O fogo da cidade já podia ser visto pelo olhar de Cloe. As ruas pareciam estar tranquilas, mas mesmo assim o silencio era atormentador, Cloe só podia ouvir sua própria respiração e o barulho das coisas sendo consumidas pelo fogo. Havia poucos zumbis na rua, quase nem notavam a presença de Cloe por estarem ocupados se alimentando.

A morena ficou mais atenta ao ouvir passos fundos, um som que parecia ficar mais perto e que vinha da esquina. Quando Cloe sentiu que o barulho se aproximar ela se escondeu atrais de um carro vermelho.

–Vamos! Ele foi por ali! – Ela ouviu uma voz masculina, queria ver quem era, mas desistiu da ideia ao ouvir o grito de um animal. Um grito que não era de dor, mas de raiva.

Cloe sentiu o carro mexer e ser pressionado para baixo. Ela olhou para cima e arregalou os olhos de medo. Cloe se lembrou da criatura Hunter no qual Wesker tinha citado. Sua pele era semelhante à de crocodilos e pequenas bolhas vermelhas que vinham das costas e tampava quase o rosto. A criatura também cheirava mal como o esgoto da cidade.

–Achei você maldito! – A voz desconhecida gritou de novo.

Tiros de metralhadora foram ouvidos. Hunter soltou seu ultimo grito de vida e caiu do lado de Cloe. Ela gritou e logo tampou a boca com as mãos percebendo a besteira que havia feito. Cloe olhou para os buracos dos tiros e tentava empurrar o Hunter para longe de si. Seu corpo tremia então não conseguia se levantar.

–Ei. – Um homem alto com colete e metralhadora nas mãos apareceu de repente fazia Cloe tomar um leve susto. – Jill! Eu achei uma mulher aqui. – Ele gritou. – Você está bem? – Ele estendeu a mão para Cloe.

–Sim.....sim. – Cloe pegou na mão do desconhecido e se levantou.

–O que foi Carlos? – Jill apareceu ofegante.

–A coitada estava aqui, tremendo de medo.

–Está tudo bem agora. – Jill disse docemente e pegou no ombro de Cloe. – Meu nome é Jill Valentine e esse é Carlos Oliveira.

–Sou Cloe Scarlet.

–Wow espera um pouco! – Carlos sorriu. – Mais conhecido como Kitty, certo?

–Ahn....certo. – Cloe desviou o olhar.

–Meus amigos sempre quiseram conhece-la.....pessoalmente.

–Do que você está falando Carlos? – Perguntou Jill confusa.

–......-Carlos olhou para Cloe, que estava cabisbaixa. – Nada não Jill, nada não. – Vem com a gente Cloe, não posso te deixar aqui sozinha tão indefesa.

–Eu não estava tão indefesa assim. – Cloe se abaixou e pegou a serra-elétrica.

–Acha que essa serra poderia matar esse monstro? – Carlos pontou para o Hunter.

‘’Não é um monstro, é o Hunter.’’, disse Cloe em seus pensamentos logo se lembrando da correção de Wesker. Ela também se lembrou sobre Nemesis, ele iria caçar Jill até a morte. Poderia ser perigoso andar com eles, ou não, Carlos parecia ser muito bom com a pontaria. Cloe analisando Carlos viu que em seu colete tinha o símbolo da Umbrella.A morena engoliu um seco.

–Vai vir com a gente? – Perguntou mais uma vez Carlos.

–Melhor do que nada....eu acho....-Cloe deu de ombros.

–Então vamos. Temos que sair dessa cidade antes que aquela coisa venha a me perseguir de novo. – Disse Jill já andando.

–Que coisa? – Cloe começou a andar. Já sabia o que era, mas por que não perguntar.

–Há! O cara simplesmente não desiste! Ele é tão feio que nem dá pra descrever.

–Deve ser muito feio mesmo. – Cloe riu. – Digam-me, vocês tem planos para saírem da cidade.

–Claro. Mas antes eu tenho que achar algo que incrimine Umbrella. – Respondeu Jill séria.

Cloe não respondeu nada, achou melhor. Se ela perguntasse mais coisa talvez Jill e Carlos, principalmente Jill, iriam desconfiar de Cloe. Não que ela fosse espião ou algo parecido, ela só não queria responder tantas perguntas, mas queria que todas as suas perguntas fossem respondidas.

***

Jill estava quase sem esperanças, ela queria tanto as provas para incriminar Umbrella que ela queria chorar de raiva e de sua própria decepção. Nada podia ser feito, o tempo que estava acabando atrapalhava, mas o pior de todos era Nemesis.

Agora eles estavam em um Hospital, já haviam passado por lá mas Jill insistiu que ela passou algo passar por lá.

–Jill.....-Carlos se aproximou de Jill. – Acho que realmente não é o seu dia de sorte.

–Eu precisava dessas provas. – Jill disse sem animo.

–Mas você disse que seus amigos....Chris e Barry estão em lugares do mundo atrás de provas também.

–Mas eles confiaram em mim.

–Bem.....-Cloe sorriu. – E você confia neles, não é mesmo?

–É, eu confio. – Jill sorriu de volta.

– E outras, eu estou louca pra sair de Raccoon City. – Disse Cloe. – Vamos embora daqui logo.

–Certo. – Carlos concordou.

Eles saíram do Hospital rapidamente. Na entrada eles podiam ouvir o barulho de algo pesado sendo quebrado dentro do Hospital. Eles se viraram para trás e observaram o Hospital. Do lado a parede se quebrou com toda força e violência, entre os pedaços do chão Nemesis apareceu.

–Stars. – Ele disse com aquela voz rouca e misteriosa.

C loe paralisou por alguns segundos, ele era bem maior do que William e dessa vez Nemesis vinha com uma bazuca. Ele andou em direção a Jill para ataca-la. Jill já estava atirando em Nemesis. Os tiros da arma de Jill acordaram Cloe e mesmo com medo de falhar e de morrer decidiu entrar na briga. Ela puxou o gatilho da serra-elétrica chamando a atenção de Nemesis. Ele se virou para Cloe e começou a andar na direção dela. Quando ele ficou próximo a ela, Cloe se preparou para ataca-lo, mas Nemesis empurrou a serra-elétrica para o chão. Ela engoliu um seco, ela já podia sentir o gosto da morte. Ele a pegou pelo pescoço. Cloe gemia de dor e se contorcia com esperança de escapar daquele destino.

–Não! – Gritou Carlos atirando mais ainda.

Cloe fechou os olhos e lembrou-se do momento que Armand a chamou para um programa, ela estava recriando as cenas, ela queria ter dito não para Armand e ter fugido de Raccoon City antes que as coisas ficassem piores. Ela abriu os olhos e olhou para o céu e se lembrou de Wesker. Era inútil, mas ela queria que ele estivesse ali. Todos aqueles pensamentos foram cortados quando Cloe sentiu algo perfurar sua barriga, depois sentiu um liquido quente descer na sua boca e suas pernas. Ela tremia e seus olhos estavam quase sem brilhos. Com dificuldade ela segurou o braço forte de Nemesis e olhou para baixo. Era seu sangue escorrendo. Com a mão esquerda Nemesis saia aquele tentáculo em direção a barriga de Cloe.

–Cloe! – Carlos gritou com toda a sua força.

–Não! – Gritou Jill.

Os dois atiraram em Nemesis, não tinham mais medo de Nemesis e sim raiva. Logo o mataram, como todas as outras vezes, nunca sabiam se ele estava morto mesmo.

–Ah meu Deus! – Carlos correu até Cloe e se ajoelhou. Pegou a cabeça de Cloe. – Cloe! Cloe! – Jill correu até Carlos e se ajoelhou também.

Cloe abriu os olhos e fitou Carlos. Não sabia como ainda estava consciente, mas sentia tudo desaparecer lentamente. Os efeitos já podiam ser vistos em Cloe, pele pálida e olhos ficando quase sem cor. Os efeitos do vírus T estavam rápidos porque foi Nemesis que a atingiu.

–Eu.....- Cloe disse quase sem voz. Queria terminar a frases, mas estava sem força até para falar. Seus olhos iam se fechando lentamente.

–Carlos.....- Jill estava com a voz fraca.- Acabou para ela.

–Droga. – Carlos fechou os olhos de Cloe e a deixou no chão e se levantou. – Vamos embora daqui, antes que o grandão levante.

–Sim. – Jill se levantou e olhou para Cloe pela ultima vez.

Os dois saíram correndo sem olhar para trás e em suas mentes, juraram matar Nemesis.

***

Wesker viu toda a cena pelo computador. Quando viu Cloe morrer sentiu pena, ele pensou que ela realmente conseguiria sobreviver. Wesker se levantou e antes de desligar o computador copiou os arquivos para um cartão de memoria.

–Ela está morta? – Ada perguntou.

–Está. – Wesker apagou os arquivos e desligou.

–Que pena. – Ada cruzou os braços.

– Você nem a conhecia direito Ada, vamos embora porque para Raccoon City tudo está acabado, o lugar vai explodir. – Ele deu o cartão nas mãos de Ada

***

Carlos e Jill estavam no helicóptero vendo o impacto da explosão. Carlos parecia um pouco depressivo, queria mesmo ajudar Cloe, mas não foi possível.

–Eu sinto muito Cloe. – Ele falou baixo.

Mesmo com a voz baixa Jill ouviu e se sentou ao lado de Carlos.

–Ela está em um lugar melhor. – Disse Jill com um sorriso.

–Que sorte a dela. – Carlos disse com um sorriso.

***

Foi um milagre nenhum dos estrondos atingir o corpo frágil de Cloe. Ela estava jogada no chão com alguns ferimentos de barriga para baixo. Ela conseguia respirar aos poucos e em poucos minutos conseguiu mexer seus olhos esbranquiçados. Não entendia como conseguiu sobreviver. Sua visão só olhava para um reto branco, era plástico e conseguiu ouvir passos.

Seu corpo começou a formigar e seus olhos ganharam a cor avermelhada, deixando só a pupila negra. Logo ela sentiu seu corpo ganhar energia e se levantou. Tudo estava diferente, ela podia ver poucos pedaços de concretos no chão, poucos porque a explosão os desintegrou. Parecia um labirinto com paredes de plásticos. Ela seguia o caminho entre o plástico até achar um jeito de sair de lá. Do nada ela sentiu algo afiado passar pelas suas costas.

Isso fez Cloe cuspir sangue na parede de plástico. Olhou para baixo e viu a lamina saindo de sua barriga. A lamina saiu de seu corpo e Cloe olhou para trás, a dor logo sumiu. Viu um homem todo de preto, com roupas de proteção contra vírus.

–Mas que merda...-Ele disse assustado. – Ei –Ele gritou. – Temos uma arma biológica aqui. – Ele jogou a lança no chão e pegou a arma, apontando para Cloe. Ele atirou e Cloe desviou.

Nem a própria acreditou que conseguira desviar de uma bala. Ela não percebeu, mas ela estava rápida, olhos humanos não conseguiam acompanhar seus movimentos. Ela andou até o homem com sua rapidez ainda nem notada e tirou a arma da mão dele. O empurrou para trás. Ele caiu para longe e Cloe se assustou com sua própria força.

–O que está acontecendo? – Cloe olhou para suas mãos.

Um grande grupo se preto todos com armamento pesado nas mãos cercaram Cloe. Ela olhou em volta e levantou as mãos, ela pensou que não poderia com tantos homens, poderia, mas ela ainda não tem noção do grande poder que está em suas mãos.

Notas finais
Será que teve alguém que tomou um susto ao ler o nome do cap? Agora a coisa vai ficar boa.