Digimon Mobile Adventure
18 Capítulo 15 - A Verdade e Início de Torneio!
Notas iniciais
Daichi escutou um barulho forte de algo batendo na madeira várias vezes. Já imaginava o que poderia ser, principalmente ao perceber que o som vinha da escada.
– Caiu de novo? – Pergunto à figura que surgiu do corredor, adentrando na cozinha.
– Cai... – Respondeu Daniel tristemente, cheio de remelas nos olhos e com o cabelo bagunçado.
Daichi sorriu-lhe. Comia torradas amanteigadas, acompanhadas de ovos e bacon, leite e café. Um típico café da manhã americano, do jeito que Dani gostava.
– Isso parece bom! – Comentou e sentou-se em uma cadeira próxima a mesa.
Devorou seu café e bebeu dois copos de leite.
– Você está com fome mesmo em! – Disse ao amigo enquanto ele comia.
– Hoje precisaremos de energia extra! – Apressou-se a responder.
Seus olhos se encontraram e ficaram se encarando por alguns segundos, então um meio sorriso surgiu no rosto de ambos. Dani levantou e estendeu a mão para o amigo.
– Boa sorte hoje, que vença o melhor!
– Que vença o melhor! – Disse devolvendo o gesto.
Ali ficaram por vários minutos, com as mãos apertadas, cada vez mais e mais fortes quase como um teste de força. Seus olhos pareciam faiscar penetrantes uns aos outros, enquanto engoliam toda a comida da mesa com as mãos livre.
No fim, sentaram preguiçosamente e se largaram nas cadeiras, deixando o cumprimento, enjoados e entupidos.
– Hey seus desgraçados! – Exclamou uma voz do celular. – Vocês estão ai se empanturrando de comer, mas e nós, Digimons? – Era Agumon, com seu jeito revoltado. – Não se esqueçam de que somos nós que vamos lutar hoje!
Daniel se remexeu na cadeira.
– Verdade, vocês vão lutar, mas não esqueça de que vocês somente possuem chances de ganhar, pois foram submetidos ao nosso regime – Caçoou.
– Filha da... Eu tento gostar de você, mas às vezes... – Agumon choramingou.
Daichi soltou uma gargalhada.
– Vamos Dani, não seja tão mal com eles, eles merecem!
– Certo, certo! Eu só estava brincando, admita Agumon, você aprendeu a me achar um cara muito legal nesses últimos dois meses.
Ficou um silêncio ao redor da mesa enquanto Dani acessava o aplicativo TDM, até uma segunda voz se manifestar.
– Outro dia Agumon me disse que você até que era legal! – Era Betamon, do celular de Daichi.
Mais uma vez o silêncio caiu, e por algum minuto os dois domadores ficaram se encaram, até que Daichi começou a gargalhar novamente.
– Hora, seu desgraçado! – Agumon rugiu do celular de Daichi – Eu vou lhe dar uma lição por ser tão dedo-duro, seu girino de merda!
Uma risada começou, era uma risada anfíbia se é que pode ser assim definida, em um tom fino e engasgada. Várias outras risadas começaram em seguida, todos os Digimons estavam felizes.
– Ótimo, ótimo, eu também fico contente em tê-lo como Digimon, apesar de você ser bem estressado. – Quase pode imaginar o dinossaurinho sentado do outro lado da tela do celular, com os braços cruzados e a boca inchada em um bico de birra. – Então para comemorar, vou comprar tudo àquilo que vocês quiserem comer, desde que não exceda o peso máximo, tudo bem?
– Eu também vou! – Disse Daichi em seguida.
Vários ebas foram exclamados dos respectivos celulares. Era uma manhã que se iniciava bem divertida.
"Taming..."
Daniel e Daichi estavam parados em uma esquina, encontro de duas grandes avenidas no centro da cidade. Eles aguardavam os demais domadores, seus amigos, que haviam combinado de se encontrar antes do evento que aguardavam.
– Onde que eles estão? – Daniel perguntou impaciente.
– Aposto que logo estarão aqui. Apenas aquiete-se! – O amigo respondeu ríspido.
Daniel encostou-se à parede do alto edifício digital atrás dele, eles estavam no meio plano real.
– Paciência não é seu ponto forte não é mesmo? – Daichi apressou-se a dizer.
Daniel bufou, mas logo sorriu quando viu duas figuras dobrando uma esquina logo à frente. Toya e Gigi aproximavam-se, dobrando uma esquina não muito distante.
– Oh, Dani-aniki! – Gritou o pequenino, que havia desenvolvido um apego ao garoto extrovertido. Correu e abraçou-o. – Acho bom você se preparar, porque meus Digimons treinaram bastante!
– É assim que se fala! – Respondeu Daniel. – Quero ver você dando o seu melhor!
– Olá! – Toya chegou mais perto e cumprimentou os dois amigos com apertos de mãos. – Cadê a Anabelle?
Daniel e Daichi se entreolharam.
– Ela ainda não chegou – Daichi disse.
– Foi ela que marcou para que nós todos nos encontrássemos mais cedo e é a ultima a chegar! – Complementou Daniel em protesto.
Todos ficaram em silêncio por apenas alguns segundos. Então de algum lugar, uma ventania soprou e quase como uma sombra, surgiu uma figura do além.
– Desculpem-me pelo atraso – Disse Anabelle. – Eu tive alguns problemas que tive de resolver, mas aqui estou.
– Tudo bem! – Daichi disse animado. – Esperamos só uns quinze minutinhos.
– Quinze minutinhos que pareceram uma eternidade! – Daniel complementou.
Anabelle olhou para ele com cara feia, e sobrancelha franzida. Rapidamente o rapaz desviou o olhar, fingindo não se importar mais com aquilo.
– Bem, como eu disse, eu queria conversar com vocês, mas antes de começar, vamos sentar em algum lugar mais cômodo – Sugestionou a garota.
Todos concordaram. Caminharam pela avenida por alguns minutos até chegar a uma rua menor e mais apertada, adentraram-na até chegar a um espaço vazio entre duas casas onde tinha um parquinho.
Caminharam pelo gramado passando por alguns brinquedos e se aproximaram de algumas balanças. Anabelle, Toya e Daichi sentaram nos balanço. Dani e Gigi sentaram no gira-gira posto ali do lado.
O silêncio dominou os cinco por alguns minutos enquanto todos encaravam a senhorita, sentindo sua tensão. Deixaram-na buscar suas próprias palavras.
– Eu preciso da ajuda de vocês – Anabelle disse finalmente.
Todos se entreolharam, correndo os olhares de uns aos outros, confusos com o pedido citado. Anabelle estava com a postura caída e seus olhos frios e distantes, olhando para um lugar e tempo além, distante de tudo ali.
– Claro Bell! – Daichi disse carinhosamente, quase sem notar que já havia apelidado a moça. – Em que podemos ajudar?
Anabelle sentou-se ajeitando sua postura. Estralo o pescoço, girando e virando para todos os lados, depois levantou os braços se espreguiçando e por fim respirou profundamente, com a atenção voltada a ela.
– Antes de vocês ouvirem o meu pedido, gostaria de saber uma coisa de vocês – Agora encarava a todos, olho a olho. – Por acaso, em algum momento, vocês pararam para se perguntar, de onde vieram seus Digimons?
Todos se remexeram um pouco surpresos com o rumo da conversa. Inocentemente Daniel disse:
– Do Digimundo, horas!
– Sim, de fato. Mas por acaso, em algum momento, você imaginou como esse lugar é, ou o porquê dos Digimons virem para cá? – Fez uma pausa, fazendo seus olhos mergulhar no fundo da alma do jovem a sua frente. – Porque você não perguntou ao seus Digimons?
Daniel murmurou alguma coisa incompreensível, uma onomatopeia reflexiva em forma de hmm percorreu sua face, então respondeu incerto.
– Na verdade não. Eu sei que os Digimons vieram de um lugar chamado Digi-Mundo, ou mundo digital, como pode ser chamado – Fez uma pausa. – Eu sei disso porque o Daichi me fez estudar e, depois deu notar o quão real era o jogo, também acabei me interessando pela história. Para falar a verdade, acho que isso não se passou pela minha cabeça pois o jogo preencheu-a toda. Sinceramente, não consigo nem imaginar.
– Bingo! – Exclamou ela. – O jogo tira a atenção de todos para o problema real.
Daichi estendeu a mão, em um gesto de chamar a atenção de todos.
– Eu pensei nisso, algumas vezes. Mas perguntar a alguém, ou aos meus Digimons, me pareceu um pouco inconveniente. Na verdade, eu não saia se encontraria essas respostas agora. Talvez, elas surgiriam em algum momento.
– Eu entendo sua posição – Anabelle disse, e deu um lindo sorriso a Daichi que ficou um pouco sem graça. – A corporação que ministra o jogo, conseguiu desviar o foco do problema, apresentando uma ilusão, que seria o jogo em si. O que eles não esperam é que, haveriam pessoas conhecedoras do problema real.
– O que você quer dizer Bell? – Daniel gesticulou furiosamente. – Esse drama já está me matando.
Anabelle respirou fundo, como fazia sempre antes de falar. Balanço a cabeça negativamente em movimentos sutis.
– Antes de existir esse jogo, eu já era uma domadora – Disse encarando a todos. – Ou melhor dizendo, eu era algo próximo e conhecido por um antigo termo, chamado de criança escolhida, ou Digi-Escolhida.
– Mas isso é impossível! – Daniel disse. – Digo, isso é o que eu pensaria se fosse a dois meses atrás, agora...
– Tudo parece irreal? – Daichi sorriu para o amigo. – Eu te entendo perfeitamente.
– Mas deixa eu ver se eu entendi – Toya começou a falar. – Digi-Escolhido, não é um termo usado em antigos jogos e desenhos da série?
Anabelle levantou e caminhou poucos passos à frente, virando para poder olhar para todos.
– Sim, mas isso era mais real do que você pode imaginar. O jogo é real, crianças escolhidas são reais. Você me entende, não entende Gigi? – A garota disse para a criança, que escutava a conversa dos mais velhos com atenção e brincava com uma vareta, riscando o chão de areia digital.
Confusos, os rapazes voltaram a atenção para o menino.
– Sabem – Fez uma pausa antes de prosseguir. – Meus pais faleceram em um acidente de avião, quando viajavam para a África. Desde então, meus avós cuidaram muito de mim, só que, eles eram muito rígidos.
Então pegou seu celular no bolso da bermuda e quase no mesmo instante, gentis e calmas faíscas saíram do aparelho, manifestando formas em meio a anéis digitais. Patamon e Terriermon se encostaram na criança e abraçaram-na, enquanto uma lagrima escorria por sua face.
– Se não fosse por esses dois, eu acredito que minha infância teria sido solitária e sozinha – E sorriu para que todos pudessem ver sua alegria.
– É um caso extremamente raro, uma criança escolhida ter dois Digimons. Mas você é especial de todos os modos – Disse a moça sentando-se ao lado da criança e abraçando-a, jogando o braço por cima do ombro. – Se fatores que fogem do padrão, não tivessem mudado o rumo das coisas, aposto que nosso pequeno Gigi estaria se aventurando em um lugar mágico, distante daqui.
– Quando você diz isso, você se refere ao jogo? – Toya indagou.
– Também. Atualmente, existem três forças, atuando para alcançar objetivos. Uma dessas forças, é conhecida como Ordem dos Cavaleiros Reais.
– O nome é bem sugestivo – Daniel sorriu.
– Sim – Apressou-se a dizer. – Essa ordem é composta por aqueles que querem proteger a paz no mundo digital e deixar que os laços entre humanos e Digimons se fortaleça cada vez mais. Outra força, é composta por um inimigo desconhecido, que vem causando caos no Digi-Mundo, e que aparente quer domina-lo.
Mais uma vez o silêncio voltou a prevalecer.
– Falta uma força, não falta? – Daichi ressalto o detalhe.
– Sim! E é ai que eu peço do fundo do meu coração a ajuda de vocês! – Ela olhou para todos com os olhos em lagrimas. – Essa força é a Interaction and Digital Enterteiment. Existem vários chefões de diversas grandes empresas que querem ter acesso ao mundo digital e utilizar de todas as funções daquele mundo, a capacidade de renascer dos Digimon, a capacidade de criar o irreal somente com códigos e diversas outras coisas. Se eles fizerem isso, o Digi-Mundo, refúgio de todas as boas crianças pode ser destruído e a paz será perturbada. Se as três forças entrarem em conflito, não só o mundo digital, mas esse mundo pode ser abalado também, por favor, me ajudem, eu preciso da ajuda de vocês, eu imploro! – No fim, já se engasgava, aos prantos, com rios de lagrimas nascendo de seus olhos.
Não sabia como, mas quando terminou de falar, sentiu algo lá. Um calo estranho, diferente e que conhecia, mas não tinha tanta afinidade. Um calor simpático, tímido e sem jeito. Todos a abraçavam e quando levantou, pode encontrar o sorriso de todos.
– É claro que nós vamos te ajudar irmãzona! – Disse Gigi.
– Você também pode contar com a gente! – Disse Terriermon fazendo pose de forte com seus braços e orelhas. Patamon sorria e concordava logo atrás.
– Faz pouco tempo que estamos juntos, mas eu sinto que posso confiar muito em vocês! – Disse Toya. Portanto pode contar comigo.
Sentiu um calor amigável em seu peito. Ainda com os olhos aguados, não resistiu a olhar para a dupla mais carismática do bando. Daichi apenas sorriu, foi Daniel quem falou.
– Nós faremos o possível, moça – Disse gentilmente. – Mas o que deveríamos fazer exatamente?
Anabelle sorriu. Ficou de pé e seus amigos lhe deram um pouco de espaço. Caminhou três passos para a frente e se virou.
– Esse campeonato, é uma fachada. A verdade é que, o verdadeiro campeonato, acontecerá no Digi-Mundo. – Disse sorrindo a todos. – O evento de hoje é voltado apenas para selecionar os oito melhores domadores, capazes de se aventurar no Digi-Mundo, com a promessa de prêmios e recompensas. Eu quero que vocês vençam! Eu quero que todos vocês cheguem nas oitavas de finais e, quando isso acontecer, vamos todos juntos ao Digi-Mundo e daremos um fim a isso!
Antes que pudesse terminar, rostos já balançavam e sorriam para ela. Aquilo era uma promessa.
"Taming..."
O relógio no mundo real deveria marcar seis horas da noite agora. De longe, ao se aproximarem, já escutavam barulhos estranhos. De longe, via-se a grande torre piscando mas intensa e freneticamente, do que haveria piscado antes.
A aurora digital dançava no céu uma valsa agitava e o clima parecia pesado, cheio de intenções estranhas e distorcidas.
Foi ao dobrar a esquina para chegar até o local, que ficou nítido a grande música que tocava em ritmo frenético. Um som eletrônico e digital, que agitava até a mais morta das almas. O som dos murmúrios e das conversas competia com tal volume, isso, devido ao fato de haver centenas, talvez dois ou três milhares de pessoas no local. Uma diversidade de pessoas, jovens, crianças e um ou outro que poderia ser considerado quase um adulto.
Daniel pegou na mão de Daichi, que segurou timidamente na mão de Anabelle, que pegou na mão de Gigi e por fim segurou a mão de Toya, tudo isso para não se perderem. Então adentraram no tumulto de pessoas divididas por oito grandes palcos, extensos e postados distantes uns dos outros. Um nono palco estendia-se um pouco mais longe, separado por pequenas cercas e alguns homens postados, notavelmente considerados seguranças.
Eles usavam um uniforme branco, com o símbolo da empresa. Também usavam óculos escuros, assim como cassetetes e pistolas estavam postas em um sinto nas suas cinturas. Daichi se pergunto para o que seria tudo aquilo.
Chegaram a um espaço aberto, com pessoas bem afastadas e próximo a um dos palcos gigantes. Foi então que vindo da direção, os olhos de Dani cruzaram-se com os do jovem Ryuk, que ao encontrá-lo, sorriu. Ele era seguido por outros três jovens.
Os dois grupos pararam frente a frente e todos encararam o rapaz arrogante do outro dia, que mostrou-se um pouco mais controlado em um outro episódio. Dani não sabia ao certo o que dizer.
– Quem é este mestre? – Perguntou Michael.
– Eu já disse para você não me chamar de mestre na frente dos outros, porra! – Disse ríspido e Michael se encolheu.
– Vamos mestre, não seja assim! – Naomi sorriu para ele, que logo resmungou algo e voltou a olhar para a frente. – São seus amigos.
Riu sozinho.
– Não, mas tomem cuidado com eles caso lutem. Eles são fortes domadores – Admitiu.
Daniel retribuiu o sorriso. Deu um passo à frente e estendeu a mão.
– Boa sorte a todos vocês, principalmente a você, vai precisar! – Provocou.
Ryuk olhou-o friamente, revezando o olhar entre a mão do rapaz e seu sorriso.
– Ótimo! Me mostre tudo o que tem! – E suas mãos se apertaram firmemente. O fogo e as faíscas corriam entre si, enquanto quase quebravam os ossos das mãos em um teste de força.
– Ei seu desgraçado, esse é o meu rival! – Daichi disse olhando nervoso para Ryuk.
– Vamos com calma meu jovem – Disse Samuel, manifestando-se agora e claramente, dois palmos mais alto que Daichi. – Se vocês estão em um grupo, saibam que o mestre nos treinou muito bem. Eu, Samuel, o Michael ali, e a Naomi não vamos perder tão facilmente.
– Mestre em? – Daniel caçoou.
Quando perceberam, todos começaram a fazer silêncio. A música foi baixando lentamente e os olhares começaram a se dirigir para o palco principal, na outra extremidade do ambiente. Fumaças saiam de algum lugar dali, dando um clima de suspense.
– Beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeemm viiiiindooooooooos, domadores de Digimon! – Disse a voz feminina, ecoando por todo o lugar. Uma silhueta surgiu lentamente de algum lugar do palco e uma moça se mostrou, utilizando um longo vestido de mangas compridas e frouxas, branco e bordado em detalhes verde e azul. – Aqui quem fala é a sua mais linda, sexy, maravilho, e com a voz mais sensual, narradora e agora apresentadora do jogo sucesso, o TDM!
Uma multidão entrou em euforia. Vivas e urras rugiram.
– Vocês estão prontos meus queridos? Está para começar o tão aguardado, primeiro campeonato de Taming Digital Monster! O primeiro torneio oficial de domadores de Digimon!
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