Notas iniciais
Angel Stonem, menina, quer me matar do coração? Amei sua recomendação ( vocês ainda querem me ver derreter de sentimentos, né?), nem sei como agradecer e quais palavras usar para agradecer, só sei que isso é uma honra sem tamanho ♥ Mesmo, não existe palavras para descrever minha gratidão por sua recomendação. Espero que goste do capítulo, porque ele é para você ♥

“O fim foi o Angel. Isso o entregou para mim, traído pelas próprias palavras. Talvez fosse um habito dele chamar as namoradas de Angel e isso acabou escapando na cena do crime, ele trocou meu nome por esse apelido idiota. Desde então venho remoendo isso na minha cabeça, tornando tudo dentro de mim uma procura louca por vingança, que chegava a me cegar. Tudo o que eu queria era vê-lo morto e não importava a forma.

Fui incapaz de pensar racionalmente e procurar ajuda para isso. Na verdade, tive medo. Pelo meu histórico mental, hesitei em pensar que as pessoas se recusariam a acreditar em mim, que achariam que era mais um delírio meu. Até eu chegava a achar que estava delirando, não podia ser ele.

Quando o confrontei tudo começou a passar rápido demais para ter uma lógica. Não pensei, só agi por impulso. Mas desisti de vê-lo morto, não iria conseguir matá-lo com minhas mãos, meu amor por ele era o único empasse, a única coisa que ainda me fazia pensar em seu lado bom.

Foi tudo rápido demais. Uma hora eu estava correndo no meio das árvores e na outra no chão sendo arrastada por ele – talvez o comportamento de reação dele só piorou a situação e fez as coisas se encaixarem, pensei que morreria.

Peguei o machado para amedrontá-lo, como se estivesse segurando em um revolver engatilhado. Era para ele recuar e me deixar ir, não achei que iria se aproximar tanto, que iria arriscar se aproximar mesmo assim. Perdi o equilíbrio quando soltei o machado e... E... “

As lágrimas escorrem e deixam minha voz trêmula. Não é mais necessário prosseguir, ele sabe o final da minha história. Já sabe que acabei o matando sem querer e por desespero. Por mais que tenha planejado isso na minha cabeça... Parece até uma doce vingança da ironia.

— Parece que temos um caso encerrado então. – o delegado coloca as mãos no bolso – Iremos precisar de você para um interrogatório gravado.

— Posso recusar? – murmuro.

— Não.

— Como explicar o casamento? – mostro o anel.

— Talvez ele soubesse de sua desconfiança e quisesse contornar, quando se é casada com a pessoa suspeita, você pode se negar a depor contra ela e acho que ele pensou sobre isso. – ele respira fundo– Se você se casasse com ele seria como a omissão do caso, não iria conseguir colocá-lo na cadeia, assim como quase não o matou, mesmo sendo sua vontade.

Manipulação. Tudo não passou de mera manipulação dele perante os demais.

Ele se afasta e se junta a Perícia que examina o corpo. Continuo sentada na grama encostada no pilar da varanda. O carro do IML já está aqui, o corpo dele já está sendo embalado e o machado já foi retirado.

Não sei exatamente o que sentir agora. Parece que não estou aqui, que tudo está sendo observado de cima, de um sonho que virou pesadelo.

Durante dois anos odiei o Malic, um ódio misturado com o amor – que se negava em partir mesmo sabendo da verdade. Tudo o que ocupava minha mente era o Lobo e o meu antigo namorado – noivo -, só sabia pensar sobre isso e enlouquecer assim. E no meio da cegueira causada pelo ódio, vinha o amor que me fazia lembrar de tudo, cada detalhe.

— Você não devia correr tão rápido. – mãos fortes me erguem do chão. “

— Até a próxima trombada, Angel. – ele volta a caminhar na direção da trilha. “

“- Você acha que me entende. – ele sussurra.”

“- O que quero dizer é que esse cara acha que é Deus, entende? Ele está escolhendo quem morre e quem vive. Ele achou que você deve viver, então não tente entender tal decisão, apenas aceite. “

“- Bianca, tudo o que essas pessoas querem são respostas para, numa tentativa inútil, minimizar o medo que elas têm. Você é a resposta delas e é lógico que elas vão atacá-la, por isso conte uma história. Conte tudo o que aconteceu naquela noite, não pule nenhuma informação e como você não o viu, deixo-o com um quê de suspense assassino. Seja a Branca de Neve que fugiu do Lobo Mau. “

“- Me ignorar não vai me deletar de sua mente, de seu corpo. – Ele fala, com a voz rouca e mansa – Eu gosto de você, mais do que eu deveria gostar.”

“- Agi errado e sei disso – ele afrouxa o aperto de minhas mãos -, sei também que não vale a pena lamentar agora.””

Ah, sim, não vale mais a pena lamentar agora.

“- Posso tentar te esquentar. – ele fala, sugestivamente.”

“- Adoro sua inocência. – ele sorri.”

“- Vamos cuidar de você. – ele pega os curativo e ajoelha na minha frente.”

“- Você está virando uma menina muito ousada. – ele replica.”

“- Não quero ser apenas uma sensação. – ele estreita os olhos – Não quero ser algum abstrato para você. “

“- Meu único compromisso é tirar o seu vestido. – ele sussurra e logo em seguida morde o lóbulo de minha orelha. “

“- Porque não consigo te imaginar casada. – ele sorri – Não com outra pessoa.”

“- Uma pessoa ruim. “

“- Não me leve a mal, mas sempre fui o melhor em assustar na minha família e desde que cresci, parei com esse meu perfeito hobby. “

“- Não posso deixar você ir. – ele sussurra. “

“- Por favor, não faça isso comigo. – ele diz, entre os soluços. “

“- Eu amo você. – ele sussurra.”

“- Não quero ver você; quero você e não quero continuar falando com você; quero viver com você. – ele me encara por cima dos ombros.”

“- Não desista de mim. “

Tudo isso aconteceu porque eu nunca desisti.

As lágrimas escorrem pelo meu rosto e não me importo com elas, não me importo mais com nada. Gostaria tanto de voltar no tempo e mudar tudo isso, nem que fosse preciso abdicar ter o conhecido naquela trilha.

Uma dor em meu estômago quase me faz gritar, semelhante a uma cãibra. Mas sei que ela não passa da dor do remorso, da morte e de saber que nunca mais o verei.

Não tenho mais quem amar ou odiar, não tenho mais nada agora. Acabou.

O barulho de helicóptero me assusta. A máquina está pousando no pasto da fazenda ao lado, fazendo as vacas correrem assustadas e quase quebrarem a cerca. O vento das hélices quase me faz voar com a força que bate contra o meu corpo e mal o motor desligou, uma mulher desespera desce e corre em nossa direção. É Madallena.

Será que ela sabe que o filho está morto? A cãibra fica mais forte.

Malic já está no carro do IML. Espero que ela não precise ver o corpo. Levanto por impulso ao vê-la se aproximar do delegado e mordisco a unha de meu dedão, nervosa.

Não posso entender o que eles falam, mas parece uma conversa nervosa e suplicante, pois ela chora. Então sei o exato momento em que ele diz a verdade: Madallena cai no chão com os cabelos na frente do rosto e agarra a grama com os dedos, arrancando-a junto com a raiz. Sou capaz de escutar seus gritos sôfregos chamando por Malic. “Meu bebê”. Eduardo abaixa ao seu lado e aperta seu ombro.

Ela ergue o rosto e seus olhos encontram os meus. Minhas pernas ficam moles e tenha a estranha sensação que vou desmaiar.

— Você! – ela levanta e caminha na minha direção, se esquivando dos braços do delegado.

Continuo paralisada.

Madallena se aproxima o suficiente para que eu possa sentir o cheiro de seu perfume. Puxo o ar com força e não desvio dos olhos amarelos que parecem derreter em lágrimas.

Com um forte estralo, sua mão entra em atrito com minha bochecha esquerda e impulsiona meu rosto para o lado, quase me derrubando. Mantenho o rosto do mesmo jeito após a agressão, encaro o chão.

— Se meu filho era um monstro, você também se tornou um! – ela cuspe as palavras em cima de mim e se afasta.

Mas veja bem, somos monstros diferentes: ele matava por prazer e eu, por vingança.

Faróis chamam a minha atenção, é o carro de minha mãe. Ela desce do carro desesperada junto com o meu pai, deixando o automóvel ligado.

— Você está bem? – ela corre em minha direção.

Minha garganta está seca demais para pronunciar uma resposta.

— O que aconteceu? – meu pai pergunta esbaforido.

Talvez eles estejam em choque ao ver meu estado, visto que não troquei de roupa e continuo coberta de sangue.

— Não estou ferida. – murmuro. Fisicamente, não.

— Senhor e senhora Pavillion. – o delegado os chama.

Absortos para onde ir, eles seguem a voz da autoridade e me deixam sozinha, meio hesitantes com a decisão.

— Sua filha é uma assassina! – posso escutar Madallena gritar.

Fecho os olhos. Por que negar a verdade? Não passo de uma assassina mesmo.

O carro do IML arranca para fora da propriedade, levando Malic embora... Para sempre.

Posso me imaginar correndo atrás do carro e gritando por ele como sua mãe gritou, tentando com todas as minhas forças alcançá-lo e trazê-lo de volta ou ir com ele. Contudo, não faço isso. Continuo parada, observando o carro partir. Sem sentir nada.

Escuto passos na minha direção.

— Você o matou?! – minha mãe esbraveja – Onde você estava com a cabeça?!

Encaro-a.

— Ele também me matou. – dou de ombros – Apenas revidei.

Ela fica muda. Meu pai se aproxima e me abraça.

— Sei que andei distante de você e não leve isso a mal, estava apenas tão chocado quanto você com tudo o que aconteceu. Admiro sua força em continuar, mesmo sendo a sua maneira e você sempre terá meu apoio. – ele diz e me aperta contra seu corpo.

— Matei uma pessoa, pai. – murmuro.

— Faria a mesma coisa se fosse você. – ele diz, talvez na tentativa de me reconfortar embora eu tenha crescido escutando meu pai falar que se alguém me matasse, ele mataria a pessoa também, dando exemplos em casos de assassinato dos noticiários.

Agora, tanto para ele quanto para mim foi real e aconteceu.

— Vamos para casa. – ele passa o braço por meus ombros – Há uma longa estrada pela frente agora.

Entro no carro e encosto a testa no vidro. Ainda consigo escutar Madallena mandar me prender, admiro a paciência infinita do delegado em explicar para ela a situação. Mas também posso sentir a dor dela, uma mãe que perdeu, praticamente, todos os filhos.

***

Dentro de meses virei vilã e heroína. As opiniões das pessoas se divergiam à medida que ia descobrindo de minha história e de minhas ações, para muitas não passei de uma assassina — “ matá-lo não resolveu nada.” -, e para outras sou uma justiceira – “o feitiço voltou contra o feiticeiro”. A verdade é que as pessoas não sabem o que sentir e absorver de toda essa trama sem fim, a única coisa que sabem fazer é julgar aos seus olhos e pronto, ninguém se coloca no lugar de ninguém.

Minha história com o Malic inspirou mais livros.

Serei eternizada como a Chapeuzinho de Villa Lobos que se apaixonou pelo Lobo Mau.

Encontro minha cara em cada canto da rua e da internet, já estou acostumada com isso e familiarizada. Muitos jornais vem me chamando para entrevistas exclusivas sobre o caso. Já fiz ensaios para mais de três revistas.

As pessoas gostam de desgraça.

— O Matthew chegou. – mamãe entra no quarto.

Matthew tem sido uma peça encaixe na minha vida. Está aqui enquanto os outros estão lá, sempre me deixando desabafar a mesma coisa e me fazendo esquecer do mundo e dos problemas, como sempre fez e fará. É a luz no fim do túnel para uma desiludida da vida, é a máscara para as minhas feridas. Então, por que não? Permiti que um doente entrasse na minha vida e acabasse com tudo, deixando apenas poeiras. Por que não posso dar chance para uma pessoa boa? Uma pessoa que me fará bem.

— Finalmente a celebridade teve tempo para o namorado. – ele entra no quarto.

Sorrio e finalizo a maquiagem.

— Sempre tenho tempo para você. – faço uma careta.

— A declaração não cola com os fatos.

— Acho melhor reverem os fatos. – replico com um sorriso presunçoso.

Ele ergue uma sobrancelha.

— Está linda no seu, nada habitual, vestido vermelho.

— Para você.

— E para o programa de t.v. – ele completa.

— Não seja estraga prazer. – beijo-o.

Dou mais uma olhada no espelho para verificar se está tudo certo, assim que saio do banheiro o encontro olhando para minha caixinha de veludo.

— Pedi para jogar isso fora. – ele relembra.

— É só um anel. – reviro os olhos.

— Um anel dele. – ele estreita os olhos e coloca a caixinha em seu devido lugar.

— Malic está morto. – tento pôr um fim no assunto.

— Não é o que parece para você.

Ignoro e saio do quarto, indo para as escadas.

O que as pessoas não entendem é que não é fácil se livrar de sentimentos, principalmente os que senti por ele. Não é da noite para o dia que irei apagá-lo da minha cabeça, está mais para uma decomposição. Querendo ou não, ainda sinto apertos no peito ao me lembrar dos olhos amarelos e de sua voz – a voz que nunca mais irei escutar e que, aos poucos, se apaga da minha cabeça. Esquecê-lo é como arrancar um pedaço do meu passado e jogar fora. Frequentemente, ainda sonho com ele naquela noite e meus sonhos destorcem a realidade, me fazendo acreditar que quando eu acordar, ele estará ao meu lado – mas não é isso que aconteceu, muitas vezes acordo sozinha ou com Matthew.

Meus pais nos aguardam no carro.

***

A plateia aplaude algum comentário que fiz sobre o caso e isso faz meu coração palpitar, nunca fui aplaudida por nada que disse – muitas vezes só fui duramente criticada.

— Entrando mais em seu pessoal agora. – a apresentadora se ajeita na cadeira – Qual a sua mensagem para as mulheres, em geral, sobre a sua experiência de quase morte? Digo, o que você tem a falar sobre isso? Um conselho, uma dica, uma mensagem...

Respiro fundo e encaro a câmera.

— Nós, mulheres, crescemos aprendendo erroneamente que somos as donzelas em perigo esperando pelo príncipe encantado. – encaro a câmera com mais firmeza – E isso não é verdade, podemos, sim, ter um príncipe encantado, só que não podemos crer que ele nos salvará do perigo, porque ele pode ser nossa ameaça assim como pode não haver ninguém na hora H. Tudo dependerá somente de você. – faço uma pausa — Podemos ser as donzelas, não as que estão em perigo, mas as que cortam a cabeça do dragão.

Notas finais
Para Angel Stonem. Hey, obrigada pelos comentários do capítulo anterior, adoro a participação de vocês, principalmente agora no final.