Eles já estavam me esperando na casa da Sophia, e mal consegui entrar que eles já me carregaram até o quarto da So, eu contei tudo para eles, assim como eu no inicio ficaram um pouco desconfiados da Roberta. Mas não consigo deixar de seguir minha intuição, eu sei que ela não é uma má pessoa.

— Então agora você vai ter que treinar em dobro.

— Aparentemente sim Sophia. Eu não gostei da exasperação da Roberta no final da nossa conversa. Isso me deixou bastante preocupada, mas eu vou me dedicar totalmente a isso. Eu acho que ela está certa, algo grande está por vir.

— Às vezes ser seu amigo me assusta Maria.

— Isso porque você é bem covarde, Murilinho.

— Acho que eu vou para casa, eu preciso pensar um pouco, e quero começar a treinar ainda hoje.

— Fica para almoçar amiga. Minha mãe estava quase terminando o almoço, vamos.

Eu fiquei para comer, e assim que acabei sai para ir embora, quando já estava no ônibus recebi uma mensagem do Miguel falando que ele havia acabado de chegar em casa, que ele mantinha o teatro para sua mãe não desconfiar nada, e portanto ele não vai conseguir me encontrar hoje.

Eu sinto a falta dele quando estamos longe, ainda mais depois que ficamos juntos ontem, eu queria ficar com ele, conversar. Mas é melhor assim, hoje eu preciso me concentrar. Eu respondo a mensagem dele com vários emoticons de carinha triste e corações quebrados.

Minha tia ainda não está em casa a hora que eu cheguei, por isso vou direto para o banho para relaxar e começar a treinar. Essa parte de controlar a áurea estou ficando cada vez melhor. Eu gasto 30 minutos a mais no chuveiro, apenas brincando de mudar a áurea de lugar. E quando eu saio do banho, antes de me secar ainda tem um brilho ao redor da minha cabeça, caminhando pelo resto de meu corpo. Aos poucos esse brilho vai sumindo, principalmente quando eu me seco totalmente e saio do banheiro.

Eu vou para a lavanderia e encho um balde de água, e o levo para meu quarto. Eu demoro um pouco mais de uma hora para conseguir extrair a áurea em minha direção. No lago foi muito mais fácil provavelmente pela quantidade de água, mas quando eu consigo fica extremamente tranquilo mudar o foco de concentração da energia. Consigo fazer isso mesmo estando deitada na cama e olhando para a televisão.

— Querida vim só avisar que eu cheguei. Por que você está com esse balde aqui?

— É que o ar aqui no meu quarto está um pouco seco, você não está sentindo? E eu li em algum lugar que isso melhora um pouco. Nada demais mesmo.

— Estranho! Você está parecendo sua mãe – essa é uma das primeiras vezes que escuto minha tia comparar-me a minha mãe.

– Eu tenho ouvido muito isso ultimamente.

— De quem? Posso saber?

— A Dona Roberta conheceu bem minha mãe, você sabia?

— A Roberta Almeida? Eu nunca as vi juntas, mas pode ser mesmo já que a Carla frequentava tanto aquela casa. E o que ela te disse sobre sua mãe?

— Nada demais, somente que eu pareço mais com a minha mãe do que eu imagino.

— Não sei não. Vou descer para comer alguma coisa, já comeu?

— Já sim tia, eu almocei na casa da Marta. Vou continuar aqui assistindo minha série.

— Você e essas séries.

Quando ela fecha a porta eu olho para as minhas mãos e dou um sorriso, enquanto estive conversando com a minha tia eu movi a energia da minha cabeça para o meu peito e então para minha mão, e ela só diminuiu um pouco em intensidade. Eu estou melhorando aos poucos.

Amanhã eu já vou encontrar a Roberta para avançar um pouco mais no meu aprendizado. Eu consegui treinar todos os dias, e hoje o Miguel vai comigo até o lago da cidade depois da aula para conseguir treinar um pouco mais.

— Oi chatinha, só como está sua aula em? E vocês dois como estão?

— Estamos bem, acabamos de ter uma aula chatissima de matemática, só o Murilo gostou como sempre.

— Eu não gostei, você sabe que o meu negocio é a arte, eu simplesmente entendi, tenta ter aula particular há mais de um ano para ver se você não começa a entender também.

— Eu estou bem mimado e você? Sua mãe já esqueceu da sua “doença”?

— Disso ela esqueceu dois minutos depois que a gente pisou em casa. Mas sério você realmente está me devendo essa. Ficar a manhã toda com a minha mãe reclamando em um hospital, ainda mais em um sábado foi a maior prova de amor que eu poderia ter te dado.

— Obrigada, mimadinho – eu dou um beijo longo nele, mas dura menos do que eu gostaria, porque somos interrompidos pela Larissa.

— Desculpa atrapalhar o seu namorinho, mas eu preciso falar com você Miguel.

— Pode falar na frente da minha namorada, eu não escondo nada dela.

— Eu queria saber se a viagem de carnaval ainda está em pé? As outras pessoas também querem saber – ela fala, apesar da cara de quem não gostou

— Tinha esquecido totalmente disso, mas está sim – um inicia de sorriso aparece no rosto dela – eu só não vou conseguir ir, mas o hotel já está reservado, podem ir sem mim. Isso é tudo?

— É sim – ela parte enfurecida para o fundo da sala. Enquanto isso a gente começa a rir.

— Você achou que eu iria chatinha?

— Nem por um segundo, afinal você seria um namorado morto se tivesse decidido ir.

— Eu te amo minha ciumentinha.

— Eu te amo meu mimadinho. Agora volta para sua sala, a gente se encontra daqui a pouco, vamos parar na sorveteria para comer um lanche depois vamos direto para o lago está bom?

— Perfeito! Tchau pessoas. Tchau amor.

Sentada na beira do lago, com o Miguel ao meu lado eu olho para a água e vejo toda a áurea que existe nesse local. E em comparação com um balde o lago é mil vezes mais fácil de conseguir puxa-la.

— Eu prometi que não ia falar nada, mas você fica muito linda dando uma de bruxinha maluca.

— Não me faça rir que eu perco minha concentração... Pensando bem pode continuar falando, eu estou treinando mudar o foco da energia sem a minha atenção totalmente nisso.

— Então me explica como funciona essa tal magia.

— Não é bem uma magia, é mais como um dom, eu consigo ver uma energia verde saindo da água, antes quando a chuva caia em mim eu sentia a energia que ela continha, mas eu não sabia como usar. Agora eu ainda não sei muito como usa-la, mas já consigo concentra-la em alguns pontos do meu corpo. Por exemplo, enquanto estou conversando com você eu estou usando a áurea do lago, para concentrar tudo em meus pés... E agora está na minha cabeça, você não consegue ver mas funciona como um rio, a energia que eu canalizo em algum ponto transborda para o resto do meu corpo, mas sempre com origem em alguma parte do meu corpo. Eu queria fazer um teste você deixa?

— Acho que sim.

— Então senta aqui ao meu lado, eu vou concentrar a energia em minhas mão e vou tocar seu rosto, conta o que você sente com isso.

— Eu sinto um calor entrando na minha pele, não um calor propriamente dito, mais como um pequeno choque... Nossa! Agora está mais intenso, e está no meu peito... Nos meus braços... Na minha perna... Em tudo. O que você está fazendo comigo?

— Apenas transferindo um pouco da energia para o seu corpo, eu já consegui com a sua vó, mas ela tem o dom também, então quis fazer essa tentativa com você. Você está inteiro verde, incrível demais.

— Você é mesmo meu amor. Agora eu quero fazer um teste também. Será que você consegue manter o seu dom comigo te beijando?

Enquanto eu o beijo eu não consigo me concentrar na água. Mas fico muito surpresa que mesmo após esse beijo eu ainda possuo a áurea concentrada em minhas mãos, e ainda mais intensas.

— Esse experimento foi um sucesso mimadinho, a energia ainda está na minha mão.

— Então me deixe tentar mais um pouco.

Durante todo o percurso até a saída do parque a áurea ainda me acompanhou, mesmo sem eu pensar nela, acho que estou quase chegando ao ponto em que não preciso nem me concentrar para poder atraí-la inicialmente.

— Amanhã então a gente se encontra na escola, mimado, e depois da aula vou com você até sua casa.

— Às vezes eu acho que você só está comigo por causa do Antônio e da minha vó.

— Você descobriu meu plano de roubar a Roberta e fugir com o Antônio para descobrir o mundo.

— Você é muito bobinha, mas eu até que gosto de você assim.

— Acho bom gostar mesmo. Até amanhã.

— Até.