Diferente
5 Episódio 5 - Max e Maicol, algo a se preocupar
Enquanto Carlos ia buscar pela inspetora ou algum outro funcionário da escola que pudesse ajudar naquela situação, Dante foi se aproximando do veterano do terceiro ano que estava preso na parede.
— Dante, né? Meu nome é André. Foi mal pelos socos e o empurrão, cara. Eu devia ter ouvido a sua explicação primeiro. Desculpa.
O garoto estava notoriamente com medo. Ele parecia ter uma noção de que aquela situação poderia piorar e o que intensificava essa hipótese era o fato de que, aquele ali, cometendo o ato violento, não demonstrou sentir pena, nem remorso.
O atacante se aproximou calmamente da parede, onde o prisioneiro estava, e parou em frente ao garoto.
— Eu não sou o Dante! Meu nome é Maicol. Quem beijou sua namorada foi o Max. Agora que você ouviu a explicação, medo é pouco para o que você deveria estar sentindo.
Após aquelas palavras serem ditas, Dante, agora pedindo para ser chamado de Maicol, levantou lentamente sua mão direita com dois dedos esticados, apontados para o rapaz preso, e depois a abaixou rapidamente. Com esse movimento os braços do garoto foram cortados e caíram no chão, como se duas lâminas gigantes tivessem passado horizontalmente pelos membros.
André deu vários gritos de dor enquanto seu sangue espirrava em várias direções, atingindo alguns alunos, inclusive o próprio Maicol. Algumas meninas que assistiam gritaram de espanto, pela brutalidade da cena, enquanto outras desmaiaram pelo mesmo motivo.
Maicol achou algo estranho. Ele ficou intrigado com a falta de sangue saindo do corpo através dos cortes feitos. Aquela curiosidade o motivou a se aproximar, dando mais um passo para perto da vítima, e nisso reparou que os braços do veterano estavam crescendo novamente, porém de forma lenta. O atacante sorriu e disse:
— Eu posso ficar nisso o dia todo.
André interrompeu seus gemidos de dor para implorar, em lágrimas, ao agressor que cessasse aquilo tudo.
Carlos finalmente voltou, mas só conseguiu encontrar Victória. O menino espinhoso já tinha contado à menina das chamas tudo o que havia acontecido e, naquele momento, ela mesma estava vendo o que rolava.
— Dante, para com isso!
— Cala a boca! Não sou o Dante. Sou o Maicol.
A menina ficou chocada e depois se entristeceu. Ela não acreditava muito nas palavras respondidas e por isso achava que era Dante no controle daquela situação.
Dois minutos depois, a inspetora, o orientador e a diretora apareceram juntos no pátio aberto. Lívia segurava algo em suas mãos, parecia um bracelete feito de pedra e ferro.
Maicol se preparava para cortar novamente os braços do garoto — que já estavam quase completamente regenerados — enquanto olhava para as pernas de André, pensando em cortá-las também para que o aluno sentisse mais dor.
Vendo toda aquela cena de terror e tragédia a diretora decidiu agir, ficando invisível. Quando Maicol levantou o braço para efetuar novamente os cortes, ele reparou um bracelete sendo encaixado em seu pulso, depois viu a diretora ficando visível logo ao seu lado, deixando notório que foi ela quem havia colocado aquele item em seu punho. Em seguida o corpo de Dante e de André caíram no chão ao mesmo tempo, mas somente o novato estava desacordado.
Os amigos do namorado ferido o levaram para a enfermaria por causa dos ferimentos, o aluno do terceiro ano ainda sentia dores pelos cortes feitos. Carlos e Victória levaram Dante para a Arena de Exibição e Desenvolvimento acompanhados pela diretora e pelo orientador, para que quando o garoto acordasse, eles pudessem pedir explicações e conversar.
Dante acordou assustado pouco depois e rapidamente olhou em sua volta, procurando o aluno que o estava agredindo, porém ali só estavam Carlos, Victória, o orientador e a diretora Lívia. Isso o tranquilizou um pouco, mas ainda tinha uma curiosidade incomodando sua mente. Logo então resolveu saná-la:
— Como vocês conseguiram parar o Maicol?
— O bracelete anula qualquer poder de quem o usa. Assim que ele foi colocado no seu pulso você desmaiou — respondeu o orientador com um tom calmo e gentil.
— Agora me explique tudo o que aconteceu durante o intervalo — exigiu a diretora Lívia.
Dante começou a contar sobre o que havia acontecido.
Depois de ouvir tudo, Lívia pegou a ficha do garoto e anotou os outros poderes que faltavam: Telecinese e Persuasão. Após escrever, a diretora pediu ao orientador que desse uma atenção maior a Dante durante as aulas de Treinamento, para assim o garoto controlar melhor suas personalidades e seus outros poderes, além de dizer ao profissional que, para a segurança de todos, ficasse com um bracelete guardado, caso o aluno perdesse o controle novamente.
Com todos sendo liberados pela responsável da instituição, Dante, saindo da arena, foi para a enfermaria, visitar o aluno ferido. O novato apareceu na porta e olhando para André com uma cara de arrependimento e tristeza disse:
— Desculpa.
O veterano, já com seus braços completamente regenerados, sem nenhum arranhão ou marca — como se nunca tivessem sido cortados — evitou olhar para o colega de escola e apenas respondeu com uma expressão de seriedade e medo:
— Não chegue mais perto de mim nem da minha namorada.
O rapaz se levantou da maca e saiu da enfermaria, passando por seu agressor sem nem olhar para ele ou se despedir. Dante abaixou levemente a cabeça, sentindo-se culpado pelo ocorrido, mas ele sabia que não poderia ficar ali se culpando para sempre. Levantou a cabeça e foi embora continuar seus estudos na E.N.D.
Dante ficou treinando duro, além de conversar bastante com o orientador, nas aulas de Treinamento, para poder controlar melhor suas personalidades e habilidades, e assim não machucar mais ninguém sem querer.
[…]
No final daquele ano, Dante, usando o bracelete, comemorou seu aniversário de sete anos em casa com alguns de seus amigos da escola — Victória e Carlos estavam lá — e nove anos depois, junto de seus amigos, ele não repetiu nenhum ano, evoluindo fisicamente, mentalmente e, é claro, melhorando seus poderes.
Fale com o autor