801 do Colégio Artwood estava se aventurando pela floresta.
- Quietinho passarinho... — Sam sussurrava enquanto ajustava o foco da sua câmera, apontada para um raro pássaro de bico amarelo mostarda com ponta vermelha.
- SAM! — May gritou um pouco de longe, espantando o pássaro.
- O que foi, May? — Sam se virou frustrado, enquanto colocava a proteção da lente de volta na câmera.
- Olha só essa trilha, que legal! — Ela apontou para um canto da floresta que estava fora do caminho original da classe. — Vamos lá?
- Mas e a turma?
- Eles que se danem. Vamos voltar antes que a senhorita Leila note que sumimos.
- Mas e se a gente se perder?
- Besteira. Subimos em uma árvore alta e vemos aonde eles estão. E qual é, temos 13 anos, sabemos nos cuidar.
Sam pensou bem na proposta, mas estava duvidoso.
- Vai, por favoooooor... — May implorava de joelhos. — Quem sabe o seu pássaro não esteja lá também? E não só ele. A família toda!
- Hum, tem razão... — Sam olhou decidido para a amiga. — Então tá, vamos!
- Yes! É só me seguir.
Os dois logo foram para dentro daquela mata, se aventurando pulando por pedras em rios, tocos, etc. Estava muito divertido, até que o pássaro que Sam tentara tirar uma foto antes apareceu na frente dele.
- Então você tá aí! — Sam comemorou alegre. — Calminha que eu vou tirar a tampa da câmera...
Então ele tirou a foto do pássaro, e assim que ela apareceu na tela da câmera, Sam prestou atenção no relógio dela.
- Já são cinco e meia! — Ele se assustou. — O ônibus sai as seis! May, vamos voltar!
- Tá bom... May falou um pouco desapontada, mas logo concordou que os dois estavam longe demais do percurso original.
Logo ela começou a subir em uma árvore, porém havia um problema. Todas as árvores da área eram do mesmo tamanho.
- Err, Sam... — Ela falou descendo do tronco. — Acho que estamos perdidos.
- O QUÊ? — Ele se irritou. — AH, EU SABIA QUE NÃO DEVIA TER VINDO AQUI COM VOCÊ! O QUE FALTA AGORA? AS ÁRVORES CAÍREM?
No mesmo momento que ele falou isso, uma árvore caiu ao lado dos dois, assustando-os.
- CREDODEUSPAI! — Sam deu um pulo pra trás. — Estou ouvindo barulhos de uma serra, será que...
Logo outras árvores desabaram, fazendo os dois amigos correrem desesperados.
- Quem é que tá fazendo isso?! — Sam falava desesperado enquanto corria.
- EU NÃO SEI! — May gritou com o fôlego que podia. — Continua correndo!
Mas assim como todo mundo, uma hora se cansaram, parando perto de um lago.
- Arf... — Sam ofegava. — Estamos sem comida, sem água e cansados... Que ótima idéia essa sua, May Jones!
- Ah, cala a boca seu mané! — May retrucou grosseiramente, muito capaz de dar um soco nele. — Quem mandou você vir junto?
- VOCÊ! E AGORA ESTAMOS PERDIDOS NESSA DROGA DE FLORESTA!
May, sem pensar, avançou em cima do amigo, com raiva, e começaram a rolar pelo chão brigando.
- É CULPA SUA! — Sam gritava enquanto tentava dar socos nela.
- NÃO, VOCÊ TÁ PRESO AQUI PORQUE DEU OUVIDOS A MIM! — May revidava, procurando bater nele.
- Vocês dois! — Alguém falou ríspidamente, fazendo os dois pararem de se bater.
Logo May e Sam se levantaram e viram uma senhora bem velhinha e estranha, de braços cruzados olhando impacientemente pra eles.
- O que é isso? — A velhinha perguntou. — Vocês são amigos, não deviam brigar.
- É, eu sei... — Sam falou, envergonhado. — Mas é culpa da May estarmos perdidos aqui.
- Culpa minha?! — May olhou odiosa pra ele. — Ora seu...
- BASTA! — A velhinha reapareceu do nada na frente dos dois, batendo um cajado entre as crianças. — Se estão perdidos, venham comigo. Devem estar com fome.
May e Sam pensaram bem, e ouviram suas barrigas roncarem. Sim, estavam famintos. Então seguiram a velhinha para uma pequena loja de souvenirs, que parecia abandonada.
- Aqui, entrem! — A velhinha falou tirando as velhas botas que usava, deixando-as no lado de dentro do balcão, colocando tamancos no lugar delas. — A cozinha é ali no canto, peguem o que quiser.
- Obrigada, senhora... — May falou quase murmurando, indo com Sam para a cozinha.
Os dois abriram a geladeira, que estava entupida com vegetais, mel, sucos de frutas e cogumelos.
- Tem pão naquele armário. — Sam falou para May, que olhava meio enojada para todos aqueles vegetais. — Acho que podemos passar mel nele e comer.
- Boa idéia... — May falou um pouco aliviada.
Logo os dois já haviam comido pão com mel e tomado suco de laranja o suficiente. Sam, farto, fora até a velhinha.
- Muito obrigado pela sua hospitalidade, senhora. — Sam agradeceu calmo e educadamente. — Agora precisamos ir, temos que chegar antes que o ônibus parta.
- Esperem um pouquinho, meus queridos! — A velhinha falou empolgada. — Eu levo vocês lá, mas esperem que tenho uma coisa para vocês.
Os dois hesitaram um pouco. Seus pais sempre os aconselharam a não aceitar presentes de estranhos, mas a velhinha parecia tão simpática e inofensiva que acharam que não haveria problema.
- Aqui, meus bens! — A velhinha mostrou os presentes segurando-os em suas velhas mãos enrugadas e cheias de calos. E eram coisas bizarras: Dois ovos com uma coloração estranha, pareciam até pinturas de páscoa. Mas não eram do tamanho de ovos normais, eram enormes. E dois aparelhos estranhos, um de cada cor. — Esses aqui são seus, May... E esse seus, Sam...
- Obrigada, senhora... — May falou estranhando os presentes. — Mas pra que servem esses ovos e aparelhos?
- Ovo não, isso é um Digitama. — A velhinha corrigiu. — E o aparelho se chama Digivice. Cuidem muito bem deles, e logo verão pra que serve. Agora venham comigo, vou levá-los até seu ônibus.
______________________________________________________________________________________
- May Jones! — A professora chamou vendo a lista de chamada dentro do ônibus, não obtendo resposta. — May Jones! Aonde está essa garota?
- Aqui, professora! — May entrou rápido no ônibus, junto com Sam. — Nos atrasamos lá atrás, mas uma velhinha mostrou o caminho pra gente.
- Ah bom. — A professora respondeu aliviada, marcando o nome dela na lista. — Mas o que é isso?
May viu que ela perguntara sobre o Digitama e o Digivice.
- Isso? Compramos em uma loja de Souvenirs... — May mentiu, não sabendo o que falar. — Bonitos, não?
- Sim, sim... — A professora respondeu. — Agora vão para seus assentos, logo vamos partir. Omar Harris!
Enquanto a professora chamava os outros nomes na lista, May deu uma cotovelada em Sam quando se assentaram.
- Foi por pouco hein... — Ela riu baixinho.
- Sim... — Ele pigarreou. — Mas o que fazemos com essas coisas?
- Vamos guardar, ué... Pra lembrar desse dia.
- Tá. Será que tem algo vivo aqui dentro?
- Duvido. Acho que aquela velhinha não seria louca de nos dar um ovo com uma criatura viva dentro.
- É... Mas seria legal ter um bichinho.
- Sim, seria mesmo...
Os dois dormiram no caminho, nem percebendo que o tempo passara. Quando acordaram, já estavam na escola.
Ao descerem, Sam se despediu de May, indo até seu pai, que o levaria pra casa.
May ficara mais um pouquinho lá, esperando sua avó.
- Maysie! — Uma pessoa exclamou, e May, um pouco irritada por ser chamada de Maysie, se virou, vendo sua avó e correu até ela.
- Vovó! — Ela falou emocionada abraçando-a.
- Se divertiu na excursão?
- Sim! Agora vamos pra casa?
- Claro...
Logo as duas entraram no carro da avó. Tudo estava calmo, até que a avó de May reparou no Digitama que a garota segurava.
- Trouxe um bichinho? — Ela perguntou, curiosa.
- Não. — May respondeu, um pouco duvidosa. — Ganhei na excursão. Não acho que ele esteja vivo.
- Nunca se sabe. Mas é bem bonito.
- Sim, é...
Em meia-hora, as duas já estavam em casa. May logo correu para o seu quarto jogando seus tênis pelo caminho, deixando o ovo em cima de seu criado-mudo, e pulando na cama. Estava cansadíssima.
Enquanto a noite passava, mal sabia ela o que lhe esperava... Ainda mais quando se ouviram barulhos de rachadura vindo do tal Digitama.
Fale com o autor