Notas iniciais
Jane Cullen, mais uma surpresa... Outra recomendação! Ai, meu coração. Sério, vocês me surpreende demais e assim não vou aguentar mais não. Muito obrigada, de todo o meu coração frágil de escritora, não sabe como me fez feliz agora♥ Realmente nem sei o que dizer a você para agradecer ♥ Espero que fique feliz em ter esse capítulo em sua homenagem♥♥

Meses depois...

Um sussurro me desperta dos meus pequenos cochilos, durante os últimos tempos não tenho mais conseguido dormir de verdade, a única coisa que consigo fazer é entrar em um estado de relaxamento provisório e despertar no susto de um pesadelo. Mas dessa vez é diferente, estava tendo um sonho ótimo e nem sei se posso chamá-lo de sonho, eram lembranças de minha vida passada, do que vive quando era feliz. Talvez os sussurros que escutei sejam o alerta de meu próprio cérebro para retirar essas lembranças de vista, para me fazer voltar para a realidade.

Não quero abrir os olhos, porém, os abro.

Está escuro, tanto dentro do meu quarto quanto fora dele. Nem um sinal de que o sol já irá lançar seus raios e cortar a noite. Não faço a menor ideia de que horas possam ser.

Meus pés batem em outras pernas, olho para o lado e encontro as costas nuas de Matthew. Então me lembro do que aconteceu horas antes e aquela familiar cãibra em meu estômago se faz presente novamente.

Já estamos a quase seis meses juntos e posso até cogitar em amá-lo, em superar o meu passado para viver meu futuro com ele. Quem estou querendo enganar? Não consigo mentir nem para o outros, quem dirá para mim mesma. Meu corpo rejeita qualquer outro que toca em mim se não for o dele. Uma parte do meu corpo, uma pequena chama de fogo, ainda se nega a acreditar que Malic era o Lobo. Ele não era uma pessoa ruim. Encolho-me.

Nunca conseguiram provar concretamente que ele estava envolvido com as mortes das meninas, muito menos encontraram um motivo. Minha palavra foi a decisão. As pessoas e a polícia estavam tão desesperadas para encontrar um suspeito e satisfazer a necessidade humana de segurança que aceitaram qualquer coisa que lhe caísse a mão. Cai como uma luva.

Dizem que o enterro dele foi fechado e protegido contra a repesaria da população e parece que a família irá mudar por conta disso.

Remexo-me na cama e puxo o cobertor. Minha pele nua clama por uma peça de roupa, escorrego para fora da cama e busco por um pijama em meu guarda-roupa.

Qualquer coisa que eu faço com o Matthew me lembra dele e tenho que fazer uma força incrível para não trocar os nomes ou até mesmo os rostos.

Não estou com sono. Pego meu maço de cigarro – ah sim, faz alguns meses que estou fumando. Fecho a porta com cuidado quando sai e desço a escada na ponta dos pés. Não me dou o trabalho de ascender as luzes, continuo caminhando no escuro até a sala de jantar e paro em frente ao pequeno bar do meu pai. Encho um copo de whisky, apenas três dedos, estou precisando disso.

Ando até as portas de vidro da sacada e saio. O vento frito embala o meu corpo e parece me sussurrar segredos calorosos no ouvido. Umedeço meus lábios e sento no pequeno sofá da varanda. Posso escutar um grilo a distância.

Somos apenas nós.

Dou um gole na bebida e esquento meu corpo. Comprimo os lábios e respiro fundo. Do que valeu tudo isso? Qual o significado?

Ascendo o cigarro e levo-o aos lábios.

— Você deve estar decepcionado comigo por estar fumando. – sussurro – Mas eu precisa de alguma coisa que me matasse já que não tenho coragem de fazer isso sozinha.

Parece que estou sentindo seu olhar sobre mim. O cheiro do cigarro me lembra dele.

— Está sendo mais difícil do que achei que seria, Malic. – aperto meu copo – Nunca me falaram que fazer a coisa certa doía tanto no final.

Levanto e abraço meu próprio corpo, vagando pela sacada a esmo. Balançando de olhos fechados e sorrindo.

— Já dançamos assim, se lembra? – murmuro – Foi tão bom...

Dou outro gole.

“Sabe, gostaria muito de entender o sentido de tudo o que aconteceu com a gente... Ainda é difícil acreditar no que aconteceu, parece mais um dos meus pesadelos que tenho com você toda noite. Seus olhos amarelos apagados, sempre olhando para mim e me julgando.

Eu fiz a coisa certa, não fiz? Você mesmo concordou. Por que estou sofrendo isso então? Me libertei da maldição, mas mesmo assim estou enlouquecendo. Dizem que é depressão... Estão tão errados, isso que tenho não é excesso de passado. Tenho excesso de remorso e amor.

Matthew não tem o mesmo calor que você tinha, também não tem o mesmo amor e vivacidade. Não sei se o amo de verdade ou se apenas finjo para esquecer você.

Frio; é isso que venho sentindo e é isso que vem me engolindo aos poucos. A fama não me alegra mais, os fãs não me fazem sorrir como antes, as vozes que escuto não são as quero ouvir, o que eu falo não é verdade que deve ser dita. Estou mentindo para o mundo e para mim. Eu sinto sua falta, meu amor.

Sei que nem se esforçaram em provar que você era o Lobo, nem que para isso eu fosse presa. Apenas aceitaram e pronto, as pessoas desistem muito fácil. Tudo isso torna mais difícil te esquecer e acreditar no Lobo.

Eu ainda amo você.

Por que venho me esquecendo de detalhes seus? Como sua voz. É quase como uma melodia de infância para minha memória, meu corpo está te apagando enquanto minha alma luta para te deixar aceso.

Meu Malic. Será que em outras vidas poderemos viver o amor que nos foi roubado nessa?

Eu espero que sim. Gostaria de te ver outras vezes. “

Lagrimas se forma em meus olhos. Um cachorro uiva, longe.

Sorrio e ergo o copo.

— A nossas outras vidas, Malic. – sussurro.

Quem estou querendo enganar com isso? Talvez nunca mais o encontre, nosso karma pode ter chegado ao fim nessa vida.

Minhas pernas fraquejam e eu ajoelho no chão, apoiando as mãos na grade branca. Choro.

Sem lágrimas. Sem som. Choro com a alma.

Observo o anel em meu dedo, levo o dedo de encontro aos meus lábios e beijo a delicada pedra.

Eu teria dito sim; Mil vezes sim.

— Bianca, está tudo bem?

Olho para o lado e encontro Matthew, não Malic, Matthew.

— Está. – sopro as palavras junto com a fumaça de meu cigarro – Estou sem sono.

— Precisa de alguma coisa? – ele se aproxima.

Preciso ficar sozinha.

— Não. – evito encará-lo – Estou bem.

— Levante do chão frio. – ele toca em meus ombros – Ficará doente.

Fecho a cara.

— Estou bem aqui. – resmungo e tento me afastar das mãos.

— Ande, Bianca, estou falando sério.

— Estou bem aqui, Malic! – repito mais alto.

Paraliso ao notar o que pronunciei. Matthew fica em silêncio e se afasta.

Merda. Largo meu copo e o cigarro dentro, levanto e ando atrás dele.

— Me desculpa. – digo tentando alcança-lo – Não quis dizer isso.

Ele sobe as escadas.

— Matthew! – seguro em seu braço.

Ele para e me encara, gelado.

— Você quis dizer isso sim. – ele diz, sério – O que você não quer dizer é o meu nome, já que o dele fica entalado na sua garganta.

Seu braço se solta de minhas mãos com brusquidão e ele a volta subir a escada. Corro atrás dele.

— É mentira. – omito – Eu amo você.

Matthew começa a recolher suas roupas e colocar na mala.

— Pare de mentir. – resmunga – Você sempre amará ele, mesmo depois dele ter feito o que fez com você.

— Você está nervoso, entendo, mas vamos parar para conversar direito. – tento impedir que ele termine de guardar suas coisas.

— Não temos mais nada para conversar! – ele me empurra, caio sentada na cama – Você nunca irá superá-lo e isso me dá nojo só de saber que você ainda o ama mesmo depois de tudo.

Franzo o cenho.

— Você merecia ter passado por coisa pior. – ele estreita os olhos – Talvez até ter sido morta.

A cãibra volta, assim como as lágrimas.

Ele sai batendo a porta, sem nem se importar com os meus pais dormindo ao lado.

Deito na cama e agarro o edredom. As lágrimas escorrem e não são pela ida de Matthew e, sim, pelas palavras que proferiu. Como ele pode desejar isso a mim? Como ainda pode ter raiva de uma pessoa morta?

A raiva que um sentia pelo outro pode ser até considerada mortal, assim como é quase impossível superar o amor para mim, é impossível que Matthew supere sua raiva. Mas por quê? Só por que Malic o acusou de ter assassinado a irmã? Ou por que Malic poderia ter motivos para desconfiar de coisas mais graves sobre o Matthew? Qual é o real motivo da raiva?

Lobos. Quando falei com o delegado antes da morte de minha vó, ele havia dito que existiam lobos e não, lobo. Havia mais de um, no entanto apenas um foi “pego”. Onde estão os outros? Por que ninguém mais os procura? Cadê o resto da matilha?

“Você merecia ter passado por coisa pior”.

Aperto os dedos com toda a força no tecido azul e dou um grito abafado.

Não... Não!

“Talvez até ter sido morta”.

Finco os dedos em meu cabelo. Ainda não acabou, eles estão esperando o pastor vacilar para atacar o rebanho novamente. Eles ainda estão aqui.

Notas finais
Para Jane Cullen. Hey, lobinhas do meu coração, capítulo pequeno, eu sei. Apenas para vocês refletirem... Até o próximo!