Digimon Adventure 3.0: Luz Vs Trevas
59 O Prédio das Trevas
Notas iniciais
CAPÍTULO 059
Lilithmon assistia aos acontecimentos durante a invasão dos digiescolhidos na Floresta Negra. A cena da digievolução de Musyamon passou em HD para quem estivesse ali ver. Além da lorde, Lotusmon e Insekimon acompanhavam a transmissão.
— Seu servo inescrupuloso evoluiu sem ao menos te informar. O que acha disso?
— Contanto que ele vença os digiescolhidos... Não me preocupo com Musyamon ou Zanbamon ou quem quer que ele seja. Wendimon falou demais — a vilã segurava a taça com a sua garra Nazar.
— O Brasão no topo do prédio colocado por seu ex é que faz esse prédio funcionar. Destruí-lo salvará a digiescolhida da Luz.
A líder dos lordes riu e discordou da Lotusmon. As crianças jamais destruiriam o brasão. Ela não deixaria. Lilithmon se mantinha cautelosa, mas alegre por Lúcia estar à beira da morte. Sem Lucemon evoluir e com Goddramon fora do caminho, não haveria mais nenhum digimon sagrado para atrapalhá-la. Ela ficou tão excitada que acabou derretendo a taça na sua garra.
...
Zanbamon surgiu imponente para as crianças. Era a forma extrema de Musyamon que ele tanto desejou. Uma criatura metade homem, metade cavalo. Não possuía pernas, pois o corpo era fundido com a besta quadrúpede. Apenas da cintura para cima era humanóide.
— Zanbamon... — Paulo ficou surpreso com a evolução.
— Isso não é bom. Ele vai nos atrasar — Ruan tinha um ponto.
Beelzebumon olhou para Zanbamon e percebeu que o vilão estava mais calmo. Tentou convencê-lo a deixar as crianças passarem enquanto lutavam, mas o shogun não deu ouvidos.
— O que você quer? Já teve a sua evolução. Por que não some daqui e deixa a Lilithmon com a gente?
Mas Zanbamon não respondeu Beelzebumon. Ele estava analisando cada canto do seu novo corpo. Até mesmo o cavalo podia ser controlado pela sua mente.
— Ninguém dá um passo. Quero testar os meus poderes. Quem vai ser o primeiro? Beelzebumon ou outro?
DIGIMON: ZANBAMON
ATRIBUTO: VÍRUS
NÍVEL: EXTREMO
NPD: 444.000
DESCRIÇÃO: FORMA FINAL DE MUSYAMON. UM GENERAL APTO A BATALHAR ATÉ A MORTE E FORMIDÁVEL INIMIGO QUE EMPUNHA DUAS ESPADAS.
O vilão foi tão rápido que nenhuma criança viu o seu movimento. O único a ver foi Beelzebumon. Ele se abaixou. Alguns fios de cabelo caíram por causa do corte da lâmina.
— Eu não vi ele atacar — falou Ruan já suando.
Paulo mandou todo mundo prosseguir. Era de suma importância ganhar tempo até o prédio. No entanto, os digiescolhidos sequer pensaram em sair, pois Zanbamon utilizou a sua espada maior para fazer um corte na estrada. De ponta a ponta ficou um vão.
— Eu já falei que ninguém sai daqui. Não me importo com a garota nem com o que a Lilithmon pretende fazer. Quero apenas lutar. Lutar até estar quase morto. Entenderam?
Lutar não seria problema para Beelzebumon, exceto que ele estava esgotando a sua energia num confronto que ele não calculou. Desde sempre pensou em lutar com Lilithmon ou Lotusmon. O surgimento de Zanbamon foi um balde de água fria.
— Defenda-se! — Zanbamon atacou Beelzebumon com a espada maior.
Knightmon surgiu e defendeu o amigo com o seu escudo.
— E aí, gente?
— Nashi! — disseram.
— Não podia faltar, não é?
Eles foram até o colega. Nashi explicou que Knightmon era a forma perfeita de Kotemon.
— Não é hora para conversar. Por que vocês não dão o fora daqui logo?
— Nashi, o Zanbamon é forte demais — respondeu Jin.
— Eu tenho um truque na manga. Podem ir.
Paulo pediu a Beelzebumon que deixasse a luta com Knightmon e Nashi. O lorde demônio voltou a ser Impmon. O grupo passou pelo vilão.
— Nós nos reencontramos outra vez. Naquela ilha, eu perdi por causa dessa sua evolução. Agora você não tem chance.
— Não cantaria vitória se fosse você — respondeu Knightmon.
Lucemon não acreditava que a sua parceira digiescolhida foi vítima de um atentado. E agora a vida dela corria risco. O pequeno anjo loiro começou a chorar se culpando de não ter feito nada. A única coisa que poderia fazer era proteger a qualquer custo o brasão da Luz e tentar destruir o Brasão das Trevas.
— Bom, então precisamos ir depressa antes que seja tarde. A cada minuto que se passa perdendo é um minuto de vida à menos para Lúcia — disse o digimon enquanto enxugava as lágrimas.
— Vamos derrotar Lilithmon de qualquer maneira. — disse Paulo encorajando o grupo.
— Vamos todos fazer nossa parte — disse Mia.
— É. Perdemos tempo demais com o Zanbamon — comentou Ruan.
Eles foram praticamente correndo para a direção do prédio. Lucemon se dispôs em levar Lúcia nas costas enquanto voava para ficar mais fácil de se locomoverem.
Lilithmon observava todos os passos dados pelos digiescolhidos e não acreditou que eles já estavam perto dali. Rapidamente mandou o seu exército das trevas atacá-los.
— Droga, eles estão chegando aqui. Isso não pode estar acontecendo. Mande o meu exército interceptá-los já — ordenou para Lotusmon
Warumonzaemons, SkullSatamons, LadyDevimons, Okuwamons, BlueMeramons, Devidramons, Mechanorimons e Evilmons.
— Olha só. Nós já enfrentamos todos eles — falou Mia sem se preocupar.
— Vocês não vão nos atrapalhar de jeito algum — disse Paulo.
— É isso aí, Palmon, vamos fazer a nossa parte — falou Rose.
— Vamos lutar até o fim, Rose — disse a digimon.
No prédio...
— Argh Palmon e Rose. Eu odeio essas duas enxeridas. Acabarei com as duas agora mesmo...
— Não, Lotusmon! Ainda não chegou o momento de você se divertir com a Rose e a Palmon. Preciso de mais tempo. Deixe que meu exército se encarregue de destruí-los.
Zanbamon e Knightmon se separaram. Um analisava o outro. Qualquer movimento errado seria fatal. Então o shogun deu o primeiro passo e foi com tudo para o cavaleiro.
— Uchikubi Gokumon!
A espada de Knightmon foi destruída e o seu escudo rachado.
— Você parece tranquilo para quem está prestes a morrer. Se não me detiver aqui, irei até os seus amigos e impedirei que salvem a garota.
— Estou calmo porque a luta não vai ser só isso — respondeu Nashi. — Agora que a parte boa começa.
Knightmon regrediu para Kotemon, deixando o vilão sem entender. Nashi segurou o Brasão do Conhecimento e avisou que o seu digimon sabia evoluir para a forma extrema.
— Agora é a sua vez, Kotemon. Evolua agora!
— Kotemon megadigivolve para... CRUSADERMON!!!

Crusadermon era tudo o que Nashi queria para o seu Kotemon. O menino era fã dos cavaleiros reais e trabalhou duro para o seu digimon chegar a esse nível. Não era à toa que o garoto possuía o Brasão do Conhecimento. Sua inteligência misturada ao trabalho de ir atrás de uma maneira de evoluir Kotemon justificavam o brasão. E apesar de ser o digiescolhido mais "lobo solitário" dessa nova leva, resolveu fazer a sua parte e desafiar de uma vez por todas aquele que já foi Musyamon.
— Crusadermon. Esse é o nome da sua forma extrema. Fico feliz que eu não tenha que lutar contra um perdedor na forma perfeita.
— Dessa vez não será muito fácil cortar a minha armadura, Zanbamon.
O curioso de Kotemon megaevoluir era que nenhum outro digiescolhido testemunharia tal acontecimento. Nashi preferiu não revelar essa forma, pelo menos não por enquanto.
Os outros digiescolhidos tiveram que enfrentar os soldados do pesadelo de Lilithmon. Entretanto, não dava tempo para uma batalha em grande escala, pois os minutos eram preciosos se quisessem salvar Lúcia. Rose e Ruan pediram aos seus amigos que fossem em frente e que deixassem os capangas com eles.
— Conto com vocês — disse Paulo.
— Pode ficar tranquilo, amigo. Não vamos perder — respondeu Ruan.
Hagurumon evoluiu para Andromon e Palmon para Lillymon.
— Espada Espiral!
— Canhão Flor!
Eles derrubavam cada digimau que surgia. Um fato curioso era que o poder de dados de Andromon e Lillymon estavam acima de trinta mil. Já os capangas, porém, não chegavam a vinte.
Crusadermon e Zanbamon foram um ao outro. Zanbamon utilizou a sua espada maior para atacar, Crusadermon se defendeu com o escudo. O vilão utilizou a katana da mão esquerda. Crusadermon transformou uma fita em espada e voltou a se defender.
— Você cresceu muito bem. Até agora não está me decepcionando.
— Eu ainda tenho muito a mostrar, Zanbamon. Não sou o mesmo de antes.
— Gosto assim.
Ambos se separaram. Nenhum deles demonstrou cansaço ou um sinal de que diminuiriam o ritmo.
De volta à luta de Ruan e Rose...
— Mísseis!
— Canhão Flor!
Os últimos inimigos daquele grupo foram derrotados. Lillymon aproveitou para usar coroas de flores nos Devidramons e deixá-los mansinhos. A fada falou que os dragões agora estavam sem a influência do vírus e que podiam servir de transporte.
...
Conceição e os outros vagavam pelo digimundo, sem rumo e escapando de pequenos digimons que vez ou outro apareciam. Na verdade, eles estavam bem perto da Floresta Negra, ou seja, perto dos digiescolhidos. Saíram do Spa, da vidinha de luxo que estavam tendo. Agora a coisa ficou séria para eles.
— Ai, marido, eu não aguento mais andar, andar e andar. Já estou com bolhas nos meus pés de tanto andar sem rumo. — reclamou a duquesa.
— Calma, querida, conseguiremos sair daqui e voltaremos para casa. Se pelo menos tivéssemos um celular ou algum meio de comunicação para chamarmos um resgate.
— Pessoal, olhem só uma cabine de telefone. Talvez aqui dê para ligar. Não custa nada tentar — disse Conceição. — E pelo visto é dos antigos, viu. É do tempo da ficha.
— Opa, então eu quero ver isso. Quero ligar para a minha casa e pedir socorro imediatamente. Acho que os membros da realeza estão atrás de nós — disse Anabelle.
— Querida, no máximo os tablóides. Aquela família real não pensou nem na Diana quanto mais nós.
Conceição foi tentar ligar para alguém, mas precisava de algumas fichas para poder realizar uma ligação. Ela analisou bem o formato do telefone e percebeu que abaixo do gancho se encontrava um tipo de caixa acoplada ao próprio telefone. A empregada tentava puxar, socar, dar chutes, mas não adiantava. Foi então que ela teve uma ideia e saiu da cabine.
— Ah é. Quer abrir não, filho de uma mãe. Peraí...
— Oh, Conception, você vai para onde? Vai nos deixar sozinhos aqui? — A duquesa não entendeu nada.
— O que essa louca está planejando?
— SAIAM DA FRENTE!!! — Conceição pegou uma pedra e foi pra cima do telefone. Golpeou a caixa sob o telefone e ela se abriu, revelando várias fichas. Logo pegou uma e começou a ligar.
— Como você soube de que tinha fichas aí? — perguntou a mulher.
— Assisto muitos filmes dos anos 90. Hahaha — Começou a chamar, chamar, chamar infinitas vezes, mas ninguém atendeu — Como pode? Não pode ser.
— O que houve?
— Seu duque, algo está errado. Chama, chama, mas ninguém atende. Será que não tem ninguém em casa ou o telefone tá quebrado?
— Deixa eu tentar.
O duque fez o mesmo. Tentou ligar para vários números de contatos, contudo nenhuma pessoa atendia. O telefone não pegava de jeito algum. Logo os três sentaram na grama e ficaram desolados.
— Olha, nunca se passou pela minha mente que nós estaríamos nesse estado deplorável. Ter que ficar vagando pelo mundo feito mendigo. Saudades do meu charuto cubano, minhas partidas de golf com meus amigos, meus negócios, meu jornal toda manhã...
— E o pior, meu amor. No digimundo. Um lugar que nunca sonhávamos que existia. Oh my God. Meus vestidos de linho fino e de seda, minhas jóias, minhas compras nas melhores lojas de Londres. Minha amizade, mesmo que seja falsa, com a rainha Elizabeth. Meus súditos e empregados que só sabem me bajular. Agora tudo acabou.
— E eu. Tô com saudade do meu salário, do meu forró todo sábado, da minha novela das nove, das minhas fofocas matinais, das brigas dos vizinhos lá na comunidade, enfim uma tristeza.
— Ai que vida cruel! — disseram em uníssono.
— Esperem um momento. Eu sei exatamente onde podemos encontrar as respostas para a nossa vinda para o digimundo. Voltaremos para onde viemos, ou seja o prédio.
— Conception, você ficou louca. Não podemos voltar. — contestou a duquesa.
— Podemos sim. Talvez tenha algum jeito de nós voltarmos pra casa por lá. Até porque onde acharemos um teto pra ficarmos durante esse temporal que vai acontecer, hein? Já está noite.
— Sabe que olhando por esse ângulo a Conception tem razão. Vamos voltar — disse o homem.
Assim os três resolveram voltar para o prédio de Lilithmon. A qualquer momento eles se encontrariam com os digiescolhidos.
...
Enquanto isso Rose, Ruan e seus digimons voavam sobre os Devidramons. Até que alguém os ataca com dois disparos de energias, atingindo os dragões. Logo eles caíram e os dragões foram embora.
— O que foi que nos atacou? — perguntou Ruan.
— Olhem aquilo. Um grande digimon — alertou Hagurumon.
Eles olharam para frente e viram um enorme digimon máquina. Era um Mugendramon, antigo guarda-costas de Lucemon e agora comandante de Lilithmon.

DIGIMON: MUGENDRAMON
ATRIBUTO: VÍRUS
NÍVEL: EXTREMO
NPD: 250.000
DESCRIÇÃO: UM DRAGÃO FEITO COMPLETAMENTE DE METAL SEM NADA ORGÂNICO. SEU CORPO É COMPOSTO POR PARTES DE OUTROS DIGIMONS. A ÚNICA COISA VIVA EM MUGENDRAMON É O SEU NÚCLEO COM UM ESPÍRITO EM FORMA DE PROGRAMA QUE FORA IMPLANTADO POR LILITHMON.
O dragão máquina era imponente e pesado. Suas passadas afundavam o chão. E, aparentemente, ele não se encontrou com o grupo da frente.
— Mas que tipo de digimon é esse? — perguntou Rose.
— É um Mugendramon. É um digimon muito mau e forte. Ele tem muita força, pois está no nível extremo — explicou Palmon.
— Nível extremo? Eu nunca pensei que um digimon nesse nível pudesse ser capanga da Lilithmon.
— Não importa, Rose. Vocês têm que partir logo. Deixe-o conosco. Vão depressa atrás dos outros.
— Mas Ruan...
— Vão!
— Ok Ruan. Vamos, Palmon.
O monstro olhou para o lado e viu as duas correrem.
— Mugendramon a luta é conosco. Hagurumon megadigivolva.
— Hagurumon megadigivolve para... HiAndromon.
A máquina utilizou o braço esquerdo para tentar atingir Rose e Palmon, porém foi interceptado por HiAndromon.
Paulo e os outros já conseguiram adentrar na Floresta Sanguessuga. O ambiente ficou mais fechado, a estrada diminuiu de largura e era bem mais úmido. O prédio era mais detalhado naquela parte.
Keramons surgiram e atacaram os digiescolhidos. Um deles tentou pegar Lucemon com a Lúcia, mas Impmon deu uma voadora nele.
— Nem pense nisso, idiota — falou Imp.
— Estão surgindo mais — disse Jin.
Eram vários. Talvez centenas.
DIGIMON: KERAMON
ATRIBUTO: LIVRE
NÍVEL: CRIANÇA
NPD: 1000
DESCRIÇÃO: UM DIGIMON QUE GOSTA DE SUGAR DADOS. POR SER LIVRE DE ATRIBUTO, COMPORTA-SE DO SEU PRÓPRIO JEITO E NÃO CONSIDERA SEUS ATOS DESTRUTIVOS.
— Mushmon digivolve para... Woodmon! Tomem isso, Esmagador de Madeira! — Woodmon começou a atacar os Keramons com seus braços de madeira que aumentaram.
— Betamon digivolve para... Seadramon! — o dragão serpente atacou os pequenos digimaus, abrindo caminho para Paulo e os outros.
— Vamos ficar aqui e lutar. Vocês precisam ir o mais depressa possível — avisou Mia.
— Tudo bem. Vamos, mamãe — disse Paulo.
Paulo seguiu em frente enquanto Mia e Jin ficaram lutando. Daquela distância dava para ter uma noção um pouco mais detalhada do prédio.
— Inacreditável. Parece mesmo um prédio da Terra. Como Ray teve essa ideia toda? — falou o garoto.
— Meus pés estão me matando.
— Mamãe, devia ter ficado na vila.
— E deixar os meus filhos sozinhos nesse perigo? Jamais. Mesmo que eu fique aleijada, vou estar aqui para protegê-los.
Paulo sorriu. Márcia era uma mãe coruja. Devia ser muito difícil para uma mãe ver a filha correndo risco de vida.
HiAndromon foi para cima de Mugendramon e deu-lhe um golpe, fazendo a máquina cair para trás. Em seguida, o digimau se levantou e usou seus canhões para utilizar a sua técnica mais poderosa chamada Giga Canhão. A energia atingiu o androide, que caiu com o impacto.
Mugendramon observou o androide se levantar como se nada tivesse acontecido.
— Seu ataque não surtiu efeito em mim, Mugendramon. Meu corpo é revestido por Chrome-Digizoid e sou muito resistente à ataques físicos ou ataques especiais. Não será muito fácil para você me derrotar.
O fato era que o digi-núcleo no corpo de Mugendramon era selvagem e com pouca inteligência. Lilithmon havia implantado esse núcleo sem livre arbítrio justamente para não ocorrer o mesmo erro como foi com Musyamon. Enfim, o monstro carregou os seus canhões e soltou um Giga Canhão duplo.
— Raio Atômico! — o poder atingiu o Giga Canhão e explodiu.
Ainda com muita fumaça, HiAndromon deu um pulo e socou o rosto da máquina. Mugendramon foi arrastado e caiu sobre várias árvores.
— Como eu já havia dito, o meu corpo é revestido por um metal muito resistente. Um ataque como aquele não seria suficiente para me ferir.
— Isso mesmo HiAndromon. Vamos destruí-lo e ajudar os outros — comemorava Ruan.
...
Enquanto isso na prisão, os três prisioneiros ficaram preocupados com o que estava acontecendo. Todo o lugar estava com o sinal de alerta ligado. As luzes dos corredores ficaram vermelhas e piscando.
— Será que isso significa uma invasão? Será que são as crianças finalmente vindo nos salvar? — indagou Emma.
— Pode ser que sim. Ah, Ruan, meu menino. Finalmente essa família terá um homem de verdade. Alguém que honre o que tem debaixo das pernas — disse a mulher.
— Ei, querida, e eu? Eu sou o chefe e o homem da casa. Eu sou o seu marido e o pai de Ruan.
— Juanes, fica calado que você tá mais para um rato. Um ser humano do sexo masculino que cai na lábia de uma mulher qualquer não merece ser chamado de homem.
— Não está tão ruim assim, querida.
— Ahhhh tu falas isso porque você não está sentindo o que eu sinto. Pimenta no olho dos outros é refresco, não é, seu Castillo? Já to cansada de comer essa ração dia e noite feito bicho. Pelo menos o meu Ruanzito vai vir e me salvar.
— Eu só quero ter certeza de que a Mia esteja bem. — disse Emma.
Na cobertura, Lilithmon assistia aborrecidíssima à falha na segurança da floresta. Estava a ponto de ter um ataque de nervos. Foi aí que Lotusmon pediu o que tanto quis.
— O que você quer, Lotusmon? Já não basta aquele bando de inúteis fracos que não serviram nem para dar um arranhão.
— Vai ou não me deixar lutar com a Rose e Palmon?
A vilã suspirou. Lotusmon pedia aquilo desde que invadiram a floresta. De saco cheio, a megera deixou.
— Pode ir. Vá e mate-as de uma vez por todas.
— Finalmente eu terei a minha chance definitiva de matá-las e dar muito na cara daquela Rosemon. Com licença, amiga — Lotusmon saiu voando ali mesmo e indo ao encontro de Rose e Palmon.
— Insekimon!
— Sim, mestra. O que a senhora deseja?
— Traga-me a última taça de vinho. Depois disso te darei uma função enquanto luto contra os digiescolhidos.
— A mestra vai lutar contra as crianças pessoalmente?
— É claro que sim, tapado. Ou você irá no meu lugar? Vai lá e pega o meu vinho.
— Sim, mestra.
Na torre negra, os três generais continuaram a vigiar o objeto. Eles viram Lilithmon na varanda do apartamento. Em seguida, desceu voando, acompanhada por um enxame de morcegos. Eles ativaram a invisibilidade para não serem vistos.
— A torre negra. Vai unir os dois mundos. Depois disso, serei a rainha tanto daqui quanto da Terra. E pensar que tudo isso começou quando Ray resolveu fazer um pacto com as trevas, introduzindo aquela semente. O quão poderoso era o dono daquele vírus — disse em solilóquio.
Ray aos poucos recobrava a consciência. O rapaz abriu os olhos, que ainda estavam vermelhos, e sentou-se ao fundo da cela. Ainda estava dormente por causa do ataque que recebera, porém já estava melhorando. Percebeu que o alarme de segurança estava acionado e logo tomou consciência de que a floresta foi invadida.
— Sim, eles conseguiram. Finalmente a Lilithmon terá que lutar contra eles. Se eu pudesse sair daqui e destruir aquele brasão...
Ele caminhou até as barras da prisão e olhou o corredor. Havia apenas um Gottsumon vigiando.
— Que sensação é essa? É como se eu tivesse ingerido uma bebida alucinógena. Será que é o meu corpo reagindo ao golpe da Lotusmon?
O homem não sabia, mas a sua natureza estava mudando. De um ser humano para um ser de características híbridas. Além de seu poder de dados aumentar exponencialmente.
...
Seadramon e Woodmon venceram os Keramons restantes. No entanto mais soldados do exército das trevas chegavam para atacá-los. Logo na frente deles surgiram Bakemons, Orgemons, Mechanorimons, DarkTyranomons, Monochromons e alguns Gottsumons.
— Como passaremos deles? Na estrada só tem este caminho? — disse Jin.
— Não há outra escolha a não evoluir os nossos parceiros — falou Mia já com o brasão brilhando.
— Woodmon superdigivolve para... Jyureimon!
— Seadramon superdigivolve para... MegaSeadramon.
— Nós também lutaremos contra os digimaus — disse um digimon saindo da floresta e chegando à estrada.
— Leomon! — bradaram em uníssono.
— Sim, crianças. Eu fui mandado por Gennai para ajudá-los. Não só eu, mas também um outro amigo.
— Olá, crianças — disse um outro digimon.
— Picklemon! É o mesmo Picklemon que era servo de Lucemon? — perguntou o japonês.
— Sim. Eu vim ajudá-los da mesma forma que Leomon veio.
— Ótimo. Agora com esse reforço venceremos — Mia otimista.
Rose e Palmon corriam para alcançar os outros. Entretanto, Lotusmon apareceu na frente delas. A vilã deu um sorriso, deixando a menina muito furiosa.
— Rose, a pirralha, e sua digimon. Palmon, eu vim lutar contigo e te destruir definitivamente. Aqui será o túmulo de vocês.
— Lotusmon, as coisas serão diferentes dessa vez. Eu não perderei pra uma desclassificada como você. — disse a digimon.
— O que disse? Ora, sua insolente.
— Rose, vamos lutar contra ela e a destruir. Eu sinto que dessa vez eu vencerei.
— Sem dúvida alguma. Vamos dar uma lição nela. — disse a garota. — Palmon Megadigivolva e dê uma surra nela.
— Ui que medo. — Lotusmon desdenhou.
— Palmon megadigivolve para... Rosemon.
Rosemon versus Lotusmon. A batalha interrompida seria retomada em breve.
Zanbamon usou toda a sua velocidade para correr mais rápido do que o som e dar um coice em Crusadermon. O parceiro de Nashi foi jogado por muitos metros e saiu derrubando as árvores.
— Não é possível que isso seja tudo o que tem. Levante-se — falou o shogun.
Um Keramon se aproximou do cavaleiro rosa e tentou sugar os seus dados. Levou um soco do Crusadermon.
— Essa pancada deu pro gasto. Ainda estamos testando os nossos poderes, não é, Zanbamon?
O cavaleiro real também podia se mover numa velocidade absurda e bateu com o escudo na cara do inimigo. Este foi arrastado e voltou a ficar em pé.
Aiko guiou Paulo e sua mãe para o caminho que dava até à entrada do prédio. Esse caminho tinha um encontro com mais dois que davam acesso ao norte seguro. Conceição e os pais de Rose deram de cara com o grupo de Paulo.
— Dona Márcia, seu Paulinho?
— Conceição, o que veio fazer aqui? Aliás, o que você e essas pessoas estão fazendo aqui? — perguntou Márcia muito impressionada.
— Ei, vocês viram a nossa filha Rose? — perguntou a duquesa.
— O que está havendo aqui? — perguntou Lucemon.
— Ai, minha nossa senhora. Esse é o menino Lucas? Virou anjo? Como pode isso? O que tá acontecendo aqui?
— Muahahaaa a empregada se assustou com o Lucemon? Cara, ele é o digimon mais bonito que existe e ainda assustou a mulher — disse Impmon zombando da Conceição.
— Ainda quero entender como a Conceição veio parar aqui. Mas não importa agora, porque a minha filha está com a vida em perigo e precisamos chegar até aquele prédio.
— Vamos parar de ficar perguntando besteiras. Quanto mais tempo perdermos, será pior. — disse Paulo.
— Tem toda a razão. Vamos depressa — disse Aiko.
Assim eles foram até a entrada do prédio, já saindo da floresta. O senso de urgência era alto. Cada minuto era precioso. Lúcia tinha pouco menos de 1 hora de vida.
Cada digiescolhido fazia a sua parte. Nashi e Crusadermon combatiam Zanbamon. Ruan e HiAndromon lutavam contra um poderoso Mugendramon. Rose e Rosemon lutavam contra a Lotusmon. Mia, Jin e os digimons lutavam contra alguns digimaus que apareceram ao longo do caminho.
— Só falta você. Lilithmon — falou Paulo ao olhar para o topo do prédio.
...
Os três digimons generais observavam quietos as ações dos digiescolhidos. Afastaram-se da torre negra por um momento enquanto a Lilithmon continuava perto dela.
— Olhem as crianças. Já estão quase chegando perto da entrada do prédio de Lilithmon — disse ChaosDukemon sobrevoando.
— Se eu pudesse acabaria com eles em poucos segundos. Bando de vermes digiescolhidos — disse ChaosPiedmon com a paciência zero.
— Acalme-se, ChaosPiedmon. Essa guerra já está ganha. Eles podem deter a Lilithmon, mas o nosso imperador não. Mantenha a calma — disse BlackWargreymon.
— É isso mesmo. Deixe eles pensando que, com a derrota de Lilithmon, tudo acabará. Deixem pensando, também, que a torre negra serve para unir os dois mundos. Que grande besteira. A verdadeira função da Torre é permitir a passagem do nosso mestre do Mar das Trevas para o Digimundo. Apenas isso. — disse ChaosDukemon.
— Vejo que estão empenhados, rapazes — disse uma voz.
— Não pode ser. Essa voz é do...
BlackWargreymon sequer terminou a frase quando Shadowking Aranha repentinamente apareceu entre os três generais. O homem estava sentado, com um copo de saquê e uma garrafa da bebida. Colocou o líquido e começou a beber despreocupadamente. Aquele homem era assustadoramente despreocupado, nem mesmo MagnaAngemon conseguia ser tão autoconfiante assim.
— Conversei com o chefe de vocês há pouco. Ele está preparado para sair do Mar das Trevas e retornar ao digimundo. Portanto, quaisquer movimentos em falso poderá dar tudo a perder. Aposto que aquele anjo ficaria péssimo ao saber que o sabujo do ChaosPiedmon fez besteira.
— Ora, seu... quem você pensa que é? — disse o pierrot irritado com a interferência daquele humano.
— Quem sou eu?
O rosto de Adrien mudou um pouco de forma. Seus olhos ficaram completamente pretos, seu nariz desapareceu uma bocarra surgiu com dentes afiados, porém seu corpo permanecia o mesmo. Aquilo assustou os dois espectros pra valer, ficando prostrados. ChaosPiedmon permaneceu em pé, porém ficou completamente paralisado de medo.
— Quem você pensa que eu sou, digimon? Não me compare a vocês fufufufu. — Ele se levantou e colocou uma mão no ombro do palhaço. — Melhor não fazer perguntas insensatas, ChaosPiedmon.
O monstro chamado Shadowking Aranha voltou ao rosto de humano e sorriu para o palhaço. Desapareceu em um segundo. ChaosPiedmon se ajoelhou enquanto tremia.
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