Digimon Champloo

3 Capítulo 2, parte 2 - Nasce Black Renamon!


Rani passou a treinar cada vez mais pesado e com mais frequência. Ela havia encontrado uma clareira na floresta próxima a Fila,aquele local parecia ter sido esquecido, pois estava distante de rotas importantes, era perfeito para ela treinar sem ser interrompida.

Não importava se estivesse o calor, chovendo, nevando ou ameno, ela sempre estava em seu local favorito de treinamento, melhorando fisicamente, mentalmente e tentando dominar as artes sagradas, esta ultima seu ponto mais fraco.

Baromon já estava percebendo que uma de suas filhas estava ficando fora do templo até mais tarde do que era permitido e sabia exatamente qual delas era, resolvendo segui-la para ver o que ficava fazendo até tarde fora do templo, o sacerdote se escondeu entre duas arvores e apenas observou a Renamon treinando:

– Pássaro sagrado, permita a esta serva tocar suas chamas. – Ela dizia a primeiro trecho do ritual de joelhos e se levantava lentamente enquanto pronunciava – Mesmo que por apenas um segundo, permita-me queimar os injustos ao meu redor! Zanka!

Quando pronunciava o nome da magia que estava tentando conjurar, Rani movimentava a mão direita como se tentasse jogar algo de sua mão, mas nada acontecia. Baromon sabia que sua filha havia falhado em utilizar uma magia básica da besta sagrada, Zhuqiaomon, mas permanecia em silencio a vendo tentar utilizar aquela magia inúmeras vezes e falhando em todas.

Seu coração foi completamente tocado quando percebeu que Rani começava a derramar lagrimas enquanto insistentemente tentava invocar os poderes da ave rubra, nesse momento ele saiu de seu esconderijo e chamou à atenção da candidata a sacerdotisa:

– Rani, concentre-se.

– Pai? Você me seguiu? – ela se virava assustada em direção ao pai.

– Eu disse para se concentrar.

– Mas eu estou me concentrando o máximo que posso.

– Limpe o suor do rosto, feche os olhos e sinta a essência de Zhuaqiamon. Não force as chamas para fora, deixe-as fluírem como magma, naturalmente elas serão expelidas com a força de um vulcão.

– Suor? – ela notava que havia lagrimas escapando de seus olhos.

– Filha, vou lhe mostrar como usar a Zanka. Acompanhe-me.

– Certo.

Rani secava o rosto com as mangas e ajoelhava ao lado de Baromon, antes de começarem a invocar a magia, o pai dava mais um conselho a filha:

– Não use sua energia, deixe que Zhuqiaomon envie a dele para você. Esta pronta?

Rani apenas balançava a cabeça em sinal de que podiam começar, Baromon fechava os olhos e ela fazia o mesmo, ambos sincronizavam a respiração e falavam ao mesmo tempo:

– Pássaro sagrado, permita a este servo tocar suas chamas. Mesmo que por apenas alguns segundos, permita-me queimar os injustos ao meu redor! Zanka!

Faziam o movimento para lançar as chamas ao mesmo tempo, Baromon disparava uma bola de fogo sessenta centímetros de diâmetro, acertando uma arvore que era derrubada com a força da explosão. Rani apenas conseguia expelir pequenas labaredas pelos dedos da mão, mas ficava tão impressionada com a força de seu pai que parecia nem perceber o que ela havia feito:

– Pai, isso foi incrível! O senhor estava se controlando, né?

– Eu não me controlei, apenas aceitei energia o suficiente para criar uma Zanka daquele tamanho. Não se trata de controlar sua energia, você deve permitir que a energia de outro flua em seu corpo. Talvez você não tenha percebido, mas foi capaz de usar esta magia pela primeira vez.

– Eu senti o calor das labaredas, mas eram tão pequenas e inúteis para combate. – abaixava a cabeça enquanto falava

– Filha, você ainda esta aprendendo a dominar as artes sagradas. Anime-se, hoje você conseguiu usar a Zanka, independente da potencia. – ele colocava as mãos sobre os ombros da Renamon. – Continue treinando e ira superar as chamas que viu hoje.

– Sim, pai!

– Agora vamos para casa descansar.

Rani voltava para casa mais confiante em si, estava feliz por ter sido seguida por ser pai e ter recebido ajuda dele para aprender a dominar uma magia divina, no entanto sua empolgação e motivação duraram pouco, pois no dia seguinte sua irmã demonstrou que havia dominado o Zanka, já conseguindo um disparo de fogo maior do que Baromon havia demonstrado na noite anterior, aquilo apenas fazia a inveja de Rani crescer mais e seus treinamentos se tornaram ainda mais pesados.

Com o passar do tempo, Rani começou a voltar para o templo com machucados no corpo, passando a viver com curativos o tempo todo, quem os fazia era Rina, mas esta não sabia como a irmã adquiria tais machucados. Enquanto cobria algumas feridas da irmã, ela tentava descobrir algo:

– Rani, o pai me contou sobre seus treinos escondidos.

– Imaginei que ele havia feito isso. Irmã, você também faz isso, né?

– Aya? Não, não, eu apenas leio os pergaminhos do templo e venho dormir.

– E consegue controlar magias perfeitamente. – resmungou Rani.

– Aya?

– Nada, Rina.

– Irmã, eu estou preocupada com você. Sei que você deve se esforçar, mas suas feridas parecem ser causadas por batalhas e não pelo treino.

– Apenas termine os curativos. Estou com sono.

–Aya aya... Não seja assim. Sinto falta de quando brincávamos juntas. Agora apenas dividimos o quarto e você sempre parece distante demais para conversarmos.

Assim que os machucados terminavam de ser tratados, Rani se deitava em seu futon e fechava os olhos, mantendo o mais profundo silencio. Rina fazia o mesmo, mas diferente da irmã não conseguia ficar quieta, por mais que tentasse segurar o choro, tudo que conseguia fazer era agravar a vontade de liberar as lagrimas, foi quando sentiu algo se deitando ao lado dela por cima da coberta e escutou a voz da irmã:

– Rina, vou dormir com você... O meu colchonete esta sujo.

– Aya?

– Eu não falei tão baixo assim.

Ficavam mais uma vez em silencio, Rani apenas se ajeitava para ficar mais confortável e deixava um braço por cima da Rina, esta quebrava o silencio:

– Rani...

– Que?

– Obrigado.

– N-não estou fazendo isso por você. Só não quero dormir em uma cama suja.

– Não vamos ter aula amanha, então deixa que eu limpo seu colchão enquanto você vai comprar mais faixas e gazes.

– Então fique quieta e me deixa dormir.

– Hehe. – Rina ria baixinho.

– Silencio. – Rani falava em tom bravo.

– Desculpa.

Aquele era um dos momentos em que Rani se arrependia de ter sentimentos negativos pela irmã. Rina era sempre tão boa e carinhosa com ela, se ao menos tivessem a mesma habilidade em magia, mas aquilo não era motivo o suficiente para se afastar de sua única irmã. Ela encostava a testa no ombro de Rina e dormia calmamente, como se esquecesse de sua preocupação em se tornar a sacerdotisa do templo.

No dia seguinte, Rani seguiu o combinado, desceu as escadas do templo e foi até a vila, estava pensando em ir visitar seu tio enquanto estava na vila, aquela era uma das raras ocasiões em que podia ir a casa dele, talvez tivesse a chance de o ver duelando com Witchmon.

Enquanto procurava uma loja que vendesse os curativos, ia percebendo que os habitantes de Fila a olhavam dos pés a cabeça, sabiam que ela era uma das filhas de Baromon e estranhavam ver uma candidata a sacerdotisa estar cheia de faixas e bandagens pelo corpo, as vezes conseguia escutar o que um ou outro digimon comentava ao seu respeito:

– Aquela deve ser a Rani. A Rina-san sempre é animada e cumprimenta a todos que vê. – dizia uma Palmon.

– Ela parece ser perigosa, não olhe muito pra ela, filho. – comentava uma BlackTailmon para o Koromon que carregava.

– Espero que ela não esteja procurando confusão. – falava um Orgemon.

Se eles soubessem o que Rani estava fazendo durante esses dias a olhariam com mais respeito, talvez até fossem gentis com ela como eram com sua irmã. Quando parou para comprar as faixas, escutou alguns digimons comentando sobre um acontecimento da noite passada, mas preferiu não direcionar seu olhar a eles:

– Parece que ontem a noite o digimon misterioso atacou os bandidos que estavam escondidos próximos da nossa vila. Nenhum bandido foi morto, mas tem feridas que parecem ter sido feitas por uma arma de metal.

– Será que é o mesmo digimon que um mês atrás desafiou a Tailmon de Asuka, aquela candidata a sacerdotisa de Fila, que estava nos visitando?

–É um digimon bem estranho, ele ataca apenas digimons que cometem crimes ou que sejam candidatos a sacerdotisa do nosso templo. Espero que as filhas do Baromon estejam seguras.

Rani entregava os produtos que iria comprar ao caixa e este a reconhecia como sendo uma das filhas adotivas do sacerdote, era um Gotsumon – um digimon feito de pedra, não é muito alto, mas seu corpo tem grande resistência – que notava o incomodo de Rani com os comentários e olhares dos habitantes da vila:

– Não ligue para o que eles dizem senhorita. Seu pai é forte e essas feridas devem ser sinal de que você almeja ser tão competente quanto ele.

– Obrigado, senhor. Quanto devo pagar por isso?

– Nada, faz tempo que não faço oferendas ao templo, então leve estes curativos de graça.

– Mas senhor...

– Sem “mas”, apenas continue com o trabalho duro. Um dia vamos precisar que você proteja a vila como seu pai tem feito. Agora vá embora antes que alguém comesse a dizer que você esta se aproveitando da autoridade do seu pai para conseguir favores. – ele terminava em tom brincalhão — Esse povo de vila pequena tem língua grande demais para boca.

– Obrigado mais uma vez. Irei rezar pelo senhor e sua família.

– Volte sempre.

Renamon não esperava que fosse encontrar com um vendedor tão simpático, talvez fosse um dos poucos moradores da vila que não se ocupava fazendo fofocas e espalhando boatos sem fundamento, apesar de que nem todos os boatos eram mentira, principalmente os do digimon misterioso.

Rani não queria contar para ninguém, mas era ela que estava por traz daqueles ataques, já havia cansado de ficar apenas treinando e melhorando suas habilidades, havia decidido as testar em combates reais. Fazia os ataques durante a noite em alvos próximos a vila Fila, sempre vestia uma chapéu de palha em forma de cone e uma capa negra que ocultava quase todo seu corpo, assim evitava que fosse reconhecida e que espalhassem boatos sobre uma Renamon.

Agora que havia conseguido o que havia ido buscar na vila, Rani estava indo em direção à casa de Wizardmon, sabia que seria uma visita surpresa, mas o bruxo já deveria estar acostumado com digimons indo a sua casa, afinal, ele era o faz tudo da vila. Quando estava próxima da moradia do bruxo, podia escutar uma voz que era conhecida e querida por ela, Baromon estava lá, a Renamon acelerou o passo, mas parou imediatamente quando escutou o que seu pai dizia:

– Fanglongmon e as outras bestas sagradas decidiram que apenas Rina será a sacerdotisa de Fila.

– Eu não acredito! – era Witchmon que falava – A Rani pode não ser boa em magia, mas ela é muito boa em todo o resto.

– Se acalme bruxa, deve haver alguma razão. Certo, Baromon?– argumentava Wizardmon.

– Eles não revelaram o motivo.

Rani não escutou o resto da conversa, fugiu de lá antes que notassem sua presença.

Ela correu até o templo, foi o mais rápido que suas pernas conseguiam, quando notou já estava com o rosto sobre a grama que estava crescendo na clareira em que treinava, não se lembrava de ter visto Rina quando chegou ao templo e nem o que havia acontecido com a sacola que carregava, tinha quase certeza que havia soltado os curativos na entrada do templo, provavelmente sua irmã estava procurando agora, mas não queria falar com ninguém naquele momento.

A tristeza que estava sentindo já havia sido sufocada, como se ela tivesse esganado aquele sentimento com o outro que tinha e ia crescendo cada vez mais por dentro dela, o que movia ela a continuar com seus treinos e suas aventuras ariscadas, a inveja.

Após aquele dia a relação das irmãs nunca mais foi a mesma, Rani ia se afastando cada vez mais, ficando mais silenciosa, apenas se preocupando em treinar cada vez mais, pois queria recuperar o considerava ser seu por direito e que os deuses haviam usurpado para entregar a Rina.

Anos se passaram, as irmãs haviam alcançado o nível extremo, Rina havia se transformado em uma Sakuyamon. Rani, para seu odeio, evoluiu para uma Kuzuhamon. Continuavam fisicamente iguais, com diferença na cor das armaduras a de Rina era dourada e a de Rani roxo escuro.

Quando se trata de nível de poder, situação havia mudado, pois apenas as Renamons fortes conseguem evoluir para Sakuyamon, as demais evoluem para Kuzuhamon, uma forma mais fraca, essa diferença podia ser medida pelo numero de kuda-gitsunes que cada uma conseguia controlar.

Kuda-gitsunes são familiares sagrados que acompanham as mulheres raposas, sendo raposas espirituais que parecem ser feitas de chamas, Rani era acompanhada por apenas uma, enquanto Rina tinha quatro como protetoras, uma representando cada um dos quatro elementos.

Baromon finalmente terminava de recordar o passado, o mesmo era valido para Rani que continuava escondida observando a irmã ensaiar os passos que seriam feitos em sua primeira cerimonia. Quando Rina terminava, seu pai adotivo se levantava e falava:

– Rina, eu estou indo chamar seus tios. Eles querem a ver antes da sua primeira graça as feras divinas. – Baromon se retirava do templo.

A mulher raposa esperava o pai se distanciar e abria a porta do templo para chamar a irmã:

– Rani, entre. Eu sei que você esta ai.

– Eu sabia que não podia me esconder de você, irmã. – dizia saindo de seu esconderijo entre os arbustos.

– E eu, que você não iria obedecer nosso pai e vir me ver. Fico feliz que esteja aqui.

– Está nervosa?

– Um pouco, eu gostaria que você dançasse comigo.

– O que esta dizendo? – Rani começou falando em tom irônico que logo se convertia em raiva — Agora você é a favorita dos deuses, da vila, principalmente, do nosso pai!

– Aya?

– Lerda como sempre. Ainda não entendo como você pode ter se tornado uma Sakuyamon e não eu! Esforcei-me tanto para conseguir virar a sacerdotisa da vila Fila, mas você roubou isso de mim!

– Mas Rani não fui eu que escolhi. Foram eles que me escolheram! Eu só queria voltar a quando éramos pequenas e nos dávamos bem.

– Pare de sonhar com quando éramos Viximon e nos divertíamos juntas! Sabe o que sinto por você agora? Nojo!

– Rani... Por quê? – lagrimas escapavam por debaixo da mascara de Rina.

– Porque você conseguiu tudo o que eu almejei, sem o menor esforço! Olha a roupa que aqueles malditos te deram, a calça vermelha e o quimono branco representando a pureza de uma miko.

– Você sabe que se eu pudesse escolher, quem teria se tornado a sacerdotisa teria sido você. Rina, eu lembro o quanto se esforçou e acho injusto Fanglongmon ter me eleito.

– Não adianta ficar falando com essa voz tristonha. Eu vi que você estava feliz quando recebeu a noticia, vi que estava se divertindo enquanto ensaiava. Aposto que você esta empolgada para ser a queridinha da vila! Ah, não, você sempre foi a favorita de todo mundo, né?

– Rani, você era a minha fav... – era interrompida bruscamente por Rani.

– Calada! Seu sentimentalismo não adianta de mais nada! Eu cansei de ser apenas lembrada como sua sombra, como uma fracassada! Suma daqui, Rina! – sua kuda-gitsune saia de dentro do cachimbo e avançava em direção a Rani. – Ura Izuna!

Rina apenas se encolhia ao ser atacada, mas antes que a raposa fantasma conseguir a tocar, suas quatro kuda-gitsune surgiam para defendê-la. A única raposa comandada por Rani não era páreo para as quatro que acompanhavam a Sakuyamon, sendo facilmente derrotada. Agora eram as raposas de Rina que começavam um ataque, mas ela ordenava:

– Parem! – ela levantava o gohei, uma varinha de madeira com varias fitas de papel presas a ponta, com o vento balançando seu traje de sacerdotisa, ela dizia – Rani, eu irei resolver isso! Venha com tudo!

– Finalmente entendeu a situação? Eu irei tomar tudo o que é meu de volta!

Kuzuhamon segurava seu shakujou — um cajado no qual havia um grande anel, cuja haste passava por dentro de seis anéis menores — Sakuyamon podia estar sem o seu shakujou, mas o gohei possuía igual eficácia em combate para ela. Uma corria na direção da outra e usavam a mesma técnica, ao mesmo tempo:

– Jouenkobu!

As irmãs usavam seus instrumentos mágicos para criar uma esfera de chamas azuis, os golpes se colidiam e se anulavam. Sakuyamon não dava tempo para a irmã reagir e ordenava que suas kuda-gitsunes atacassem, mas Kuzuhamon imediatamente cravava a ponta inferior de seu cajado no chão, criando uma barreira em formato de mandala no chão, paralisando todos os espíritos dentro dela:

– Taizokukai Mandara.

– Eu não esperava por essa resposta, Kuzuhamon. – afirmava Rina em admiração ao movimento rápido da irmã.

– Você nem imagina o que vem agora! – ela deixava o cajado cravado no chão e corria para cima da Sakuyamon.

– Kofūsatsu!

Rina já esperava por uma tentativa Rani tornar a luta delas em um combate corpo a corpo, afinal, aquela ainda era sua única desvantagem mesmo após a evolução. Rapidamente a Sakuyamon retirou um selo de papel da manga de seu quimono e o lançou contra Kuzuhamon, se acertasse iria selar o poder dela por algum tempo.

Ela apenas não esperava que a imrã não fosse parar seu avanço e aceitasse ficar com seus poderes selados. Rani aplicava uma sequencia de socos e chutes contra a oponente, derrubando-a com um chute forte no estomago e então saltava sobre o corpo da irmã, agarrando o pescoço dela sem pensar duas vezes, estrangulando-a com as próprias mãos:

– Eu não preciso dos meus poderes pra ser melhor que você! Agora vou pegar o lugar que sempre devia ter sido meu!

– Rani... – Rina estendia uma das mãos em direção ao rosto de Kuzuhamon.

Finalmente Baromon retornava ao templo, estava sendo acompanhado pelos tios das irmãs. Mas todos ficavam assustados quando se deparavam com uma Renamon, de pelos negros, caída no chão ao lado um digitama, próximo das roupas que estava sobre as roupas de miko.

Rani despertava se sentindo zonza, ela se levantava e lembrando vagamente do que aconteceu, mas não teve tempo para lamentar por seus erros ou se explicar, quando sentiu a mão de seu pai tocando seu ombro, não teve reagiu, pois ele a jogava em direção à escadaria do templo. O sacerdote cai de joelhos e segurava o ovo nos braços, falava aos prantos:

– Este ovo... Este ovo... – ele se virava em direção a Renamon black, a raiva havia o cegado. – Rani, como você pode fazer isso com sua própria irmã?! Eu acreditei em você! Achei que podia mudar o futuro que havia visto com meus poderes!

– Baromon, acalme-se! Deve haver uma explicação! – Wizardmon tentava o deter, mas era empurrado.

– Não! Wizardmon, eu devia ter deixado você eliminar a Rani quando ela nasceu! Foi um erro a deixar viva! Eu irei concertar este erro agora!

Rani nunca havia visto seu pai com tanta raiva no olhar, tanto ódio em suas palavras. Baromon colocava o digitama sobre o quimono branco que uma de suas filhas estava vestindo minutos atrás e levantava os braços em direção ao céu, começando a usar seus poderes para invocar um meteoro. Wizardmon e Witchmon tentavam o impedir de fazer aquilo:

– Baromon, por favor, pense! A Rani nunca iria fazer algo assim! – Witchmon dizia o segurando o mais forte que conseguia enquanto sentia as lagrimas de gosto amargo em seu rosto.

– Rani, você nunca deveria ter existido! Irei te eliminar agora!

– Pare Baromon! A matar agora não ira trazer a Rina de volta! – Wizardmon gritava não reconhecendo seu amigo.

Baromon empurrava os dois bruxos com força, os derrubando. Rani apenas observava tudo àquilo atônita, assustada com seu pai, com o que ela foi capaz de fazer. Uma esfera vermelha ia crescendo no céu, ela vinha em sua direção, era a punição de seu pai. Ainda caída sobre os próprios joelhos, a raposa digital fechou os olhos:

– Meteor dance!

– Missing and unidentified spell!

Wizardmon conjurava uma magia para tentar mudar a trajetória do ataque de seu amigo, infelizmente o peso e velocidade da rocha eram grandes demais para fazê-lo acertar a floresta, o máximo que o bruxo conseguiu fazer foi fazer o ataque de Baromon acertar o chão logo a frente de Rani, lançando-a escada abaixo.

Quando finalmente tocava o chão, a Renamon de pelos negros olhava em direção do topo da escadaria e com lagrimas nos olhos se despedia do local que mais amava. Fugir era a única opção agora:

– Perdoem-me, Rina e Papai. – ela secou as lagrimas enquanto fugia.

Eram as ultimas palavras que Rani iria dizer em Fila, antes de deixar a vila sem saber quando iria voltar. O impacto do meteoro e a fúria de seu pai a fizeram lembrar-se do que realmente havia acontecido, ela sabia o que fazer agora, havia tomado sua decisão, iria se vingar. Enquanto corria sem olhar para trás, apenas escutava os gritos de Witchmon vindo das escadas e explosões causadas por uma luta no templo, era Wizardmon tentando parar o furioso Baromon.

Ela correu sem olhar para trás, apenas deixando suas lagrimas na vila.